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Segunda-feira, 2/3/2015
O que a literatura nos deixa
Guilherme Carvalhal

+ de 300 Acessos

Uma das perguntas mais antigas e não bem respondidas até os dias atuais é sobre qual a utilidade das artes. Mesmo não havendo algo de taxativo para essa questão - o que é positivo - não faltam sugestões para tentar caçar um efeito prático nessa vertente criativa da humanidade. Por exemplo, a arte é a produção da beleza para a humanidade, a arte eleva as pessoas a esferas mais altas, a arte diverte, a arte faz passar o tempo, a arte divulga ideias, e segue uma lista infinita e que sempre terá algo de bastante subjetivo.

Quando detalhamos especificamente a literatura brasileira, um dos pontos recorrentes é com relação à maneira como a arte retrata histórica e geograficamente a realidade. Não que isso seja uma exclusividade brasileira. Mesmo na altamente inovadora obra O som e a fúria, entre todo estilo de fluxo de pensamentos é possível captar a essência do sul dos Estados Unidos. Da mesma maneira como em Gabriel García Márquez, Jane Austen, Balzac, Lampedusa, e a grande maioria dos escritores. Narrar histórias sempre estará imbuído de registrar uma época.

Na literatura brasileira, não é preciso ir muito longe para captar essa essência. Seja em Aluísio de Azevedo com sua alusão aos problemas de ocupação urbana em O Cortiço, talvez o mais duradouro livro do nosso país por retratar uma realidade imutável, Jorge Amado e seu retrato da Bahia, Érico Veríssimo e o sul, Vinícius de Moraes e o Rio de Janeiro, as letras de nosso país atestam o entendimento de determinadas épocas, mostrando um retrato que, talvez não necessariamente fiel, mas apresentado pelo ponto de vista de figuras que acompanharam e tiveram sensibilidade em retransmiti-las.

Esse viés literário é importante porque funciona como uma ferramenta de percepção de realidades, principalmente quando se pensa na reconstrução de realidades anos após a obra ser escrita. Podemos ler sobre Brasil imperial e até entender as relações sociais da época, mas Machado de Assis em Esaú e Jacó consegue teletransportar o leitor para a época e fazê-lo assimilar o impacto da proclamação da República. Da mesma forma toda a simbologia em torno de Nordeste se relaciona a Euclides da Cunha, Rachel de Queiroz, Graciliano Ramos e José Lins do Rêgo. Ou então o Rio de Janeiro que teve suas memórias marcadas através das crônicas de Nelson Rodrigues.

Portanto, pensar no panorama atual significa também entender o quanto o que se tem produzido no Brasil hoje impacta no nosso entendimento da realidade nacional, essa extremamente difusa e complexa em um país de dimensões continentais. E também procurar entender como essa obra impactará o entendimento futuro do país nesse início de século.

Dentre o panorama atual, podemos selecionar algumas obras que contribuem nesse entendimento. O momento é propício para isso pelo fato da literatura nacional nos últimos anos ter reencontrado um caminho, após anos sem lançar grandes obras a serem lembradas.

Inicialmente, uma pérola nesse aspecto foi Habitante Irreal, de Paulo Scott. História iniciada no final da década de 1980, quando a estrutura política do país se readaptava a novos tempos de democracia, o livro é uma fotografia desses últimos anos do Brasil, em uma visão crua e fria. O protagonista se envolve com uma índia que tira de dentro de uma reserva e a leva para a cidade, e essa história serve de base para uma narrativa concisa e precisa, apesar de ser um universo em um único livro.

Nessa obra estão os desencantos de uma juventude considerada perdida, de um país saído de uma crise econômica e por um terremoto político, em que um novo jeito de ser começava a surgir, oriundo de novos tempos de globalização. O moderno e o arcaico se unem nesse trabalho, que explora as correlações entre urbano e rural, mostra personagens complexos em suas múltiplas relações e aponta uma sociedade um tanto quanto sem empolgação com o que poderia ser, mas não foi. Não apenas o panorama social é captado; Scott consegue colocar em sua obra um pouco do espírito brasileiro desses novos anos de modernidade e de promessas não cumpridas.

