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Segunda-feira, 5/2/2007
O pueril Capote
Luiz Rebinski Junior

+ de 3900 Acessos

Romance de formação de Truman Capote antecipa características que anos mais tarde o escritor aperfeiçoaria em livros como Bonequinha de luxo

Quando Truman Capote morreu, em 1984, estava em uma situação que não condizia com o talento e, tão pouco, com a fama de escritor popular e boêmio que conquistara ao longo dos anos. Capote morreu sozinho, degradado pelo álcool e pelas drogas que consumiu em doses nada homeopáticas durante bons períodos.

Na época era um escritor visto como decadente que há muito tempo não lançava nada que lembrasse a genialidade do seminal A sangue frio, livro que o alçou ao estrelato do mundo das letras e o colocou cabeça a cabeça com os principais nomes da literatura norte-americana e mundial.

Passados mais de vinte anos de sua morte, Capote é hoje tão festejado quanto nos anos mais dourados de sua carreira como jornalista e escritor. No Brasil esse entusiasmo se reflete por meio de uma bem-vinda enxurrada de lançamentos e reedições do autor de Bonequinha de luxo.

Um dos últimos lançamentos, editado pelo selo Alfaguara, é um livro que até então não constava na bibliografia de Capote. Travessia de verão (Alfaguara, 2006, 144 págs.) tem uma história tão interessante quanto a carreira de seu criador. Perdido por mais de 40 anos, o romance só veio à tona em 2004, quando um desconhecido tentava vender os originais da obra na famosa casa de leilão Sotheby's. Com todos os elementos de um bom romance, a história do desaparecimento - se é que se pode falar que o livro desapareceu, já que ninguém, nem mesmo o biógrafo do escritor, Gerald Clarke, sabia da existência dos manuscritos - de Travessia de verão começa em 1966, quando Capote, com muito dinheiro no bolso por conta do sucesso de A sangue frio resolve deixar seu pequeno apartamento no Brooklyn com todos os móveis dentro, incluindo aí uma caixa com documentos que deveria ir para o lixo. A caixa não só não foi parar no lixo como foi guardada por mais de quatro décadas, até que um parente do zelador que cuidou dos objetos de Capote resolveu vascular o conteúdo do recipiente e achou o romance, escrito à mão em cadernos escolares.

O novo e o velho Capote
Romance de formação de Capote, autor que ganhou notoriedade literária precocemente com o lançamento de Outras vozes, outros lugares, Travessia de verão traz um escritor ainda procurando seu caminho, porém com um domínio bastante grande das palavras - esta uma das maiores virtudes da escrita de Capote. Por exemplo, é possível traçar um paralelo entre a personagem principal de Travessia de verão, Grady McNeil, e a excêntrica Holly Golightly, de Bonequinha de luxo. A personalidade de Grady em muitos momentos lembra o jeito explosivo e desvairado de Holly. As tiradas sarcásticas e o sentimento de estranheza são comuns às duas meninas criadas pelo escritor. A ironia do velho Capote já é notada no ainda pueril escritor de Travessia de verão. O modo corrosivo de falar das situações mundanas está em cada parágrafo e diálogo do romance. Tudo isso personificado na figura de Grady McNeil.

Filha de pais ricos que vão curtir as férias a bordo de um navio e a deixam sozinha em um luxuoso apartamento em Nova Iorque, Grady decide liberar suas fantasias, apaixona-se por um rapaz pobre empregado de um estacionamento, e mantém uma relação dúbia com um tal Peter Bell, menino de seu círculo de amizade. Ao longo da narrativa, ambientada no pós-guerra, Capote vai dando forma à personalidade de Grady, uma menina tão dona de si quanto insegura. O autor mostra a fragilidade de uma garota acostumada a dominar as situações e bastante crítica com relação à sociedade, mas que na verdade não sabe onde se encaixa no mundo nem o que fazer para modificá-lo. Mais do que um romance sobre uma paixão fugaz, Travessia de verão diz respeito ao desajuste social, presente mesmo nos lares mais abastados, como é o caso dos McNeil. É interessante notar como Grady e Holly se parecem com Capote, um homem de ego inflado mas ao mesmo tempo uma personalidade envolvente.

Mesmo não sendo um grande romance, é interessante como o livro é revelador da prosa que, anos mais tarde e já com uma técnica bem mais apurada, o escritor empreenderia com maestria em contos, peças de teatro e perfis. Principalmente no que diz respeito à habilidade que Truman Capote tinha de trazer à tona, por meio de um texto simples mas ao mesmo tempo eficaz, um turbilhão de sentimentos e sensações, da tristeza à felicidade.

Ao longo do romance Capote faz cortes na narrativa que, aparentemente não têm muita serventia, mas, no entanto se encaixam perfeitamente à história. É o caso das pequenas divagações presentes a respeito da mãe de Grady, uma mulher dominadora que mantém uma disputa velada com a filha, que por sua vez vê nesse embate uma forma de confrontar o mundo e a parcela da sociedade da qual faz parte. O escritor vai construindo o romance com essas histórias correlatas que, no final, igual a um quebra-cabeça, dão sentido à trama. Mais do que isso, as pequenas histórias do romance realçam o discurso empreendido pelo autor sobre como as relações humanas são, em geral, regidas por sentimentos inexplicáveis.

Dono de uma obra literária invejável, Capote se deu ao luxo de desdenhar um romance que, se não está entre os melhores trabalhos que criou, é embebido pelos traços que marcaram sua escrita. E isso, certamente, basta para justificar a publicação de Travessia de verão.

Para ir além






Luiz Rebinski Junior
Curitiba, 5/2/2007


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