ENTREVISTAS
Segunda-feira,
2/11/2009
Entrevistas
Entrevistados
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Paula Dip
>>> "Caio Fernando Abreu era um amigo exigente, doava sua alma aos outros, mas exigia doação idêntica. Tinha uma sensibilidade profunda, dolorida mesmo, era um homem muito solitário, a ponto de alguns não acreditarem que ele tinha amigos. Há quem diga que só estava atrás de personagens para suas histórias. Mas eu acredito que ele era pura emoção e nos fazer personagens de seus livros era seu jeito de dizer que nos amava."
por Julio Daio Borges
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Luis Eduardo Matta
>>> "Divulgar e distribuir um livro tornou-se muito mais fácil com a internet. Hoje há uma infinidade de sites, blogs, fóruns, comunidades e livrarias virtuais, onde os leitores se encontram, debatem, se conhecem... É um mundo que estava oculto e que a Web revelou. A gente vê que tem pessoas lendo, que a literatura continua tendo importância e que, no caso do Brasil, encontra-se em expansão."
por Julio Daio Borges
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Spacca
>>> "O jornal, por inércia, continua desempenhando uma função 'cartorialista', eu diria: é lá que as coisas se tornam oficialmente públicas. É por ele que elas entram para a História. É o espaço público central. Já o trabalho intelectual mais sério, talentoso de verdade, divertido, pertinente etc., não está necessariamente lá. Está nos nossos nichos favoritos, que pode ser um blog com vinte leitores... Mas e esse blogueiro, do que viverá?"
por Julio Daio Borges
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Cris Dias
>>> "Quando falam de 'rede social', todo mundo, claro, pensa em Orkut. Em amigos. Em scraps. Em álbuns e comunidades. E aí piram quando descobrem que no Twitter não tem nada disso. E que é isso que torna ele tão mágico, para tanta gente: você usa como quiser. O Twitter é a melhor coisa da internet desde os blogs. A gente achava que, nos blogs, havia conversas? Os blogs hoje parecem tão lentos quanto livros de papel. O Twitter permite ver as coisas se desdobrando diante dos nossos olhos."
por Julio Daio Borges
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Ricardo Freire
>>> "Acho que escrever na 'primeira pessoa na velha mídia' ou 'blogar na nova mídia' não é muito diferente de participar de um Big Brother: você cria um personagem, bem parecido com você, mas um pouquinho melhorado. De vez em quando — sobretudo no calor da internet —, você entrega um pouco mais do que gostaria. Mas, no fim das contas, eu acho que até saio no lucro. Minha 'persona blogueira' é muito mais extrovertida do que eu jamais serei na vida real."
por Julio Daio Borges
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Lúcia Guimarães
>>> "A impressão que tenho hoje é que algumas redações estão no piloto automático. E não acredito na desculpa do jornalismo em tempo real. Antes os editores não deixavam passar besteira. Às vezes, sou entrevistada por jovens e fico triste com o despreparo. Não é questão de inteligência. A culpa não é deles. É dos veteranos, dos chefes que soltam a turma. Como o nível em geral baixou muito, o leitor não cobra qualidade, o editor não edita e o repórter jovem vai perpetuando sua rotina solitária."
por Julio Daio Borges
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Douglas Diegues
>>> "El portunhol selvagem brota de la nada como flor selvagem de la buesta de las vakas. Soy apenas el inbentor de um concepto de portunhol selvagem, um portunhol salbahem enquanto habla y escritura y non-lengua. Um concepto falsificado, paraguayensis, pero que nim Borges y suos acólitos nim los kapos de Oxford ou de la Sorbonna lo podem refutar. Porque de hecho el portunhol selvagem se hay inventado a si mesmo em distintas épocas, antes y después de la Guerra de la Kuádruple Alianza."
por Julio Daio Borges
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André Fonseca
>>> "Preguiça jornalística; falta de cobrança do público leitor; pouquíssimos jornalistas realmente aptos a falar de cultura até como política; influência das assessorias de imprensa e da indústria na definição de pautas; revistas e jornais que subestimam seus leitores; jornalistas culturais que preferem agir mais como 'críticos de arte' do que como verdadeiros jornalistas... ― são esses alguns dos fatores que, somados, talvez possam explicar a nossa parca cobertura cultural hoje."
por Julio Daio Borges
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Miguel Sanches Neto
>>> "Embora não assine embaixo de tudo que diz o narrador de A primeira mulher, acho que ele tem muito de mim. Não consigo acreditar em quase nada hoje em dia fora das relações de amor. O mundo ficou imenso e altamente interativo, mas cada vez ele nos empurra mais, se queremos sentimentos autênticos, para pequenos grupos, os de nosso afeto. É preciso diminuir o mundo para que ele faça sentido. É preciso fechar-se para o mundo em busca de autenticidade."
por Julio Daio Borges
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Heloisa Fischer
>>> "O momento atual é positivo para os clássicos, não apenas pela facilidade de acesso via internet, mas também porque vivemos a era da flexibilidade. As fronteiras caíram, inclusive entre os gêneros musicais. Temos uma nova geração sem preconceitos, cujos ouvidos estão abertos a novidades. Essa geração está on-line, necessariamente. Se houver maneiras de a música clássica chegar, usando a linguagem que esta geração entende, podemos ter um grande resultado."
por Julio Daio Borges
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Julio Daio Borges
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