Grandes Carcamanos da História | Alexandre Soares Silva | Digestivo Cultural

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Sexta-feira, 21/6/2002
Grandes Carcamanos da História
Alexandre Soares Silva

+ de 11100 Acessos
+ 19 Comentário(s)

Há um lobby italiano no mundo, e no Brasil, que chega a ser quase mais poderoso do que o famoso lobby israelense. Os italianos conseguiram, por exemplo, passar a imagem de nação chic, com aristocratas refinados e mulheres lindas. Nos EUA, por exemplo – se um italiano é de classe baixa, é mostrado nos filmes como sendo um tanto grosseiro, mas cheio de vida; se é de classe alta, é ultra-aristocrático. Não é por acaso que Hannibal Lecter (a mais inteligente vítima do lobby italiano) foi morar em Florença. Outra evidência do bom marketing italiano no mundo: num episódio dos Simpsons, um supervilão no comando de uma arma gigantesca pergunta a Homer se ele prefere ver a Itália ou a França destruída. Homer responde França. O supervilão ri e diz: “Nunca ninguém escolhe a Itália”.

No Brasil, o lobby italiano se contrapõe principalmente ao lobby português. Pode reparar: ninguém diz mais piada de português do que descendentes de italianos; acho mesmo que quem inventou a tradição devia ser italiano, com raiva da presença portuguesa aqui. E os brasileiros, que são portugueses que ficaram, acham graça e dizem que é verdade.

Acho que o sucesso do lobby italiano no Brasil se deve ao fato de que os brasileiros querem acreditar nos italianos. Brasileiros são como uma criança que se envergonha um pouco dos pais e imagina que é adotado, e seu pai de verdade é (digamos) um corredor de Fórmula Um. E assim os brasileiros ficam tentando achar que os italianos são os construtores do país, não os portugueses; e com novela atrás de novela tentam reforçar esse mito. O motivo do desprezo por Portugal é óbvio: era Portugal que cobrava impostos. Se Veneza tivesse cobrado impostos dos brasileiros, os brasileiros odiariam os italianos; mas os italianos nunca administraram o Brasil, nem cobraram impostos.

Durante o final do século vinte, brasileiros com sobrenomes italianos foram ocupando cargos em jornais, canais de tevê e agências de publicidade, como o italiano Gramsci aconselhava aos intelectuais comunistas. Mas ao invés de fazerem a propaganda da Revolução Comunista, fizeram apenas a propaganda dos próprios pais - colocando música italiana (a horrenda música pop italiana) em comerciais de sabonete, para mostrar subliminarmente que Itália é delicada, refinada, chic. Imagine uma propaganda de sabonete com música de Amália Rodrigues no fundo. Não dá.

Mas vamos examinar esses pontos de perto.

1)Mulheres bonitas. Os brasileiros têm a absoluta certeza de que não existem portuguesas bonitas – que todas as suas tataravós eram bigodudas, e que se as suas próprias mães não se parecem com Nietzsche é porque, em algum ponto, entrou sangue africano. Essa combinação, se fosse real, só teria dado, é claro, um Nietzsche neguinho com seios. (Não, cinquenta milhões de Nietzsches neguinhos com seios, requebrando pelo calçadão de Ipanema). Ninguém vê, por exemplo, que uma das mulheres mais bonitas do mundo é portuguesa de Amadora: Teresa Salgueiro, a vocalista do grupo Madredeus. Digo bonita no sentido completo do termo: bonita de rosto, de corpo, de voz, de espírito. E parece que ninguém no Brasil vê a RAI, que está cheia de peruas italianas com aquele cabelo louro-milho de mulher de político baiano. Falando alto, defendendo maridos cartolas de acusações de corrupção.



