Digestivo nº 70 | Julio Daio Borges | Digestivo Cultural

busca | avançada
54703 visitas/dia
2,2 milhões/mês
Mais Recentes
>>> Cia O Grito evoca os fantasmas do teatro em nova peça
>>> Meu Reino por um Cavalo faz temporada online a partir de 2 de dezembro
>>> Rosas Periféricas apresenta espetáculos sobre memórias e histórias do Parque São Rafael
>>> Música: Fabiana Cozza se apresenta no Sesc Santo André com repertório que homenageia Dona Ivone Lara
>>> Nos 30 anos, Taanteatro faz reflexão com solos teatro-coreográficos
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Eleições na quinta série
>>> Mãos de veludo: Toda terça, de Carola Saavedra
>>> A ostra, o Algarve e o vento
>>> O abalo sísmico de Luiz Vilela
>>> A poesia com outras palavras, Ana Martins Marques
>>> Lourival, Dorival, assim como você e eu
>>> O idiota do rebanho, romance de José Carlos Reis
>>> LSD 3 - uma entrevista com Bento Araujo
>>> Errando por Nomadland
>>> É um brinquedo inofensivo...
Colunistas
Últimos Posts
>>> A história de Claudio Galeazzi
>>> Naval, Dixon e Ferriss sobre a Web3
>>> Max Chafkin sobre Peter Thiel
>>> Jimmy Page no Brasil
>>> Michael Dell on Play Nice But Win
>>> A história de José Galló
>>> Discoteca Básica por Ricardo Alexandre
>>> Marc Andreessen em 1995
>>> Cris Correa, empreendedores e empreendedorismo
>>> Uma história do Mosaic
Últimos Posts
>>> A cor da tarja é de livre escolha
>>> Desigualdades
>>> Novembro está no fim...
>>> Indizível
>>> Programador - Trabalho Remoto que Paga Bem
>>> Oficinas Culturais no Fly Maria, em Campinas
>>> A Lei de Murici
>>> Três apitos
>>> World Drag Show estará em Bragança Paulista
>>> Na dúvida com as palavras
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Play it again, Sam
>>> 29 de Dezembro #digestivo10anos
>>> Mãos de veludo: Toda terça, de Carola Saavedra
>>> A origem da dança
>>> A morte do leitor
>>> Substantivo impróprio
>>> Quem é (e o que faz) Julio Daio Borges
>>> Lei de Deus?
>>> Um longo desamor
>>> Publicidade e formação política
Mais Recentes
>>> Vida e morte no sertão História das secas no Nordeste nos séculos XIX e XX de Marco Antonio Villa pela Ática (2006)
>>> Brasil: De Getúlio a Castelo (1930-1964) de Thomas Skidmore pela Paz e Terra (1979)
>>> O Xará de Apipucos - Um Ensaio sobre Gilberto Freyre de Gilberto Felisberto Vasconcelos pela Casa Amarela (2000)
>>> Violência sexual no brasil: perspectivas e desafios de Cecília de Mello e Souza; Leila Adesse pela Ipas (2004)
>>> Olhar Sobre A Mídia de Fátima Oliveira pela Mazza (2002)
>>> Sociologia e História de Peter Burke pela Edições Afrontamento (1980)
>>> Antropologia Social de Emílio Willems pela Difel (1966)
>>> Orixás Teogonia de Umbanda de Rubens Saraceni pela Madras (2004)
>>> Dar a vida e cuidar da vida: Feminismo e ciências sociais de Lucila Scavone pela Unesp (2004)
>>> 500 Anos de Brasil - Histórias e Reflexões de Mary del Priore e mais pela Scipione (1999)
>>> Estudos Brasileiros de Ronald de Carvalho pela Nova Aguilar (1976)
>>> Mulher:Feminino Plural - Mitologia, História e Psicanálise de Dulcinéa da Mata Ribeiro Monteiro pela Rosa dos tempos (1998)
>>> Quem São os Criminosos? de Augusto Thompson pela Achiamé (1983)
>>> Liberdade na Escola de A.S. Neill pela Ibrasa (1969)
>>> Gangues, Galeras, Chegados e Rappers. Juventude, Violência e Cidadania nas Cidades de Miriam Abramovay pela Garamond (2006)
>>> Manifestações de junho de 2013 no Brasil e praças dos indignados no mundo de Maria da Gloria Gohn pela Vozes (2014)
>>> ultura Brasileira e Identidade Nacional de Renato Ortiz pela Brasiliense (2001)
>>> Problemas Agrário Camponeses do Brasil de M. Vinhas pela Civilização Brasileira (1972)
>>> A Ilusão Americana de Eduardo Prado pela Alfa Omega (2001)
>>> Da revolta ao crime S.A (Coleção Polêmica) de Alba Zaluar pela Moderna (1996)
>>> Juventude em Debate de Helena Wendel Abramo E Outros (orgs.) pela Cortez (2002)
>>> Razão Sangrenta de Robert Kurz pela Hedra (2010)
>>> Relativizando: Uma introdução à Antropologia Social de Roberto DaMatta pela Vozes (1981)
>>> Estudos sobre o Brasil Contemporâneo de Luiz Pereira pela Pioneira (1971)
>>> Evolução Raça e Cultura de Gioconda Mussolini pela Companhia Ed. Nacional (1978)
DIGESTIVOS

