Samurais de Fecaloma | Alexandre Soares Silva | Digestivo Cultural

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Sexta-feira, 12/7/2002
Samurais de Fecaloma
Alexandre Soares Silva

+ de 10500 Acessos
+ 29 Comentário(s)

Em 1983, um professor de literatura americano chamado Paul Fussell publicou um livro sobre um assunto "cuja simples menção", disse ele, "enfurece as pessoas hoje em dia": classes sociais. O livro se chama Class- A Guide Through the American Status System, e é tão engraçado (e tão perspicaz) que eu não poderia recomendá-lo mais. Fussell divide a sociedade americana em nove classes, e as descreve minunciosamente - roupas, pronúncia, decoração, etc- e ridiculariza todas elas. Há detalhes muito interessantes. Em um capítulo, por exemplo, ele diz que a marca distintiva do proletário disfarçado de classe alta é um certo vão entre o colarinho do terno e o pescoço: "...always a prole giveaway. Here, the collar of the jacket separates itself from the collar of the shirt and backs off and up an inch or so: the effect is that of a man coming apart" ("...sempre um sinal distintivo dos proletas. Nele o colarinho da jaqueta se separa do colarinho da camisa, e vai pra trás e pra cima uma polegada: o efeito é o de um homem caindo aos pedaços"). Em outro capítulo, Fussell diz que, em matéria de jogos, as bolas diminuem à medida que a classe sobe: basquete é um jogo proletário, futebol americano o jogo de uma classe um pouquinho acima, beisebol ainda mais acima, e tênis e golfe atingindo o topo.

Mas o trecho que eu queria citar diz respeito a executivos, que são o assunto deste texto. Fussell está falando sobre a classe média e seu esforço em se distinguir da classe baixa: "...the men treasure having a genteel ocupation (...) with emphasis on the word (if seldom the thing) executive. (As a matter of fact, an important class divide falls between those who feel veneration before the term executive and those who feel they want to throw up)".["...os homens fazem questão de ter uma profissão elegante (...) com ênfase na palavra (mesmo se não a coisa em si) executivo. (Na verdade, uma importante linha divisória de classe separa aqueles que sentem veneração quando ouvem o termo executivo e aqueles que sentem vontade de vomitar")]. Isso é algo que muitas pessoas não conseguem entender, porque para elas um executivo é o topo do topo, para além do qual não se enxerga nada; e se alguém quer vomitar ao ouvir falar de executivos, é por inveja; ué, o que há acima de um executivo? Muita coisa, digo eu. Mas digo mais: que os próprios executivos reconhecem isso de um modo quase embaraçoso. Eles sentem que não é suficiente ser um simples hominho num terno. E é por isso que vivem se comparando com guerreiros.

Já no século dezenove se usava o termo "capitães da indústria" para donos de empresa e seus gerentes mais altos. A idéia era que a fábrica era uma espécie de navio de guerra, e o "capitão de indústria" se fazia pintar com o peito estufado, barriga encolhida, maxilar projetado, bigode encerado e um globo por perto, onde sua mão viril casualmente repousa. Longe dele dizer que é simplesmente o que é; a atitude era decididamente militar. Isso já vinha de longe: os encarregados de provisões para a Marinha Real britânica nos séculos XVIII e XIX (homens que não saíam dos portos) afetavam ser lobos do mar e eram ridicularizados por isso. Mas o tempo passou, e as pessoas passaram a levar a farsa a sério.

A primeira vez que percebi isso foi vendo Wall Street - o filme no qual Michael Douglas é um super-yuppie chamado Gecko que lê passagens do clássico A Arte da Guerra, de Sun Tzu. Se você entrar numa livraria agora e pedir esse livro, vai ser difícil encontrar alguma edição que não seja voltada para o público vagamente débil mental dos executivos - que nunca teriam paciência, por exemplo, para ler as centenas de páginas de Sobre a Guerra, o clássico militar de Clausewitz. Não, eles preferem livros fininhos como o de Sun Tzu, ou como o livro do grande samurai Miyamoto Musashi, O Livro dos Cinco Elementos. Minha própria edição desse livro tem o subtítulo idiota de "A Estratégia de Vencer Sempre". Mas duvido muito que Musashi se dignasse a falar com um executivo. Acho que rosnaria.

Uma busca simples na Internet revela centenas de cursos e livros para executivos com títulos como Despertando o Samurai Dentro de Você! , Dez Coisas Que Gengis Khan Me Ensinou, e outras patetices do gênero. Pior: os próprios mestres de artes marciais (e generais de verdade como Colin Powell!) se aproveitam do interesse dos executivos e diminuem suas artes ao nível da auto-ajuda, ensinando a "atingir os seus objetivos como um autêntico guerreiro".

