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Terça-feira, 10/12/2002
Cactos Implacáveis: entrevista com Ronald Polito
Jardel Dias Cavalcanti

+ de 6700 Acessos


Título da obra:"Probabilidades de auto-retratos" - Data: 1996

Ronald Polito, poeta, tradutor, ensaísta e historiador, nasceu em Juiz de Fora (M.G.), em 5 de abril de 1961.

É autor dos seguintes livros de poesia: Solo (R.J.: Sette Letras, 1996), Vaga (Mariana: Edição do autor, 1997), Objeto (Mariana: edição do autor, 1997), Intervalos (R.J.: Sette Letras, 1998), De passagem (São Paulo: Nankin, 2001) e Pelo corpo (Santo André: Alpharrabio, 2002), este último em parceria com o poeta Donizete Galvão. Há ainda a publicação de uma série de cartões publicados com o título Versos postais, trabalho editado pelo autor em 1993, no qual conjugam-se elementos plásticos e literários dentro de uma dimensão conceitual.

Como tradutor, fez versões do francês, inglês, catalão e espanhol, publicando os livros: Poemas, do poeta francês Pierre Reverdy (traduzido junto com o poeta Julio Castañon Guimarães), Poemas civis, do poeta catalão Joan Brossa (traduzido com o poeta Sérgio Alcides), XXI Poemas, da poetisa norte-americana Sylvia Plath (traduzido com Deisa Chamaum), Almanaque das horas e outros escritos, do escritor mexicano Julio Torri (traduzido com Sérgio Alcides). Publicou, ainda, poemas traduzidos em jornais e revistas do Brasil.

Preparou importantes edições críticas dos livros: A Conceição: o naufrágio do Marialva, de Tomás Antônio Gonzaga (São Paulo: Edusp, 1995), Caramuru: poema épico do descobrimento da Bahia, de Santa Rita Durão (São Paulo: Martins Fontes, 2001) e O Desertor, de Silva Alvarenga, ainda inédito.

Sua dissertação de mestrado, defendida na Universidade Federal Fluminense (R.J), tem como título A persistência das idéias e das formas: um estudo sobre a obra de Tomás Antônio Gonzaga.

O poeta também se dedicou, anos atrás, a criar pequenas caixas, das quais utilizamos três para ilustrar esta entrevista.

A obra poética de Ronald Polito se constitui quase como um projeto de levar a termo a própria poesia. Seus versos enunciam a impossibilidade da comunicação, o vácuo entrópico do existir, a incompletude dos seres, o retraimento obsessivo do corpo, dos sentidos e do entorno — tudo metaforizado numa espécie de "sinal de menos" ou "sombra nula", onde a linguagem poética se blinda, de ponto a ponto, como um cacto num sumo sinal desértico.

Abaixo, através desta entrevista que o poeta nos deu por e-mail, de Tóquio (onde mora e leciona atualmente), podemos conhecer um pouco de suas reflexões sobre seu fazer poético e sobre seu trabalho como tradutor.

(Obs: a presente entrevista contou com a colaboração do poeta Mário Alex Rosa, que elaborou as questões 11, 12, e 13)

ENTREVISTA

1- Seu primeiro livro Solo traz duas epígrafes, compostas por alguns versos de Drummond e Cláudio Manoel da Costa, que parecem marcar o tom absolutamente negativo da quase totalidade dos poemas. Comente este momento de sua poesia.

