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>>> O Mistério dos Assaltantes Mascarados de Lourenço Cazarré/ Editor: Bartolomeu C. de Queirós pela RHj/ Belo horizonte (1996)
>>> Os Sonhadores de Vila Rica : a Inconfidência Mineira de 1789 de Edgard Luiz de Barros pela Atual/ Sp. (1991)
>>> República Bossa- Nova : A Democracia Populista (1954-1964) de José Dantas Filho/ Francisco Fernando M. Doratioto pela Atual/ Sp. (1996)
>>> Reinventando a Liberdade: a Abolição da Escravatura no Brasil de Antonio Torres Montenegro pela Atual/ Sp. (1996)
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Segunda-feira, 21/7/2014
Literatura
Julio Daio Borges





Digestivo nº 502 >>> Fernando Pessoa, o Livro das Citações, por José Paulo Cavalcanti Filho
É de José Paulo Cavalcanti Filho a "quase autobiografia" de Fernando Pessoa, composta, mui habilmente, com textos do próprio poeta, amarrados graças a uma densa pesquisa de anos. Não existe nada parecido, nem em Portugal. Como profundo conhecedor da obra do poeta, quase um embaixador de Fernando Pessoa no Brasil, José Paulo Cavalcanti Filho derivou, da "quase autobiografia", um novo livro, de citações. Nem todos os poetas conseguem ser citados "fora de contexto". Ou até são citados, mas não funcionam em forma de frase, fora de seus poemas. Fernando Pessoa, pelo contrário, se revela um aforista e tanto. Porque, justamente, há algo de filosofia em sua obra. Um desejo de pensar o mundo, mesmo quando abdicando do pensamento, ou do exercício do pensamento, como Alberto Caeiro. Álvaro de Campos funciona ainda melhor, sobretudo por causa de poemas como o histórico "Tabacaria". Bernardo Soares, nem é preciso dizer, por causa do Livro do Desassossego, poesia em prosa, no mais alto nível. Mas até Ricardo Reis, o admirador de Horácio, compositor de odes, se sai bem como frasista. Sem contar Fernando Pessoa, "ele mesmo", e outros heterônimos menos conhecidos. José Paulo Cavalcanti Filho traduziu, inclusive, sua produção em inglês e ela funcionou satisfatoriamente em português brasileiro. A grande descoberta, nas notas do organizador, é que são todos, igualmente, Fernando Pessoa, mais do que ele talvez gostaria de reconhecer. Quando se conhece sua história de vida ― no nível em que José Paulo Cavalcanti a conhece ―, Fernando Pessoa se revela inteiro, por mais que tente com seu gênio se camuflar. Este poema, de 1934, por exemplo, não daria uma grande pensata? "Não sabemos da alma/ Senão da nossa;/ A dos outros são olhares/ São gestos, são palavras". E Bernardo Soares, contrariando a produtividade da nossa época? "Adia tudo. Nunca se deve fazer hoje o que se pode deixar de fazer também amanhã". Ou ele, novamente, sobre o amor: "Nunca amamos alguém. Amamos, tão somente, a ideia que fazemos de alguém. Em suma, é a nós mesmos que amamos". Novamente Pessoa, ele mesmo, refletindo sobre o papel do artista: "O artista não tem que se importar com o fim social da arte, ou, antes, com o papel da arte dentro da vida social. O artista tem só que fazer arte". Já, para nós, escreveu Álvaro de Campos: "E tu, Brasil, república irmã, blague de Pedro Álvares Cabral, que nem te queria descobrir!" (grifo do poeta). Ainda Campos, repensando as famosas "cartas de amor ridículas": "Só as criaturas que nunca escreveram/ Cartas de amor/ É que são/ Ridículas". Sem contar o genial slogan que Pessoa escreveu para a Coca-Cola: "Primeiro estranha-se. Depois entranha-se". Ou ele mesmo, mais uma vez, numa carta a Sá-Carneiro: "Estou hoje no fundo de uma depressão sem fundo. O absurdo da frase falará por mim". Desmascarando, ainda, a democracia: "O eleitor não escolhe o que quer; escolhe entre isto e aquilo que lhe dão, o que é diferente". Ou Bernardo Soares, definindo o que Fernando Pessoa fez a vida inteira: "Escrevo porque esse é o fim, o requinte supremo". No final das contas, o que "não tem fundo" é o baú de preciosidades de Fernando Pessoa. Quanto mais descobrimos ― lendo ―, mais nos encantamos. E José Paulo Cavalcanti Filho encontrou uma nova forma de revelar Fernando Pessoa ao mundo. Que a Record continue bancando seus empreendimentos. [Comente esta Nota]
>>> Fernando Pessoa - O Livro das Citações
 



Digestivo nº 502 >>> Reflexões ou Sentenças e Máximas Morais, de La Rochefoucauld
