A Literatura na poltrona | Luiz Rebinski Junior | Digestivo Cultural

busca | avançada
77579 visitas/dia
2,1 milhões/mês
Mais Recentes
>>> Fora da Casinha realizará apresentações circenses virtuais voltadas para toda família
>>> As Clês narram as vozes femininas do mundo
>>> Mostra de Cinemas Africanos realiza edição especial em parceria com Cineclube Mário Gusmão
>>> Mestres da dança de MG, Marlene Silva e Henry Netto são homenageados em 17 e 18 de março
>>> Projeto “Sala de Visita” recebe Mauricio Virgulino para falar sobre Educomunicação e arte
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Um antigo romance de inverno
>>> O acerto de contas de Karl Ove Knausgård
>>> Assim como o desejo se acende com uma qualquer mão
>>> Faça você mesmo: a história de um livro
>>> Da fatalidade do desejo
>>> Cuba e O Direito de Amar (3)
>>> Isto é para quando você vier
>>> 2021, o ano da inveja
>>> Pobre rua do Vale Formoso
>>> O que fazer com este corpo?
Colunistas
Últimos Posts
>>> Queen na pandemia
>>> Introducing Baden Powell and His Guitar
>>> Elon Musk no Clubhouse
>>> Mehmari, Salmaso e Milton Nascimento
>>> Gente feliz não escreve humor?
>>> A profissão de fé de um Livreiro
>>> O ar de uma teimosia
>>> Zuza Homem de Mello no Supertônica
>>> Para Ouvir Sylvia Telles
>>> Van Halen ao vivo em 1991
Últimos Posts
>>> Tiro ao alvo
>>> A TETRALOGIA BUARQUEANA
>>> Bom de bico
>>> Diário oxigenado
>>> Canção corações separados
>>> Relógio de pulso
>>> Centopéia perambulante
>>> Fio desemcapado
>>> Verbo a(fiado)
>>> Janelário
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Ingmar Bergman, cada um tem o seu
>>> Entrevista com GermanoCWB
>>> A palavra silenciosa
>>> O menino e o Homem Aranha
>>> À beira do caminho
>>> William Faulkner e a aposta de Pascal
>>> Modernismo e Modernidade
>>> O último a sair que apague a luz
>>> Entretenimento dá dinheiro, sim!
>>> Teatro para todos
Mais Recentes
>>> Cascata de Luz de Irene Pacheco Machado pela Recanto
>>> O Amanhã a Deus Pertence de Zibia Gasparetto pela Vida & Consciência (2006)
>>> A Insustentável Leveza do Ser de Milan Kundera pela Rio Gráfica
>>> Sheila Levine Está Morta e Vivendo Em Nova York de Gail Parent pela Bertrand Brasil (2007)
>>> Espelho Meu de Edgar J. Hyde pela Ciranda Cultural (2010)
>>> A 2ª Morte de R a Ranieri pela Edifrater (1997)
>>> O Melhor de Mim de Nicholas Sparks pela Arqueiro (2014)
>>> Cem Melhoramentos Crônicas (que, na Verdade, São 129) de Mario Prata pela Planeta (2007)
>>> Pare de Sofrer de Zibia Gasparetto pela Vida e Consciência (1997)
>>> Harmonização de Francisco Cândido Xavier pela Geem
>>> Mulheres Alteradas 1 de Maitena pela Rocco
>>> Vernon God Little de Dbc Pierre pela Record (2004)
>>> Seja Líder de Si Mesmo de Augusto Cury pela Sextante (2004)
>>> Crônicas para Gostar de Ler Volume 5 de Carlos Drummond de Andrade pela Atica
>>> As Ilusões Perdidas de Honor é de Balzac pela Victor Civita
>>> O Pequeno Príncipe 25 Edição de Antoine de Saint Exupéry pela Agir (1983)
>>> Autoridade Docente no Ensino Superior: Discussão e Encaminhamentos de Maria Lucia M. Carvalho Vasconcelos pela Intertexto (2006)
>>> Muitas Vidas, Muitos Mestres de Brian L. Weiss pela Sextante (2009)
>>> 21 Dias de Favor Divino de Silvio Galli pela Amav
>>> Eva de William P Young pela Arqueiro (2015)
>>> Porta Giratória de Mario Quintana pela Globo
>>> Os Três Mosqueteiros - Clássicos Ilustrados de Alexandre Dumas-luiz Antonio Aguiar Adaptação pela Melhoramentos (1999)
>>> Menino de Asas de Homero Homem pela Gernasa
>>> A Semente de Caju de Junji Miyaura pela Seicho no Ie
>>> Na Mente, o Veneno de Andrea H. Japp pela Vertigo (2013)
COLUNAS