Mas e daí? Não é um hábito inofensivo? Não são só pessoas que levam vidas tediosas e se imaginam como guerreiros para aguentar levar a vida que levam? Talvez. Mas o problema, me parece, é que na verdade executivos não só não são guerreiros, como são o oposto de guerreiros. O orgulho de um guerreiro é triplo: orgulho de sua habilidade, de sua lealdade, e principalmente de sua coragem. Um executivo pode ser hábil lá na chatice que ele faz; duvido um pouco que seja leal; mas corajoso é justamente o que ele não é. Um executivo é justamente alguém que quando jovem escolheu o caminho que parecia mais seguro e cheio de conforto. Nisso está junto com pessoas que fizeram economia ou computação (ao contrário de, digamos, museologia) - escolheram o caminho que lhes parecia mais longe das balas de canhão. Mais tarde na carreira passam a ouvir algumas explosões, e reclamam muito do "estresse". Mas também não consigo imaginar Miyamoto Musashi reclamando de estresse. O perigo que ele enfrentava não era simbólico; era a morte. Não era o risco de perder o plano dentário; era o risco de, num golpe de espada, perder os dentes todos, e o queixo junto com eles.

Quando Lord Nelson morreu, foi por se recusar a se esconder no deque do seu navio. Durante toda a batalha de Trafalgar ele usava um uniforme vistoso, e as balas dos snipers franceses passavam perto da sua cabeça. Ele continuou na amurada do navio, ereto, sem sequer se curvar a cada tiro que ouvia; até que uma bala o matou. Há algo de profundamente ofensivo em comparar executivos com uma pessoa assim. Executivos estariam no porão, sentados nas batatas, reclamado de estresse e escrevendo cartas furiosas ao almirantado. O que chamam de coragem é justamente escrever cartas furiosas e aguentar as consequências. No intervalo de uma carta e outra, levantam e dão golpes com espadas imaginárias nas batatas, e se chamam de samurais e de guerreiros.

Será que não é a hora dos executivos, desenxabidamente, reconhecerem que são aquilo que são mesmo: sob luzes fluorescentes, homens em ternos feios?


Alexandre Soares Silva
São Paulo, 12/7/2002


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COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
11/7/2002
10h47min
Alexandre, cadê a tradução desse livro??? Vc poderia fazê-la para nós, não? Realmente, quando olhamos criticamente as classes sociais - em especial a dos executivos sem vida, tediosos e estressados - vemos que a tragédia se torna uma grande comédia.
[Leia outros Comentários de Lucas]
12/7/2002
08h18min
Caro Alexandre, belíssima análise sociológica pontuando as falhas dessa conparação entre executivos e guerreiros. De onde você tira essas coisas rapaz? Grande abraço.
[Leia outros Comentários de Bruno Garschagen]
12/7/2002
10h15min
Que o fantasma de Sêneca não leia este comentário, mas preciso dizer que realmente admiro e sua elegância em criticar, em desconstruir, em puxar o tapete, Alexandre - tudo isso assentado em argumentos válidos. Os pobres de espirito, todos eles, com ou sem dinheiro no bolso, sempre tiveram essa mania de ascender socialmente. A Ralé quer ser Burguesia, a Burguesia quer ser Aristocracia e a Aristocracia quer sentar a bunda gorda ao lado de Deus Pai Todo Poderoso. No fundo, os executivos sabem que são descartáveis, sabem que vivem permanentemente com um pé na casca da banana e o outro na lama negra de quem se borra de medo de perder o emprego. Os executivos são meramente "putas de gravata". Vivem se divertindo em buscar novos termos enganadores, que parecem dizer tudo, mas não dizem nada... como foi o caso da palavra "Reengenharia" (palavra forte para uma idéia geralmente vaga e experimentalista). Dá pena, pois quase todos eles (os executivos) acabam de quatro no ato! Alexandre, diga ao fantasma do Sêneca, que você tem um leitor que conhece o fantasma do Niccolò Machiavelli! Vai encarar? Abração, e parabéns pelo texto excelente!
