Digestivo nº 155 | Julio Daio Borges | Digestivo Cultural

busca | avançada
56745 visitas/dia
1,6 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Com Rincon Sapiência, Samanta Luz prepara quiche vegana no Sabor & Luz
>>> Exposição Alma
>>> Festival internacional de fotografia premia fotos vencedoras da edição de 2022
>>> Livro que destaca a importância da diversidade feminina em Conselhos de empresas já está disponível
>>> Festival Curta Cinema apresenta programação 100% presencial e gratuita a partir desta quinta
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Home sweet... O retorno, de Dulce Maria Cardoso
>>> Menos que um, novo romance de Patrícia Melo
>>> Gal Costa (1945-2022)
>>> O segredo para não brigar por política
>>> Endereços antigos, enganos atuais
>>> Rodolfo Felipe Neder (1935-2022)
>>> A pior crônica do mundo
>>> O que lembro, tenho (Grande sertão: veredas)
>>> Neste Momento, poesia de André Dick
>>> Jô Soares (1938-2022)
Colunistas
Últimos Posts
>>> Lula de óculos ou Lula sem óculos?
>>> Uma história do Elo7
>>> Um convite a Xavier Zubiri
>>> Agnaldo Farias sobre Millôr Fernandes
>>> Marcelo Tripoli no TalksbyLeo
>>> Ivan Sant'Anna, o irmão de Sérgio Sant'Anna
>>> A Pathétique de Beethoven por Daniel Barenboim
>>> A história de Roberto Lee e da Avenue
>>> Canções Cruas, por Jacque Falcheti
>>> Running Up That Hill de Kate Bush por SingitLive
Últimos Posts
>>> Nosotros
>>> Berço de lembranças
>>> Não sou eterno, meus atos são
>>> Meu orgulho, brava gente
>>> Sem chance
>>> Imcomparável
>>> Saudade indomável
>>> Às avessas
>>> Amigo do tempo
>>> Desapega, só um pouquinho.
Blogueiros
Mais Recentes
>>> The Boat That Rocked ou Os Piratas do Rock
>>> Livros, revistas, jornais e displays eletrônicos
>>> Música do acaso
>>> Duas cartas
>>> O Suplício do Papai Noel, por Claude Lévi-Strauss
>>> Quincas Borba: um dia de cão (Fuvest)
>>> Depeche Mode 2001
>>> O melhor joio do trigal
>>> A morte de Sardanapalo de Delacroix
>>> O Quarteto Fantástico
Mais Recentes
>>> Execução de Larry Bossidy e Ram charan A4 pela Campus (2005)
>>> A Essência da Homeopatia 343 de Cid Paroni Filho pela Ciclo (2010)
>>> Modelos De Gestao. Das Teorias Da Administracao A Gestao Estrategica de Elizenda Orlickas pela Ibpex (2010)
>>> Livro - De Amor y de Sombra de Isabel Allende pela Debolsillo (2005)
>>> Céu de outro lugar Hai Kais de Alice Ruiz Tradutor pela Expressão / Timbre (1985)
>>> Jesus, o libertador: I. A história de Jesus de Nazaré de Jon Sobrino pela Vozes (1996)
>>> Heidegger, Pensador de un Tiempo Indigente de Karl Lowith pela Fondo de Cultura Económica (2006)
>>> Magia de redenção de Ramatis psicografado por Hercílio Maes pela Freitas Bastos (1989)
>>> O Redentor 343 de Edgard Armond pela Aliança (2010)
>>> O Buda e o Cara: A Secreta Arte Milenar para ter Sucesso no Trabalho e na Vida de Vishen Lakhiani pela Citadel (2022)
>>> Men at work de Paulo Gaudencio A4 pela Gente (1999)
>>> A Formação de um Líder de Marcelo Bigardi pela Tdb (2016)
>>> Livro - Diário de um Zumbi do Minecraft: um Desafio Assustador - Volume 1 de Herobrine Books pela Sextante (2015)
>>> Decamerão- Os Imortais da Literatura Universal de Boccaccio pela Abril (1970)
>>> A Epistemologia de Gaston Bachelard pela Edicoes 70 (1971)
>>> Livro - Diário de um Zumbi do Minecraft Vol. 8 - de Volta À Escola Monstro de Zack Zombie pela Sextante (2016)
>>> Novo Guia de Fotografia National Geographic de National Geographic pela National Geographic (2011)
>>> Como Chegar ao sim: Como Negociar Acordos sem fazer Concessões de Roger Fisher; William Ury; Bruce Patton pela Solomon (2014)
>>> A neoempresa de César souza A4 pela Integrare Business (2012)
>>> O Espírito Santo no Mundo de José Comblin pela Paulus (2009)
>>> A vida no planeta Marte de Ramatis psicografada por Hercílio Maes pela Freitas Bastos (1987)
>>> O Poder Ultrajovem e Mais 79 Textos em Prosa e Verso de Carlos Drummond de Andrade pela Companhia Nacional (2015)
>>> Grandes Nomes da História Intelectual de Marcos Antônio Lopes pela Contexto (2003)
>>> Jack Welch o executivo do século de Robert Slater A4 pela Négocio (1999)
>>> Diálogos Sobre o Conhecimento de Feyerabend pela Perspectiva (2008)
DIGESTIVOS