Quinta-feira, 13/9/2007
A Literatura na poltrona
Luiz Rebinski Junior

+ de 5000 Acessos

O escritor e crítico José Castello fez da profusão de gêneros literários a marca de sua escrita. Em A Literatura na poltrona - Jornalismo Literário em tempos instáveis (Record, 2007, 204 págs), mais uma vez o escritor constrói textos que trafegam entre a ficção e a crítica, ainda que oficialmente o livro seja uma coletânea de ensaios sobre o fazer literário. O termo jornalismo literário aqui ganha outra conotação, diferente daquela consagrada por Truman Capote e os escritores da famosa revista The New Yorker. Castello utiliza a expressão para descrever o trabalho do jornalista que se dedica à cobertura da cena literária e seus desdobramentos.

Ao longo dos 15 textos que compõem o livro, o autor deixa de lado a crítica crua e rápida dos cadernos culturais para dar vazão a textos em que a análise literária se funde, por exemplo, às impressões pessoais do autor sobre determinado escritor, livro ou mesmo lugar, como é o caso de "Viagens literárias", em que desvenda a Praga de Franz Kafka e o Chile de Pablo Neruda.

O texto híbrido do autor fica evidente logo nas primeiras páginas. Em "O repórter depõe as armas", o escritor recorre a uma entrevista, permeada por um clima noir, com a filósofa francesa - e especialista na obra de Clarice Lispector - Hélène Cixous, para falar sobre como os livros lêem as pessoas, e não o contrário, conforme ensina o senso comum. Aqui o autor abre parêntese para criticar a hiperespecialização da literatura, que muitas vezes restringe ou mesmo desencoraja leitores a alçar vôos mais altos dentro da ficção. Para Castello, a literatura está muito mais para o "não saber" do que para o conhecimento específico. Ou seja, na literatura não se trata apenas de conhecer, mas sim de sentir, permitir-se ser invadido justamente pelo desconhecido e pelo que é estranho. Para ler Joyce ou Guimarães Rosa não é preciso anos de estudo, mas sim que o leitor permita que o livro lhe desnude e abra, assim, novas perspectivas.

Seja escrevendo sobre o barco de Hemingway ("A Literatura na poltrona") ou sobre a alucinação de Luis da Silva no famoso romance de Graciliano Ramos ("Literatura e crime"), Castello está sempre discutindo o papel da literatura na vida cotidiana e seu lugar como manifestação artística no mundo. No entanto, não se priva de assuntos espinhosos. Coordenador de oficinas de criação literária em Curitiba - que prefere chamar de "oficinas de imaginação" -, o autor discute a contribuição desse tipo de oficina na formação de um aspirante a escritor. Contrário às formulas e receituários, Castello acredita que as oficinas não formam ou transformam o indivíduo em escritor, mas apenas, no máximo, incitam e provocam inquietação. Em outras palavras, literatura não se ensina, é o que deixa claro. E aqui o autor dá vazão a uma de suas principais convicções, a de que todo escritor precisa, necessariamente, encontrar "voz própria" na literatura, o que, alerta Castello, não pode ser confundido com o que muitos chamam de "estilo". A "voz do escritor", diz ele, "não é uma escolha, uma voz é uma maneira inconsciente - e autônoma - de soar". Este é um pensamento que tem permeado os escritos e reflexões do autor há bastante tempo, seja na crítica a livros de novos ou veteranos escritores.

Já a difícil tarefa de julgar, imposta diariamente ao crítico ou jornalista literário, é discutida abertamente em "Crítica e Impureza". O crítico, segundo Castello, está sempre na berlinda, já que, goste ou não de determinada obra, sempre estará, ele próprio, exposto a julgamento, ora acusado de complacente ora de corrosivo e mal-humorado. Luta inglória que, defende ele, nenhum crítico tem o direito de se esquivar. Discussão que se encaixa muito bem no que o autor escreve páginas depois em "Jorge Amado, autor do Brasil". Fenômeno de público no país, Amado nunca foi acolhido plenamente pela crítica, que depois de lhe colocar a pecha de escritor socialista, acusou-o de populista e autor de uma literatura que reforça os clichês sobre o país. Em um texto sóbrio, Castello revê os dois lados da moeda e explica como o escritor baiano se tornou uma "marca" nacional, assim como Pelé e Carmen Miranda.