[Leia outros Comentários de Dennis]
12/7/2002
10h48min
Alexandre, desconsidere todas as vírgulas a mais que eu enfiei no meu comentário. É que eu fui mudando o texto aqui e e ali e as vírgulas foram esquecidas em lugares errados. Desculpe-me, tá bom? Dennis
[Leia outros Comentários de Dennis]
12/7/2002
13h32min
[Leia outros Comentários de Anilson]
12/7/2002
16h28min
Meu jovem Alexandre, Provavelmente você andou revirando o túmulo do P. Francis que por sua vez revirou o de H.L. Mencken, um debochado e muito provavelmente deforento, porque não devia tirar um legítimo cubano da boca. Arre... Mas tudo leva a crer que você seja limpinho e bem arrumadinho... Tudo bem, continue jogando a sua vidraça na cabeça dos outros. Esse seu discurso (em fina estampa) devia ocupar os grandes clubes (provavelmente não te aceitariam como sócio, mas vale a pena tentar)... Beijo no coração Zul
[Leia outros Comentários de Zuleide]
13/7/2002
00h22min
Não entendi a história do fantasma de Sêneca. Se alguém puder me explicar, ficarei grato, pois me parece que o homem era honrado, ao menos pelo que já li de sua autoria. Adorei o artigo! Mas não estou tão certo de que os executivos, no fundo, saibam que não valem nada. Talvez alguns deles. Já tive a experiência de argumentar com um executivo (uma executiva, para ser mais exato). E é incrível como eles se acham experientes e maduros, só por terem trabalhado muito e saberem gritar com as pessoas e manter a frieza em uma briga verbal de baixo nível, coisa que acontece todos os dias nas empresas. Admiro o dom da retórica. Mas, sinceramente, prefiro um sábio tímido a um idiota extrovertido e auto-confiante. Agora, tenho uma pergunta no melhor estilo inconveniente: como seria o mundo sem os tolos?
[Leia outros Comentários de Evandro Ferreira]
13/7/2002
16h36min
Ah, a história do fantasma de Sêneca é uma brincadeira que eu comecei, Evandro, atribuindo a ele, num livro meu, uma frase pomposa que infelizmente é minha: "Toda admiração é prejudicial ao espírito que admira". (Deve ficar bacana em latim). Quanto à sua pergunta: não seria bom? não digo um mundo completamente sem tolos, mas um no qual os tolos fossem uns cem ou duzentos no máximo, só para dar um tempero?/ A todos, obrigado pelas mensagens. Lucas, o livro bem valia a pena ser publicado, mas como ele é de 83 e algumas coisas de fato mudaram, acho que as editoras brasileiras não se interessariam agora. Mas é pena. / Bruno, retribuo o abraço- já está em Cambridge? Dennis, cruel Dennis - o fantasma de Maquiavel é agradável? Polido? Será que é confiável? Sr. Anilson: grazie tanti. Zuleide: que bom que você encontrou um tempinho entre um vôo e outro para me ler. Perdi o endereço do seu blog, se você pudesse me mandar de volta...Evandro, não sei se respondi a sua pergunta - mas me diga, será que os tolos são realmente necessários? Uns poucos, vá lá, para manter vivo o gênero da sátira. E a todos que me leram, morderam o lábio inferior e preferiram não me xingar - um abraço, Alexandre.
[Leia outros Comentários de Alexandre]
15/7/2002
08h22min
Meu caro xará, eu sou um executivo e, mesmo assim, gostei do seu texto e do seu estilo iconoclasta. Também odeio as americanadas do tipo "10 passos para o sucesso" e aprendi muito com Clausewitz. Só que você generaliza demasiado... a ver: abstraindo da dúvida genérica "o que é um executivo?", que só por si daria pano pra muitas mangas, queria somente te dizer que considero o meu trabalho como, basicamente, conseguir que várias pessoas muito diferentes dêem o melhor de si mesmas para conseguir um determinado objectivo. Entenda isso como estender pontes, harmonizar tendências, regular conflitos, conciliar egos mimados, etc. E depois ser avaliado não em função do trabalho desenvolvido, mas sim dos resultados atingidos. Se você acha isto covarde e nada estressante, está equivocado. Eu dou a cara pelo meu time e, quando algo não dá certo, sou o primeiro a tomar porrada. Outra coisa: nem todos escolhemos o caminho mais fácil, que se calhar até seria fazer museologia e viver da mesada do papai. Alguns tivemos que quebrar a cara muitas vezes pra conseguir um certo desafogo económico que nos permita realizar os sonhos de cada dia. Não me considero apenas um homem num terno feio, sob as luzes fluorescentes. E tenho pena que o teu espírito aberto se tenha deixado levar, desta vez, por um reducionismo absurdo que nada tem de construtivo. Um abraço do Alex