RONALD: Solo é meu primeiro livro publicado, mas na verdade foi o quarto livro que escrevi. Os dois primeiros permanecem inéditos (afora alguns poemas do segundo que passaram a pertencer ao livro Objeto). O terceiro, intitulado Vaga, eu o publiquei em 1997. Creio que é no livro Vaga que eu me defini um pouco mais e Solo é precisamente o primeiro resultado mais maduro desta definição. Penso que o tom absolutamente negativo do livro Solo, bem como de quase todos os meus outros livros, decorre não apenas de traços de meu caráter, de minha estrutura psicológica, mas também de meu interesse por um certo tipo de poesia da negação, se assim posso me expressar. Uma poesia que seja ''desalimento'', como escrevi certa vez em um poema, num mundo inflacionado de aditivos e adiposidades. Uma poesia que seja um ''sinal de menos'', na felicíssima expressão de Drummond. Esta negatividade, que é evidente nas epígrafes que escolhi, pertencentes a Drummond e a Cláudio Manuel da Costa, também se relaciona ao fato de que eu, quando escrevi aquele livro, morava em Mariana (M.G) — um lugar mais árido que um deserto —, em estado de total isolamento de qualquer vida útil, sem quase qualquer contato com outros poetas ou mesmo com a produção cultural em geral (lá não há cinemas, livrarias etc.). Meu contato com a poesia decorria de minhas idas às livrarias de B.H., onde comprava sacolas de livros e levava para casa. As dificuldades eram tantas que este livro ficou pronto em 1993 e só o publiquei em 1996 por insistência de alguns caros amigos, pois já tinha me decidido a permanecer inédito.

2- Essa negatividade, que você traduz, em termos de linguagem, numa sintaxe entrecortada, pode definir o seu projeto poético como um todo?

RONALD: Sim, ainda que a palavra projeto seja muito pesada, pois não tenho um projeto, no sentido forte do termo. Escrevo porque não consigo me controlar, escrevo não sei por qual razão, apenas escrevo, como respiro ou ando. Creio que o caminho natural de minha poesia é em direção ao silêncio, pois ''tudo está dito'' (Augusto de Campos). Meus principais interesses literários são as obras de Kafka e Beckett, como já comentei numa outra entrevista. Particularmente Beckett é uma aprendizagem do silêncio e do não dito, não dizível. No entanto, ainda estou dizendo (o quê?), não sei até quando, até porque mais contemporaneamente encontrei talvez uma senda para o que poderíamos provisoriamente chamar de alguma positividade.

3 — Nos diferentes livros que já publicou existe algo como uma "linha evolutiva" ou cada obra tem marcas próprias e/ou diferenciais possíveis de se identificar?

RONALD: Creio que há uma linha, não sei se evolutiva. Possivelmente involutiva ou apenas que se revolve sobre si mesma, como um caracol. Mas talvez haja um maior amadurecimento no trato com as palavras, o distanciamento de um certo minimalismo presente em Vaga e Solo, bem como um afastamento da paralisia, da ausência de movimento que está nestes livros e em Intervalos. Eu estou 'apenas' praticamente perdido dentro de um labirinto, externo e interno a mim mesmo. E desfio uma linha que não é guia de saída e nem serve para eu chegar ao centro (que não deve existir). Vejo, portanto, uma grande unidade em meus primeiros livros, ou mesmo em todos até agora. Mas o último livro que publiquei, De passagem, me parece que apresenta elementos que não existiam nos anteriores. Em primeiro lugar, um certo humor, mesmo que contido, enquanto que nos anteriores eu só construía uma ironia sarcástica, corrosiva e auto-destrutiva. Em segundo, alguma liberdade discursiva, a experimentação de uma sintaxe mais extensa, a adoção de mais verbos e, portanto, mais movimento, abandonando em parte a forte tendência 'nominal' dos livros anteriores. Creio que em De passagem convivem dois campos poéticos: um que prossegue as dicções anteriores e outro que abre novas perspectivas, ou que pelo menos eu gostaria que abrisse.

4- Entendo seus poemas não como obras fechadas, ao contrário, é difícil empreender uma leitura unívoca deles. Creio que eles se prestam mais ao termo "obra aberta", desenvolvido por Umberto Eco, no sentido de uma mensagem ambígua, com uma pluralidade de significados — Não teme com essa abertura, que exige a participação ativa do leitor, criar um ser destituído de caráter, deixando sua poesia de ser, por isso, uma obra singular e autoral?

RONALD: Nunca me perguntei sobre esta questão. Não creio que a ambigüidade leve à falta de caráter. A ambigüidade é precisamente um tipo de caráter, no qual eu estou muito interessado. Um dos meus poemas que escrevi e que ainda continua tendo algum valor para mim é exatamente um caso de ambigüidade, digamos, 'total'. Ele se intitula ''Entre duas dispersões'' (do livro Vaga) e diz assim: 'noite anódina / um minuto segundo / uma hora / (o telefone me toca) / nenhum número disponível / um sedativo / ou senda / cedo ainda / cedo tudo / o olho seco / fixo vendo / nada ubíquo'. Do título ao último verso, o que estou experimentando é a ambigüidade do sentido.