Ou pensem no caso da atriz Maria Fernanda Cândido. Em duas novelas ela fez papel de italiana: numa se chamava Paola, e nesta que está começando agora, Esperança, se chama Nina. Na vida real, ela tem (acho) só uma avó italiana, do Vêneto; sou capaz de apostar que o resto da família é de brasileiros, descendentes de portugueses; e no entanto, cada vez que ela aparece na tela, as pessoas pensam: “Como são bonitas as mulheres italianas!”. Ora, uma avó minha era espanhola, a outra portuguesa; e ninguém me cita como exemplo da beleza do homem ibérico. Não entendo...

Se me citarem os sagrados nomes de Sophia Loren, Silvana Mangano, Claudia Cardinale, ou Ornella Muti, responderei com os não menos sagrados nomes de Catherine Deneuve, Brigitte Bardot, Fanny Ardant, Isabelle Adjani e Juliette Binoche. Mulher bonita há em qualquer parte do globo - meu Deus, até mesmo Gales, que é famosamente uma terra de gente feia, produziu Catherine Zeta-Jones.

2)Arte, então. Vamos deixar o Império Romano de lado (é outra coisa) e nos concentrar na Itália mesmo. Pintura: as qualidades de Giotto, Mantegna, Carpaccio (sim, é um pintor), Ticiano, Veronese, Rafael etc são óbvias demais, e eu não vou negá-las só para ganhar a discussão. Fiquei convencido quando Gustavo Corção escreveu, no seu livro “Dois Amores, Duas Cidades”, que o Renascimento foi mais um passo pra trás do que um passo pra frente- em termos filosóficos, espirituais, morais. Mas no que diz respeito à pintura sei que isso não é verdade; nunca, me parece, a humanidade pintou tão bem quanto durante o Renascimento Carcamano. Mas esses são pintores de 1300, 1400 e 1500. Costuma-se dizer que Portugal vive de glórias passadas - mas e a Itália? À medida que os séculos foram passando, os grandes pintores italianos foram sumindo. O século XVIII ainda produziu Tiepolo, Guardi e Canaletto - enquanto a França tinha Watteau, Boucher, Fragonard, e o grande Chardin. Mas quando chegamos no século XIX o encolhimento do talento italiano para a pintura chega a ser humilhante: enquanto a Espanha produz Goya, a Itália tenta responder com mediocridades como Vincenzo Migliaro. Não adianta nem mencionar o que estava acontecendo na França, enquanto Morelli pintava sua obra-prima Il Conte di Lara ; Gauguin, Manet, Monet, Renoir, Pisarro, Corot, Toulouse Lautrec, Cézanne, Moreau, Redon, etc. Na verdade, para que a França fosse reduzida à estatura da Itália no século XIX, temos que imaginar todos esses pintores franceses morrendo no berço – um segundo massacre de Herodes, do qual só teria sobrevivido o bebê (e futuro pintor interessantinho) Puvis de Chavannes. E mesmo assim, Puvis de Chavannes, sozinho, é bem melhor do que qualquer pintor italiano do século XIX.

O século vinte é um pouquinho melhor para a pintura italiana - mas só um pouquinho. A Itália produziu grandes nomes como Modigliani e Morandi; mas quase estragou tudo produzindo Giorgio de Chirico. Contraponha a isso os grandes pintores franceses do século XX. Pode ser mesquinho e excluir Picasso e Salvador Dali, que ao fim e ao cabo eram tão franceses quanto Van Gogh; ainda restam Vlaminck, Derain, Marquet, Braque, Léger, Utrillo, Picabia, Bonnard, Dufy, Dubuffet e Juan Gris; nabis, fauves , surrealistas, abstratos. Na verdade, Matisse sozinho já bastaria.

