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Terça-feira, 25/6/2013
Para entender os protestos e o momento histórico
Julio Daio Borges

+ de 6700 Acessos


Como todo mundo, eu confesso que demorei a entender o que estava acontecendo no Brasil. Se eu não entendia, como poderia tentar explicar? Por essas e por outras, demorei a me manifestar.

Só começou a ficar mais claro, para mim, quando assisti ao pronunciamento da nossa Presidente da República. Aquele vídeo, que entrou em cadeia nacional, parecia enviado de outro planeta. Totalmente desconectado da nossa realidade, me fez pensar. Tive um brainstorm.

Política não é o meu forte (quem me lê, sabe). Mas ajudei a escrever algumas páginas da internet brasileira e, pela minha experiência e vivência, identifico uma grande "dissonância" entre a "visão de mundo" de nossos governantes e a dos jovens que estão liderando as manifestações.

Logo, me disponho a expor alguns conceitos, que são "chave", na época em que vivemos, e que, me parece não são suficientemente conhecidos, ou não foram devidamente assimilados, ou, talvez, devam ser melhor compreendidos por aqueles que nos governam.

Para começar, a internet é uma conversa. E a nossa sociedade caminha para uma "grande conversação" (mal traduzindo do inglês). Aquele vídeo, da Presidente Dilma, é um monólogo. Segue o modelo de "palestra", onde alguém "fala" e uma audiência, passivamente, "escuta".

Na internet ― e, portanto, na nossa sociedade ― não é mais assim que funciona. O modelo de broadcasting ― em que "poucos" falavam para "muitos" ― caiu por terra. Agora, o que existe é o que se chama de multicast ― em que "muitos" falam para "muitos" ― geralmente ao mesmo tempo.

Seguindo esse raciocínio, a postura de quem "detem o saber" e o "transmite" para quem, supostamente, "não sabe"... caiu de moda. Consultar "oráculos" ou impor "verdades reveladas" não funciona mais ― pois, dada a quantidade de informação disponível, acabou a antiga "omnisciência" e a ideia (antiga, também) de "versão oficial".

Aquele vídeo, da Presidente Dilma, era um "produto" (algo "acabado"). Eis outro conceito velho. Na internet ― e na nossa sociedade interconectada ― nada está "pronto" e tudo está "em construção". O desejo de ter "a palavra final" sobre qualquer assunto soa como uma tremenda ingenuidade, num universo em constante mutação.

Enquanto a Presidente, fechada num estúdio, tinha sua imagem "trabalhada" e seu discurso "construído", os manifestantes realizavam sua performance nas ruas, expondo a pele sem make-up, e sem Photoshop. Era um vídeo presidencial "de laboratório"... tentando "se harmonizar" com a realidade "nua e crua".

No 11 de Setembro, enquanto o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, foi duramente criticado pelo seu discurso ingênuo em "cadeia nacional de rádio e TV", o prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani, foi devidamente elogiado por comparecer ― em pessoa ― em Times Square (no mesmo dia em que terroristas punham abaixo o World Trade Center).

Se a nossa Presidente mandou um vídeo direto da sua espaçonave, tampouco nossos digníssimos governador e prefeito, aqui em São Paulo, se dispuseram a comparecer, no auge das manifestações... Infelizmente, estamos percebendo que somos governados por "bonecos de ventríloquo" e não por gente de carne e osso.

Voltando à Presidente, é notório que ela fez uma carreira na burocracia, operando nos "bastidores", e trabalhando, como dizem os americanos, "by the book" (segundo a "cartilha"). Ocorre que, na era da internet, o que estamos assistindo, dos manifestantes, é, justamente, o contrário: uma aula de "jogo de cintura", de "improviso" e de "espontaneidade". À "perfeição" de um "arquétipo" (ou de um "avatar") ― construído pela propaganda política ―, o País contrapôe a "humanidade" de seus manifestantes. Ante a "indefectibilidade" de "especialistas", a "fragilidade" de uma repórter alvejada no olho...

Se a primeira mandatária da Nação enfrenta hoje uma multidão de "anônimos", é porque a internet, analogamente, não tem "centro". A rede é descentralizada. Pode ser "replicada" e "redistribuída", se necessário. Dificilmente pode ser "controlada". Assim: enquanto manifestantes mais exaltados atacam "alvos fixos" (prefeituras e palácios do governo), nem o prefeito, nem o governador, nem a Presidente tem como "se defender" de "franco-atiradores" eletrônicos.

Enfim: nossos representantes deveriam parar de ouvir a "sabedoria convencional", que não mais funciona, e passar o ouvir a "sabedoria das multidões". Como disse um internauta: "Não vou escutar o pronunciamento da Presidente Dilma, vou ler os comentários de vocês [meus pares] on-line". O que for imposto "de cima para baixo" (top-down) tende a ser rechaçado. Novos consensos serão construídos... só que na direção contrária: "de baixo para cima" (bottom-up).

A "megaprodução" do vídeo da Presidente Dilma convence menos que o "do it yourself" ("faça você mesmo") dos manifestantes. Ela optou pelo "horário nobre", enquanto eles trabalham com o a ideia de que "todo dia é dia", "toda hora é hora". Um "obra-prima" do marketing de um lado; um "work in progress", da população, de outro...

Eu poderia falar, ainda, do antigo "monopólio da informação" (falta de "transparência") versus a "informação livre" (que circula na rede). Também das "palavras escolhidas", pela Presidente, versus os "palavrões" dos manifestantes. Da postura "incolor, insípida e inodora" dela, no "pronunciamento", versus o discurso "incisivo e direto", das ruas. Das emoções "contidas" versus o sentimento "extravasado". Da distância, por fim, entre quem fala de um "pedestal" e quem se manifesta ao "rés-do-chão"...

É cedo para concluir o que restará da "velha ordem" política. Mas é certo que uma "nova ordem" vem emergindo. Quem "se fechar" em doutrinas, ideologias ou partidos, não terá espaço. Quem se prestar ao diálogo, a expor seu rosto em praça pública, ouvindo mais do que falando... tende a ganhar pontos com esta geração. A internet não é uma "força da natureza", é uma ferramenta ― mas entender como ela funciona é entender como a nossa sociedade se comportará daqui pra frente.

Para ir além
Think Different (Pense Diferente)


Julio Daio Borges
São Paulo, 25/6/2013


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