Os clássicos e o leitor de hoje | Lolita Beretta | Digestivo Cultural

busca | avançada
37376 visitas/dia
1,1 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Banda GELPI, vencedora do concurso EDP LIVE BANDS BRASIL, lança seu primeiro álbum com a Sony
>>> Celso Sabadin e Francisco Ucha lançam livro sobre a vida de Moracy do Val amanhã na Livraria da Vila
>>> No Dia dos Pais, boa comida, lugar bacana e MPB requintada são as opções para acertar no presente
>>> Livro destaca a utilização da robótica nas salas de aula
>>> São Paulo recebe o lançamento do livro Bluebell
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> O reinado estético: Luís XV e Madame de Pompadour
>>> 7 de Setembro
>>> Outros cantos, de Maria Valéria Rezende
>>> Notas confessionais de um angustiado (VII)
>>> Eu não entendo nada de alta gastronomia - Parte 1
>>> Treliças bem trançadas
>>> Meu Telefunken
>>> Dor e Glória, de Pedro Almodóvar
>>> Leminski, estações da poesia, por R. G. Lopes
>>> Crônica em sustenido
Colunistas
Últimos Posts
>>> Nubank na Hotmart
>>> O recente choque do petróleo
>>> Armínio comenta Paulo Guedes
>>> Jesus não era cristão
>>> Analisando o Amazon Prime
>>> Amazon Prime no Brasil
>>> Censura na Bienal do Rio 2019
>>> Tocalivros
>>> Livro Alma Brasileira
>>> Steve Jobs em 1997
Últimos Posts
>>> O céu sem o azul
>>> Ofendículos
>>> Grito primal V
>>> Grito primal IV
>>> Inequações de um travesseiro
>>> Caroço
>>> Serial Killer
>>> O jardim e as flores
>>> Agradecer antes, para pedir depois
>>> Esse é o meu vovô
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Crítica à arte contemporânea
>>> A literatura feminina de Adélia Prado
>>> Jorge Caldeira no Supertônica
>>> A insustentável leveza da poesia de Sérgio Alcides
>>> Dor e Glória, de Pedro Almodóvar
>>> Millôr e eu
>>> As armas e os barões
>>> Quem é o autor de um filme?
>>> Cyrano de Bergerac
>>> Eu não entendo nada de alta gastronomia - Parte 1
Mais Recentes
>>> A Loucura de Tristão (La Folie Tristan) de Anônimo Francês do Século XII(Trad.? Autografo): G. D. Leoni pela Rassegna Brasiliana/ SP. (1965)
>>> A Religião viva do Cristo de Cesar D' Almeida Campos pela Livraria Cultura (1951)
>>> Evangelho da Solidão de Eduardo de Oliveira pela Cupolo (1969)
>>> Villa-Rica de Alcibiades Delamare pela Nacional (1935)
>>> Revista do Arquivo Municipal Clxvii (167) de Nicanor Miranda/alceu Maynard Araújo pela Depart. de Cultura (1962)
>>> La Celestina de Fernando de Rojas pela Madrid (1959)
>>> Economia e Sociologia de Adolf Lowe pela Revista Forense (1956)
>>> Movimento Praieiro:imprensa, Ideologia e Poder Politico de Izabel Andrade Marson pela Contemporanea (1980)
>>> Perfil do Mercado Consumidor:de Santo André e da Grande São Paulo de Felicio P. Benatti pela Fund. Santo André (1969)
>>> A Força Invisível de Wayne W. Dyer pela Sextante (2007)
>>> Revista de Educação:AEC, A Atualidade do Começo. Ano. 35 julho / Se... de Olmira Bernadete Dassoler pela Salesianas (2006)
>>> As Tres Prosas: a Pobre, a Rica e a Nova- Rica (conferência...) de Agostinho de Campos pela Livr. Ailaud e Bertrand/ Lisboa (1923)
>>> XXll de Agosto de Nelson de Souza Carneiro pela Nacional (1933)
>>> São Francisco de Sales de Abbe Jacques Leclerq pela Vozes (1957)
