Contra os intelectuais | Eduardo Carvalho | Digestivo Cultural

busca | avançada
75359 visitas/dia
2,6 milhões/mês
Mais Recentes
>>> Cia Fragmento de Dança lança seminário “Amor Mundi – Pensando com Hannah Arendt”
>>> Realidade e ficção na Terça Aberta na Quarentena de agosto
>>> OBMJazz: OBMJ lança primeiro clipe de novo projeto
>>> Serginho Rezende é entrevistado por Zé Guilherme na série EntreMeios
>>> TOGETHER WE RISE TRAZ UMA HOMENAGEM ÀS PESSOAS QUE FIZERAM PARTE DA HISTÓRIA DO GREEN VALLEY
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> A desgraça de ser escritor
>>> Um nu “escandaloso” de Eduardo Sívori
>>> Um grande romance para leitores de... poesia
>>> Filmes de guerra, de outro jeito
>>> Meu reino por uma webcam
>>> Quincas Borba: um dia de cão (Fuvest)
>>> Pílulas Poéticas para uma quarentena
>>> Ficção e previsões para um futuro qualquer
>>> Freud explica
>>> Alma indígena minha
Colunistas
Últimos Posts
>>> Uma aula com Thiago Salomão do Stock Pickers
>>> MercadoLivre, a maior empresa da América Latina
>>> Víkingur Ólafsson toca Rameau
>>> Philip Glass tocando Mad Rush
>>> Elena Landau e o liberalismo à brasileira
>>> O autoritarismo de Bolsonaro avança
>>> Prelúdio e Fuga em Mi Menor, BWV 855
>>> Blooks Resiste
>>> Ambulante teve 3 mil livros queimados
>>> Paul Lewis e a Sonata ao Luar
Últimos Posts
>>> Coincidência?
>>> Gabbeh
>>> Dos segredos do pão
>>> Diário de um desenhista
>>> Uma pedra no caminho...
>>> Sustentar-se
>>> Spiritus sanus
>>> Num piscar de olhos
>>> Sexy Shop
>>> Assinatura
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Nelson Freire em DVD e Celso Furtado na Amazônia
>>> Um caos de informações inúteis
>>> Asia de volta ao mapa
>>> Robinson Shiba do China in Box
>>> Aberta a temporada de caça
>>> Parei de fumar
>>> Ford e Eastwood: cineastas da (re)conciliação
>>> Amor à segunda vista
>>> O Gmail (e o E-mail)
>>> Diogo Salles no podcast Guide
Mais Recentes
>>> Em Meu Próprio Caminho de Allan Watts pela Siciliano (1992)
>>> Cama de Gato de Kurt Vonnegut pela Record (1991)
>>> A História Secreta de Donna Tartt pela Companhia das Letras (1995)
>>> Os Invictos de William Faulkner pela Arx (2003)
>>> Paralelo 42 de John dos Passos pela Rocco (1987)
>>> Para onde você vai com Tanta Pressa de Christiane Singer pela Martins Fontes (2005)
>>> Carta Sobre o Comércio do Livro de Denis Diderot pela Casa da Palavra (2002)
>>> Rimas da Vida e da Morte de Amos Óz Amós Oz pela Companhia das Letras (2008)
>>> Uma Desolação de Yasmina Reza pela Rocco (2001)
>>> O Fio Perigoso Das Coisas de Michelangelo Antonioni pela Nova Fronteira (1990)
>>> Hacia un Teatro Pobre de Jerzy Grotowski pela Siglo Veintuno (1970)
>>> Este é Orson Welles de Peter Bogdanovich pela Globo (1995)
>>> À Espera do Tempo Filmando Com Kurosawa de Teruyo Nogami pela Companhia das Letras (2010)
>>> Invisible Man de Ralph Ellison pela Penguin (2009)