3)Literatura: A Itália conheceu cedo a grandeza literária , na prosa e na poesia – Dante, Petrarca e Bocaccio surgiram num intervalo de 50 anos - e depois emudeceu. Ah, houve Ariosto, e Torquato Tasso; mas onze anos depois da morte de Tasso (1595), Corneille nasceu na França; e logo depois Molière e Racine - e cessa tudo quanto a antiga musa canta. De cabeça, não consigo me lembrar de nenhum poeta italiano do século dezoito; a enciclopédia me lembra que há Alfieri (1749-1803), mas depois de examinar alguns poemas online chego à conclusão de que ele não vale metade de um André de Chénier (1762-1794). No século XIX há pelo menos um poeta, Leopardi, e um romancista, Manzoni; mas sinceramente o que é isso perto do que a França produziu? O que pode Leopardi, sozinho, contra Hugo, Baudelaire e Gautier? Não, vamos parar de comparar a Itália com a França; comparemos com Portugal, e até mesmo com o Brasil. Manzoni é interessante, mas não chega aos pés de Eça de Queiroz - ou de Machado de Assis. E no século vinte, quando a Itália produziu nomes interessantes como os dois Italos (Svevo e Calvino), é preciso admitir que, por melhor que seja Eugenio Montale, não chega às canelas de Fernando Pessoa; nem ao queixo de Carlos Drummond de Andrade.

4)Música: Eu sei, vocês estão pensando em Verdi, Rossini e Puccini. Confesso que às vezes não resisto e canto, no chuveiro, Parigi o cara, noi lasceremo. E queria dizer, para provocar um pouco mais, que prefiro Wagner - mas isso nem sempre é verdade. Entretanto acho que é significativo o fato de que a maior ópera composta em italiano tenha sido feita por um austríaco (Don Giovanni, de Mozart). Aliás, como se sabe, Mozart tinha péssima opinião dos italianos; numa carta ao pai diz sobre o músico Clementi que ele “ é um Ciarlatano, como todos os italianos” (carta a Leopold Mozart, datada de 7 de Junho de 1783).

Quanto à música atual, mantenho que nada é mais horrível do que o pop italiano; nem mesmo rap, pagode, bunda music ou navel music; não, nem mesmo muzak; nem mesmo Paul Mauriat. No Brasil, graças ao lobby italiano, donos de cartórios e postos de gasolina, em seus carros sempre caros demais, gostam de ouvir Eros Ramazzotti ou Laura Pausini ou Domenico Modugno; suas mulheres dizem para as amigas: “Olhando pra ele ninguém acredita, mas o Rodolfo é tão sensível!”. Por algum motivo, anfitriões em São Paulo recebem seus convidados ouvindo isso – da mesma forma que alguém que não entendesse de vinhos poderia achar très chic servir o Vinho do Palmeiras num jantar. Mas compare a relativa breguice de uma música pop francesa (Que C’est Triste Venise, por exemplo) com a breguice de Sapore di Sale. Não, pior; compare uma música realmente brega como Je T’Aime com a breguice quase radioativa de Champagne ( Per Brindare un Incontro...) . Cresci ouvindo a voz ardida de Rita Pavone cantando Datemi un Martelo, da qual ainda gosto muito; mas mesmo assim tenho que preferir o pop francês. Amore, scusami!

Testemunhos: Berlusconi, cinema dublado e Pepino di Capri são provas suficientes de falta de civilidade; mas mesmo assim chamo como testemunhas, para encerrar o caso, dois experts em sofisticação: Edgar Allan Poe e Tom Ripley.

1) Edgar Allan Poe (1809-1849) – No seu conto de vingança O Barril de Amontillado , o escritor americano escreveu: “Ele se orgulhava do seu conhecimento de vinhos. Poucos italianos têm o verdadeiro espírito de connoisseur. Na maioria das vezes seu entusiasmo se adapta àquilo que a ocasião e a oportunidade exigem, tendo em vista enganar milionários ingleses e austríacos. Em pintura e pedras preciosas, Fortunato, como todos os seus compatriotas, era um impostor..”. ( “He prided himself on his connoisseurship in wine. Few Italians have the true virtuoso spirit. For the most part their enthusiasm is adopted to suit the time and opportunity--to practise imposture upon the British and Austrian millionaires. In painting and gemmary, Fortunato, like his countrymen, was a quack...” )