Quarta-feira, 27/2/2002
Digestivo nº 70
Julio Daio Borges

+ de 6000 Acessos
+ 1 Comentário(s)




Literatura >>> Lecturis Salutem
Não é todo dia que topamos com uma edição das “Vidas Comparadas” de Plutarco; ainda mais, ricamente ilustrada e em tradução primorosa, como nesse volume dedicado a “Alexandre e César”, que a Ediouro, sob o selo Prestígio Editorial, acaba de colocar nas lojas. É, sem dúvida, uma ocasião rara, a de visitar a Antiguidade, pelas mãos do possivelmente inventor das biografias de heróis e de figuras notáveis. Sem contar que uma fonte consagrada pelo tempo, como Plutarco, vem para salvar os incautos da profusão dessas “versões romanceadas”, que hoje ornam as vitrines e as estantes das livrarias sem oferecer, nem de longe, a mesma confiabilidade. Alexandre Magno e Caio Júlio César são, para nós, como mitos fundadores: sabemos mais ou menos da sua importância (e a reconhecemos), mas nunca paramos para ler realmente sobre sua época e trajetória. Alexandre, filho de Felipe da Macedônia, conquistou a Europa, a Ásia e a África, portanto, naquele então, o mundo. Teve como preceptor Aristóteles, o Filósofo, e carregava consigo, em campanha, um exemplar da Ilíada de Homero. Defendeu e propagou os ideais gregos, vingando a derrota da Grécia para Xerxes, ao subjugar o imperador Dario, em plena Pérsia. Depois partiu para a Síria, a Babilônia, o Egito (em que fundou Alexandria) e a Índia, de onde resolveu voltar, mas morreu no caminho, de febre. Tinha pouco mais de trinta anos. Além das peripécias mil, chama a atenção, sua disciplina fervorosa, condenando, segundo o autor, a lassidão e a devassidão. E também a maneira quase religiosa como interpretava os sinais (os da natureza e os dos sonhos, por exemplo), consultando oráculos e visitando templos onde quer que estivesse. Já César, viveu numa Roma fustigada pela disputa incessante pelo poder, cercada de traição e de intrigas. Plutarco conta que, jovem, leu a vida de Alexandre e terminou chorando, pois julgava, na sua idade, não ter em comparação conquistado nada. Orador hábil, César enfraqueceu o Senado, e a República, contrapondo-os à Assembléia, e ao povo, em inúmeras ocasiões. Fez da Gália, e da conquista da mesma (custosa e interminável), sua arena, derrotando, em seguida, Crasso e Pompeu, para proclamar-se ditador. O resto (até Bruto), o leitor deve descobrir por si só. Poucas leituras, em qualquer tempo ou lugar, foram, como as “Vidas Comparadas”, tão valiosas. [Comente esta Nota]
>>> "Alexandre e César" - Plutarco - Prestígio Editorial - Ediouro
 