>>> The Plot Against America de Philip Roth pela Vintage (2005)
>>> Vida, o Filme. Como o Entretenimento Conquistou a Realidade de Neal Gabler pela Companhia das Letras (1999)
>>> Rituais de Sofrimento de Silvia Viana pela Boitempo (2012)
>>> Um Sussuro nas trevas de H. P. Lovecraft pela Francisco Alves (1983)
>>> O Aleph de Jorge Luis Borges pela Globo (1992)
>>> O Deslumbramento (le Ravissement de Lol. V. Stein) de Marguerite Duras pela Nova Fronteira (1986)
>>> O Segredo do Padre Brown de G. K. Chesterton pela Círculo do Livro (1986)
>>> Se Não Agora, Quando? de Primo Levi pela Companhia das Letras (1999)
>>> O compromisso da fé de Emmanuel Mounier pela Duas Cidades (1971)
>>> A Doutrina Secreta - Vol. 6 de Helena Petrovna Blavatsky pela Pensamento (1989)
>>> A Doutrina Secreta - Vol. 2 de Helena Petrovna Blavatsky pela Pensamento (1989)
>>> O Livro Tibetano Dos Mortos de Hans Evans-Wentz pela Pensamento (1989)
>>> Milarepa de Hans Evans-Wentz pela Pensamento (1990)
>>> A Jornada do Herói Vida - Obra Joseph Campbell de Phil Cousineau pela Saraiva (1994)
>>> O Tarô Mitológico - uma Nova Abordagem para a Leitura do Tarô de Juliet Sharman-burke e Liz Greene pela Siciliano (2002)
>>> Curso De Psicologia Geral Vol. IV de A. R. Luria pela Civilização Brasileira (1979)
>>> Breton - Trotski: por uma Arte Revolucionaria Independente de Valentim Facioli (org) pela Paz e Terra (1985)
>>> Manifestos do Surrealismo de André Breton pela Moraes (1969)
>>> Os Cantos de Maldoror de Conde de Lautréamont pela Moraes (1970)
>>> Escritos de Antonin Artaud de Artaud e Claudio Willer (org.) pela Lpm (1983)
>>> Memória de um Amnésico de Erik Satie pela Hiena (1992)
>>> Contos Cruéis de Villiers de Lisle-adam pela Iluminuras (1987)
>>> A Cruzada das Crianças de Marcel Schwob pela Iluminuras (1987)
>>> Moralidades Lendárias Fábulas Filosóficas de Jules Laforgue pela Iluminuras (1989)
>>> Caos - Crônicas Políticas de Pier Paolo Pasolini pela Brasiliense (1982)
>>> Os Jovens Infelizes - Antologia de Ensaios Corsários de Pier Paolo Pasolini pela Martins Fontes (2013)
>>> A Maçã no Escuro de Clarice Lispector pela Francisco Alves (1992)
>>> As Ultimas Palavras do Herege de Pier Paolo Pasolini pela Brasiliense (1983)
>>> Triângulo das Águas de Caio Fernando Abreu pela Siciliano (1997)
>>> Romanceiro da Inconfidência de Cecília Meireles pela Nova Fronteira (1989)
>>> A Importância do Ato de Ler de Paulo Freire pela Cortez (1989)
>>> As Idades da Vida de Romano Guardini pela Quadrante (1997)
>>> Cruz E Sousa E Baudelaire Satanismo Poético de Márie Helene Catherine Torres pela Ufsc (1998)
>>> A Morte dos Deuses de Michel Henry pela Jorge Zahar (1985)
>>> Vida Emocional dos Civilizados de Melanie Klein / Joan Riviere pela Zahar (1962)
>>> Um Simples Livro De Culinária Para As Classes Trabalhadoras de Charles Elmé Franvatelli pela Angra (2001)
COLUNAS