[Leia outros Comentários de alex cabedo]
15/7/2002
11h46min
Meu caro Alexandre, a propósito uma correçãozinha no meu comentário anterior. Onde está grafado "deforento", na verdade deveria ser fedorento. É que o diabo atenta e acabei me escorregando na banana... Em tempo: você me pediu o endereço do meu blog e aqui o faço: zul.blosgpot.com Beijos Zuleide Hoffmann
[Leia outros Comentários de Zuleide Hoffmann]
16/7/2002
02h05min
Caro Alex: não gosto da profissão de executivo, por vários motivos, mas isso não me impede de gostar individualmente de alguns executivos, ou de respeitá-los; de modo que recebo com prazer a sua objeção educada. Mas nada disso muda a minha opinião quanto à profissão em si. Em primeiro lugar, acho que (não sei se você concorda, veremos) ser executivo não é a vocação real de ninguém. Há crianças que sabem que querem ser médicos ou músicos; mas nenhuma criança jamais vai dizer que quer "liderar e motivar uma equipe para a produção de cadernos espiralados e outros produtos de escritório". Não há crianças que queiram ser executivos - só talvez alguma criança desvirtuada, uma espécie de João Dória mirim - o que não prova nada, a não ser que ser executivo é algo antinatural. Todo jovem que finalmente decide se tornar um executivo sente um arrepio de horror, de degradação, nos primeiros dias de trabalho (não pesquisei, estou chutando); um arrependimento por ter deixado de lado o que sonhava ser quando tinha onze anos. Pessoalmente senti esse horror, dei meia volta e saí da faculdade de administração - um pequeno momento glorioso do qual nunca vou me esquecer. Se a sua experiência foi muito diferente - se você realmente sente que a sua vocação é essa - me diga, estou interessado em saber. Mas quanto à questão da coragem, Alex - quando você diz que "sou o primeiro a levar porrada" no trabalho, não é porrada de verdade, é? Seu chefe não fica esperando por você atrás da porta, com um taco de beisebol, fica? Essa é justamente a minha objeção - que executivos comparam algo tão pífio quanto receber uma bronca com coragem militar. Que se contentem em ser apenas o que são. Um abraço- Alexandre.
[Leia outros Comentários de Alexandre]
16/7/2002
08h53min
Meu caro Alexandre, acabei de escrever um comentário na sequência, enviei, tive a resposta de OK do simpático Editor, mas a verdade é que ele não aparece. Não sei o que se passou. Se alguém sabe, por favor me avise. Se não, ficamos por isso mesmo, já que obviamente eu não tenho cópia. Saludos.
[Leia outros Comentários de alex cabedo]
16/7/2002
16h30min
Isso já aconteceu comigo também. Acho que é preciso apertar o botão "enviar" duas vezes. Agora fico sem jeito de te pedir que escreva outra mensagem, Alex; mas sempre que quiser conversar, o prazer vai ser meu. Como você não pôde se defender - ou defender o seu ponto de vista- , digamos que foi um empate. Ou um amigável duelo suspenso. No entanto, é claro, como o seu tiro falhou, você tem todo o direito de atirar de novo, se quiser...Um abraço- Alexandre.
[Leia outros Comentários de Alexandre]
16/7/2002
18h45min
Esse diálogo poderia até ter o sub-título "Hippie boy and the grown up Man". Na verdade, olhando de um ponto de vista objetivo, o administrador (executivo, no presente jargão) é mais importante numa sociedade do que o museólogo ou qualquer outro representante do chamado mundo das idéias, pois é ele/ela que cria condições para que tudo o mais se desenvolva. É que, da classe média em diante, nós tomamos por garantido que ao abrir a torneira provavelmente jorrará água, que a luz elétrica obedecerá ao comando do interruptor, que nas prateleiras do Carrefour não será difícil encontrar leite longa vida. No entanto, por trás do trabalho de uma Sabesp, de uma Eletropaulo ou de uma fazenda produtora de leite, estão administradores assegurando a produção desses bens, os quais decididamente não caem do céu. Acho temerário não se dar o devido valor a esses indispensáveis profissionais. A posição defendida pelo Alexandre faz lembrar certo idealismo/romantismo do movimento hippie (anos 60 do século passado), que assim como seus antecessores (dadaísmo dos anos 20, romantismo de meados do séc. XIX, J.J.Rousseau na França oitocentista, etc.), parece ser recorrente na história moderna. Por isso que é bom ler história...