Crítica e Impureza
Desde os anos 80 se dedicando à literatura, Castello tem sido um dos críticos mais ativos de sua geração. Colunista do jornal literário Rascunho, o escritor é responsável pela seção "Cartas de um aprendiz", em que, em formato de missiva, tem a difícil tarefa de comentar a produção de novos autores. Missão delicada, diga-se de passagem, já que é sempre muito mais fácil falar de escritores consagrados, aqueles que têm carreira sólida e a quem uma crítica negativa não importa tanto quanto para um novato. E, a se tomar por base suas últimas colunas no Rascunho, o autor tem sido coerente com o que escreveu em "Crítica e Impureza", não deixando de dizer "o mais difícil e desagradável".

Entre uma discussão e outra, A Literatura na poltrona traz textos em que Castello se permite entrar diretamente no relato, aproximando-se, aí sim, daquele outro jornalismo literário, em que o jornalismo funde-se à literatura, tal como fez Gay Talese em seus inúmeros perfis. É o caso dos já mencionados "O repórter depõe as armas" e "Viagens literárias", textos que poderiam facilmente estar no belíssimo Inventário das sombras, livro em que Castello traça o perfil de escritores brasileiros e estrangeiros e cujos textos mais se aproximam da fusão entre o ensaio e o conto. Talvez a maior diferença entre os dois títulos seja mesmo a preocupação com a crítica mais formal feita em A Literatura na poltrona, ainda que os textos de Inventário das sombras guardem a mesma profundidade e análise crítica da literatura e seus autores. Tal diferença pode ser explicada em grande parte também porque muitos dos textos do novo livro foram antes publicados em periódicos literários e com o objetivo explícito da crítica - incluindo aí "Um pastor para o século XXI", ensaio sobre Fernando Pessoa reproduzido no Digestivo Cultural.

Seja falando sobre assuntos mais ou menos polêmicos e espinhosos, Castello tem sempre uma original e coerente análise a relatar. Isso faz com que o leitor encontre ensaios inusitados ao longo livro, em que o autor faz analogias pouco prováveis, como no texto em que cruza as visões literárias de João Cabral de Melo Neto e Edgar Allan Poe, ainda que as duas biografias estejam separadas por um século de existência. A única ressalva que se faz é que Castello trafega sempre por um grupo fechado de autores (quase sempre cânones), com especial destaque para Clarice Lispector, uma de suas obsessões. Ótimo para quem é grande admirador da autora de A Paixão segundo G.H., mas nem tanto para quem não é lá muito fã da prosa enigmática da escritora.

Longe do academicismo, mas sem abdicar do pensamento, A Literatura na poltrona traz à tona discussões importantes acerca do fazer literário em textos envolventes que oferecem ao leitor análises originais e que, de certa forma, desmitificam a própria literatura. Mas o grande êxito da obra reside principalmente nas visões singulares que Castello oferece ao leitor sobre os temas discutidos, detalhe crucial quando se trata de um livro de (e sobre) crítica literária.

Para ir além






Luiz Rebinski Junior
Curitiba, 13/9/2007


Mais Luiz Rebinski Junior
Mais Acessadas de Luiz Rebinski Junior em 2007
01. Literatura pop: um gênero que não existe - 5/12/2007
02. Recordações da casa dos mortos - 12/4/2007
03. Quem é o autor de um filme? - 6/8/2007
04. A Literatura na poltrona - 13/9/2007
05. O sucesso do Cansei de Ser Sexy - 31/5/2007


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




Convite ao Vinho
Luciano Percussi
Nova Alexandria
(1998)
R$ 11,94



Peru: Rough Guide
Dilwyn Jenkins
Publifolha
(2005)
R$ 6,00



Ainda Lembro
Jean Wyllys
Globo
(2005)
R$ 11,43



Francês Para o dia a dia: a Maneira Mais Simples de Iniciar-Se no Idioma Francês
Idiomas Pons, Carlos Antonio Lourival de Lima (Tradutor), Egisvanda Isys de Almeida Sandes (Tradutor) & 2 mais
Martins Fontes - selo Martins
(2009)
R$ 17,90



A Cidade E As Serras
Eça De Queirós
Martin Claret E Sesi-Sp
R$ 14,00



Brasil: Reforma Ou Revolução?
Eduardo Almeida Neto
Cadernos Marxistas
R$ 8,00



Ainda Estamos Vivos
J. M. Simmel
Nova Fronteira
(1979)
R$ 7,00



Revista do Centro de Estudos Portugueses - 5431
Silvana Pessoa de Oliveira
Fale
(2001)
R$ 15,00



Memorias de um Sargento de Milicias / Livros do Estadao 13
Manuel Antonio de Almeida
Klick
(1997)
R$ 7,90



Iniciação à Sociologia
Nelson Dacio Tomazi
Atual
R$ 10,00





busca | avançada
77579 visitas/dia
2,1 milhões/mês