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Sexta-feira, 1/11/2019
Digestivo Blogs
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Paris de todos os sonhos

Paris. A Paris dos sonhos de todos.
Por vezes gritei teu nome, não ouviste,
E te sorve no egocentrismo injustificável,
Desperdiçando o sorriso me fizeste triste.
Oh! Paris das luzes, do ouro e da beleza,
Das mulheres que mais parecem bonecas,
Na aparência, pois no resto são sapecas,
Sabem o saber da sábia mãe natureza.

Paris. A Paris dos verdes Campos Elísios.
Por que todos te amam? É a Paris volúvel?
Oh! Não. Paris por demais és tu graciosa,
Quem por ti se apaixona sabe, é indissolúvel.
Quem se vai reluta para não te esquecer,
A matéria viva desliza sobre as tuas artérias,
O resplendor dos rostos, flores Francinéias,
E eu me despedi de ti Paris, bem ao alvorecer.

Paris, 18/10/2010 Paris

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Postado por Blog Feitosa dos Santos - Prosas & Poemas
1/11/2019 às 10h47

 
O trovador de ilusões

Ouço o pranto da chuva lá fora,
O respingar nas folhas da amendoeira,
O silêncio do vento que não passa,
Um e outro barulho que não saí para ver.
Meu pensamento vagueia,
Nos recônditos da memória,
Nos dias, os que morreram, no amanhã, no agora.
Encontro você daqui e dali, mesmo sem querer.
Não é preciso dizer, não foi possível ir além.
O solo do coração é terra que não se manda,
No céu dos olhos, não há estrelas,
Assim mesmos os amantes hão de vê-las,
Tilintar no firmamento da emoção.
Tudo isso são coisas da imaginação,
A chuva que rega a rua lá fora,
Não é falha da memória,
Sensibilidade de quem espreita o silêncio,
Do guerreiro e vencedor,
Que não se prosterna sobre a terra,
Não faz, mas também não foge à guerra,
Odeia e ama nas trovas de um trovador.

Novembro 13/2014

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Postado por Blog Feitosa dos Santos - Prosas & Poemas
1/11/2019 às 10h37

 
Quanto às perdas II

Nas profundezas da terra, decide-se
a errância do mundo. E o mundo tem
grandes pernas caminhantes. E o mundo
carrega um falo ereto.

E o mundo tem braços que abraçam.
E o mundo carrega barriga grávida.

De borboletas.
De rochedos.

Plantam rezas as minhas mãos.
Recitando orações, meus lábios
nomeiam sentidos para reger
os acontecimentos.

Na cidade dos homens
distanciam-se as ruas.
Na clareira das aves,
anoitece.

Banhado pelos séculos, o tempo
escorre pelas pernas da garça.

Sobre sinuoso rio de voltas,
longo longo será o voo.


(Do livro Nada mais que isto)

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Postado por Blog da Mirian
25/10/2019 às 21h16

 
Uma crônica de Cinema

Era uma segunda-feira. Dia dezoito de agosto de dois mil e quatorze. Depois de um longo e cansativo dia de trabalho, decidi ir ao cinema, que me serve como remédio para qualquer mal. Tendo assistido quase tudo o que estava em cartaz, optei por 'Não Pare na Pista - A Melhor História de Paulo Coelho', que pelo título já se pode notar o assunto. Fui ao Cinemark e fiz o de sempre, comprei minha entrada e fui comer qualquer coisa para segurar o estômago até a hora em que eu poderia realmente jantar. Entrei na sala assim que foi liberada, para aproveitar os dez minutos de provável sossego. Passaram-se cerca de oito minutos e eu ainda era o único dentro da sala, eis que surge um sujeito, barba e cabelos compridos, quase um Raul Seixas. Sentou-se na mesma fileira em que eu estava e duas poltronas para o lado esquerdo. Ali ficamos, olhos atentos, um grunhido ou risada, hora ou outra. Éramos os únicos na sala e o filme era bom.

Depois de quase duas horas, o filme chegou ao fim. Nós olhamos e com um gesto, simples e rápido, agradecemos um ao outro pela ótima e tranquila sessão. Saímos então do cinema, com uma segunda-feira mais leve nas costas e na cabeça, um filme que fomos assistir juntos, mesmo sem saber.