[Leia outros Comentários de Toni ]
16/7/2002
21h55min
Sinto muito, Toni, mas por esse caminho não adianta enveredar, porque ele é de mão dupla. O leite longa vida que os executivos "garantem" nas prateleiras não existiria sem Pasteur (que não era executivo), a luz e o tratamento de água também não existiriam sem suas respectivas descobertas científicas, que não foram feitas por executivos. Então você diria "mas as pesquisas de Pasteur também tiveram que ser patrocinadas por alguém". E eu diria que por esse caminho iremos retrocedendo infinitamente na história, até chegar à pergunta elementar: "quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha? O sábio ou o executivo?" Só sei de uma coisa. O homem que cria conhecimento pode viver com bem pouco (imagine-se escrevendo tratados à luz de velas, como Santo Tomás...). E o executivo? Se estivesse sozinho no mundo, administraria plantações de vento, já que não haveria ninguém para descobrir o arado! Ah, não, já sei: seria um nômade primitivo, como os primeiros babuínos que deram origem a nós... Como se pode ver, vai ser preciso que você encontre argumentos mais fortes se quiser defender os executivos (e até concordo que eles devem ser - parcialmente - defendidos). Não basta dizer que precisamos dos meios materiais de que eles nos suprem. A grande maioria dos homens é capaz de agir e lutar pela sua sobrevivência material (mesmo sem a luz, a água tratada e o leite longa vida), mas poucos homens são capazes de ir em busca do conhecimento e do saber (menos ainda de encontrá-los).
[Leia outros Comentários de Evandro]
16/7/2002
22h01min
Caro Toni, seus argumentos são muito justos e lógicos, mas se fôssemos 100% justos e lógicos não escreveríamos textos instigantes, maldosos, que sacondem mitos e desestabilizam andores de procissão. Já pensou como seria enfadonha uma crônica absolutamente justa e comedida. Seria tediosa´. Penso que todos nós, e Alexandre principalmente, sabemos que há profissionais de grande utilidade e indiscutível valor... em todos os setores da sociedade. Em todos. Mas é claro que o executivo acima tipificado é aquele "cavador de gerências", aquele carreirista sem talento - que vive a se "reciclar" e mistura práticas de Yoga com táticas de guerrilha colombiana, ambas adaptadas ao mundo dos negócios. Pelo menos foi o que eu entendi. A crítica vai diretamente aos que vivem na permanente sanha do alpinismo social. Suas ponderações são muito sensatas, é claro, Toni. Agora, seja bem sicnero: aposto que você mesmo conhece pencas de executivos tolos e risíveis, não estou certo? Os tolos e risíveis não são poucos./Abraço do Dennis.
[Leia outros Comentários de Dennis]
17/7/2002
00h34min
Caramba Toni, Vc deve ser administrador. é claro que devemos estudar história... ou melhor, fazer um curso de administração que em 95% dos casos é um curso de: "História da Administração" O Alexandre não exagerou nada na coluna. Executivos são um bando de cagões que não tomam nenhuma decisão e depois dizem que nunca tomaram uma decisão errada. é por isso que eu sou uma ovelha negra no meio... comigo é no método massaranduba... porrada. p.s. eu nunca li sun tzu, mas li vom Kriege na minha mais tenra infância... levei dois anos...
[Leia outros Comentários de celso pinheiro]
17/7/2002
08h37min
Alexandre, meu caro. Grato pelo seu recado; é claro que eu não considero isto uma contenda e portanto não volto com a preocupação de desfazer o empate. Simplesmente me parece que posso dar uma achega ou duas no sentido de contribuir para esta discussão. Volta a ser um pouco o que eu disse no comentário falhado, assim perdoe a insistência se o desgraçado acabar por aparecer... Pra começar, esclareçamos os termos. Para mim um executivo é algo mais do que um office boy engravatado, e por isso prefiro utilizar o termo inglês de manager. Basicamente, alguém que lidera um conjunto de pessoas para atingir determinados objectivos profissionais. A seguir, você diz "Não há crianças que queiram ser executivos" logo "ser executivo é algo antinatural". Primário, meu caro. Nunca vi nenhum moleque querer ser massagista de futebol, nem penso que a visão de uma criança possa ser o critério determinante para a validade de uma ou outra profissão. Provavelmente, você poderá encontrar algum professor universitário que, no jardim de infância, sonhava em ser bombeiro - e duvido que se sinta frustrado por isso. Por outro lado, se você estiver atento poderá ver que algumas crianças demostram, desde idades muito precoces, uma tendência para a liderança. Claro que alguns deles irão simplesmente tiranizar a vida dos vizinhos (seja da sua secretária, seja de povos inteiros), mas outros irão ajudar as suas comunidades (equipes, empresas ou apenas os seus condomínios) a conseguir gerar mais riqueza e, por consequência, a melhorar o nível de vida dessas comunidades. Como em todas as profissões, o valor é dado pelo indivíduo e não pela classe. Depois temos a questão da "vocação". Quando você me pergunta se é esta a minha vocação, diria que o