Música >>> Muito mais que vencer
Por fim, Ed Motta, um dos maiores conhecedores de música brasileira, pôde colocar em prática tudo o que aprendeu. O resultado é “Dwitza”, um disco quase 100% instrumental, como ele queria ter feito há, pelo menos, 5 anos. Assinou, inclusive, o contrato com a Universal nessa base: a cada dois CDs lançados de acordo às diretrizes da gravadora, Ed Motta teria o direito de produzir um trabalho totalmente seu – sem qualquer compromisso com a indústria fonográfica e o mercado. Chegou finalmente a hora. O resultado, ao contrário do que se poderia esperar, não é purista nem virtuosístico. O cantor e compositor aparece amadurecido e, embora extremamente sofisticado, continua acessível como sempre foi. Tanto que almeja incursões por outros tipos de público que não só o brasileiro. Deve-se reconhecer que ele atingiu, de fato, um patamar universalizante, o que lhe permitirá comunicar-se independentemente da língua e da linguagem. O gênero preponderante é o Jazz, combinado ao melhor da Bossa Nova instrumental e a gigantes da invenção e do arranjo, como o trompetista Moacir Santos. A ele, reabilitado em disco no ano passado (com o magnífico “Ouro Negro”), ao autor de “Coisas”, “Dwitza” é dedicado. Além de cantar em todas as 14 faixas (ainda que só 2 tenham letra de fato), Ed Motta alterna-se nos pianos rhodes e wurlitzer, na guitarra semi-acústica e em “complementos” variados. Graças aos primeiros, têm enriquecidas suas harmonias (nas quais até arrisca “solos”), e graças aos últimos, têm garantido o pleno domínio do ritmo (em quebras, alternâncias e brincadeiras muito sérias com o “tempo”). Apaixonado pela sonoridade dos LPs dos anos 50, 60 e 70, abdicou dos processos “digitais”, mantendo-se no reino do “analógico” e prometendo edições de “Dwitza” em vinil. As faixas falam por si. O que se ouve é um verdadeiro músico atingindo a sua essência. E, com ela, deixando, como os mestres, uma contribuição perene. [Comente esta Nota]
>>> Dwitza faixa a faixa
 



Teatro >>> Maldito é o fruto
Plínio Marcos foi, no panorama do teatro brasileiro, um dos autores mais anárquicos. Assim sendo, não se poderia esperar dele uma versão bem comportada da vida de Jesus. Em “Jesus Homem”, ele aposta num viés revolucionário, não só do mestre mas também dos discípulos, transformando Judas Iscariotes e até Pedro, o pai da Igreja, em entusiastas da conversão pelas armas, através da tomada do poder, e não simplesmente fazendo uso da pregação ou do evangelho. É uma visão bastante radical e, de certo modo, até anacrônica, porque alguns desses conceitos fogem ao contexto de tantos séculos atrás. O resultado, contudo, é no mínimo provocador. Outra faceta assaz característica da produção de Plínio Marcos, a sua inclinação mambembe, também pode ser encontrada nesta montagem (a terceira desde que a peça foi escrita em 1980). O fato da obra ser construída como ópera-samba já aposta no estranhamento do espectador, que se vê obrigado a conciliar a “missa” com o “morro”, a solenidade com a descontração. Nesse sentido, igualmente, abundam os palavrões de efeito jocoso e mesmo intervenções propositalmente desconcertantes (como a do soldado romano que, do meio da platéia, atende a um telefone celular). O elenco conta com o reforço de grandes nomes (como Jairo Mattos e Vera Zimmerman), e teve o apoio de João Acaiabe, o “Jesus Negro” da primeira versão, em participação afetida quando desta estréia. Eles e o diretor Marcelo Medeiros saúdam o espírito contestador de Plínio Marcos; e, quem sente falta da sua ternura e do seu deboche pode, com prazer, revisitá-lo. [Comente esta Nota]
>>> Jesus Homem - C.C.S.P. - R. Vergueiro, nº 1000 - Tel.: 3277-3611
 