La Rochefoucauld está em qualquer antologia de frases que se preze. Finalmente, a coleção "Grandes Ideias", da Penguin Companhia, resolveu lhe dedicar um volume inteiro. E ficamos sabendo quem é o sujeito. Moralista, no bom sentido, La Rochefoucauld faz um contraponto a Aristóteles, famoso por declarar que "a virtude está no meio" (entre dois vícios). Diz La Rochefoucauld, logo na abertura do volume: "Nossas virtudes são apenas, no mais das vezes, vícios disfarçados". Aristóteles ainda tinha esperança; La Rochefoucauld, nem tanto. Outro tema caro a La Rochefoucauld, e nem tanto a Aristóteles, é o da paixão, tema igualmente caro aos romanos. Diz o francês: "A paixão faz muitas vezes do homem mais hábil um louco, e hábeis os mais tolos". É por isso que os romanos não se apaixonavam nunca. Os gregos, também, achavam abominável. No Banquete, Platão sugere o amor entre "amigos" é mais respeitoso e saudável que "uma paixão violenta". De novo, La Rochefoucauld: "As paixões são os únicos oradores que sempre convencem". Apesar de pensador, La Rochefoucauld desconfiava da filosofia: "A filosofia facilmente vence os males passados e futuros. Mas os males presentes a vencem". Desconfiava, também, do heroísmo: "(...)exceto por uma grande vaidade, os heróis são como os outros homens". Sobre a "força de vontade", ou a "vontade política", como dizem nossos governantes, La Rochefoucauld observaria: "Temos mais força que vontade; e muitas vezes é para nos desculparmos conosco que imaginamos serem as coisas impossíveis". La Rochefoucauld era, sobretudo, um cético ou, em filosofia, até um cínico: "Nunca somos tão felizes nem tão infelizes quanto imaginamos". Sobre a sinceridade: "A sinceridade é uma abertura do coração. Encontramo-la em muito poucos; e a que vemos habitualmente não passa de uma fina dissimulação para atrair a confiança dos outros". Ser verdadeiro poderia ser perigoso, segundo ele: "A intenção de jamais enganar expõe-nos a ser frequentemente enganados". E La Rochefoucauld previu até o transtorno bipolar contemporâneo: "Às vezes somos tão diferentes de nós mesmos quanto dos outros". Desconfiava mesmo dos modestos: "Recusar elogios é desejar ser elogiado duas vezes". E, dos perfeccionistas: "Não basta ter grandes qualidades, é preciso administrá-las". La Rochefoucauld vivia numa sociedade de aparências, como a nossa: "O mundo recompensa mais vezes as aparências do mérito que o próprio mérito". E retomando Aristóteles, de certa forma: "Os vícios entram na composição das virtudes como os venenos entram na composição dos remédios". Para ele, grandeza era saber reconhecer: "Só aos grandes homens cabe ter grandes defeitos". La Rochefoucauld, definitivamente, não tinha muita fé na natureza humana: "Esquecemos facilmente nossos erros quando só nós os conhecemos". O ser humano é, antes de tudo, um fraco? "Quando os vícios nos abandonam, vangloriamo-nos crendo que fomos nós que os abandonamos". Henry Ford concluiu que "qualidade" é "fazer bem feito quando ninguém está olhando". Já La Rochefoucauld o antecipou: "A perfeita coragem é fazer sem testemunhas o que seríamos capazes de fazer diante de todos". Sem esquecer de sua máxima mais conhecida: "A hipocrisia é uma homenagem que o vício presta à virtude". La Rochefoucauld via o amor como uma auto-ilusão: "O prazer do amor é amar, e somos mais felizes pela paixão que temos do que pela que provocamos". E, mais uma vez, sobre a paixão: "A ausência diminui as paixões medíocres e aumenta as grandes, assim como o vento apaga as velas e ascende o fogo". Paixão era sua especialidade: "Estamos longe de conhecer tudo o que nossas paixões nos levam a fazer". Como um mestre zen, fecha assim o volume: "Quando não encontramos repouso em nós mesmos, é inútil buscá-lo fora". E para os infelizes que não têm o que gostariam de ter: "Antes de desejar fortemente uma coisa, convém examinar se quem a possui é feliz". Assim escreveu, no século XVII, François VI, ou o duque de La Rochefoucauld. [Comente esta Nota]
>>> Reflexões ou Sentenças e Máximas Morais
 

Digestivo nº 500 >>> Gabriel García Márquez (1927-2014)
