Digestivo nº 91 | Julio Daio Borges | Digestivo Cultural

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DIGESTIVOS

Quarta-feira, 24/7/2002
Digestivo nº 91
Julio Daio Borges

+ de 2900 Acessos




Imprensa >>> Livro de leitura
Está há alguns meses ornando as bancas, uma pequena revista mensal de cultura pop (mais uma) com um título singelo e um subtítulo revelador: "Simples - arte disfarçada de bem de consumo". Difícil uma publicação que capte melhor o espírito da "juventude contemporânea brasileira". "Simples" descende das publicações moderninhas dos anos 80, atravessa o "gap" editorial dos anos 90 e desembarca nos anos 2000, ressaltando todas as mudanças comportamentais e jornalísticas no segmento "jovem" desde então. A começar pelo "expediente": caíram os jornalistas e demais habitantes de uma redação (diretor, editor, redator) e ascendeu toda uma gama de profissionais da imagem (produtores, designers, criadores, artistas). A palavra perdeu seu status: os textos não passam de uma página; têm de ser obrigatoriamente embalados como ícones, boxes, chamadas ou legendas explicativas. A música não é mais o assunto predominante. Como na "Wallpaper" (a "Simples" conta com Chico Lowndes na publicidade, que também representa a publicação inglesa no Brasil), viver assume um caráter lúdico e saber desfrutar o momento presente significa circular pela indústria com desenvoltura, não combatendo o capitalismo (e suas selvagerias) mas tirando dele o melhor proveito. A cidadão se afirma como consumidor, portanto. As palavras-chave são: moda, tendências, atitude, estilos, conectividade e ambiências. "Simples" é quase uma ideologia e nela habitam "descolados" das mais variadas plumagens: desde a cineasta Tata Amaral até o cartunista Caco Galhardo; desde a videomaker Ida Feldman até a fotógrafa Debby Gram. Na presente edição, uma reportagem um pouco mais elaborada sobre café e uma entrevista de conteúdo com Zuza Homem de Mello. A internet povoa as páginas e "Simples" propõe a melhor assimilação do universo virtual, pela mídia impressa, até agora: e-mail de todos os colaboradores; links complementares às matérias; diagramação e uso de tipos (fontes [letras]) que derivam diretamente da linguagem dos sites e da simplificação da escrita proposta pelo "eletronic mail". Seria precipitado julgar, positivamente ou negativamente, as causas e conseqüências dessa empreitada. Por enquanto, vale à pena observar o fenômeno. [Comente esta Nota]
>>> Revista Simples - Editora Semproblema - Tel.: 11 3082-4260
 



Música >>> Revolto e revolucionário
Por causa de toda a expectativa criada em torno do artista de "Samba Raro" (2000), Max de Castro sempre soube da dificuldade em superar seu primeiro álbum. Por isso, não o superou: seguiu por um caminho novo. É a sensação que nos passa esse recém-chegado "Orchestra Klaxon". Apesar da homenagem explícita à revista que semeou as idéias do modernismo, Max de Castro fala em renovação (confirmado a tese da angústia da [própria] influência). Contrariando a abertura robotizada do primeiro CD, esse segundo recorre a um afrossamba (na descrição do próprio compositor), intitulado "O futuro pertence à Jovem Guarda", no melhor estilo Moacir Santos, dedicado ao seu amigo... Ed Motta. (Quem anda atento às dedicatórias deve se lembrar que o sobrinho de Tim Maia endereçou seu "Dwitza" [2002] ao criador por trás de "Ouro Negro" [2001].) Mas as coincidências e os namoricos não param por aí: a segunda faixa, feita para arrebentar e convencer o comprador que passeia pelo disco na loja, tem letra do nosso amigo... Erasmo Carlos. O Tremendão anda inspirado como não acontecia há muito: "Se desfez dos adereços e se vestiu de nua / (...) / Não sabia o samba-enredo, mas sorrir, sabia até de cor / (...) / Num imenso baile-funk, só que era carnaval." Esse último verso, por coincidência (ou não), assenta perfeitamente sobre a estética de Max de Castro: campeão de batidas eletrônicas de vanguarda, sempre que pode, fixa suas bases nas levadas seminais de Ben Jor. Samba Raro, Samba Esquema Novo (1963), Samba Esquema Noise (1994) - estão todos irmanados neste "Orchestra Klaxon". Outros convidados desafiam a unidade do CD, mas não a abalam: Patrícia Marx, Liminha, Daniel Jobim, Wilson das Neves, para ficar entre os consagrados. Fora as outras parcerias: Bernardo Vilhena (o mesmo do Lobão de "Vida Louca Vida") na intrigante e grudenta "A vida como ela quer"; Seu Jorge (de Samba Esporte Fino [2001], mais um [!]) na maliciosa e bossa-novística "O nego do cabelo bom", com uma Paula Lima misturando Alcione e Miúcha. Max de Castro ainda ensaia flertes com os versos de Caetano (em "Mancha Roxa"), com o mais puro lounge ("Petit Comitê na Casa de Tia Ciata") e com a latinidade ("Acapulco, daqui a pouco"). A melhor surpresa, contudo, fica a cargo dos momentos sérios: "Os óculos escuros de Cartola" e a confessional "Calaram a voz do nosso amor". Netas de Babulina. Parece colcha de retalhos; mas não é. Max de Castro se salvou da obsessão pela própria estátua. [Comente esta Nota]
>>> Orchestra Klaxon - Max de Castro - Trama
 