Sexta-feira, 12/12/2003
Contra os intelectuais
Eduardo Carvalho

+ de 10300 Acessos
+ 6 Comentário(s)

Babando em vez de pensar

Eu não gosto de intelectuais. Existem, claro, vários tipos deles: o acadêmico emburrado, o jornalista boêmio, o cineasta descolado, o universitário socialista, etc. Mas eu não gosto de nenhum. O que não significa, de forma alguma, que sou contra a produção criativa e o debate aberto. Muito ao contrário: o que acho é que a própria figura do intelectual, da forma como a entendemos hoje - representada pelas figuras acima -, trava a criatividade e limita o debate. Porque, em primeiro lugar, o título de intelectual confere a uma determinada classe uma espécie de monopólio da opinião. E, em segundo, a própria expressão "intelectual" é quase sempre usada em tom pejorativo, por quem gosta de justificar sua ignorância alegando não ser "intelectual".

Quando, durante o Iluminismo, o termo começou a ser aplicado, a posição do intelectual não era a de um pensador marginal, como acontece hoje. Era uma figura central e lúcida, que - com incrível capacidade de memorização de conceitos e combinação de idéias - conseguia compreender a realidade de uma maneira, digamos assim, única e útil. O problema, ainda assim, existia, e, de certa forma, começou lá: que é o de respeitar intelectuais como personagens inabaláveis, quase desumanas. Quando uma região e uma geração estão, juntas e inteiras - o que beira a total impossibilidade -, comprometidas com o avanço livre de idéias, então o destaque de uma dúzia de personalidades extraordinárias não é necessariamente negativo. O problema é, como acontece hoje, quando o termo se torna vulgar e popular, consagrando mediocridades em vez de indicar a genialidade.

E então, onde ainda há espaço para opiniões, "intelectuais" discorrem sobre os mais variados temas, sem conhecimento nem vergonha. Lingüistas aposentados manifestam-se em relação a política. Filósofos auto-intitulados discorrem sobre economia financeira. Cineastas frustrados opõe-se ao desenvolvimento genético. Jovens engajados arremessam pedras em lanchonetes. Todos têm, obviamente, o direito de emitir opinião, mas o problema é outro: é que essas opiniões são, muitas vezes, distribuídas de um modo institucional, como de uma "pessoa que pensa". E isso confere a "intelectuais" uma natureza superior, que lhes permite divulgar bobagens interesseiras enquanto são ouvidos como autoridades intocáveis.

O problema dos "intelectuais", na verdade, não é exclusivamente deles: é também do resto que - preferindo a ignorância assumida - acaba terceirizando o exercício de raciocinar. E, admitindo ou não, repete o que acha inteligente, quando precisa lançar um "comentário cabeça". Os "intelectuais", para sermos justos, apenas aproveitaram esta oportunidade no mercado: a necessidade eventual dos incultos de emitirem pensamentos "cultos".

O que acontece, nesse contexto, é que o "intelectual" virou um estilo. E pessoas "normais" - as não intelectuais - recorrem a ele quando acham bonito: para comentar um livro ou um filme, para falar de política, de economia, de arte, etc. Adotando, assim, a mesma autoridade falsificada do intelectual profissional. Mas, no mais das vezes, divertem-se como bárbaros. E caem no patético. E, da mesma forma, quando não entendem de um assunto, evitam assumir a ignorância: e defendem até o direito de permanecer nela, já que não são "intelectuais".

E fica nisso: de um lado, "intelectuais" que vivem de um título fictício, atrasando e confundindo discussões; e, de outro, uma "opinião pública" inculta e ingênua, que usa esses "intelectuais" para copiar seus comentários ou para justificar sua ignorância. Essa separação, então, não deveria nem precisaria existir: porque o pensamento livre não é - e não pode ser - propriedade de uma classe. Muito menos de uma classe tão mal representada.

"Intelectual", afinal, é hoje quase um xingamento. E com toda a razão: a maioria que gosta de desfilar com esse emblema na testa reúne as mesmas características: completo descuido com a aparência; desinteresse pelo mundo moderno e pelas coisas práticas; ilusão de superioridade mental e arrogância nos modos; lerdeza no verbo e vácuo no conteúdo. É realmente uma maneira entediante de encarar a vida. Não merecem, se pensarmos bem, a pobreza de que tanto reclamam. Mas eu, pelo menos, confesso que não consigo pensar tão bem. Que desfrutem, então, a miséria a que estão condenados.


Eduardo Carvalho
São Paulo, 12/12/2003


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Freud explica de Renato Alessandro dos Santos
02. Paris branca de neve de Renato Alessandro dos Santos
03. Um Furto de Ricardo de Mattos
04. Metallica e nostalgia de Luís Fernando Amâncio
05. Sejamos multiplicadores de Fabio Gomes


Mais Eduardo Carvalho
Mais Acessadas de Eduardo Carvalho em 2003
01. Preconceito invertido - 4/7/2003
02. Da dificuldade de se comandar uma picanha - 25/7/2003
03. Contra os intelectuais - 12/12/2003
04. Não li em vão - 17/10/2003
05. Geração abandonada - 14/11/2003


