A literatura do desgosto | Gabriela Vargas | Digestivo Cultural

busca | avançada
37668 visitas/dia
1,1 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Banda GELPI, vencedora do concurso EDP LIVE BANDS BRASIL, lança seu primeiro álbum com a Sony
>>> Celso Sabadin e Francisco Ucha lançam livro sobre a vida de Moracy do Val amanhã na Livraria da Vila
>>> No Dia dos Pais, boa comida, lugar bacana e MPB requintada são as opções para acertar no presente
>>> Livro destaca a utilização da robótica nas salas de aula
>>> São Paulo recebe o lançamento do livro Bluebell
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Rinoceronte, poemas em prosa de Ronald Polito
>>> A forca de cascavel — Angústia (FUVEST 2020)
>>> O reinado estético: Luís XV e Madame de Pompadour
>>> 7 de Setembro
>>> Outros cantos, de Maria Valéria Rezende
>>> Notas confessionais de um angustiado (VII)
>>> Eu não entendo nada de alta gastronomia - Parte 1
>>> Treliças bem trançadas
>>> Meu Telefunken
>>> Dor e Glória, de Pedro Almodóvar
Colunistas
Últimos Posts
>>> Revisores de Texto em pauta
>>> Diogo Salles no podcast Guide
>>> Uma História do Mercado Livre
>>> Washington Olivetto no Day1
>>> Robinson Shiba do China in Box
>>> Karnal, Cortella e Pondé
>>> Canal Livre com FHC
>>> A história de cada livro
>>> Guia Crowdfunding de Livros
>>> Crise da Democracia
Últimos Posts
>>> Uma crônica de Cinema
>>> Visitação ao desenho de Jair Glass
>>> Desiguais
>>> Quanto às perdas I
>>> A caminho, caminhemos nós
>>> MEMÓRIA
>>> Inesquecíveis cinco dias de Julho
>>> Primavera
>>> Quando a Juventude Te Ferra Economicamente
>>> Bens de consumo
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Ser intelectual dói
>>> O Tigrão vai te ensinar
>>> O hiperconto e a literatura digital
>>> Aberta a temporada de caça
>>> Se for viajar de navio...
>>> Incompatibilidade...
>>> Alguns Jesus em 10 anos
>>> Blogues: uma (não tão) breve história (II)
>>> Picasso e As Senhoritas de Avignon (Parte I)
>>> Asia de volta ao mapa
Mais Recentes
>>> O Livro da moda de Alexandra Black pela Publifolha (2015)
>>> Rejuvelhecer a saude como prioridade de Sergio Abramoff pela Intrinseca (2017)
>>> O livro das evidencias de John Banville Tradução Fabio Bonillo pela Biblioteca Azul - globo (2018)
>>> O futebol explica o Brasil de Marcos Guterman pela Contexto (2014)
>>> O Macaco e a Essencia de Aldous Huxley pela Globo (2017)
>>> BATISTAS, Sua Trajetória em Santo Antônio de Jesus: o fim do monopólio da fé na Terra do Padre Mateus de Jorgevan Alves da Silva pela Fonte Editorial (2018)
>>> Playboy Bárbara Borges de Diversos pela Abril (2009)
>>> Sarah de Theresa Michaels pela Nova Cultural (1999)
>>> A Bela e o Barão de Deborah Hale pela Nova Cultural (2003)
>>> O estilo na História. Gibbon & Ranke & Macaulay & Burckhardt de Peter Gay pela Companhia das Letras (1990)
>>> Playboy Simony de Diversos pela Abril (1994)
>>> Invasão no Mundo da Superfície de Mark Cheverton pela Galera Junior (2015)
>>> José Lins Do Rego- Literatura Comentada de Benjamin Abdala Jr. pela Abril Educação (1982)