que eu quero é ser feliz. Tive a sorte de ter desenvolvido um conjunto de conhecimentos e habilidades pelos quais me pagam razoavelmente - o que me permite dedicar mais tempo aos meus filhos, a escrever e a velejar. Ou seja, a minha profissão é para mim um simples instrumento, e não um fim em si mesma. No final, o que importa é a realização pessoal de cada um. Por último, a coragem. Para mim, coragem é a capacidade de lutar contra os nossos medos. Algo muito mais amplo que a simples coragem física que você menciona. Veja bem, você decidiu largar a faculdade e mudar o seu rumo; sei que terá sido necessária uma boa dose de coragem para tomar tal decisão e, no entanto, certamente que ninguém te queria dar um tiro por causa disso... E lembras-te do coronel surfista em "Apocalypse Now"? a sua grande coragem física não impedia que não passasse de um tonto perigoso. A mentalidade militar permite desenvolver algumas virtudes (coragem mental, determinação, planificação) que se revelam muito úteis numa estratégia empresarial, e por isso são utilizadas nas melhores escolas de gestão. Concluindo, não faz sentido discutir se os executivos são amáveis ou execráveis. Como já disse acima, haverá para todos os gostos, assim como os motoristas de ônibus e os decoradores. O que me interessa é deixar claro que esta não é uma profissão de frustrados ou de alienados, que mais importante que a vocação de juventude é a realização como adulto e que a coragem não é um exclusivo do risco físico. Termino com um pequeno comentário. Você diz "Que se contentem em ser apenas o que são". Eu exijo exactamente o contrário, de mim mesmo e das pessoas que me rodeiam. Talvez esteja aqui a grande diferença entre nós. Com a amizade e um abraço do Alex.
[Leia outros Comentários de alex cabedo]
17/7/2002
13h05min
Gentlemen, submeto as seguintes ponderações. Se você me perguntasse, Evandro, eu diria que o administrador veio primeiro. A civilização, como todos sabemos, é o resultado do acúmulo milenar de conhecimentos, em que o "pensador" e o "administrador" (às vezes reunidos na mesma pessoa, como L. da Vinci) se apóiam mutuamente. Mas tenho para mim que sem um mínimo de condições materiais nenhuma sociedade é capaz de dar o pontapé inicial. Dennis, entendi o texto como que generalista em relação aos administradores. Se for adotar a sua interpretação (que carrega na indulgência), sou intimado a alterar a conclusão. Celso, por não ser administrador fiquei à vontade para sublinhar a importância dessa atividade. Não deixa de ser defesa em causa própria, pois onde as condições de empreender são propícias, também tende a haver liberdade de expressão/pensamento. Claro que existem administradores medrosos e com demais imperfeições, but what is the point? Abraço.
[Leia outros Comentários de Antonio]
23/7/2002
02h13min
Bem, vamos tentar responder alguns pontos. O site ficou fora do ar alguns dias, como vocês sabem. Ah, executivos! (Ou a quem mais devo culpar? Os faxineiros? Os office-boys?)/Toni, confesso que é um romantismo, mas que nada tem a ver com os hippies, por favor- é na verdade um ultra-romantismo; meu desprezo pela figura do homem de negócios é o mesmo desprezo que Huysmans tinha, e Rimbaud, e Flaubert. Os decadentistas são o oposto dos hippies; se atacam a mesma figura, atacam por lados diferentes (pela direita, não pela esquerda). Me chame de esnobe, se quiser, mas não de "Hippie Boy". Please. No texto anterior já me chamaram de Sanduba... Quanto à gratidão que supostamente devo sentir em relação aos homens práticos que me fornecem serviços e objetos úteis, eles já recebem salário, e não precisam da minha gratidão. O que sinto por eles é uma versão suavizada do que sentiam Aristóteles, Platão e Plotino - que os descreveu como sendo "uma desprezível multidão, destinada a produzir objetos necessários à vida dos homens virtuosos". Nenhum dos três era hippie; nem, por favor, de esquerda. (Quando vejo pessoas de esquerda atacando homens de negócio, fico do lado dos homens de negócio; que, sim, devem existir, mas são, com exceções, uma "desprezível multidão")./ Mas numa coisa você acertou em cheio, Toni: não posso negar que parte dos meus sentimentos em relação aos executivos se deve ao meu infantilismo. Sim, é verdade. Cada vez que penso em executivos, e em todas as profissões horrivelmente adúlticas, me lembro do final de "Peter Pan", no qual se diz o que aconteceu com os personagens da história: "A essa altura, todos os meninos já estavam crescidos e encaminhados. Por isso, nem vale muito a pena falar mais neles. Todo dia, você pode ver os Gêmeos e Bicudo e Cabelinho a caminho do escritório, cada um carregando sua pastinha e seu guarda-chuva. Miguel é maquinista de trem. Deleve casou com uma dama da nobreza, e ganhou um título. E aquele juiz ali, de peruca branca na cabeça, saindo por aquele portão de ferro, você está vendo? Era o Piuí...O sujeito barbado que não sabe nenhuma história para contar para os filhos já foi o João." (trad. Ana Maria Machado). Um abraço- Alexandre.