2) Tom Ripley – Ninguém tem mais savoir-vivre (e savoir-tuer) do que esse personagem da escritora americana Patricia Highsmith (1921-1995). Se não fossem os assassinatos e as falsificações, juro, queria ser como ele - que casou com uma francesa linda e rica, e vive numa cidadezinha francesa chamada Villeperce, passando seus dias fazendo jardinagem, lendo, pintando, tendo aulas de cravo, e à noite recebendo amigos de Paris. Pois bem: em O Talentoso Mr. Ripley (o livro, não o filme), Ripley vai para a Europa pela primeira vez, tentar convencer um pintor chamado Dickie a sair da Itália e voltar para os EUA. Ripley se apaixona pela Itália e logo está falando italiano melhor do que Dickie; mas mesmo inexperiente, aos vinte anos, Ripley sente intuitivamente que a França deve ser um pouquinho menos grosseira, mais discreta, “mais chic”. Dickie não quer ir; é um boçal e um pintor sem talento. Assim que Ripley o mata (oh, por outro motivo: dinheiro), a primeira coisa que faz é ir para Paris.

Resumo: Tenho agora algumas linhas para encerrar o caso; então vou deixar ao menos uma coisa clara. Meu propósito não é dizer que a Itália é uma porcaria; a Itália não é uma porcaria. Nenhuma nação que tenha produzido Rafael e Totò pode ser uma porcaria.

Mas o lobby italiano, como todos os lobbies, é. Esse lobby vende duas imagens dos italianos: se um italiano é rico, é aristocrático – interessado em vinhos e arte e belas mulheres; se é pobre, por mais ignorantão que seja, é sempre admirável. No Brasil, onde cultura não causa muita admiração, o lobby italiano escolheu sabiamente popularizar o estereótipo do italiano pobre, mas “simples, batalhador, cheio de vida e paixão”, etc etc. Esta novela que está começando é um exemplo disso – a própria propaganda da Globo se referia aos italianos, do modo asquerosamente sentimental que a Globo sempre tem, como “essa gente sofrida e batalhadora”. E ah, sim – sensual – reza o estereótipo que os italianos são sempre sensuais, sejam lá de que classe forem. Esses estereótipos podem bem ofender alguns italianos de bom senso, mas mesmo assim beneficiam o povo italiano e foram criados pelo lobby italiano. Os principais propagadores desses estereótipos têm sido a Globo, um certo romance de E.M.Forster, as propagandas de carro e duas dezenas de filmes românticos em que americaninhas lindinhas se apaixonam por italianos de barba por fazer.

Última Prova

O teólogo quinhentista Heinrich Bünting fez um mapa famoso (abaixo) em que a Europa é uma mulher; a Espanha é a cabeça; Portugal é a coroa; mas a Itália é só um braço...