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Postado por A Lanterna Mágica
14/10/2019 à 01h43

 
Visitação ao desenho de Jair Glass

De autoria do desenhista Jair Glass, o livro intitulado Breviário de Decomposições , Ed. Pantemporâneo, foi lançado na Casa das Rosas, em São Paulo, em setembro deste ano de 2019. Sobre a produção artística de Jair Glass, trago aos leitores este conjunto de poemas que giram em torno do processo criativo observado por mim nos seus desenhos.
Meu pai era desenhista.
Lápis de todas as cores e texturas. Papéis de gramaturas e cores várias. Até papel colorido de balão e bandeirinhas. O onirismo habitava a prancheta e, antes das refeições, revestia a mesa. Na verdade, o desenho habitava aquele tempo. O brinquedo preenchia a casa.
Revivendo a experiência dos materiais que conheci na infância, visitei os desenhos de Jair. Me reencontrei na poética desses materiais. Por isso me desviei da gramática. Por isso a poesia. E não um texto teórico. Eis meu breviário poético.


BREVIÁRIO DO ENCONTRO ÍNTIMO

Para Jair Glass

I
sob cores noturnas
em angustiado sossego,
caminho sem chão
ante o princípio das coisas
não havidas

dentro desse hiato, me reencontro,
oscilante prumo de instável amanhecer
longe da razão acorrentada

“diante do pensamento repetido
a girar em torno do próprio umbigo,
acolho o delírio que nos salva
da razão doente”

visitante do espaço que habita dentro de mim
faço acertos com minhas dúvidas;
meu respirar insiste em percorrer
as arestas do chão

à persistência do náufrago de pulmões de aço,
entrego-me inteira às decomposições do mundo

eu, fragmento desse jogo,
como não me reconhecer
lavrando terras de papel?

diante do espelho quebrado por Narciso,
vejo-me além da objetividade

no bolso, um pedacinho de lápis azul


II
ao desmonte das coisas acabadas,
sorvo transformações do anoitecer
porque a noite tem infinitas luzes

ao desmonte da infinitude,
delineio progressivo ir e vir
enquanto meus dedos deslizam
pelas entranhas da angústia
agregada ao papel

matéria viva, o papel,
tecido de fibras do lume poente:
tensos e lassos fios distendendo-se
de desprazer e gozo

ao impulso das mãos,
ressalto o mundo das coisas que pulsam
antes do pouso no papel

desdobrando traços, linhas, cores,
preencho vazios em meu percurso
ao fundo da Terra

seleiro dos trajetos originários,
a Terra é meu quintal


III
da Terra inteira, faço meu quintal
que me traz de volta ao inesperado

quando desdobro nervuras de papel,
meu cosmos agrega ossos, paredes,
águas, nuvens, manchas

quando redobro fibras de papel,
irrompem versos conduzindo
imagens, segredos e águas

alheia aos desígnios da nascente,
delineio rios sem margens

não mais que vazadouro, a poesia
não mais que vazadouro, o desenho

então me reencontro lavando papéis e objetos
e logo me reconheço mão sonhadora
ao plantio e ao cuidado desse meu quintal

meu quintal, também jardim das metamorfoses

sempre me reconheço
na sedutora indefinição das manchas,
nos cortes e recortes ressuscitando matizes
em meu solo fecundado

então, me reconheço no cultivo do impossível
então, me reencontro costurando hastes d’água
e bordando teias invisíveis na pele das cores

ao entrelace do bordado e da costura,
devolvo à terra o que um dia será terra
presenteio a terra com jornais e revistas
acalento a terra com o madrigal das folhas secas

numa caixa mágica,
minhas provisões do vindouro
reunindo e igualando bichos e humanos,

assim me reencontro arando a ante-linguagem
incontida na palavra

por isso me reencontro no desenho


IV
a germinar tessituras na folha inerte,
meus dedos redobram luzes do dia,
meus olhos abrem-se ao estranhamento
perambulando pela casa

caminhante dos espaços velados,
meu lúgubre enlevo não esmorece,
minha vertigem me reanima na queda,
meu grito alcança o fundo do solo

atravessando a neutralidade da superfície,
meu corpo escorre pelas crateras do encontro
indo frutificar onde a terra nasce da terra
sob raízes da árvore-matriz

quando desdobro nervuras de papel,
meu ânimo irrompe múltiplo de motivos
agregando raiz, tronco, folha, fruto

ao devaneio do papel,
humanizado vegetal enlaça meu corpo
e preserva minha carne
que se recusa a morrer


reencontro-me na luz que veste o tempo
reencontro-me no tempo que despe a noite

o mundo, não mais que terra,
me oferece as tetas do leite primevo

à imensidão da vida
o nada reluz


V
nas cores, me reencontro
tingindo sombras e mistérios

porque assim se mostra a vida
porque assim o tempo jorra
porque retornaremos à terra
porque somos terra

atravessam a planície de fibras
semi-luzes dispersas no papel

o desenho ilumina o parto das coisas,
das coisas vistas pela primeira vez

primeiro olhar
primeiro gesto
primeiro ato

junto aos cadernos da escola,
minha caixinha de lápis de cor

nas coisas que me aguçam a memória,
me reconheço

nas coisas que me falam aos sentidos,
me encontro e me reencontro
sempre sempre sempre