>>> Os Dogmas do Espiritismo de Rosalina Calmon dos Santos pela Arte Moderna
>>> La puerta Cerrada de Simón H. pela Esoteria (1981)
>>> Os Galos da Aurora de Hélio Pólvora pela Civilização Brasileira (1958)
>>> O Triumpho das Forças Mentaes de O. S. Marden pela América Latina (1929)
>>> Anuário Militar 1987 de John Pimlott pela Globo (1987)
>>> Cannaviaes de Alberto Deodato pela Rio de Janeiro (1922)
>>> Introdução á Poesia de Augusto dos Anjos de Júlio de Oliveira Martins pela Livraria Brasil (1958)
>>> Um dia depois do outro de Antonio de Almeida Prado pela Clube do Livro (1965)
>>> Um dia depois do outro de Antonio de Almeida Prado pela Clube do Livro (1965)
>>> As Tres Prosas: a Pobre, a Rica e a Nova- Rica (conferência...) de Agostinho de Campos pela Livr. Ailaud e Bertrand/ Lisboa (1923)
>>> Trinta Anos Depois da Volta de Octavio Costa pela Biblioteca do Exército (1976)
>>> 2194 Giorni Di Guerra de Mondadori pela Ediouro (1979)
>>> Encyclopedia of the Vietnam War de Stanley I. Kutler pela Charles Scribners (1996)
>>> O Encontro Marcado de Fernando Sabino pela Record (1988)
>>> Foguetes e Mísseis da III Guerra Mundial de Robert Berman e Bill Gunston pela Livro Técnico S/A (1983)
>>> A Segunda guerra mundial (Vol. 2 Somente esse Volume) de Raymond Cartier pela Primor (1975)
>>> Os Aviões de Enzo Angelucci pela Arnoldo Mondadori (1975)
>>> lua de Mel em Portugal de Marco Antonio pela Pin
>>> A História de Fernão Capelo Gaivota de Richard Bach pela Nórdica (1970)
>>> Epigramário de J. Dias de Moraes pela O Autor
>>> O livro de Ouro da Poesia Religiosa Brasileira de Jamil Almansur Haddad pela Edições de Ouro (1966)
>>> São José do Rio Preto:1852 / 1894 de Agostinho Brandi pela Rio-Pretense (2002)
>>> A Abertura dos Portos do brasil de Pinto de Aguiar pela Progresso (1960)
>>> Hawaii Açucareiro de Apolonio Sales pela IPA (1937)
>>> Desidério Desiderávi de Frei Carmelo Surian O. F. M. pela Vozes (1957)
>>> Pearl Harbor de H.P. Willmott pela Livro Técnico S/A (1981)
>>> O Orfeão na escola nova de Leonila Linhares Beuttenmuller pela Irmãos Pongetti (1937)
>>> Robson Crusoé de Monteiro Lobato pela Brasiliense (1988)
>>> O Comércio e o Desenvolvimento Economico do Brasil de José Papa Júnior pela Nacional (1983)
>>> No Hospital das Letras de Afranio Coutinho pela Tempo Brasileiro (1963)
>>> Fim de Primavera de Edvard Camilo pela Globo (1921)
>>> Corpos de Elite do Passado de Dominique Venner pela Ulisseia (1972)
>>> Tonico de José Rezende Filho pela Ática (1984)
>>> A brigada portyguara 1a Edição de Almicar Salgado dos Santos pela Nacional (1925)
>>> La France en Gènèral de André Frossard pela 'Plon (1975)
>>> O Comércio e o Desenvolvimento Econômico do Brasil de José Papa Júnior pela São Paulo (1983)
COLUNAS

Terça-feira, 12/4/2011
Os clássicos e o leitor de hoje
Lolita Beretta

+ de 6900 Acessos
+ 1 Comentário(s)

Publicar um texto, hoje, passa quase que apenas pelo desejo do autor. Blogs, redes sociais, portais de jornalismo e de escritores independentes, estão, felizmente, a serviço do texto e de sua divulgação quase instantânea. Eu, por exemplo, li o texto "A rentável miséria da literatura" aqui no Digestivo Cultural, porque recebi, minuto após minuto, tweets que o mencionavam, e geralmente de modo positivo. Foram mais de 1000 acessos, só numa manhã.