Alexandre Soares Silva
São Paulo, 21/6/2002


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COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
21/6/2002
13h09min
Alexandre: tenho, aqui nestas veias, a minha dose de sangue italiano, que nem é tão pouca, mas insuficiente para me transformar em admirador do País da Bota (eu disse bota, mesmo). Para mim, a Itália é uma Terra de exageros, de breguices sem fim. Basta assistir aos programas da RAI, para entrar em imediato estado de choque estético. Aqueles cabelos das mulheres italianas, aquela maquiagem circense, aplicada com pá de pedreiro, as roupas, as jóias imensas, os maneirismos, as gargalhadas explosivas, que assustam criancinhas e causa lesões nas paredes do ouvido interno... tudo é mais do que exagerado. Há quem goste, sim, mas há quem goste de qualquer coisa, não é mesmo? O seu texto apresentou pontos de vista bem lúcidos a respeito da falsa grandeza italiana. E olhe que você nem chegou a mencionar um cortejo de personalidades históricas medonhas, como os cruéis imperadores romanos, o incestuoso papa Alexandre Bórgia, sua filha Lucrécia envenenadora e vagabunda de carteirinha, também a "papisa" Joana, que se fez passar por homem, chegou a ocupar o trono de São Pedro e pariu em plena procissão (até hoje o Vaticano nega que ela tenha existido). Quanto à beleza portuguesa, ela existe, claro. Achei que você foi bem perspicaz ao destacar a questão dos ressentimentos históricos contra os portugueses. Sim, é verdade! Há uma antiga causa econômica por detrás desses rancores (ah! deixo claro, ainda, que também tenho minha dose de sangue português legítimo) O seu texto de hoje me fez rir um bocado, Alexandre. Ficou ótimo. A parte ruim é que você escolheu um tema muito vasto; seria impossível mencionar todas as breguices italianas... a gente começaria hoje e só terminaria na Copa do Mundo do quinto milênio. Também acho que a Itália não é uma porcaria. Essa mania de ficar mitificando povos e culturas é que é uma grande porcaria! Quase ia me esquecendo... a Itália também produziu o admirável, frio e realista Maquiavel! / Meu abraço e parabéns, Alexandre!
[Leia outros Comentários de Dennis]
21/6/2002
14h54min
Alexandre, Quero deixar claro que, embora ache graça em todos e concorde com alguns dos seus argumentos (especialmente os de cunho musical) acho que a Italia nos deu coisa maravilhosas, tais como: Abridores de garrafa, saca-rolhas, garrafas térmicas e cafeteiras de lindo design. Além disto, os rapazes italianos são mesmo lindos...*s*. Abraços, Ana.>>>>P.S.: Japoneses, Italianos...Que tal, agora, os Franceses???? *s*
[Leia outros Comentários de Ana Veras]
22/6/2002
10h10min
Depois de me dar ao trabalho de ler essa matéria, resolvi responder sobre o tal lobby italiano. Imagem de nação chic? aristocratas refinados? mulheres lindíssimas? SIM! Não é de se estranhar quando uma pessoa que desconhece um país e uma cultura de perto fale mal. Bom marketing? por acaso é a própria Itália que faz isso? NÃO, é a grande potência (EUA), os grandes países e ATÉ mesmo o Brasil.Todos conhecem a grande nação que a Itália é, reconhecem sua história, sua cultura, que por sinal contribuiu para a cultura do'"filho adotivo"(Brasil), ou vai me dizer que não?! O mais interessante vem na analise de alguns pontos! Sobre mulheres bonitas, de certo cada país têm suas características marcantes, sendo as portuguesas bigodudas ou não, ñ interessa. Sei que muitas italianas são lindas, principalmente os homens, que são verdadeiros deuses gregos, digo italianos. Cada país em sua história tem seu grande auge, o da Itália foi atingido durante o Renascimento. Em cada lugar esse "clímax da arte"ocorre de maneiras diferentes e não duram eternamente. O legado que foi deixado pela mesma foi de grande importância, esse não é um caso a se discutir, é óbvio! Um caso descabível são comparações sobre a literatura da Itália e Brasil, onde já se viu? cada um têm suas particularidades e ainda mais "scusa" mas como diz um velho ditado "gosto não se dicute, só se lamenta!" hahah Por fim, achei a crítica "engraçadinha".Queira você ir um dia conhecer a Itália.