VI
também me entrevejo
assustadora face que é minha

à densidade das cores tingindo meu rosto,
meu fôlego irrompe entre crateras vegetais
para lutar contra moinhos de vento

disposta a caminhar pelo “impossível chão”
jogo no lixo meus sapatos


para onde irei?
quem sou?


os fantasmas que me assombram
são os mesmos que me acalentam

na árvore originária, desenho a raiz,
desenho o fruto que proverá meu alimento


idealizo enfim a árvore do pecado

E o paraíso perdido


VII
aos abismos das cores
nada pergunto do inesperado visitante

sem alarde, Eros rompe as fibras do papel
e, recluso, declara-se à espera do outro

sensual,
o corpo não se permite reclusão permanente

exilado,
o corpo não aceita a infinitude


quanto ao Amor,
Eros permanece calado


no xadrez do jogo
ou no cruzamento das grades de grafite,
a vida sempre desdobra seu recomeço

sobre inesgotável campo de transformações
a pele se reconhece tessitura de papel

meu ânimo desperta ofegante

apercebo-me agora
o que não serei depois

muito além de mim

ao alcance das mãos,
um pedacinho de lápis azul

à explosão da vida,
o passado se aproxima
e se afasta da memória

o que virá depois
resguarda-se num esboço

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Postado por Blog da Mirian
11/10/2019 às 20h37

 
Desiguais

Nem todos os caminhos são iguais.
Mas todos eles passam,
O mundo é grande e a vida é curta,
No mundo cabe muitas vidas
E nessas, cabem muitos sonhos.

Homens decididos plantam seus lugares,
Os sonhadores, nesses já colheram,
Enquanto esses mudam o mundo,
Os decididos preparam a terra e,
Os lúcidos homens sonham novos sonhos.

Rio, 11/10/2019

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Postado por Blog Feitosa dos Santos - Prosas & Poemas
11/10/2019 às 08h05

 
Quanto às perdas I

Irmanando-me à solitude dos astros
delineia-se meu roteiro de caminhante.
Ir em frente. Ir frente. O que se perdeu
seria agora fardo. Ou penitência.

Nas areias de um jardim perdi e achei
o anel gravado com minhas iniciais.
No trabalho perdi muitas canetas.
Guarda-chuvas, já se foram vários.
(Eu gostava daquele de tecido indiano.)
Livros? Sei que emprestei dezenas.
Sempre perco as agendas. E não me lembro
onde guardei meus diplomas.

Escaparam-me alguns eclipses.

Ganhei vazios. Salvei-me
do quintal que terminava
no fim do mundo.

Conheço todos os intervalos
do tempo paralisado e ativo.

Quanto às perdas, alegra-me
a fantasia do esquecimento.

(Do livro Nada mais que isto)

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Postado por Blog da Mirian
10/10/2019 às 19h43

 
A caminho, caminhemos nós

Quando do alvorecer da vida, iniciamos nossa caminhada rumo ao destino final, reservado a todos os seres vivos, demasiadamente cedo ou tarde, todos chegaremos lá.

Durante essa aventura, que é a vida, trilhamos caminhos e veredas, nem sempre livres de obstáculos. É uma viagem de caminhada única, não podemos retroceder e tão pouco parar.

A importância dessa ida sem volta estar no que tange a garimpagem ou não de valores, ao longo do percurso que nos é concedido.

Àquele que bem semeia em seu percurso é quase certo, desfrutar de sombras, colher flores e bons frutos, mas aos que semeiam joio, é impossível colherem trigo. Aos que nada semeiam é provável colherem espinhos e ervas daninhas, dificultando assim, o trajeto que lhes foram dados.

Apesar dessa realidade, não estamos aqui para nos render a uma verdade, que ainda assusta e comove a pessoa humana. Mesmo porque há muitas outras coisas, para considerarmos nessa viagem.