Outro trabalho que, apesar de não ter essa intenção, cai como uma luva nessa ideia, é Barba ensopada de sangue, de Daniel Galera. A história é impactante: um rapaz segue para uma cidade litorânea para descobrir sobre o passado do avô após o pai cometer um suicídio anunciado. Nessa cidade ele vai desenterrando histórias do passado e uma série de conflitos de ser vão surgindo, em que a questão da memória é fundamental para uma narrativa perfeitamente amarrada.

Nesse livro, o que se depreende enquanto realidade brasileira é o microcosmo no qual o personagem entra, bem como todas as suas idiossincrasias. Ele chega com um carro e um videogame, frequenta boates, dá aulas de educação física, se envolve amorosamente com uma garçonete, é assediado por uma aluna, conhece figuras exóticas, conversa com pescadores e com a locatária do apartamento onde mora. Esse pequeno mundo é uma amostra cultural brasileira que ganha cores vivas em um livro bastante premiado e que já tem alcance internacional. São os pequenos detalhes que contam aqui: o xis-coração de uma lanchonete, o amigo tentando colocar o carro velho para funcionar, os contatos com a ex-namorada ao fim da trama. Tudo isso reverbera no nosso dia e dia e subsidia um pouco esse entendimento, em muitos momentos fazendo o leitor se identificar com situações pela qual passou.

Já em Pornopopeia, de Reinaldo Moraes, o centro da história está em São Paulo capital. O livro todo tem tom de galhofa, contando a jornada de Zeca em um mundo de drogas e sexo, feito Ulisses tentando voltar para casa. Porém, ao invés de sereias, ciclopes e bruxas, diante de seu caminho estão prostitutas, traficantes e até mesmo a polícia. O livro parece um roteiro de filme de pornochanchada da Boca do Lixo com alto teor literário.

Apesar do enredo bem imaginário e de boa parte possuir um caráter simbólico em referência à obra de Homero, as experiência vividas referem-se bastante à metrópole, principalmente com seu lado B. Zeca circula por vários locais: anda pelo submundo atrás de mulheres e cocaína parando em biroscas e entrando em hotéis desconhecidos, acorda e se depara com a empregada asiática e religiosa que lhe frita bacon e ovos, encontra com o amigo que ainda se encontra na década de 1970 tomando ácido e tocando cítara. As situações surreais ligam-se com o cotidiano, com as pessoas que circulam pelas ruas e pelas cenas tipicamente urbanas.

Para finalizar, um livro que destoa um pouco dos demais, que é Nihonjin, de Oscar Nakasato. Destoa porque, diferente dos outros aqui citados, esse não é uma narrativa do presente, mas no passado. O autor não fala de uma realidade vivenciada por ele, mas de uma que conhece pelo conhecimento familiar.

Nihonjin fala sobre a migração japonesa para o Brasil, em uma referência à tradição étnica do autor. O ponto alto desse livro é a abordagem de um tema não tão comum no país, que é a presença desse povo. Esse é sim um livro com finalidade de retrato histórico, mostrando os choques culturais, as inovações, as dificuldades de adaptação e toda a riqueza imaterial ganha pelo país com sua presença. Por exemplo, ele constroem um ofurô e se recusam a aceitar a derrota do Japão na guerra, além de se apegarem a todas as suas raízes. Então é mais um microcosmo dentro desse grande universo brasileiro.

Esses livros fazem parte de um mudança cultural do país, indicando um modelo novo, mais urbano, moderno e globalizado na literatura. A literatura brasileira tem indicado um caminho após alguns anos sem grandes obras surgirem. A cultura do capitalismo cada vez se faz mais presente, até porque falar de Brasil atualmente significa falar de hábitos cada vez mais entranhados pelo consumo. Se a literatura regionalista mostrava pomares no quintal e pessoas bebendo cachaça, essa literatura moderna está envolta a marcas de carro e Coca-Cola.

Esse comparativo no ajuda a entender ainda mais como os escritos do nosso país sucedem-se as mudanças sociais, econômicas e culturais do mesmo. Mesmo assim, querer analisar a fundo em tempo presente equivale a trocar o pneu com o carro andando. Há apenas impressões e a relevância deles para nós atualmente. Seu impacto maior e qual papel vão representar dentro de toda conjuntura da literatura brasileira apenas o tempo irá dizer.


Postado por Guilherme Carvalhal
Em 2/3/2015 às 17h16


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