>>> A modernidade vienense e as crises de identidade de Jacques Le Rider pela Civilização Brasileira (1993)
>>> Machado De Assis - Literatura Comentada de Marisa Lajolo pela Abril Educação (1980)
>>> A Viena de Wittgenstein de Allan Janik & Stephen Toulmin pela Campus (1991)
>>> O Velho e o Mar de Ernest Hemingway pela Círculo do livro (1980)
>>> Veneno de Alan Scholefield pela Abril cultural (1984)
>>> O Livreiro de Cabul de Asne Seierstad pela Record (2007)
>>> Os Dragões do Éden de Carl Sagan pela Francisco Alves (1980)
>>> O Espião que sabia demais de John Le Carré pela Abril cultural (1984)
>>> Administração de Materiais de Jorge Sequeira de Araújo pela Atlas (1981)
>>> Introdução à Programação Linear de R. Stansbury Stockton pela Atlas (1975)
>>> Como lidar com Clientes Difíceis de Dave Anderson pela Sextante (2010)
>>> As 3 Leis do Desempenho de Steve Zaffron e Dave Logan pela Primavera (2009)
>>> Curso de Educação Mediúnica 1º Ano de Vários Autores pela Feesp (1996)
>>> Recursos para uma Vida Natural de Eliza M. S. Biazzi pela Casa Publicadora Brasileira (2001)
>>> Jesus enxuga minhas Lágrimas de Elza de Almeida pela Fotograma (1999)
>>> As Aventuras de Robinson Crusoé de Daniel Defoe pela LPM Pocket (1997)
>>> Bulunga o Rei Azul de Pedro Bloch pela Moderna (1991)
>>> Menino de Engenho de José Lins do Rego pela José Olympio (1982)
>>> Terra dos Homens de Antoine de Saint-Exupéry pela Nova Fronteira (1988)
>>> O Menino de Areia de Tahar Ben Jelloun pela Nova Fronteira (1985)
>>> Aspectos Endócrinos de Interesse à Estomatologia de Janete Dias Almeida pela Unesp (1999)
>>> Nociones de Historia Linguística y Estetica Literaria de Antonio Vilanova- Nestor Lujan pela Editorial Teide/ Barcelona (1950)
>>> El Estilo: El Problema y Su Solucion de Bennison Gray pela Editorial Castalia/ Madrid (1974)
>>> El Cuento y Sus Claves de Raúl A. Piérola/ Alba Omil (profs. Univ. Tucumán pela Editorial Nova, Buenos Aires (1955)
>>> Las Fuentes de La Creacion Literaria de Carmelo M. Bonet pela Libr. del Collegio/ B. Aires (1943)
>>> As Hortaliças na Medicina Doméstica/ Encadernado de Alfons Balbach pela A Edificação do Lar (1976)
>>> A Flora Nacional na Medicina Doméstica de Alfons Balbach pela A Edificação do Lar
>>> Arlington Park de Rachel Cusk pela Companhia das Letras (2007)
>>> Muitas Vidas, Muitos Mestres de Brian L Weiss pela Salamandra (1991)
>>> As Frutas na Medicina Doméstica de Alfons Balbach pela A Edificação do Lar
>>> Coleção Agatha Christie - Box 8 de Agatha Christie; Sonia Coutinho; Archibaldo Figueira pela HarperCollins (2019)
>>> As Irmãs Aguero de Cristina García pela Record (1998)
>>> Não Faça Tempestade Em Copo Dágua no Amor de Richard Carlson pela Rocco (2001)
>>> Um Estudo Em Vermelho - Edição De Bolso de Arthur Conan Doyle pela Zahar (2013)
>>> Eu, Dommenique de Dommenique Luxor pela Leya (2011)
>>> Os Cavaleiros da Praga Divina de Marcos Rey pela Global (2015)
>>> O Futuro da Filosofia da Práxis de Leandro Konder pela ExpressãoPopular (2018)
COLUNAS