Quarta-feira, 31/12/2003
Digestivo nº 155
Julio Daio Borges

+ de 2600 Acessos




Imprensa >>> Melhor ser filho da outra
Os jornalistas são hoje os grandes contadores de histórias. Num tempo em que a literatura perdeu sua “utilidade” e muito do seu apelo, são os jornalistas que verdadeiramente falam aos corações dos leitores. Quem duvida que eleja os três livros mais importantes de 2002-2003. Alguém discorda de que sejam os de Elio Gaspari, colunista da Folha, sobre a Ditadura Militar? E em matéria de “gênero”, qual foi o grande divisor de águas no panorama das letras brasileiras nos anos 90? A biografia; de Ruy “O Anjo Pornográfico” Castro e Fernando “Chatô: O Rei do Brasil” Morais. Os nossos maiores “escritores” (não-jornalistas) são de épocas passadas: Rubem Fonseca e Dalton Trevisan, apenas para citar dois (nascidos, ambos, em 1925). Por essas e por outras que o livro “Cale-se” de Caio Túlio Costa, ex-editor da “Ilustrada”, ex-diretor do UOL, salta aos olhos e já se coloca como um dos principais lançamentos de 2003. Faz parte do “portfolio” da nova editora Girafa (“cabeça nas nuvens / pés no chão”), comandada por Pedro Paulo de Sena Madureira – uma lenda do mercado editorial brasileiro; responsável (entre outras coisas) pelo portentoso catálogo da Nova Fronteira, de Carlos Lacerda. Caio Túlio Costa revisita a politizada USP do início dos anos 70, quando estudantes sofriam prisões arbitrárias, por acreditarem ainda na “luta armada” (como forma de combate ao regime de exceção, que se instalou de 1964 a 1983). Caio Túlio, que viveu exatamente o mesmo período (exatamente na mesma universidade), reconstitui os 70 dias entre a prisão, tortura e morte de Alexandre Vannucchi Leme até o corajoso show de Gilberto Gil na Escola Politécnica (em que cantaria, pela primeira vez, a proibida “Cálice” [dele e de Chico Buarque] – daí o título do volume). A saga de Vannucchi Leme, a atuação (por vezes, clandestina) de seus companheiros de “ALN” (Ação Libertadora Nacional) e o retrato de uma USP anos-luz da atual são o ponto de partida para a recriação de uma atmosfera de “idealismo”, “sonho” e obviamente “desilusão”. O que fica, ao final das 350 páginas, não é a mensagem política, “desse” ou “daquele” grupo (30 anos depois) – mas as brumas de um tempo que se foi, e que não volta. Ao qual temos acesso, agora, graças aos escritos de Caio Túlio Costa. Mais do que do jornalismo, não será essa também a função da literatura? [Comente esta Nota]
>>> Cale-se - Caio Túlio Costa - 350 págs. - Girafa
 



Música >>> Arrastão
Hoje é a IBM quem patrocina os festivais da canção. Sim, aqueles que consagraram a geração MPB nos anos 60. E quem está por trás, como ideólogo do “e-festival” (esse é o nome da versão anos 2000), é Zuza Homem de Mello, autor de “A Era dos Festivais” (Editora 34, 2003). A edição deste ano do evento foi encerrada no início de dezembro e teve como vencedores (na verdade, bicampeões) o pessoal do grupo Tarumã. Em segundo, terceiro e quarto lugar ficaram, respectivamente: Lula Barbosa, Renato Motha & Patrícia Lobato e Marco Vilane. Mas a turma da IBM teve uma boa idéia, para ajudar a divulgar esses nomes (além do prêmio): a cada etapa, um artista consagrado é convidado para dividir o palco com um vencedor. E assim o Skank e o Tarumã, na finalíssima, deixaram o DirecTV Music Hall abarrotado (mais ou menos um mês antes, tinha sido Paula Lima e Lula Barbosa). Zuza, o cabeça por trás de tudo, podia ser visto na entrada da casa de espetáculos, dando sopa. Zuza, o que você acha da Maria Rita? “Ela só vai ser uma grande cantora quando sair da sombra da Elis.” E o Pedro Mariano (irmão dela)? “Uma voz interessante; mas um pouco pretensioso – tem os mesmos defeitos do pai e da mãe.” Zuza prepara um novo livro, sobre o qual não dá detalhes; apenas diz que se afastou da crítica musical porque se cansou de ouvir “tanta porcaria”. Esteve ao lado de Marcelo Tas e do diretor de marketing da IBM, Mauro D’Angelo, na abertura dos trabalhos, mas quem deu um show mesmo foi o Skank. Apesar de lamentar que o ano não tenha sido “bom pra ninguém” (parece que “Cosmotron” não vendeu lá essas coisas – as pessoas mal conheciam as músicas...), Samuel Rosa e seus asseclas lavaram a alma com o repertório do “MTV ao Vivo” (2001), mais inserções de Paralamas do Sucesso (“Lourinha Bombril”), Beatles (“Come Together”) e até Led Zeppelin (“Rock and Roll”). Foi uma noite memorável. Mesmo para quem achava que a década de 90 foi igualmente “perdida” (em matéria de música). Tudo indica que a de “00” também não será. [Comente esta Nota]
>>> Skank embala a final do e-Festival IBM
 



