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Quarta-feira, 24/9/2003
O Belo Indiferente
Rennata Airoldi
+ de 6000 Acessos

O amor é um sentimento único e sublime? Sim e não. Sim, porque todos concordam que é uma maneira nobre de se querer bem ao outro. E não, porque as pessoas amam de formas, e em níveis de intensidade, diferentes. Não existe equilíbrio na entrega de cada uma das partes envolvidas. Assim, muitas vezes é difícil adequar o amor de duas pessoas a uma mesma relação. Quem se submete, quem se humilha, quem obedece, quem comanda, tudo é determinante numa relação. E assim também, aos poucos, estabelece-se os vícios de cada relacionamento.

Falar de amor é sempre difícil; complicado, já que cada um possui seu jeito de amar. Mulheres e homens amam cada um à sua maneira. Se não for muita ousadia, ou mesmo conversa fiada, a meu ver, o amor é como uma caixinha de música na qual é preciso dar corda constantemente; para manter o "fluxo", o funcionamento adequado. Dela sai a mais linda música, cada vez que é aberta.

É... A alegria, a felicidade... às vezes, cansam; às vezes, ficam esquecidas; mas sempre "ali": prontas para retomar de onde um dia se parou. Para manter vivo o amor, é nessário "regar a plantinha" todos os dias (como diz uma música), para manter a "caixinha" funcionando com a corda toda.

Deixando de lado opiniões e viagens pessoais, vou falar de uma peça que trata, obviamente, de amor. O Belo Indiferente, de Jean Cocteau, mostra o limite do amor de uma mulher por um homem. O quanto ela é capaz de suportar a espera, a traição e, principalmente, a indiferença do marido. Tudo porque não consegue simplesmente deixá-lo. Ela, apesar de ser uma famosa cantora, auto-suficiente economica e profissionalmente, é, ao mesmo tempo, totalmente dependente em relação aos sentimentos que nutre pelo marido. Se anula por ele, deixa-se humilhar, e o pior: deixa-se desprezar pelo seu próprio "companheiro"...

Em cena: Ester Laccava, que vive essa cantora de maneira muito corajosa. A peça é praticamente um monólogo, já que o marido, interpretado por Francisco Eldo Mendes, entra mudo e sai calado. De maneira simples e necessária à montagem. A sensação de impotência que o silêncio deste homem causa na platéia e, em maior grau, nas mulheres é absolutamente sufocante. O riso nervoso dos espectadores demonstra a identificação imediata com algumas das situações expostas em cena. Um riso que chega através do quadro trágico e patético.

A direção é de Olayr Coan e, na minha opinião, peca em pela falta de precisão em alguns movimentos cênicos. Há um certo "descontrole" em relação ao desenho dos personagens, que, em algumas cenas, parecem estagnados, sem um "apoio" adequado, sem uma "sustentação" consistente. Por outro lado, a maneira como a atriz defende o seu personagem, e vive a experiência deste amor doentio, é tocante.

O cenário é bem simples mas muito rico em detalhes, principalmente em alguns objetos, como o telefone, a garrafa de bebida decorada e as almofadas. A composição de todos os elementos: cenário, figurino, som e luz somam e compõem com o trabalho dos atores. O que, aliás, é fundamental para a unidade do espetáculo.

Voltando ao começo de toda a divagação: a peça nos faz repensar em como conduzir nossas relações afetivas; em como nos permitir e, ao mesmo tempo, nos proteger do amor; em como nos "deixar levar" sem perder o senso da realidade. Enfim, em como gostar do outro sem desgostar de si.

É muito interessante e, por mais que seja uma mulher o tempo todo (o seu olhar sobre um determinado relacionamento), o autor do texto é um homem, e o sentimento, portanto, é universal. No mais: quem nunca amou, vai amar um dia; e nem sempre será um amor "saudável". Nem sempre teremos o controle de nossos sentimentos, como racionalmente temos em outras áreas de nossas vidas...

(Sobre a peça, ainda uma breve curiosidade: o autor, escreveu o texto para sua amiga Edith Piaf.)

Para ir além
O Belo Indiferente está em cartaz na Sala Paulo Emílio, do Centro Cultural São Paulo, em curta temporada. Endereço: rua Vergueiro, nº 1000. Terças, quartas e quintas-feiras às 21 hrs.


Rennata Airoldi
São Paulo, 24/9/2003

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