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Quarta-feira, 5/11/2014
O que aconteceu com a Folha de S. Paulo?
Julio Daio Borges

+ de 4100 Acessos

Eu leio a Folha desde, pelo menos, 1995. Foi quando eles produziram um caderno inteiro dedicado ao Cioran, me deram uma cortesia e eu acabei me convencendo a assinar o jornal. Estava na faculdade.

Lógico que eu sempre soube que a Folha era famosa por ser "de esquerda" (meu pai sempre disse). Mas aprendi a admirar o jornal. Era um contraponto interessante ao Estadão (o jornal que se assinava em casa). Principalmente pela parte cultural, a minha preferida, onde a Folha era mais "vanguarda", digamos.

E eu conheci muita gente boa que ou passou pela Folha ou fez carreira na Folha. Vale lembrar que o Diário da Corte, do Paulo Francis, começou na Folha, por sugestão do Cláudio Abramo. Ruy Castro e Sérgio Augusto tiveram grandes momentos na Folha. O Sérgio Dávila, que eu conheci quando era correspondente em Nova York, teve uma ascensão meteórica na Folha. E o Otávio Frias Filho, que eu conheci na Casa do Saber - e que é um intelectual de verdade -, hoje sucede o pai, Octávio Frias de Oliveira, dirigindo o jornal.

Ultimamente até, a Folha, reforçando seu "pluralismo", uma palavra que eles adoram, acolheu colunistas tidos como "de direita" - como Reinaldo Azevedo, que já foi da Folha, Luiz Felipe Pondé, que eu também conheci na Casa do Saber, e Demétrio Magnoli, um dos primeiros a escrever sobre a Militância em Ambientes Virtuais, MAV (na Folha).

Não assino mais nenhum jornal impresso. (Tive algumas recaídas, com o Valor.) Mas, "de domingo", costumava comprar a Folha. Também pela revista, ou pelas revistas, que o Estadão não traz.

Nestas eleições, contudo, fiquei bastante decepcionado com a cobertura da Folha de S. Paulo. E do UOL.

Começando pelo Datafolha, que errou feio no primeiro turno. Até aí, outros institutos, tradicionais, de pesquisa, também erraram...

Mas, no segundo turno, o Datafolha fez, pelo menos, duas dobradinhas bastante suspeitas, com o Ibope, "congelando" os dados num momento crucial da disputa. Não sei se vocês se lembram, mas, em duas semanas seguidas, Datafolha e Ibope deram exatamente os mesmos resultados, até nas "margens". E não detectaram nenhuma influência dos "áudios" dos depoimentos de Paulo Roberto Costa - sobre o "petrolão" - que foram parar até no Jornal Nacional...

Vale repetir que as metodologias, do Datafolha e do Ibope, são diferentes. E que, inclusive, pesquisaram *regiões* diferentes naquele momento. Mas o resultado permaneceu rigorosamente o mesmo: "empate técnico".

Depois, quando houve "reação" da campanha da Dilma - porque, na verdade, houve "desconstrução" de Aécio Neves -, o Datafolha saiu do "empate técnico". Até aí, outros institutos também saíram. O grave foi uma matéria da Folha "do além" - como dizíamos na adolescência - declarando, com chamada de capa, que o "otimismo" com a economia - no governo *Dilma* - havia "disparado". Era uma interpretação do jornal. A partir de dados do Datafolha.

Gostaria de saber quem aprovou essa manchete internamente. Porque quem sugeriu, eu já sei: deve ter sido algum militante infiltrado, no "estilo" Gustavo Uribe. Todo mundo sempre soube que o calcanhar de Aquiles do primeiro governo Dilma era a economia: inflação alta, crescimento zero e déficit recorde (já em setembro). Impossível um editor de economia, de qualquer jornal, aprovar uma manchete afirmando que o "otimismo" com a economia - de um dos piores governos da história da República, nesse quesito - havia "disparado" (do nada). Ainda mais num momento decisivo da eleição. Foi, no mínimo, irresponsável. Cadê a ombudsman? Vinicius Torres Freire (você, que tem uma coluna diária no caderno Dinheiro): gostaria muito de ler seus comentários a respeito.

Infelizmente, como vocês sabem, não ficou apenas nisso.

As eleições passaram. Dilma se reelegeu. Houve manifestações no dia 1º de Novembro de 2014. E a Folha voltou à carga. Em dobradinha com o UOL.

Primeiro, eles manchetaram: "Ato com cerca de mil manifestantes em São Paulo pede impeachment de Dilma e intervenção militar no Brasil". Dias depois, corrigiram para: "Manifestação contra Dilma reúne 2.500 pessoas em São Paulo".

Aumentaram o número de pessoas, seguindo até o que a imprensa internacional já havia noticiado. E retiraram o trecho sobre "intervenção militar".

Até aí, uma vitória das redes sociais, onde se fez pressão a fim de que fosse corrigido? Nada disso. O estrago já estava feito. Chegando até a própria Dilma, que postou em seu Facebook (dia 3 de novembro): "Tem gente querendo a volta da intervenção militar no País. Será que eles sabem o que isso significa?".

Não sei se preciso repetir aqui, pela milésima vez, que a manifestação não era pela "intervenção militar", nem pelo "golpe militar". Foi um cartaz apenas, infiltrado na multidão. A manifestação era, originalmente, pela apuração dos escândalos da Petrobrás, que pode (ou não) ensejar impeachment, e, igualmente, pela auditoria - solicitada pelo PSDB - da última eleição.

É triste constatar a parcialidade de um dos maiores jornais do País e, consequentemente, de um dos maiores portais da internet. Que a Folha tenha colunistas, das mais variadas matizes, emitindo opiniões pessoais, é perfeitamente concebível, até recomendável.

O que não dá para admitir é a manipulação, grosseira, de manchetes, influenciando não só o resultado da eleição mais importante do País, como, também, distorcendo uma manifestação legítima, uma oposição pacífica e até a imagem que se tem de São Paulo, da cidade e do estado.

Já parei de comprar a Folha aos domingos. E, nos dias de semana, quando ficava na dúvida entre a Folha e o Estadão, não fico mais: compro o Estadão. Eu sei que o repórter do Estadão também errou. Mas os editoriais do Estadão são bastante claros. O Estadão se posiciona abertamente. Coisa que a Folha deveria fazer. Até para sabermos quem é quem...

Lamento pelas pessoas na Folha - e da Folha - que li, conheci e admirei. Vou continuar lendo vocês na internet, quando me passarem algum link (pois tenho e-mail do UOL). Mas não vou mais comprar a Folha de S. Paulo. É o meu protesto como leitor - de quase 20 anos - num momento tão delicado na democracia do nosso País.


Julio Daio Borges
São Paulo, 5/11/2014


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