Paes Loureiro, poesia é quando a linguagem sonha | Relivaldo Pinho

busca | avançada
90259 visitas/dia
2,3 milhões/mês
Mais Recentes
>>> Dois Dobrado - Show especial de São João
>>> Série Brasil Visual tem pré-estreia neste sábado no RJ e estreia dia 25/6, no canal Curta!
>>> Thiago Monteiro apresenta seu primeiro álbum autoral “Despretensioso”, em Rib. Preto - 25/06
>>> DIADORIM | NONADA SP
>>> Porto Blue Sound, festival de música gratuito chega a Belo Horizonte em julho
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> A pulsão Oblómov
>>> O Big Brother e a legião de Trumans
>>> Garganta profunda_Dusty Springfield
>>> Susan Sontag em carne e osso
>>> Todas as artes: Jardel Dias Cavalcanti
>>> Soco no saco
>>> Xingando semáforos inocentes
>>> Os autômatos de Agnaldo Pinho
>>> Esporte de risco
>>> Tito Leite atravessa o deserto com poesia
Colunistas
Últimos Posts
>>> Jensen Huang aos formandos do Caltech
>>> Jensen Huang, da Nvidia, na Computex
>>> André Barcinski no YouTube
>>> Inteligência Artificial Física
>>> Rodrigão Campos e a dura realidade do mercado
>>> Comfortably Numb por Jéssica di Falchi
>>> Scott Galloway e as Previsões para 2024
>>> O novo GPT-4o
>>> Scott Galloway sobre o futuro dos jovens (2024)
>>> Fernando Ulrich e O Economista Sincero (2024)
Últimos Posts
>>> Cortando despesas
>>> O mais longo dos dias, 80 anos do Dia D
>>> Paes Loureiro, poesia é quando a linguagem sonha
>>> O Cachorro e a maleta
>>> A ESTAGIÁRIA
>>> A insanidade tem regras
>>> Uma coisa não é a outra
>>> AUSÊNCIA
>>> Mestres do ar, a esperança nos céus da II Guerra
>>> O Mal necessário
Blogueiros
Mais Recentes
>>> A poesia afiada de Thais Guimarães
>>> Olimpíadas sentimentais
>>> A Última Ceia de Leonardo da Vinci
>>> Pra que mentir? Vadico, Noel e o samba
>>> O que é canção, por Luiz Tatit
>>> Os Doze Trabalhos de Mónika. Epílogo. Ambaíba
>>> Uma jornada Musical
>>> Evan Williams por Battelle
>>> Um Furto
>>> Jovens blogueiros, envelheçam (extras)
Mais Recentes
>>> O Signo Escorpião de Roy Mckie pela Lisboa (1981)
>>> Administração Educacional Em Crise de Walter E. Garcia pela Cortez (1991)
>>> Gentileza de Gabriel Chalita pela Gente (2007)
>>> Ergonomia Aplicada Ao Trabalho de Hudson de Araùjo Costa pela Ergo (1996)
>>> O Coronel Chabert de Honoré de Balzac pela Companhia das Letras (2012)
>>> Psicopedagogia Clínica - Uma Visão Diagnóstica dos Problemas de Aprendizagem Escolar de Maria Lúcia Lemme Weiss pela Lamparina (2008)
>>> Colaboração Premiada - doutrina e prática de Clayton da Silva Bezerra - Giovani Celso Agnoletto pela Mallet (2016)
>>> Babies Love Cuidado melhor do seu Filho, da Gravidez aos 3 anos - The Carpenters de Vários Autores pela Innovant
>>> Homossexualidade sob a ótica do Espírito Imortal de Andrei Moreira pela Ame (2014)
>>> A Grande Mudança de Nicholas Carr pela Landscape (2008)
>>> Livro Calculo Aplicado Deborah Hughes Hal Ed. 2005 de Deborah Hughes-hallett pela Fisicalbook (2005)
>>> Estrelas Tortas de Walcyr Carrasco pela Moderna (1997)
>>> Nada Easy de Tallis Gomes pela Gente (2017)
>>> A revolução de um talento de Aluizio A Silva pela Vinha (2011)
>>> As Upstarts - Como a Uber, o Airbnb e as Killer Companies do novo Vale do Silício estão mudando o mundo de Brad Stone pela Intrinseca (2017)
>>> Sem Medo de Viver de Max Lucado pela Thomas Nelson Brasil (2009)
>>> Principios De Fisica Vol 2 de Raymond A. Serway pela Cengage (2004)
>>> Filosofia Para Todos de Gianfranco Morra pela Paulus (2001)
>>> Meditando com os metres dos 7 raios de Maria Silvia pela Madras (2004)
>>> An Introduction To The Physics Of Semiconductor Devices (the Oxford Series In Electrical And Computer Engineering) de David J. Roulston pela Oxford University Press (1998)
>>> Manual De Mães E Pais Separado de Marcos Wettreich pela Ediouro (2006)
>>> Manual Para Não Morrer De Amor de Walter riso pela Academia (2017)
>>> Mães De Milhares De Milhares de Márcia Silva pela Vinha (2023)
>>> Patologia Geral - Bogliolo - 3ª Ed. de Brasileiro Filho Geraldo pela Guanabara (2004)
>>> Como Ensinar Seu Bebê A Ler: A Suave Revolução de Glenn e Janet Doman pela Madras (2018)
BLOGS >>> Posts