Gastronomia >>> O Conselheiro também come (e bebe)
O “Dalmo” ou, por extenso, o “Dalmo Bárbaro Restaurante”, é uma filial, na rua Bandeira Paulista, do tradicional “Dalmo do Guarujá”. Inaugurado em 1996, nos mesmos moldes do original (que tem mais de 40 anos), o Dalmo de São Paulo é uma opção de alto nível para quem aprecia os chamados frutos do mar e também a culinária caiçara. Numa linha menos despojada, mas mantendo a leveza da decoração praiana, o Dalmo da Bandeira Paulista apoia-se no branco e na luminosidade natural, garantindo uma atmosfera simples e, ao mesmo tempo, elegante. O ambiente divide-se, basicamente, entre o bar (na entrada) e o restaurante (ao fundo). No primeiro, é possível desfrutar de apetitosos petiscos, como as lulas à doré, as iscas de peixe e os mariscos à base de tomate e vinho branco – reunindo todos os elementos para se estar entre amigos em ritmo de “happy hour”. No segundo, o forte são os pratos principais, em porções generosas e impecavelmente bem temperadas. Dentre os destaques, estão a “Scarpa Special” (pescada cambucu, à base de alcaparras), o “Camarão Africano” (grelhado e aberto pelas costas, acompanhado de arroz com ervas) e o “Camarão a Biquíni” (grelhado sem casca, ao alho e óleo). Os preços são plenamente compatíveis com a excelência e a fartura apresentadas. No entanto, quem preferir alternativas mais modicas, pode contar com os “menus executivos” (com opções chegando a custar até a metade do que habitualmente se paga). O Dalmo se revela ideal para quem quer, sem sair da metrópole, se sentir um pouco mais perto do mar; seja no meio do dia, durante o jantar, ou no fim de tarde. [Comente esta Nota]
>>> Dalmo Bárbaro - R. Bandeira Paulista, 520 - Tel.: 3071-3156
 



Cinema >>> Nash equilibrium
Os entusiastas do gladiador que nos perdoem, mas o melhor desempenho de Russell Crowe até agora foi em “Uma Mente Brilhante”. Ele já havia conseguido alguma projeção, anteriormente, em “O Informante”, mas tropeçava, aqui e ali, ao interpretar uma testemunha perseguida pelos poderosos que denunciava. “O Gladiador” nem conta muito, apesar do estardalhaço e dos oscars, pois nele o ator australiano se limitou a empunhar sua espada e a proferir algumas palavras, mantendo praticamente inalterado o semblante. Agora, no entanto, na pele do matemático John Nash, ele promove um salto até então inesperado, para uma trajetória tão curta e não tão, digamos assim, brilhante. Russell Crowe, candidato a sucessor de brutamontes, em filmes ditos de ação e romancecos água-com-açúcar, de repente, toca a platéia, no degenerar de um cérebro promissor padecendo de esquizofrenia. E é ele, não os efeitos especiais ou a presença de grandes nomes (como Al Pacino), que elevam “Uma Mente Brilhante” a um patamar superior, expondo dramas atemporais e humanos, para além das veleidades da estação. O longa não trata apenas de sujeitos geniais, encalacrados em paranóias inerentes à sua própria inteligência, mas também explora a questão dos limites e da impotência, ambos presentes na vida de qualquer pessoa. Envolvendo a aceitação do cruel destino e a luta pela sobrevivência, em batalhas diárias, em obstáculos superados muito paulatinamente, torna a existência de John Nash um fardo, enfim, belo e justificável. Uma lição que vale à pena ser aprendida, e que vai mergulhar muito fundo na alma de alguns. Isso tudo graças a Russell Crowe. Se as tais estatuetas fossem realmente meritórias, ele mereceria uma agora. [Comente esta Nota]
>>> A Beautifil Mind
 

 
Julio Daio Borges
Editor

* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
27/2/2002
17h08min
Muito interessante a abordagem sobre o Plinio Marcos e a peca Jesus Homem. Tive a felicidade de conhecer esse tal "anarquista" autor o qual autografou seu livro Jesus Homem e fico contente de que sua obra ainda continua sendo divulgada atraves de suas pecas teatrais.
[Leia outros Comentários de Marli]

Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




20 Passos Para a Paz Interior
Pe. Reginaldo Manzotti
Agir
(2010)



Manual DVD500 Britânia image
Vários
Britãnia
(2004)



Deuses, Túmulos e Sábios
C. W. Ceram
Melhoramentos
(1972)



O céu dos suicidas
Ricardo Lísias
Alfaguara
(2012)



Ensopado de Dragão
Steve Smallman / Lee Wildish
Ciranda Cultural
(2010)



Como Funciona o Meio Ambiente
Preston Gralla
Quark Books
(1998)



Memórias da Menina do Povo - Coleção Passelivre vol. 60
Dinorath do Valle
Nacional
(1985)



Mistério - os Crimes da Rosa Azul
Peter Straub
Francisco Alves
(1992)



O Livro dos Espiritos
Allan Kardec
Petit
(1999)



Ludi e os fantasmas da Biblioteca Nacional (Nova Ortografia)
Luciana Sandroni
Escarlate
(2019)





busca | avançada
54703 visitas/dia
2,2 milhões/mês