García Márquez foi o escritor hispano-americano mais importante, na nossa época, depois de Borges. Misturados ao boom latino-americano do "realismo fantástico", eram diferentes mas eram complementares. Borges celebrou a grande tradição da literatura. Sua obra é a de um grande leitor ― o maior do século XX? ― que, no fim da vida, foi "a voz" da literatura, em palestras que fazia ao redor do mundo. Sua ficção é ensaística, livresca no bom sentido, quase para iniciados. Borges encarnava o cânone, era contemporâneo dos mestres, nas principais línguas e épocas. Praticamente um inglês nascido na Argentina, foi um conservador ligado à tradição e consagrou sua vida à leitura, mais do que à escritura (para usar uma palavra-chave neste contexto). Já García Márquez foi um mestre da invenção. Cem Anos de Solidão é mitologia, do tipo que escreveu Homero, os evangelistas, gente dessa estirpe. Macondo transcende Aracataca, assim como a Ilíada projeta Troia no infinito e Cervantes concentra, no Quixote, toda uma era de romances de cavalaria. Quando a América Latina tiver desaparecido, Cem Anos de Solidão permanecerá como um retrato fiel da civilização hispano-americana. O romance, aliás, foi impactante mesmo para García Márquez, que comparou a escrita do livro subsequente, Outono do Patriarca, a um doloroso parto. Considerava O Amor nos Tempos do Cólera ― a história de amor de seus pais ― seu melhor livro, e apostava que ― esse, sim ― permaneceria. Como ninguém é perfeito, García Márquez foi amigo de Fidel Castro e defendeu Cuba de ataques políticos, quase sempre em nome da amizade e quase nunca em nome do realismo. Tornaram-se igualmente famosas as rusgas com Vargas Llosa, sobretudo por causa de uma mulher... Gabo, o apelido consagrado de García Márquez, era um homme à femmes, e, com muito charme, se dizia melhor compreendido pelo gênero feminino. Os desentendimentos ― inclusive políticos ― não impediram que a edição comemorativa de Cem Anos de Solidão, pela Real Academia Española, saísse com um ensaio de Vargas Llosa sobre a obra-prima. O primeiro a reconhecer sua importância ― dando uma medida de seu alcance e de sua grandiosidade, já na época do lançamento (o que não é pouco). Num rasgo de populismo à la Jorge Amado, García Márquez se dizia tomado pela cultura popular, mas, num exame mais detido, sua grande influência literária foi William Faulkner. A este, uma vez, perguntaram por que nos estados do Sul havia tanta literatura: "Porque nós perdemos a guerra", Faulkner teria dito. Os Estados Unidos tem um Cem Anos de Solidão? Será que é porque a América Latina perdeu a guerra? García Márquez vale a descoberta e a redescoberta. Cem Anos não é um livro, é um milagre de superação no meio do mundo subdesenvolvido. [Comente esta Nota]
>>> García Márquez no Digestivo
 



Digestivo nº 500 >>> Salinger, de David Shields e Shane Salerno
Por que ler uma biografia de J.D. Salinger? Porque ele escreveu O Apanhador no Campo de Centeio, provavelmente o romance mais influente dos anos 50, em língua inglesa, que levou a rebeldia juvenil ao mainstream, antecipando os beatniks, os hippies e, obviamente, o rock'n'roll, e o pop. O "poder jovem", como se dizia nos anos 60, seria impensável sem Holden Caulfield. Do mesmo jeito, o protagonismo dos jovens brasileiros na época que se convencionou chamar de A Era dos Festivais, até a explosão da "cultura jovem", nos anos 80 (tão bem documentada por Ricardo Alexandre). Até a internet. Salinger cristalizou uma postura anti-establishment que consequentemente inspirou hackers, desde um Jobs, que foi para a Índia e combatia a IBM, o Grande Irmão, até um Zuckerberg, o antisocial fundador da maior rede social do mundo (não sem brigar antes com a namorada e "dar um chapéu" em colegas de Harvard). Holden Caulfield está entre nós; dentro de cada um de nós. E você nem precisa ter lido o livro... Salinger, contudo, pagou um preço alto por isso. O sucesso e a popularidade da obra o assombraram até a morte. Passou décadas tentando se isolar em Cornish, no estado de New Hampshire, ambicionando "levar uma vida normal", mas o máximo que conseguiu foi se converter num dos reclusos mais famosos do mundo, avesso a aparições públicas, levando o controle da sua imagem, e da sua obra, ao limite da paranoia. Shields e Salerno, os autores da biografia, acreditam que a chave para o comportamento de Salinger esteja no transtorno de estresse pós-traumático, em consequência de sua participação na Segunda Guerra Mundial. Salinger tomou parte do famoso desembarque no Dia D, afastou corpos que flutuavam, desviou de muitos outros na praia... Combateu na floresta de Hürtgen, na Alemanha, uma das batalhas mais sangrentas de toda a História. E foi um dos primeiros a ter contato com o horror dos campos de concentração. Esteve em Dachau. Shields e Salerno acreditam que Holden Caufield foi a razão de viver de Salinger nessa época, pois o romance foi escrito no front. Salinger