Num determinado momento, a repercussão do texto fez com que a pergunta "Por que não transformar os clássicos em literatura de massa?" chegasse à minha tela de computador. Foi aí que parei para escrever, até porque, como disse no início, publicar um texto hoje... "A rentável miséria da literatura" gerou diálogo. Interlocução. Quem leu e passou adiante produziu uma "resposta" ao texto. E este é um dos grandes objetivos de qualquer texto. Que ele seja respondido, da forma como o leitor puder e quiser: citando trechos na internet, recomendando-o a um amigo, buscando outra leitura na área, indo ao dicionário procurar que diabos significa "insurretos", e por aí vai.

Mas a minha pergunta diante desse texto ― a minha "resposta", conforme Bakhtin e outros teóricos da área, ― é: estamos declarando o empobrecimento da literatura com lentes que representam a nossa época? Por exemplo: será que um personagem de Goethe diz algo sobre o que se entende por poemas e "direito à existência literária" nos dias de hoje? E, se concordamos que a literatura está, sim, empobrecendo, quantas outras formas de expressão artísticas não estão ganhando espaço e sendo reinventadas a cada dia?

É natural que algumas coisas percam e outras ganhem espaço na medida em que há uma alteração radical dos hábitos e das formas de interação que conhecemos. Que poder tem um livro, e mais ainda, um clássico, para que chame mais atenção que um "i" alguma coisa? Muito. Mas uma tela de celular oferece muito mais interação do que os livros, da forma como estes têm chegado aos jovens (futuros) leitores.

O que tem sido feito na sala de aula é um caminho atrapalhado, inverso, que afasta os jovens do universo dos livros. Ao invés de trabalhar na árdua e contínua conquista de leitores, a escola os obriga a passar por leituras que pouco lhe dizem respeito e que naturalmente geram um certo repúdio aos livros. Isso sem contar os efeitos sobre a autoestima, visto que grande parte das leituras exigidas são incompreensíveis à maioria dos jovens.

Eis que a escola insiste no erro: Machado de Assis quase sempre surge como uma das primeiras leituras obrigatórias de um adolescente. Mas Machado não representa e não dialoga com quase nada do universo do jovem contemporâneo. Não inicialmente. Não sem um trabalho e um repertório prévios a esta leitura. E mais: o professor prefere ignorar esse estranhamento dos alunos a entendê-lo, discuti-lo, e, para facilitar o processo, oferece leituras qualificadas de estudiosos que explicam o que o autor quis dizer para todos aqueles que não entenderam nada.

Um ponto importante é que a busca e o interesse pelos clássicos devem ser o resultado de muita leitura. Leituras que tenham tido significado para o leitor, que tenham, em algum momento, envolvido o leitor de modo a lhe dizer: "Ei, ler um livro pode ser muito bacana!". Para chegarmos a isso, porém, precisamos de professores que se engajem verdadeiramente na formação do leitor. Se não houver um trabalho escolar cotidiano que estimule e desenvolva o diálogo com o que se lê, dificilmente se chega a formar um leitor de clássicos. Mas também: e, se não ler os clássicos, que problema tem? Os clássicos nunca foram de massa.

O que a maioria dos best-sellers oferece é essa leitura confortável, de iniciante. Nela, não há aprofundamento, tampouco a criação de um conflito no leitor. Porque ler mais e ler os clássicos é também se defrontar com obstáculos, com leituras nem sempre fáceis de si mesmo e do mundo.