Literatura >>> Rebelde aristocrático
Bertrand Russell dedicou um capítulo da sua “História da Filosofia Ocidental” (1945) a Lord Byron. Segundo Paulo Henriques Britto, que prefacia, traduz e posfacia “Beppo” (1818), pela editora Nova Fronteira, Russell considerava Byron o modelo para o super-homem nietzschiano. Goethe (o outro “modelo”) chamou Byron de “o maior gênio do século”; sendo que ele (Goethe) dividiu os louros da poesia do século XIX com outro gigante, Victor Hugo. Enfim, foi com pressa e certa precipitação que varreram o autor de “Dom Juan” (1821) para debaixo do tapete do panteão literário moderno, onde seus versos de um floreio virtuosístico quase insuportável não seriam mais tolerados. Tão interessante quanto sua obra é sua vida. Afinal, para Byron, as duas estavam intimamente ligadas. Não acreditava em criação “livresca” e foi viver intensamente – tanto quanto conseguiu escrever. Era manco (ou “coxo”; tinha um defeito incurável no pé), mas num certo ano, em Veneza, teve cerca de duzentas mulheres. Apavorou-se com a própria contabilidade libertina e, num acesso de censura, ao mesmo tempo em que escreveu isso numa carta, riscou. (Paulo Henriques Britto a reproduz no final do volume.) Ainda segundo Russell (Freud afirmaria o mesmo), Byron passou a vida atrás da própria mãe e seu grande romance acabou sendo o envolvimento incestuoso com a meia-irmã: Augusta. Pela sua cama, ao que parece tão movimentada quanto a do Marquês de Sade, passaram ainda meninos. Respectivamente, sua primeira e sua última paixão. Esta vivida quando lutava pela independência da Grécia (Byron era um aventureiro nato). Morreu no meio da guerra, já descrente de que pudesse ajudar. Tinha 36 anos. Assim, a leitura de “Beppo” (apelido muito comum na Itália para “Giuseppe”) é um mergulho na mente desse sujeito, que não separava seus “heróis” e “anti-heróis” de sua própria existência. Todo mundo (todo mundo mesmo) sabia que, nos textos, era sempre “ele” – e consumia sua produção avidamente. Byron esgotava edições em dias ou semanas. Oscar Wilde, inclusive, tentou ser como ele. De certa maneira, conseguiu. [Comente esta Nota]
>>> Beppo - Byron - 169 págs. - Nova Fronteira
 

 
Julio Daio Borges
Editor

* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




O Pianista de Hitler
Peter Conradi
José Olympio
(2009)



Como Se Tornar um Lider Servidor
James C. Hunter
Sextante
(2006)



Revista Ceciliana Ano 12, Nº 16, Agosto / Dezembro 2001
Unisanta
Unisanta
(2001)



Into the Water
Paula Hawkins
Doubleday
(2017)



A Varinha do Caapora - Coleção Marcha Criança
Antonieta Dias de Morais
Scipione
(2010)



Diáspora
José Maria Rabêlo e Thereza Rabêlo
Geração Editorial
(2001)



O Abc de Carmen Miranda
Dulce Damasceno de Brito
Cia Nacional
(1986)



O Homem que Falava com Espíritos
Luís Eduardo de Souza
universo dos livros
(2010)



Ansiedade Como Prevenir e Supera-la
Izaias Claro
Mythos Books
(2010)



O Dano Moral na Dispensa do Empregado
Enoque Ribeiro dos Santos
Ltr
(2002)





busca | avançada
56745 visitas/dia
1,6 milhão/mês