[Leia outros Comentários de Catherine ]
22/6/2002
12h17min
Alexandre, gostei muito de seu comentário sobre a música pop italiana, que desde criancinha sempre achei horrenda mesmo...como é possível se ouvir aquilo de livre e espontânea vontade??! Também me parece feliz a observação de que algo do ressentimento com Portugal possa ser explicado (mas não justificado) por seu papel de ex-cobrador de impostos, mesmo sentimento que, hoje, justificadamente, dirigimos a Brasília e demais vorazes autoridades constituídas... Para concluir, queria me declarar fã dos demais aspectos relacionados com a Itália (este ano devo ir lá pela sexta ou sétima vez como turista, e olhe que mesmo podendo visitar outros países escolhi ficar todo o período na terra de Dante). Quanto a beleza/feiura, opino assim: de Roma para cima, gente feia; de Roma para baixo, o povo mais bonito da Europa (dividindo honras com nosso Portugal). Um abraço.
[Leia outros Comentários de Toni]
22/6/2002
16h07min
Como estou acostumado a ler os textos do Alexandre, percebi neste o equilíbrio que pode ter escapado a alguém. Em todos os pontos citados por ele, a Itália (para ficar apenas nela) está a séculos adiante do Brasil. Claro, em 1.500, data "oficial" de nosso descobrimento, quanto já não havia acontecido por lá? Culturalmente, poderíamos ter corrido atrás da diferença, e não falarei que não conseguimos muita coisa. Se não tivemos uma Idade Média com Dante, tivemos um século XIX com Machado de Assis e um século XX com Graciliano Ramos e Guimarães Rosa. Não chegamos a ter Vivaldi e os Scarllati, mas Lobo de Mesquita e Nunes Garcia não nos envergonham. O que o Brasil precisa deixar de ser sentimentalóide e imitador. O que é feito nos EUA, aqui é imitado direitinho, assim como um dia se procedeu em relação à França.
[Leia outros Comentários de RICARDO]
23/6/2002
17h20min
parabéns. Se tem uma coisa que me deixa puto da vida são os meus amigos de sobrenome italiano que acham a Itália o máximo. Chegam ao cúmulo de dizer que a Itália é o país mais bonito do mundo, quando jamais conheceram, sequer, ao Norte Fluminense - só para dar um exemplo. Se a Itália era tão do caralho assim, por que os seus antepassados saíram de lá? Essa novela da Globo é realmente o fim: a vilã é uma fazendeira brasileira, veja só! Um abraço, Eduardo Souza Lima.
[Leia outros Comentários de José Eduardo de Souz]
24/6/2002
02h40min
Dennis, alguma coisa me dizia que você gostava de Maquiavel...(O que será?)Ana, estou perdoado então? E a Kelly, como vai? Catherine, não sei como raios você descobriu que nunca estive na Itália, mas me deixe dizer que não tenho dúvida que, se a conhecesse pessoalmente ("a" aqui tendo duplo sentido...), a adoraria. Toni, uma curiosidade: você não acha a ópera italiana a coisa menos budista do mundo? Quer dizer, será possível imaginar uma ópera sobre o desapego, por exemplo? Não é a Itália (e isso não é falar mal dela) o exato oposto do desapego? Ricardo: faço minhas as suas palavras. Apenas contextualizei a Itália- não a odeio, muito pelo contrário. Meu ponto não é tanto falar mal da Itália, mas chamar a atenção para uma guerra secreta que há, no Brasil, entre quem tem sobrenomes italianos e quem tem sobrenomes portugueses. Não é uma guerra de ódios, é uma guerra meramente de alfinetadas - e essa foi a minha. O José Eduardo é testemunha que essa guerra existe mesmo. Não é? Abraços a todos (de um Alexandre vagamente surpreendido que nenhum ítalo-brasileiro o tenha xingado até agora...Mascalzone!)
[Leia outros Comentários de Alexandre Soares]
24/6/2002
03h07min
E ah, sim, Ana: que mania é essa dos italianos com design? Eles só pensam nisso? ;>) - Abraços, Alexandre.
[Leia outros Comentários de Alexandre ]
24/6/2002
09h55min