Terça-feira, 4/6/2024
Paes Loureiro, poesia é quando a linguagem sonha
Relivaldo Pinho
+ de 100 Acessos


Paes Loureiro. Divulgação.



Nas “Obras Reunidas” (2000), de João de Jesus Paes Loureiro , o livro “O ser aberto” (1990) abre com uma citação de John Keats. “Foi só uma visão ou um sonho acordado?”, é a frase retirada de “Ode a um rouxinol”, poema de 1819, dois anos antes do romântico e lendário poeta inglês morrer, aos 25 anos.

Paes Loureiro sabe o valor de uma epígrafe. Seus trabalhos são repletos delas. Ele sabe seu papel de chave de leitura e compreensão de um texto, sua função de abertura e, ao mesmo tempo, de síntese.

Pode não parecer (nada é o que parece nessa poesia, mas tudo se revela exatamente com as aparências) mas os versos que compõem o “Ser aberto” e que são reapresentados agora em “Barcarolas: uma arte poética” estão muito próximos dessa faceta da epígrafe.

Não porque são poemas curtos ou poucos (10 poemas com 16 versos cada), mas porque são densos, guardam enigmas e, ao mesmo tempo, revelam um mundo.

O mundo nesse “Barcarolas” é da criação. Da criação do mundo pelo ser amazônico e da criação da poesia pelo artista.

O mundo é da canoa que dá significação ao homem e do homem, quem sem ele, ela, a barcarola, não existira.


”Barcarolas”, de Paes Loureiro e Nina Matos. Imagem: Ed. Paka-Tatu


O mundo do caboclo que se limita em sua barca, mas que é com ela que o horizonte se infinita.

O mundo do leme que conjuga com a mão e da mão que guia a escrita.

O mundo das águas sobre as quais a canoa se deita e do poeta que nela se estira.

É esse um dos mundos que há décadas o poeta dedica sua obra literária e teórica. Realidade aparente que guarda o mergulho infindável da fantasia.

Aqui, os objetos sempre, como em grande parte da poesia do autor, são mais do que eles mesmos, a canoa é templo e expiação , é caminho e destino, é lida e libido.

Esse é o elemento que atravessa o modo pelo qual o poeta vê a realidade, ele a vê sempre como uma dimensão de um mundo a ser exibido no que ele tem de mais perceptível e mais oculto. O fundamento per si do poético.


Divulgação


Na barcarola simples, repousa uma ode e uma elegia do ser e da escrita. Na navegação do poeta, nenhum verso é suficientemente grandiloquente que possa sintetizar tamanha poesia.

A poesia de um mundo que Paes Loureiro ainda vê com os olhos esperançosos de um romântico insuficiente, como sempre insuficiente é a palavra que o poeta esgrima.

Quando, em 2003, pude publicar o primeiro livro sobre sua obra, esse mundo já há muito estava instaurado em sua arte poética.


Livro sobre a poesia de Paes Loureiro. Foto: Relivaldo Pinho

Depois, no decorrer de outros trabalhos em que sua poesia ou seu trabalho ensaístico me acompanhavam, pude perceber o quanto a percepção desse mundo para Loureiro não era apenas uma escrita.

