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Quinta-feira, 20/6/2013
O retrato da Cidade
Elisa Andrade Buzzo

+ de 3400 Acessos


ilustra: Renato Lima

Agora a Cidade acordou. A Cidade acordou, parece que tem os olhos bem abertos, e agora dorme, dorme profunda, mas num leve ruído é capaz de acordar novamente. Num leve ruído de helicóptero, num brusco puxar metálico de portas, na chuva que desaba, na televisão e na internet que cospem o noticiário dúbio. Muitos corpos andam, rostos gritam e mãos latejam neste sono confuso de multidão. E nessa noite velada, não se sabe mais seus contornos. A Cidade domesticada, cresce em tamanho ao inflar o peito e exigir respeito.

Escuto as falas desse conto e cada uma quer para si a razão e a lógica neste jogo de milhões de lados, em que os santos nunca existiram e os interesses querem ser preservados, mesmo que ocultamente, mas que um só se levanta valoroso: o direito de se manifestar. Se pacificamente não for, os manifestantes podem acabar sendo joguete nas mãos dos grandes. Ou, quem sabe a medalha se inverta de lado, tamanha sua força física. No entanto, não temos garantias de que queremos Isso, queremos este outro lado, pois a medalha é a mesma.

E que alguém pergunte, Quem está ordenando a violência da polícia? Neste momento em que a vida se mostra pouca e valorosa, neste momento em que do trabalho não se pode voltar à casa, ou que da casa não se sai pois o trabalho é necessário para a sobrevivência e a violência é iminente, neste momento a Cidade abre asas desengonçadas e cresce.

Cada um quer o discurso premiado, a palavra impressionável, a razão na língua em riste. O ponto é, agora a Cidade acordou? E que os governantes se assustem em se ver diante da dócil fera... mas será que eles estão preocupados com isso? Não se acham domadores Dela, pois se Ela os escolheu de fato. Muitos gostam de se iludir pelas siglas de partidos mortos nas eleições, grande parte de sua população é domada na política do pão e circo. Nunca é tarde para se arrepender, mas isto não basta.

Todo o dia a Cidade acorda e se resigna, pega o ônibus, pega o trem lotado, vem das periferias como bom gado resignado. Chega na eleição e vota no partido, achando que o voto é sem grandes consequências. E a vida continua igual. A vida continua na cadência do aperto e da inexatidão, na música incompreensível do celular ligada e no livro fechado, pois não há espaço sequer para duas páginas abertas. Daí diz, como numa resignação supersticiosa: A vida é assim. Os antigos reis também tentavam colocar na cabeça da plebe este destino a ser aceito.

Todo o dia a vida tem sido uma luta vã, o gosto é este. O povo passivo aceita isso e vem, vem no trem.. Mas hoje parece que a Cidade que desperta vem na cara com algo estampado de novo, não consigo enxergar, mas há um tom indefinível, uma falta de sono, um quê de sonho.

Todo o dia a Cidade acorda e anda nas calçadas apodrecidas, cheias de lixo e buracos. Lixo, que ela própria joga. Esta é a cidade em que se faz que se vive. Uma cidade inflada, em que não cabe mais o cuidado, em que se abre e fura e remenda e a gente pisa em tudo isso, mancos, acostumados. Em que as feridas ficam expostas diariamente, à vista, à espera de algo. Que não virá de mãos beijadas. Mas a Cidade também que ter carro, quer ter luxo. Tudo isso se mistura com miséria e violência. E o retrato Dela é inaceitável. Só mesmo quem o vê todos os dias parece que se acostuma com a selvageria de seus traços.

E que triste as coisas terem o preço da dor, serem tiro, grito e bomba.

Isso porque faz tempo que a cidade não cabe mais nela mesma.


Elisa Andrade Buzzo
São Paulo, 20/6/2013


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