Literatura >>> Aberto e polifônico
Ninguém sabe muito bem, mas parece que foi a indústria cultural quem nos bombardeou com a sua produção, de uns tempos pra cá. Graças a ela, gregos clássicos, romanos decadentes, renascentistas, modernos e pós-modernos convivem na mesma prateleira, sem que ninguém note as diferenças entre eles. Isso cria um problema: muita gente lê a cópia barata (vide, por exemplo, as teorias de Maquiavel aplicadas ao mundo corporativo) sem sequer desconfiar da existência de um original logo ali ao lado ("O Príncipe", do século XVI, nesse caso). Para suprir essa deficiência e, de algum modo, orientar o leitor desamparado, surgem livros como o de John Lechte, recém-lançado pela Difel: "50 Pensadores Contemporâneos Essenciais - Do Estruturalismo à Pós-Modernidade". Se, em citações aleatórias, nunca se soube situar sujeitos como Foucault, Baudrillard, Touraine, Chomsky, Bataille e Deleuze, existe uma chance desse professor australiano desanuviar algumas mentes interessadas. E confundir outras, é claro; ainda mais se ele pretende atravessar seções altamente indigestas, como a de Semiótica, esmiuçando a obra de autores como Barthes, Eco (não o romancista), Kristeva (sua ex-orientadora), Peirce e Saussure. Também pouco recomendável a seção que abarca o Feminismo da Segunda Geração (nem vale a menção das autoras). Mas o resto parece válido. Lechte, na verdade, "ficha" toda uma época, com breves (e, às vezes, intricados) resumos de cada nome, indicando suas principais obras, textos secundários e alguma bibliografia adicional (de comentadores, biógrafos ou similares). É, portanto, mais que tudo, um guia de referência (não deve ser lido de orelha a orelha). Seu conceito de pensador, no entanto, é elástico, pois inclui em sua seleta escritores como Kafka e Joyce, romancistas como Marguerite Duras e psicanalistas como Freud; ao mesmo tempo, omite figuras indispensáveis como Sartre, Aron, Gide e Camus (nem que fosse como contraponto, deveria evocá-los). Trata-se, enfim, de uma lista e, como tal, imperfeita. Como ponto de partida, contudo, se justifica (nem que seja pela folheada, de pé, na livraria). [Comente esta Nota]
>>> 50 Pensadores Contemporâneos Essênciais - John Lechte - 280 págs. - Difel
 