A natureza procurou compensar o preambulo da jornada humana com as mais variadas formas compensatórias. Logo a capacidade individual de florir a vida é admirável.

Nas manhãs dos nossos dias, temos o arrebol de belos amanheceres ensolarados. Ouvimos os gorjeios da passarada, admiramos as gotas de orvalhos sobre as verdes folhas e as flores, exalando seus perfumes inebriantes sobre as nossas narinas.

E que prazer é o despertar da natureza diante dos nossos olhos. Deste a minúscula joaninha, aos mais diversos das criaturas terrenas. Vê o cair da chuva e o rolar das águas, descrevendo os seus próprios caminhos, sem se importar com as tentativas de empecilhos por quem quer que seja.

O arco traçado pelo sol de um lado ao outro da terra e a beleza crepuscular do sol, quando penetrando o seu esconderijo sobre o horizonte.

Vem a noite, o luar e as estrelas, a brisa fria e de manso, toca a face de quem vagueia os concretos caminhos, ruas e vielas do mundo real e da vida que segue.

A noite é a escuridão que passa e logo vem a claridade do dia. Ainda bem, não foi a escuridão eterna do corpo, tão pouco ainda, a liberdade da alma para a dimensão espiritual. A viagem continua, a caminhada estar de pé. Caminhemos nós.

Rio, 03 10 2019
Feitosa dos Santos

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Postado por Blog Feitosa dos Santos - Prosas & Poemas
3/10/2019 às 16h13

 
MEMÓRIA

Dela ficara um retrato.

Um só.

Apenas.

 

E uma saudade

imensa

que dele transbordava.

 

Uma dor-rio

lágrima-mar

oceanotristeza

 

que nascendo juntos

em correnteza

daqueles olhos da foto

 

invadiam o quarto

e desaguavam

nos dois olhos de fora do retrato.



Ayrton Pereira da Silva

in Umbrais

Ed. 7Letras



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Postado por Impressões Digitais
2/10/2019 às 16h58

 
Inesquecíveis cinco dias de Julho

Vivi a infância e a adolescência no campo, confesso, um tempo sem igual. Crescer e ver crescer a natureza ao redor é simplesmente maravilhoso.

Deitar e levantar ao som da passarada, ouvir o ruído dos ventos sobre as folhas das palmeiras, o barulho da chuva despencando sobre o telhado e sentindo o cheiro da terra e das flores silvestres, nascidas por entre as plantações, ainda é um sonho que não deixei de sonhar.

A simplicidade do campo torna a vida muito mais fácil e gostosa de viver.

A maneira como se vive o dia a dia no interior, dar mais sabor a vida. As pessoas são mais alcançáveis, no que tange, ao lado bom do ser humano.

Para falar a verdade, vivi a maior parte da minha vida na cidade, pela imposição profissional e a cede de conhecimento sempre presente.

Não consegui pois, ficar muito tempo sem voltar às origens. Uma vez por ano, quando não duas, visito os lugares onde nasci e vivi, por duas décadas.

Quando lá não vou, busco um lugar que preencha as necessidades e os anseios do corpo e da alma, desse eterno menino do interior, do campo e da roça, no entanto, até hoje permanece na cidade.

Em julho próximo passado, eu e minha esposa fomos visitar alguns amigos no interior do Rio Grande do Sul, precisamente em Venâncio Aires, pequena cidade daquele Estado, tão acolhedora quanto a sua gente.

Com os amigos me senti em casa. Visitamos sítios, lagos, rios, matas de pinheiros, subimos e déssemos serras, contemplamos o horizonte e quando lá em cima, me senti mais perto do céu.

Estivemos com pessoas do campo, na apicultura, no desenvolvimento moderno de mudas, canteiros em minha terra, para o plantio do fumo.

O acolhimento desses, fizeram me lembrar os bons tempos da adolescência, quando acolhíamos e éramos acolhidos por vizinhos das redondezas, fossem esses famílias ou não.

Como de costume, na minha terra todos eram bem vindos e bem recebidos.

Assim fui e vou fortalecendo o corpo e o espírito, para mais um tempo nesse mundo metropolitano, que não é o meu mundo e creio não ser o deles, amigos meus.

Viver a vida é um presente de Deus. Esse presente recebemos juntos, nos inesquecíveis cinco dias de julho, que logo se foram, mas não passaram. Tão pouco passarão em minha reminiscência.

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Postado por Blog Feitosa dos Santos - Prosas & Poemas
1/10/2019 às 09h00

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