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Sábado, 7/11/2015
Uma Santa História
Expedito Aníbal de Castro

+ de 3200 Acessos

Roma fervilhava. Saíra de uma série de vitórias importantíssimas para seu projeto de expansão. Milhares de estrangeiros foram feitos escravos. O Coliseu e o Circo Máximo dificilmente passavam algum dia sem espetáculos. Ali se defrontavam, até a morte, escravos gladiadores entre si ou contra as feras mais bem treinadas do império. A populaça vivia a pão e circo e gostava dessa maneira de viver. Própria de espíritos pobres cujo simples viver já lhes era suficiente.

Mas havia outros tipos de escravos, capacitados para trabalhos mais especializados e importantes. Tanto os escravos médicos quanto as escravas babás conseguiam, muitas vezes, ter bastante influência sobre a família, inclusive sobre a educação das crianças a seus cuidados. Essas crianças surpreenderiam, muitas vezes, pela qualidade da educação recebida. Talvez tenha sido assim que uma menina da mais alta estirpe da gens romana tenha sido educada.

Tudo indica que a escrava que a educou havia se convertido ao cristianismo. Paulatinamente essa escrava foi transmitindo, à menina, todos os ensinamentos recebidos nas reuniões dos cristãos. Esse trabalho educativo encontrou solo fértil no coração da criança que crescia em bondade, caridade, amor ao próximo e à família e muito respeito aos mais velhos.

Anos após, no lugar da criança, havia uma linda mulher. Recatada e admirada por todos que a conheciam, seus pais a destinaram a um casamento com um rapaz, também de alta estirpe, sem jamais imaginarem que, no coração, ela havia se destinado somente para Deus. Seus pais, assim como seu noivo, eram pagãos e acreditavam que ela também.

A jovem se debatia entre vários temores: não ter confessado já, aos pais e ao noivo, sua religião; eles nunca iriam entendê-la; não ter tido, perante sua fé, a coragem de fazê-lo, enquanto dezenas de irmãos davam a vida, diariamente, somente por ter tido a coragem de confessar sua nova crença. Ela se sentia pequena e fútil diante daqueles mártires que apregoavam a nova fé. Seu coração dizia que ainda chegaria sua vez, mas ela desacreditava de sua coragem.

Chegou o tão "sonhado" dia do casamento. Foram três dias de festa: cantores, bailarinas, palhaços, muito vinho e muita carne. A multidão convidada modificava o odor costumeiramente puro daquela residência sempre voltada para a quietude. Durante a festa o casal, como costumeiramente se fazia, tinha que agradecer, a cada convidado, a presença e o presente recebido. Ela sorria para todos, mas, interiormente, sentia-se mal diante daquela festa pagã e a achava desnecessária, pois muitos eram os que precisavam de ajuda.

Finalmente ela ficou a sós e cara a cara com o marido. A coragem lhe veio de uma forma intensa; as palavras saiam-lhe da boca de forma macia, leve, mas com um poder de convencimento extraordinário. Contou tudo. Sua infância, o amor dedicado ao Cristo e ao próximo e sua promessa de virgindade, de pureza, de castidade. Cecília fitou, então, fixamente, Valeriano. Aguardava com extrema ansiedade as palavras que lhe seriam dirigidas. Valeriano caiu por terra e chorou. Não um choro de decepção, de ter sido traído, mas um choro de alegria, de quem conheceu a Verdade naquele momento, de quem agora sabia, sim, que podia existir amor, perdão, caridade e tantos outros sentimentos puros na fé de Cristo. Abraçou Cecília e correu para a residência de Urbano, bispo de Roma.

Meses mais tarde, quando já havia passado o período ao qual chamamos lua de mel, um irmão de Valeriano, Tibúrcio, foi visitar o casal. Surpreendeu-se com a organização, com a limpeza, com a alegria do casal mas, acima de tudo, com um leve odor que se sentia por toda a residência. Indagou, então, de onde provinha esse odor que o inebriava. O casal respondeu que o amor, a união, a fé em Cristo proporcionava aquele odor surpreendente. Tibúrcio também chorou o choro da conversão e, igualmente a Valeriano, correu para a residência de Urbano.

A partir daí os três se uniram com um objetivo único: difundir a fé cristã e cuidar de seus semelhantes. A residência, em pouco tempo, estava repleta de pessoas doentes às quais eram dadas atenção médica e alimentação. O movimento se tornou tão intenso que chamou a atenção das autoridades. Como representantes da gens Caecilia e da gens Valerii agiam daquela maneira? Perguntavam-se todos. Os três, apesar de pertencerem a famílias antigas que haviam fornecido senadores e generais para Roma, foram presos.

Tibúrcio foi o primeiro a ser interrogado. Indagado se fazia parte da "seita" cristã, informou que sim. Renegava os deuses pagãos, o Imperador Deus, e os deuses familiares? Tibúrcio respondeu que sim e que somente adorava o Deus cristão. Foi-lhe dada a oportunidade de voltar atrás, mas ele continuou dando as mesmas respostas. Foram-lhe aplicadas quarenta e nove chibatadas. Novamente ele confirmou sua fé em Cristo. O carrasco foi, então, incumbido de sua execução. Sua cabeça rolou ao golpe da espada.

Valeriano foi supliciado em seguida. As mesmas perguntas, as mesmas respostas, as mesmas chibatadas. Daniel-Rops, da Academia Francesa, em A Igreja dos Apóstolos e dos Mártires assim escreve: E a sua atitude é tão heróica e a sua fé tão exuberante que o rude soldado incumbido de os levar ao suplício, chamado Máximo, segue-lhes o exemplo e converte-se. Valeriano é, então, executado pela espada. Em seguida Máximo também é executado de uma forma bem mais brutal: golpes com um chicote revestido de chumbo.

À Cecília é permitido levar os três corpos e sepultá-los conforme o costume cristão. Logo após ela é novamente presa e interrogada.Mesmas respostas. Cecília é levada, então, ao caldarium, espécie de sauna extremamente aquecida, para morrer sufocada. Vinte e quatro horas após, quando a porta é aberta, encontram a mártir num ambiente de agradável frescor, orando e louvando a Deus. Cecília é conduzida, então, ao cadafalso onde será executada com golpe de cutelo. O carrasco golpeia a primeira vez e erra; golpeia a segunda vez e acerta em parte; golpeia a terceira vez e erra novamente. Cecília, com o pescoço meio decepado, ainda tem forças de conformar aqueles a quem ajudara tanto.

Segundo Daniel-Rops, em 1599 foi encontrada uma placa com o nome da Santa ao lado de um corpo decapitado. Em 1905 foi encontrado, debaixo da Igreja de Santa Cecília, no Trastevere, o "caldarium" onde a Santa fora deixada para morrer sufocada.


Postado por Expedito Aníbal de Castro
Em 7/11/2015 às 10h28


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