Não podemos negar que é algo muito positivo ver o número de leitores sempre aumentando. As livrarias que freqüento estão sempre cheias, e cheias dos mais variados leitores. Os clássicos, os grandes autores, estão, sim, nas estantes e vitrines. Geralmente, com capas bonitas, reedições de luxo, comentadas. Acontece que a maioria sempre acaba escolhendo o livro ao lado. Estes leitores, que não são poucos, estão sendo preparados para que tipo de leitura? Ou melhor: para desenvolver que tipo de relação com o que é lido? Por acaso este leitor dialoga, de fato, com o que está lendo?

Volto à "rentável miséria da literatura": este diálogo que estamos tendo aqui tem como pano de fundo todo um repertório de leitura de ambos os lados. Imagino que todos ou quase todos os leitores do Digestivo Cultural já leram algum clássico. Foram leitores estimulados e formados para ter uma interação efetiva com o que lêem. Mas daí para se cobrar do outro esta mesma paixão pela leitura é algo quase cruel. Porque falta, antes disso, uma escola a lhe oferecer uma base que permita que seja ele próprio a decidir o que vai ler...

Nota do Editor
Este texto é, naturalmente, uma resposta a "A rentável miséria da literatura".


Lolita Beretta
Porto Alegre, 12/4/2011


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Brasileiros aprendendo em inglês de Carla Ceres
02. A lírica pedregosa de Mário Alex Rosa de Jardel Dias Cavalcanti
03. Lady Gaga, uma aula do pastiche de Relivaldo de Oliveira
04. Religião prêt-à-porter de Verônica Mambrini


Mais Lolita Beretta
* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
27/5/2011
11h53min
Respondendo à pergunta "Que poder tem um livro, e mais ainda, um clássico, para que chame mais atenção que um 'i' alguma coisa?", tem o poder dos vinhos de primeira, que só os paladares apurados conseguem apreciar, enquanto o resto se contenta com cachaça. É preciso bom-gosto, refinamento intelectual, inteligência etc. para ler e apreciar um clássico. O "resto" lê qualquer coisa, quando lê.
[Leia outros Comentários de Gil Cleber]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.




Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




A LUZ "VERMELHA" NO FIM DO TÚNEL
KÉSIA APARECIDA TEIXEIRA SILVA UND MÔNICA CAPPELLE
NOVAS EDIÇÕES ACADÊMICAS
R$ 349,00



CATÁLOGO DOS MOLUSCOS DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA
MAURY PINTO DE OLIVEIRA E OUTROS (2º VOLUME)
EDUFJF (JUIZ DE FORA MG)
(1992)
R$ 19,82



HORA DE COLORIR COM ADESIVOS ZUMBIS
LITTLE PEARL BOOKS
TODOLIVRO
R$ 14,90



STEVE JOBS
WALTER ISAACSON
SIMON & SCHUSTER
(2011)
R$ 15,00



MEU SER E PENSAR
AFONSO RODRIGUES S J
LOYOLA
(1981)
R$ 5,00



DISCURSO SOBRE O MÉTODO
DESCARTES
EXPOSIÃO DO LIVRO
R$ 8,64



HERÓIS E PRÍNCIPES HEBREUS
JOACHIM PRINZ
S. SIGAL
(1954)
R$ 15,00



SELOS DE TODO O MUNDO - MANUAL DO FILATELISTA
NÃO CONSTA
NOVA CULTURAL
(1986)
R$ 12,00



O SUICÍDIO DAS DEMOCRACIAS
CLAUDE JULIEN
ARTENOVA
(1975)
R$ 7,00



DELPHI - ENGLISH EDITION
BASIL PETRAKOS
CLIO
R$ 50,00





busca | avançada
37376 visitas/dia
1,1 milhão/mês