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23/7/2002
02h45min
Alex, você diz que sua carreira de executivo (ou manager, ou administrador, ou etc) é "um simples instrumento, e não um fim em si". Mas será que o ideal não seria um trabalho que fosse um fim em si mesmo? No qual a pessoa até se esquecesse que tem um salário para receber no final do mês? Sua profissão, como na maior parte do tempo a minha (de tradutor) é o aluguel do cérebro por dinheiro; mas existe um nome para essas profissões em que uma parte da anatomia é alugada por dinheiro. Não há absolutamente nada de nobre nisso. Nem nada de muito vergonhoso, talvez; mas de um pouco vergonhoso, certamente. (Repare, estou me incluindo nisso; não quero dar a impressão de estar cutucando especificamente o seu peito com o meu indicador). As únicas profissões que não são de algum modo prostituição são as que correspondem a uma vocação genuína. Não posso deixar de achar que há algo de profundamente errado na carreira de executivo, que ninguém foi feito para isso; porque é a mesma sensação que eu tenho quando estou traduzindo um livro idiota. Ninguém nasceu para traduzir livros idiotas; ninguém nasceu para ser proctologista; ninguém nasceu para trabalhar em cabines de pedágio; ninguém nasceu para coordenar equipes para a produção em larga escala de manteiga e produtos derivados do leite. Quanto a covardia - apenas digo que seria melhor se os executivos não se comparassem com heróis militares. Isso vale para todo mundo que não é, de fato, herói militar. Um abraço do Alexandre- e parabéns pelo blog, do qual gostei muito ( se você me permite: http://meltinspot.blogspot.com/ ).
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23/7/2002
03h20min
Antonio, o ponto é só este: que essa mania dos executivos se compararem com militares, exploradores e atletas (e também, aliás, de substituir a boa e velha palavra "chefe" por "líder", que é supostamente mais gloriosa e faz a pessoa inchar o peito um pouquinho mais) é asquerosa. Para mim, pelo menos, é. Será que é só para mim? Um abraço- Alexandre.
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23/7/2002
07h47min
Meu Amigo, Não quero encher mais teu saco com esta paranóia, afinal a gente acaba por concordar em muita coisa. Foi bom encontrar alguém com a capacidade e a elegância para defender outros pontos de vista de uma forma que, longe de me fazer sentir derrotado, abriu um pouco mais a minha perspectiva. Vou me lembrar muito de você na próxima vez que planearmos uma incursão de guerrilha num mercado tradicionalmente dominado por um concorrente... Continuo a achar que qualquer profissão é basicamente uma forma de ganhar o sustento diário, e que você está mais certo do que pensa quando diz que "Não há absolutamente nada de nobre nisso". Mas eu não acredito em mundos ideais e, por aqui, não creio que haja um único profissional (no sentido de alguém que faz algo em troca de uma paga) que, com maior ou menor frequência, não tenha que engolir algum sapo em troca de um reforço na conta bancária. Pense nos contratos publicitários dos grandes desportistas e nas respectivas sessões de promoção, ou nas tarefas administrativas que um investigador é obrigado a fazer nos intervalos das suas pesquisas... Se você levar o seu raciocínio até ao fundo, verá que ninguém escapa do seu turno no bordel. Podemos fazer algo para alterar isso? Duvido muito. Acho é que cada um tem que traçar uma linha, com o limite até onde está disposto a chegar (que terá algum grau de mobilidade em função do momento, numa mistura entre dignidade pessoal, grau de necessidade e oportunidades). E procurar respeitar essa fronteira para encarar a vida sem frustrações, mas sabendo sempre que um almoço nunca é de graça (uma idéia bem trabalhada num livro muito divertido de David Lodge, no original "Nice Work"). Quero ainda aproveitar para te agradecer a gentileza da visita e dos comentários. Apareça sempre. Com a amizade do Alex
[Leia outros Comentários de alex cabedo]
23/7/2002
14h11min