Quinta-feira, 9/10/2008
A literatura do desgosto
Gabriela Vargas

+ de 6200 Acessos
+ 1 Comentário(s)

Muitos escritores são bons. Alguns escritores são realmente bons. Poucos conseguem ultrapassar as barreiras nacionais para tornarem-se mundialmente conhecidos. Podem ser contados nos dedos os escritores que são tão amados e odiados como Michel Houellebecq.

Ao pôr fim à difícil situação em que a literatura francesa se encontrava há mais de quarenta anos, restrita apenas a região, ele abriu as fronteiras não apenas da França, mas também do continente europeu, com o seu primeiro romance. Extensão do domínio da luta (Sulina, 2002, 142 págs.) foi lançado em 1994 pela editora Maurice Nadeau e traduzido para o português por Juremir Machado da Silva pela Editora Sulina, em 2002.

Após esse livro, Houellebecq lançou outros tantos que causaram polêmica e fizeram sucesso, como Partículas Elementares, que o tornou multimilionário com a recente adaptação para o cinema. O longa-metragem foi dirigido por Oskar Roehler e, naturalmente, chegou aos cinemas do Brasil com dois anos de atraso.

O escritor francês adquiriu notoriedade e respeito na área da literatura ao ser comparado a grandes escritores. Seu texto duro, pesado, cru, sem grandes variações lingüísticas muito lembra Jean-Paul Sartre. Alguns críticos freqüentemente comparam-no a Balzac e Schopenhauer.

Em Extensão do domínio da luta, de apenas 142 páginas, o leitor tem a impressão de morrer progressivamente, primeiro levando bofetadas e depois cuspindo sangue. O personagem principal é um jovem analista de programas de uma empresa de informática que narra sua vida, desde a primeira página, com uma voraz descrença no mundo. Alguns traços autobiográficos são notáveis. O narrador sofre pela separação ocorrida há algum tempo com Verónique. Michel Houellebecq entrou em depressão após o término do seu casamento. Seguindo mais ou menos por essa linha, o narrador-personagem vai se perdendo. Primeiro, é o carro. Ele esquece onde estacionou e desiste de procurar. Depois, são meses viajando a trabalho e, durante esse meio tempo, cresce a depressão profunda e destrutiva.

O próprio autor considera o seu romance a aprendizagem do desgosto. Pelos pensamentos e narrativa do personagem, nota-se o total desencanto com a humanidade e o desespero de uma pessoa que não vê mais razão na vida, apenas um vazio. Em certos momentos vem à cabeça o grande filósofo Nietzsche e o seu niilismo, em que não se tem valorização no sentido e muito menos presença de finalidade.

Em meio ao conflito existencial-social do narrador, ele escreve bestiários, gênero improvisado pelo próprio, o que era, originalmente, na Idade Média, um catálogo escrito por monges sobre os animais. "O bestiário é um gênero literário como qualquer outro, talvez até superior aos outros. Seja como for, escrevo bestiários". Através das vielas alternativas da arte ele consegue sentir prazer na vida transformando-se num indivíduo livre e solitário, o que diminui a sensação do vazio proporcionada pela sociedade contemporânea homogeneizada, a qual ele se refere com duras críticas.

"Debaixo dos nossos olhos, o mundo se uniformiza; os meios de comunicação avançam; o interior dos apartamentos se enriquece de novos equipamentos. As relações humanas tornam-se progressivamente impossíveis, o que reduz, na mesma proporção, a quantidade de peripécias de que se compõe uma vida. E, aos poucos, o rosto da morte aparece, em todo o seu esplendor. O terceiro milênio mostra a sua cara".

Uma questão extremamente relevante no livro é a teoria que o personagem cria com a relação entre a hierarquia financeira e a hierarquia sexual.

"Em nossas sociedades o sexo representa, clara e abertamente, um segundo sistema de diferenciação, completamente independente do dinheiro; e se comporta como um sistema de diferenciação no mínimo tão impiedoso quanto o outro [...] Num sistema econômico totalmente liberal, alguns acumulam fortunas consideráveis; outros chafurdam no desemprego e na miséria. Num sistema sexual totalmente liberal, alguns têm a vida erótica variada e excitante, enquanto os outros estão reduzidos à masturbação e à solidão. O liberalismo é a extensão do domínio da luta."