Alexandre, Vc está quase perdoado. Espero pelos franceses, agora...*s*...Pois é, Os italianos são o máximo em design, né? Acho que esta "vocação" deve ser o que sobrou de tudo de lindo que produziram no renascimento...A Kelly, está em lua-de-mel (na França!!!!). Abraços, Ana.
[Leia outros Comentários de Ana Veras]
24/6/2002
19h17min
Alexandre, uma parte de meu perfil tem vocação sim para o despojamento. Mas outra, tão ou mais pronunciada, me conclama a celebrar a vida de maneira mais "efusiva", seja num bom restaurante, ou ouvindo um rebuscado concerto de música barroca ou admirando vitrines de roupa elegante. Nessas horas, a Itália é certamente um dos lugares mais fascinantes que conheço. Tendo a concordar com você: apesar de ser berço de São Francisco (e de mais de um "poverello"), a Itália de hoje não rima com desapego. Um abraço.
[Leia outros Comentários de Toni]
26/6/2002
11h29min
Olá, Alexandre. Gostei de ler seu texto. Passou descontraidamente por todos os pontos principais dessa moda de adorar clichês italianos. É sempre bom criticar uma moda. Não resisto a falar também do pop italiano. É mesmo péssimo! Quando encontro uma música "divertidinha", não dá mais pra aguentar depois de ouvir três vezes. Sabe qual é o problema do Brasil nesse assunto de imitar culturas? Só imitamos a pior parte de cada cultura. E ainda assim imitamos mal. Dos franceses, imitamos o academicismo diletante (que é até capaz de dizer que não se pode falar de uma "pior parte" de uma cultura), dos americanos imitamos as camisas estampadas com frases como "Face life with a smile" e dos italianos imitamos os programas de auditório, sem nem saber que o fazemos. E ainda tem o que, na minha opinião, é o maior dos problemas: imitar 1 milhão de idiossincrasias sem importância e não herdar a tradição espiritual (porque essa tem inimigos muito bem armados nas universidades, os quais só deixam passar o tal do Deleuze, do Rorty e os demais demolidores da tradição ocidental, que jogam contra o próprio time). Mas o pior de tudo são as mulheres com cabelos debaixo do braço! E esse é um problema de toda a Europa! Abraços, Evandro.
[Leia outros Comentários de Evandro Ferreira]
26/6/2002
13h48min
caro Alexandre, você disse que ficou "...convencido quando Gustavo Corção escreveu, no seu livro “Dois Amores, Duas Cidades”, que o Renascimento foi mais um passo pra trás do que um passo pra frente- em termos filosóficos, espirituais, morais." Só para me certfificar, o contrário disto teria sido o Iluminismo?
[Leia outros Comentários de Ricardo Lopes]
26/6/2002
21h20min
Não segundo Gustavo Corção. Ele é católico - para ele o Renascimento foi uma inversão de valores, e o Iluminismo foi a intensificação do mesmo processo: cientificismo, materalismo, ateísmo, superficialidade etc. Quanto a mim, quase sempre concordo com Corção - é um grande livro.
[Leia outros Comentários de Alexandre ]
26/6/2002
21h32min
Evandro, grazie. E os programas de auditório italianos são especialmente horríveis. Lembro de um em que os convidados iam entrando no palco ao som da música-tema de Guerra nas Estrelas. Um abraço, Alexandre.
[Leia outros Comentários de Alexandre ]
20/11/2002
01h21min
Só agora li este texto. Bom, vc esqueceu o escultor Bernini, Lampedusa, Umberto Eco, e muitos outros. Mas nos concentremos apenas em sua primeira frase: “Há um lobby italiano no mundo, e no Brasil, que chega a ser quase mais poderoso do que o famoso lobby israelense.” Vc sabe que isso não é verdade. Porque em todo o cinema americano há muito mais espaço para indivíduos do segundo grupo citado por vc. Porque Roberto Benigni com aquele filminho idiota – e ainda assim bem melhor que o Central do Brasil – pra ganhar o Oscar teve que falar do Holocausto. Assim como Spielberg, que apesar de ser da “comunidade” e ter revitalizado o cinema de entretenimento e rendido milhões para a indústria não era levado em consideração e só o passou a ser a partir de A Lista de Schindler. Agora, por que vc não cutuca a verdadeira onça com sua curta vara?