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
21/12/2003
10h25min
Também já repararam como hoje se entrevista todo mundo acerca de qualquer assunto? Estamos vivendo a era do "povo na tevê" - Big Brothers e afins: um bando de gente fazendo nada, visto por um monte de gente sem nada pra fazer. Mas com pontos de vista sobre TUDO. E é um tal de porteiros de prédio dando sua opinião sobre os transgênicos, e balconistas falando sobre os rumos da economia, que dá saudade dos tempos em que todo brasileiro era um técnico de futebol, mas só isso.
[Leia outros Comentários de Bárbara Pollacsek]
26/1/2004
23h02min
Finalmente alguém falou com propriedade, inteligência e humor sobre este rótulo lamentável atribuído a figuras também lamentáveis no mundo de hoje.
[Leia outros Comentários de Doris Cook]
29/1/2004
13h50min
No meu modo de pensar, o problema não é a classe dos ignorantes que querem se passar por intelectuais, porque isso sempre existiu e se afigura como a característica humana da inveja. O problema, ao contrário, está no caso de grandes figurões da academia, os professores, que ganham muito dinheiro, escondem-se em suas castas privadas (se isso não for pleonasmo), emitem opiniões européias e são cada vez mais aplaudidos por isso. Ao passo que, no mesmo instante, morre de fome uma população miserável que mal sabe escrever o nome. Se esses professorezinhos que escrevem coisas ilegíveis no jornal, de tão cultas, é claro, tivessem lido um pouco de Sartre, saberiam perfeitamente que o verdadeiro intelectual é aquele que dedica o seu avantajado intelecto às causas populares. Pois bem! O Brasil precisa disso.
[Leia outros Comentários de Ulisses Vaccari]
30/1/2004
14h03min
Lá veio um leitor citar aquele francês socialista e mau-caráter: “Se esses professorezinhos que escrevem coisas ilegíveis no jornal, de tão cultas, é claro, tivessem lido um pouco de Sartre, saberiam perfeitamente que o verdadeiro intelectual é aquele que dedica o seu avantajado intelecto às causas populares. Pois bem! O Brasil precisa disso” Isso quer dizer que Betinho e Boff são mais importantes pro pensamento brasileiro que Roberto Campos e Paulo Francis?
[Leia outros Comentários de Ana Couto]
24/4/2009
16h44min
"Intelectual" (Contemporâneo) = Intelectualóide
Pedante que procura o conhecimento com o único intuito de gerar, e de modo proposital e redundante, radicais complexidades discursivas e temáticas para comparar, demonstrar ou ostentar um status intelectual academicista europeizado "superior" (para o nosso deleite ou não) numa busca, crença e fé cega de que aí, na academia, se encontra a única inteligência, quando esta, em verdade, é simples, múltipla, infinita e surpreendente.
[Leia outros Comentários de Acad. de Jornalismo]
27/7/2009
23h35min
Desmerecer a propriedade intelectual em uma sociedade subversiva como esta, apenas com objetivo comodista, aparenta-me demência ou demasiada vaidade pela própra mediocridade. O tipo intelectual não é equivalente àquele que cultiva sua própria imagem - e tal não merece este título -, mas sim ao que, no uso de sua faculdade racional, acumula o conhecimento necessário à satisfação de seu propósito existencial. A cada um, o direito à opinião, e que se lhe valha quem acreditar que o deve.
[Leia outros Comentários de Ares]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.




Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




COMPARATIVE CRIMINOLOGY: V. 1
HERMANN MANNHEIM
ROUTLEDGE
(1967)
R$ 85,28



POR FORA DA COPA
EDUARDO MENEZES
DUBLINENSE
(2014)
R$ 18,00



SETE FACES DO AMOR
MARCIA KUPSTAS
MODERNA
(1992)
R$ 10,00
+ frete grátis



MARIO, O CAMISA 10
JOACHIM MASANNEK; JAN BIRCK
VIDA E CONSCIENCIA
(2012)
R$ 12,00



MEU MONSTRO DE ESTIMAÇÃO- LEIA DESCRIÇÃO
DICK KING-SMITH
RECORD
(2008)
R$ 9,00



LOUCURA E OBSESSÃO
DIVALDO P. FRANCO
FEDERAÇÃO ESPÍRITA BRASILEIRA
(1997)
R$ 20,00



AMIGOS DE VERDADE
BRADLEY TREVOR GREIVE
SEXTANTE
(2006)
R$ 8,90



MÉTODOS E TEMPOS - ABORDAGEM GERENCIAL - RACIONALIZANDO A PRODUÇÃO DE BENS E SERVIÇOS
ROBSON SELEME
INTERSABERES
(2012)
R$ 6,00



REFORMA NA PAULISTA E UM CORAÇÃO PISADO
ELISA ANDRADE
OITAVA RIMA
(2013)
R$ 7,90



A ARTE DA GUERRA OS TREZE CAPÍTULOS COMPLETOS
SUN TZU
EDIOURO
(2009)
R$ 20,00





busca | avançada
75359 visitas/dia
2,6 milhões/mês