Além do Mais >>> Maroceano
O prazer da literatura, nas publicações impressas, parece que se perdeu completamente. Os cadernos literários rezam segundo a bíblia do resenhismo jornalístico, e não existe mais espaço para a publicação de originais de autores. Cronistas de prosa poética, como Rubem Braga, praticamente se extinguiram. O estilo pessoal de alguns colunistas, como Ivan Lessa, já não faz verão. Terminamos reféns da informação, da objetividade e da impessoalidade do embrulha-peixe. Por isso a importância de publicações como essa "Sibila - Revista de Poesia e Cultura", que teve seu segundo número lançado ainda há pouco. Vem em formato de livro, em papel jornal, a cargo do Ateliê Editorial. Por ser semestral, passa por um filtro muito mais rigoroso que o diário, o semanal e mesmo o mensal. Claro, não é nenhuma perfeição, e nem tem a pretensão de marcar época: é apenas uma boa revista, oferecendo a possibilidade (temporária) de elevação do espírito. Para isso, colaboram a entrevista de Eliot Weinberger, a poesia de César Vallejo, os fragmentos de Gertrude Stein e a crítica (a Cecília Meireles) de Mário Faustino. "Sibila" sofre de alguns cacoetes, herdados dos rituais de consenso da cultura brasileira: atribui importância exagerada ao Tropicalismo (com aparições de Torquato Neto) e ao Concretismo (fagulhas que escapam de alguns textos). Nada, porém, que comprometa o esforço de Régis Bonvicino, Odile Cisneros e Romulo Valle Salvino, os editores e as cabeças por trás de "Sibila". As quase duzentas páginas têm diagramação agradável e, por momentos, nos sentimos livres dos grilhões da realidade. [Comente esta Nota]
>>> Sibila - Ateliê Editorial - Tel.: 11 4612-9666
 



Cinema >>> Also known as
Para o grande público, pode parecer contraditório que Rubens Ewald Filho tenha lançado um alentado "Dicionário de Cineastas", afinal, o crítico sempre perseguiu a televisão e foi um dos pioneiros do vídeo no Brasil. De fato, conforme atesta o próprio, sua ambição foi também a de comunicador: Rubens escolheu a telinha pois quis falar de cinema para as massas. Seu nome igualmente evoca as controvertidas participações durante as transmissões do Oscar, sempre prejudicadas pelo horário, pelas traduções rocambolescas (não dele) e pelas constantes indefinições (que, por exemplo, fizeram Silvio Santos errar seu sobrenome, numa gafe terrível). A face do Rubens Ewald Filho escritor fica, portanto, escondida atrás de todos esses mitos que ele mesmo preferiu construir. É pena, porque o "Dicionário", de quase 800 páginas, revela um profundo conhecedor de seu métier, tendo produzido a primeira edição dessa obra de referência em 1977, sem similares em matéria de literatura para a sétima arte no País. Seu estilo é leve, em acordo com a imagem que propaga através da tevê. Rubens procura a conciliação e a isenção e, por isso, praticamente não faz crítica (no sentido mais rigoroso do termo); chama a atenção para falhas e escorregões, revelando suas preferências, mas não chega a ser ferino e parece não ter preconceitos de qualquer tipo. Seu objetivo maior é informativo, pois, como conta no prefácio, sonhou com esse guia feito para a consulta de cinéfilos e profissionais do meio. Se a intenção inicial reduz o escopo, o preço (R$ 45) o reduz mais ainda, embora os verbetes sejam tremendamente acessíveis. Além de diretores e produtores, o autor inclui também roteiristas, atores e até outras categorias que caibam na definição de Louis Delluc ("aqueles que fazem alguma coisa pela indústria artística do cinema"). Há um belo trabalho em prol do cinema brasileiro e, no que se refere ao cinema estrangeiro, abarca desde os primórdios da era falada (a muda fica de fora) até o Oscar de 2002. Os entusiastas da internet e do IMDb (que Rubens também consulta) têm ainda a alternativa eletrônica do "Dicionário". É, ele continua querendo ser visto; e lido. [Comente esta Nota]
>>> Dicionário de Cineastas - Rubens Ewald Filho - 797 págs. - Companhia Editora Nacional
 
>>> DIGESTIVO CULTURAL NA REVISTA PLAY

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A revista Play desta semana publica uma entrevista com Julio Daio Borges, o Editor do Digestivo Cultural. Leia Mais
 
Julio Daio Borges
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