Mas era, em grande parte, uma forma de olhar e tentar domar a transitoriedade de um mundo que parece não ter um tempo, um lugar, em uma “terra sem males”.

Pode-se pensar muita coisa sobre essa poesia, menos que ela não esteja atrelada a essa visão do Ser que está aí, mas que não vemos.

Quando uma canoa que passa em frente à Estação das Docas e achamos bonito, “compondo a paisagem” dizemos, fotografamos.

A imagem da poesia é de outra percepção e significação. É a busca pelo ethos (sentido) de um mundo naquele objeto movediço e da constatação da poesia como sublime e agônica “Tarefa” (1964).

Diz-se que John Keats, citado por Loureiro, escreveu “Ode a um rouxinol” quando ele absorto se separou de um grupo de pessoas ao contemplar o pássaro cantando.

Mas o texto de Keats não é apenas um elogio ao canto da ave, ele possui uma dimensão forte sobre a fragilidade da existência, sobre a impossibilidade de um paraíso permanente.

Vejamos esses versos de Loureiro em “Barcarola V”:

“A minha canoa vive
além de mim e da morte.
A forma é sua eternidade.
Língua e linguagem. A sorte.

Eu sou, enquanto navego,
de seu ego nave, templo.
A sua razão de ser.
Metáfora do momento.

Oh! Geometria com alma!
Assim é minha canoa...
Boiúna boiando. Vago
lume vago que flutua.

O que ficará de nós,
além do nada que é nosso:
madeira, quilhas e ossos
cabelo, poeira e verso?”

Como se vê, esses versos estão longe de uma visão inocente sobre a existência. Não estou comparando literaturas e motivos diferentes, estou exibindo o que é próprio da poesia, estou, para lembrar Mário Faustino , exibindo “madeira, quilhas e ossos”.


Divulgação

Essa revisitação à sua obra nesse “Barcarolas” tem uma contribuição que em nada é um complemento, mas se transforma em sua verdadeira substância, são os trabalhos da artista visual Nina Matos.

Se você, caro leitor, tiver a oportunidade de ler esse livro, tenha a oportunidade de vê-lo. É esse seu sentido.

Os trabalhos de Nina Matos atravessam esses poemas, condensam horizontes, expandem a poesia, fazem uma bricolagem da percepção.

São cartografias da percepção, cartografias para se perder.

São também epígrafes, como essa poesia de Loureiro, na qual o mundo está sintetizado na imagem e aberto para sua compreensão.

Ao ler esses poemas, como Keats, talvez você possa se perguntar “foi só uma visão ou um sonho acordado?”

Não é esse um dos sentidos da poesia? Para trazer um dos versos desse livro, poesia é quando a linguagem sonha.


Relivaldo Pinho é autor de, dentre outros livros, “Antropologia e filosofia: experiência e estética na literatura e no cinema da Amazônia”, ed. ufpa.

[email protected]

Relivaldo Instagram
Esse texto foi publicado no Diário online e em Relivaldo Pinho


Postado por Relivaldo Pinho
Em 4/6/2024 às 17h59

Mais Relivaldo Pinho
Mais Digestivo Blogs
Ative seu Blog no Digestivo Cultural!

* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




Livro Sociologia Neocolonialismo Último Estágio do Imperialismo
Kwame Nkrumah
Civilização Brasileira
(1967)



Livro de Bolso Infanto Juvenis Histórias com poesia, alguns bichos & Cia.
Duda Machado
34
(1997)



Pilares da Terra - Edição Especial - Volume Único
Ken Follett
Rocco
(2012)



Coleção Livros o Globo 19 Volumes
Editora Globo
O Globo



Gêmeos Não Se Amam
Robert Ludlum
Nova Cultural
(1987)



Como Escolher a Sua Residência Médica - o Guia para a Escolha...
Caio Nunes e Marco Antonio Santana
Sanar
(2016)



Estrela da Noite - Os Imortais livro 5
Alyson Noël
Intrínseca
(2011)



Cem Sonetos de Amor
Neruda
L&pm
(1987)



Um Rosto no Computador
Marcos Rey
Ática
(2000)



Por um Pedaço de Terra - Série Sinal Aberto
Renato Tapajós
Ática
(2005)





busca | avançada
90259 visitas/dia
2,3 milhões/mês