Sempre admirei pessoas que levam uma vida dupla.Um lado serio,oficial,responsavel e eventualmente comezinho.O outro oculto,insuspeito,particular e financiado pelo primeiro revelando-se esplendoroso.Kafka,o grande,o autor de Metamorfose,Um artista da fome, O Processo era um funcionariozinho obscuro e engravatado em Praga.Servia ao caquetico,bolorento,decadente e ultra-burocratico imperio austro-hungaro.Kafka batendo carimbos!E notem que ele nem tinha uma baia só sua onde poderia pôr uma plantinha,fotos,uma pequena bibioteca.Tampouco era funcionario de uma dessas empresas modernas com quadra de futebol,meditação e massagista.Nessas condiçôes o natural,o inexoravel é que tivesse estupidificado- se.Einstein quando compôs sua sinfonia, a Relatividade Especial, trabalhava numa repartição dos correios em Zurique.Devaneio imaginando quão mais multiforme ,surpreendente e maravilhoso seria a existência se aquela insignificante secretaria,o auto-indulgente e venal chefe de gabinete o engenheiro ou gerente mundano e carnal,em suma, todos os que veneram o ventre,que cultivam ambições tacanhas que se mesmerizam pelas posiçoes,sombras e nugacidades não o fossem,ou o fossem superficialmente,simulando e marginalmente estivessem a escrever tratados de astronomia,dissertaçoes de teologia e historia natural,dramas e peças sinfônicas,poesia conto e romance.Em particular eu estou me preparando para entrar na faculdade de Direito e simultaneamente no rol dos que Alexandre despreza e o faz com razão muitas vezes pois creio que é um nobre,um 'aristoi' como diriam os gregos.Os nobres,os verdadeiros nobres, desprezam os vulgares cultuadores do ventre(e não está nos meus planos tornar-me um).Isso me faz lembrar do Le rouge et le noir de Stendhal e do seu final em que o burguês vulgar e canalha triunfa enquanto o nobre declina.Reze por mim.
[Leia outros Comentários de nelson ayres]
25/7/2002
10h57min
Olá grande Alexandre Estou de férias e sem computador faz 20 dias. Voltarei dia 5 próximo e já vi que vou ter que fazer umas horas extras para pegar o fio da meada. Há muita coisa acumulada para ler por aqui e meu blogzinho tá meio abandonado. Mas pretendo voltar com toda a corda. Estou aqui de passagem no trabalho e aproveitei para dar um alô. Fiquei sabendo que o Fábio não está mais por aqui, mas que já tem planos em outros sítios, né? Agora vou lá no Caderno ver o que me espera quando eu voltar no dia cinco, viu Dennisão! Abraço a todos
[Leia outros Comentários de Rogério Prado]
27/7/2002
04h02min
Rogério, bem que tinha percebido que o blog não se atualizava...Vou lhe dizer algumas novidades; o Fabio, realmente e infelizmente, saiu, mas o lado bom é que está também escrevendo um blog em fdr.blogspot.com . O Dennis, como você já deve ter visto, foi atacado por um dos membros mais primitivos da tribo dos zagalões, mas está bem e sempre pensando em histórias escabrosas sobre marqueses, anéis e gatos. E você, como está? O Watcher? Tem desenhado? Um abraço- Alexandre.
[Leia outros Comentários de Alexandre]
6/8/2002
27.
17h41min
Alexandre, não podemos negar que os executivos conseguiram produzir uma magnífica ficção de si próprios: o Mercado. Um game excitante, perigoso.Um jogo de guerra, muito bem armado e totalmente sem lógica. Parabéns pelo texto saboroso. Lorena
[Leia outros Comentários de Lorena]
6/8/2002
28. Vida
23h37min
Lorena, não me leve a mal, mas suas frases, embora muito bonitas, não expressam a realidade nem de longe. O que significa dizer que o mercado é uma "ficção de si próprios" dos executivos? O mercado seria um executivão feito à imagem dos executivos? E dizer que o mercado é totalmente sem lógica... O que significa? Que eu saiba, a economia é uma ciência bastante séria e consolidada. Por isso você devia pensar melhor antes de sair falando por aí que o mercado não tem lógica, pois isso é o mesmo que dizer que os economistas (e todas as universidades e instituições que se empenham em ensinar economia nesse mundo) estão perdendo tempo, já que um de seus principais objetos de estudos seria um ente disforme e sem lógica, um executivão doido e guerreiro. O mercado tem muita lógica, embora tenha fatores de grande imprevisibilidade também. Qualquer semelhança com a vida não é mera coincidência.
[Leia outros Comentários de Evandro Ferreira]
7/8/2002
29.
01h16min
Evandro, não chuta "cachorro morto" pô, é covardia.
[Leia outros Comentários de Agonías Feitosa]
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