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Sexta-feira, 21/9/2007
A contradição de João Gilberto

+ de 8600 Acessos
+ 5 Comentário(s)

"Quando a gente fala de bossa nova, fala do João Gilberto, mas já existe uma contradição aí, porque bossa nova é João Gilberto, mas João Gilberto não é bossa nova." A frase do músico e jornalista Walter Garcia faz sentido. Associa-se muito o nome do violonista ao movimento musical da década de 60, mesmo que sua obra tenha mudado ao longo dos anos. Garcia escreveu sobre isso em sua tese de mestrado, que deu origem ao livro Bim Bom - A contradição sem conflitos de João Gilberto, onde explica a relação entre a obra do cantor e a convivência social, baseada na cordialidade do brasileiro.

Ele analisou tudo isso também no último dia 18, em uma das aulas do curso de MPB promovido pelo Espaço da Revista Cult. Dá início a palestra pedindo a todos que o questionem caso tenham alguma dúvida, pois, segundo ele, para explicar um artista que conhece bem a linguagem musical, é preciso explicar muitas coisas específicas de música. "Quero traduzir tudo na linguagem do dia-a-dia". E para facilitar a compreensão, o jornalista levou um violão para que os alunos pudessem ver e ouvir o que João Gilberto faz.

A contradição sem conflitos de João Gilberto a que Garcia se refere sintetiza o conceito da cordialidade do brasileiro, tema abordado por Sérgio Buarque de Hollanda em Raízes do Brasil. Para exemplificar essa idéia, ele começou mostrando aos alunos passo a passo (acorde a acorde) a origem da batida da bossa nova. O cantor baiano se inspirou na linha rítmica de dois instrumentos que se destacam nos batuques do samba, o surdo e o tamborim, e adaptou o ritmo à batida do violão. "Ele saiu da batida do samba, criou uma batida nova, mas nas variações que faz ao tocar, se aproximou de novo do samba. Então o que ele faz é samba e não é", conta.

Essa é apenas uma das contradições existentes em seu trabalho. No entanto, o jornalista acredita que essa contradição não apresenta conflitos, pois os elementos musicais não entram em choque um com outro. "Há uma linha tênue entre um ritmo e outro. Quando você percebe que ele está saindo da base que criou [com as variações da batida], ele volta à base novamente. É uma contradição que se dá harmoniosamente", conclui.

Outro aspecto contraditório do compositor é o momento do show, onde acontece o encontro entre público e ídolo. O fato de ele interpretar as canções num volume muito baixo causa um certo desconforto na platéia. "A cada movimento que as pessoas fazem durante o show interfere no silêncio da platéia e cria aquele pânico: todo mundo fica com medo de atrapalhar e as pessoas têm que ficar totalmente entregues a música dele." Quando o jornalista fala de contradição sem conflitos quer dizer que é uma ação sempre recoberta por uma harmonia, que faz com que tudo aquilo que possa gerar violência seja atenuado. "Tudo é recoberto por uma afetividade", analisa. Na opinião de Garcia, essa sensação de harmonia é superficial, pois no fundo há uma contenção de emoção. No caso de um show de João Gilberto, a contenção da voz, dos movimentos e da manifestação da emoção do público. "A obra dele é lírica e trabalha com emoção, ao mesmo tempo que causa um distanciamento dela", sintetiza.

Para ir além
Espaço da Revista Cult


Postado por Débora Costa e Silva
Em 21/9/2007 às 14h18


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COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
25/9/2007
11h02min
João Gilberto por si só é uma contradição. Independente do jeito singular que toca o seu violão, sua própria figura destoa de sua voz. Sua tolerância zero a qualquer som que não queira ouvir, sua extrema exigência com o público para que mantenha o silêncio, o uso de microfone (só serve de uma marca, já cancelou um show por não ter o tal modelo), o ter que estar tudo de acordo com o que deseja faz dele uma pessoa única, singular, chata, antisocial. Mas já li em algum lugar que, em raros momentos, JG é uma pessoa adorável, carinhosa, macia como sua voz. Embora, como diz a lenda, o seu gato suicidou-se, atirando-se pela janela, por não agüentar mais ouvir os mesmos acordes saídos de seu violão, por horas a fio. Mas, quando ouvimos aquele som, aquela voz, aquele jeito esquecemos todos so seus "defeitos" e embarcamos em uma viagem verdadeiramente maravilhosa e perfeita. O João é o cara. Ele é a bossa e, com ele, sempre nova.
[Leia outros Comentários de Adriana Godoy Ferrar]
5/10/2007
06h38min
Fomos, somos e eternamente seremos iconoclastas. Talvez esse procedimento seja a metodologia ideal para autenticarmos a nossa insanidade humana, para justificar nosso previsível mau gosto mediante nossas escolhas. Escolher João Gilberto como ícone da Bossa Nova tudo bem. Mas daí atribuir-lhe a genialidade como se faz é um grande equívoco. Anti-social, antipático e repetitivo são os adjetivos apropriados para este cidadão dotado de opacidade. Tenho discos de JG, porém, não participo da unanimidade. Antônio Pimenta de Andrade
[Leia outros Comentários de Antônio P. Andrade ]
5/11/2007
19h15min
Eu não odeio o João Gilberto, porque não o conheço. O que não suporto é a voz dele, o jeito dele cantar... nossa, quando toca na minha querida Inconfidência, sou obrigada a mudar de rádio ou desligar o aparelho, porque é realmente intolerável para mim.
[Leia outros Comentários de Juliana Galvão ]
7/11/2007
18h47min
Gosto é gosto. O que não se pode fazer são afirmações do tipo: "JG é repetitivo". Tecnicamente, JG modifica a harmonia em cada suposta repetição. Os complexos acordes nunca são os mesmos, as diferenças acentuam novos temperos à sonoridade e já deixaram Eric Clapton maluco, quando cismou de gravar um disco com bossa nova. Felizes os que conseguem captar esta riqueza.
[Leia outros Comentários de Juca Azevedo]
11/11/2007
15h40min
O que acontece é que a maioria dos jovens abaixo de 25 anos sequer conhece sua obra. Outro dia eu arranhava Chico Buarque em meu violão e um jovem (que só toca sertanejo) se surpreendia a cada música, pois nunca as tinha ouvido. Os veículos de comunicação de massa só mandam tralhas e poluição sonora. Meu Deus onde vamos parar??!!
[Leia outros Comentários de José Antonio Ribeiro]
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