exorcizou seus demônios criando um mostro adolescente, que enfeitiçou multidões de leitores ao longo do século XX. Manteve a serenidade até publicar O Apanhador, mais uma coletânea de histórias da New Yorker, Fanny & Zoey, a "Culmeeira" com o "Diário de Seymour", mais um último conto mal compreendido na mesma New Yorker, "Hapworth 16, 1924", e, enfim, "despirocou". A consagração e as vendas, avassaladoras, tiveram sequência. E Salinger, milionário e hermeticamente fechado, perdeu o senso de realidade. Casou três vezes, teve casos e mais casos com jovens garotas entre a adolescência e a idade adulta ― e escreveu obsessivamente. Mais de 12 horas por dia ― relatos afirmam ―, durante décadas. Shields e Salerno revelam um cronograma de publicação, deixado em seu testamento, que começa em 2015 e que vai até 2020. O que vem por aí? Mais Holden Caulfield? É possível. Mas é possível, também, que toda a espera seja em vão. Gênio ou louco? O que o futuro reserva para J.D. Salinger? [Comente esta Nota]
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Digestivo nº 499 >>> A importância de ser prudente e outras peças, de Oscar Wilde
Quase como Clarice Lispector, que tem frase pra tudo, Oscar Wilde é mais conhecido, hoje, pelas citações do que por qualquer obra sua. Tirando uma frase ou outra que Wilde, efetivamente, declarou, a maior parte das citações vêm de suas obras. Reza a lenda que, na alfândega, em sua viagem aos Estados Unidos, ele teria dito: "Nada tenho a declarar, a não ser o meu gênio". E dizem que, em seu leito de morte, teriam sido estas as suas últimas palavras: "Morro como sempre vivi, além de minhas posses". Wilde era teatral. A ponto de sua confissão, De Profundis, ser considerada, por alguns estudiosos, como mais uma de suas poses. Até quando era sincero, Wilde podia estar encenando. "Mentiras sinceras me interessam", cantou o nosso bardo contemporâneo. Porém, mais do que teatral, Oscar Wilde foi dramaturgo, e homem de teatro. A receita do plebeu irlandês para ascender às altas rodas da elite do império britânico incluiu, além de polêmica, e escândalo, aparições públicas e sucessos de bilheteria no teatro. O Retrato de Dorian Gray, seu romance, talvez permaneça como a principal porta de entrada para sua obra, mas as peças são, como dizem, o filet mignon, e é preciso lê-las para conhecer Wilde. Nesse sentido, A importância de ser prudente e outras peças, pela Penguin Companhia, é um ótimo aperitivo para o universo do dramaturgo irlandês. O volume abre com Uma mulher sem importância, que Paulo Francis definiu como um dos textos mais hilariantes do teatro em inglês, e é mesmo. Nesta peça, encontramos, por exemplo: "Os homens se casam porque estão cansados; as mulheres, porque estão curiosas. Ambos se decepcionam". E: "Nós sempre devemos estar apaixonados. É por isso que nunca devemos nos casar". Feminista, Wilde coloca as mulheres no centro da trama, comandando a ação. Tinha uma sensibilidade profética para captar o Zeitgeist: "A única coisa que vale a pena ser hoje em dia é moderno". Chegando até a nossa época: "Nada faz mais sucesso que o excesso". Ou, ainda: "Adoro os prazeres simples. Eles são o último refúgio do complexo". Se ao lado das mulheres, fazia pouco dos maridos, Wilde converteu o dândi em seu herói preferido. As melhores declarações coloca na boca de Lorde Illingworth, em Uma mulher sem importância; depois, em Lorde Goring, em Um marido ideal (onde esse dândi, aliás, resgata o mesmo "marido ideal" do iminente fracasso); e em Algernon, em A importância de ser prudente, cujo subtítulo é: "Uma comédia frívola para pessoas sérias". Wilde jogava com o contraditório. Era seu charme. Em O marido ideal, por exemplo, diz que "verdadeiras personalidades", raramente, "são populares". Ou que "quando os deuses querem nos punir"... "eles atendem nossas preces". Antecipou o individualismo: "Amar a si próprio é o início de um romance para a vida toda". E o eterno culto à juventude: "A juventude não é uma afetação. É uma arte". Pressentiu que a forma subjugaria o conteúdo: "Ele não tem nada, mas aparenta tudo". E mostrou o segredo de seu sucesso: "Em assuntos de grande importância, o estilo é vital, não a sinceridade". Wilde não brincava em serviço: quando fazia piada, estava falando muito sério. Era o seu gênio. Era a sua assinatura. [Comente esta Nota]
>>> A importância de ser prudente e outras peças
 
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