Nesse momento o leitor pára e tenta refletir, meio atordoado. Houellebecq escreve verdades cortantes, mas mesmo assim continua-se lendo, à espera do próximo corte. É como se o texto tão limpo e cruel causasse dependência. O seu estilo, único, pode levar a uma leitura positiva. Como assim? Ele é o pessimismo em pessoa, realmente... Porém, através de uma explicação niilista, essa crítica à sociedade, que a revela sem escrúpulos e mostra os indivíduos sem um real fundamento dentro da mesma, pode servir para incentivar a nossa responsabilidade e liberdade. Agora, se o leitor entender o livro em sua forma mais simples e brutal, no aniquilamento de todos os valores, declínio constante e perda de sentido na vida, creio que seja melhor não ler nem a primeira página.

Michel Houellebecq é um escritor complicado. Nem os que admiram sua literatura são capazes de compreendê-la. Muitos o odeiam exatamente por essa razão, outros pelas freqüentes polêmicas que ele causa na imprensa. Mas todos terão de reconhecer que somente um bom escritor poderia gerar tanta controvérsia a nível mundial e que com idade relativamente jovem, 52 anos, o autor de Extensão do domínio da luta é um fenômeno.

Para ir além






Gabriela Vargas
Porto Alegre, 9/10/2008


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Literatura, quatro de julho e pertencimento de Guilherme Carvalhal
02. Um mês depois de Julio Daio Borges
03. O momento do cinema latino-americano de Humberto Pereira da Silva
04. Os dilemas de uma sociedade em Escudo de Palha de Guilherme Carvalhal
05. Para entender os protestos e o momento histórico de Julio Daio Borges


Mais Gabriela Vargas
* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
9/10/2008
15h44min
Dez razões para se ler um livro deprimente:
1 - O leitor infeliz se identifica com o escritor infeliz.
2 - O leitor vê que sempre há alguém mais infeliz que ele.
3 - O leitor nota que, embora infeliz, é inteligente, porque o livro é considerado difícil (na verdade, difícil de agüentar).
4 - O leitor se acha muito humano, por sentir a dor do mundo.
5 - O leitor sente inebriado pela auto-piedade.
6 - O leitor sai dizendo que leu um livro para poucos e se considera um eleito.
7 - Se o livro tiver qualidade, acentuam-se as vantagens acima.
8 - Se o livro não tiver qualidade, o livro vira cult, o leitor vira fã e abre um fã clube.
9 - O leitor aprende outra língua, para ler no original.
10 - O escritor fica feliz com seus leitores, embora tenha que forçar o tom depressivo em suas obras pelo resto da vida.
[Leia outros Comentários de mauro judice]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.




Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




SATERERIA - TRADIÇÃO E POLÍTICA SATERÉ-MAWÉ
GABRIEL O. ALVAREZ
VALER
(2009)
R$ 45,00



PRÓXIMO DESTINO MARTE
MARINA VIGIAL
PANDA BOOKS
(2005)
R$ 4,75



AJUSTES FISCAIS. EXPERIÊNCIAS RECENTES DE PAÍSES SELECIONADOS
RUBENS PENHA CYSNE
FGV
(2007)
R$ 32,00



MARTÍRIO HOJE
LEONARDO BOFF E E. MCDONAVH
VOZES
(1983)
R$ 5,07



INGLÊS - AUDIOVISUAL, INTERATIVO, PROGRAMADO - VOLUME 10
CURSO DE IDIOMAS GLOBO
GLOBO
R$ 7,00



O TESSERACTO
ALEX GARLAND
ROCCO
(2001)
R$ 10,00



A CULPA É DAS ESTRELAS
JOHN GREEN
INTRÍNSECA
(2012)
R$ 12,00



O CAÇADOR DE PIPAS
KHALED HOSSEINI
NOVA FRONTEIRA
(2005)
R$ 10,00



FRUTOS AMARGOS DA TERRA/ AUTOGRAFADO
ANTONIO ARAÚJO
ARMAZÉM DE IDEIAS
(2000)
R$ 59,90



OS DEZ MANDAMENTOS
DIVERSOS
CIRCULO DO LIVRO
(1973)
R$ 10,00





busca | avançada
37668 visitas/dia
1,1 milhão/mês