[Leia outros Comentários de Ana Couto]
10/3/2006
21h40min
Isto soou como uma magoa, sei lá, foi trocado por algum italiano? A probabilidade é grande, mas vamos ao que interessa: Portugal. O que leva alguém a ir a Portugal? Visitar Portugal é tão excitante quanto visitar uma padaria. Aliás, Portugal é só isso: uma padaria a céu aberto cheia. Não tem nada. O lugar é feio. Mas não vou cometer a monstruosidade de colocar as mazelas estéticas de Portugal ao lado das paisagens italianas pois seria covardia. Vamos às mulheres. Gostos são gostos, sei lá, eu encararia uma portuguesa como encararia uma italiana, mas prefiro as hungaras. Gostos. Literatura. Fernando Pessoa eu não posso bater, gosto dele, mas Éca? Ele é aquele cara que passou a vida copiando um amiguinho francês, um tal de Flaubert, e para não deixar na cara, maqueou as obras com peidos, arrotos e outras nojeiras. Camões é gênio, mas é fruto da renascença italiana. Nem aquela história de potência naval dá para engolir, já que quem descobriu a América (pelo que consta) foi um italiano...
[Leia outros Comentários de Antonio Panizzi]
10/3/2006
21h53min
Li um comentario falando que se a Italia fosse boa, por que nossos ascendentes vieram para cá? Uma pergunta dessas vindo de qualquer um que seja brasileiro chega a ser ridícula, afinal, se portugueses estão aqui, não foi porque Portugal era um lugar maravilhoso para se morar! O mesmo vale para Espanha, Japão, etc. O Alexandre ainda tenta falar de programas de auditório. Sei lá, eu nunca me dei ao luxo de assistir a um programa de auditório italiano, mas imagino que não deve ser pior que um tal Fausto "SILVA", ou ainda de um Silvio Santos (Tá, esse não vale a piada, mas não é italiano). E querer discutir arte com italiano é chato, chato. Leonardo da Vinci já bate toda a geração de artistas portugueses, que foram e que ainda virão. Ir para o Barroco já perde a graça...
[Leia outros Comentários de Antonio Panizzi]
29/12/2009
21h35min
Sou obrigado a concordar com o Antonio Panizzi. Sinceramente, atribuir o desdém brasileiro pela cultura portuguesa (desdém que inegavelmente existe e do qual eu parcialmente partilho) a um lobby italiano só pode ser piada. Assim como é piada tentar comparar a contribuição italiana à cultura ocidental com a pífia contribuição portuguesa, que começa e acaba em Fernando Pessoa (ninguém, rigorosamente ninguém fora dos países lusoparlantes sabe quem é Eça ou Camões, dois escritores de segunda linha). É até ultrajante colocar os dois legados lado a lado. Portugal é e sempre foi um país periférico na Europa, enquanto a Itália é um dos grandes centros da cultura ocidental. Isto é um fato simplesmente indiscutível e incontornável. Quanto aos imigrantes, bem....os italianos foram tão ignorantes quanto os portugueses. A diferença é que os primeiros legaram as riquíssimas cidades do Sul do país, enquanto os portugueses legaram botecos imundos :-) E olha que sou neto de portugueses!!!
[Leia outros Comentários de Zé DH]
26/9/2013
08h52min
não entendi o "lobby": não vejo este lobby, quem financiaria? Acho que os italianos tem o seu proprio estilo, e atraem as simpatias de muita gente; ninguem é o melhor, cada povo tem sua cultura; agora os fatos: 1)a Italia foi o ambiente onde se formou a base cultural da civilização ocidental; soube incorporar a chama, o legado da cultura grega e latina e produziu o Rinascimento, que se espalhou pela Europa e pelo mundo, 2)assim como incorporou a mensagem revolucionaria de Cristo criando a Cultura do Cristianismo; 3)a Italia pela sua posição ao centro do Mediterraneo, sempre foi o ponto de encontro das culturas dos povos antigos, resultando em uma enorme variedade de tradições culturais, na arte e na vida; este patrimonio está no nosso DNA: alegria, bom gosto, criatividade, e muitos defeitos também!! :-)
[Leia outros Comentários de giuseppe ferrua]
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