5- Em alguns momentos você parece se interessar pela visualidade dos poemas, por questões de ordem gráfica e plástica — há aí um interesse pelas formulações dos concretos?

RONALD: Há um grande interesse pelas formulações dos concretos. Isto é explicitamente visível em Versos postais, bem como em Objeto (mas também é uma preocupação estrutural, ainda que quase oculta, menos evidente, em grande número dos poemas dos outros livros, já que salta aos olhos meu interesse pela dita materialidade da linguagem). Para mim, esses dois trabalhos estão indissoluvelmente ligados aos outros livros. Basta pensar que em Objeto há um poema que pertencia a Solo e outro que também foi editado em Intervalos. Claro que eu quis estabelecer uma ponte entre os poemas visuais e os poemas não visuais presentes nos outros livros. Durante o final dos anos 80 e a maior parte dos anos 90 eu escrevi (ou pintei) muitos poemas visuais, próximos da dicção da poesia concreta. Tenho pelo menos 20 trabalhos que permanecem inéditos por dificuldades técnicas para eles serem editados e total falta de tempo para empreender um projeto tão trabalhoso como foi a edição de Objeto. Mas nos últimos anos eu me afastei bastante deste campo de pesquisa. Não por desinteresse. Nem sei exatamente a razão, mas não fiz poemas visuais a partir de 1999, creio.

6- Que poetas que atuam na contemporaneidade te interessam mais no momento?

RONALD: No Brasil, poucos: Augusto de Campos e Affonso Ávila, da 'velha guarda'. Dos mais 'jovens', Sebastião Uchoa Leite, Armando Freitas Filho, Duda Machado e Júlio Castañon Guimarães. Interessam-me também, em parte, os trabalhos de Orides Fontela e Francisco Alvim.

7 - De que forma o trabalho como tradutor enriquece seu fazer poético?

RONALD: Enriquece e por vezes interfere profundamente. Ter traduzido Brossa, por exemplo, alterou minha forma de escrever e pensar a poesia. A influência dele é visível num livro como Intervalos. Não há como passar incólume por um mergulho como este. A imersão em outras poéticas pode ser algo tão profundo (o que implica a compreensão e assimilação de métodos de outros escritores), que ela retorna sobre minha escritura fornecendo instrumentos que antes eu não tinha. Mas nem todos os poetas que traduzi produziram-me o mesmo impacto. Alguns interferiram pouco, exatamente em função de que não sou mais um jovem.

8- Qual o critério que você usou para escolher os poetas que você traduziu (e, conseqüentemente, os grupos de poemas que escolheu destes poetas)?

RONALD: Acho que nenhum critério claro. Interesse, gostei deles, senti-me atraído por eles. É evidente que esta atração se estrutura a partir de meu próprio gosto, do que considero ou não poesia válida para mim. Creio que meu interesse se move em 3 direções mais claras: a poesia dita experimental (de que são exemplos Brossa e Reverdy), a escritura irônica ou satírica (como Julio Torri) e a poesia de forte corrosividade existencial (como Sylvia Plath).

9- Existe algum poeta (ou artista de outro gênero) em particular que marcou definitivamente sua obra poética?

RONALD: Como disse acima, os autores que mais me impressionam são Kafka e Beckett, os únicos praticamente que sempre releio. Já perdi a conta das vezes que li Kafka. E sempre volto a ele. Há textos de Kafka que me parecem perfeitos poemas em prosa. Outra coisa é que sou obcecado por música em geral, da clássica ao rock, da MPB ao jazz. Meu consumo de música é altíssimo. Hoje, por exemplo, desde que acordei, ouço sem parar as sonatas para piano de Beethoven e agora já estou na sonata 18, que particularmente adoro. Espero acabar o dia na 32. Também freqüento o máximo que posso exposições de artes plásticas e museus. Na realidade, tenho um interesse desgovernado por todas as artes, passaria todo o meu tempo, se pudesse, consumindo arte e quase nada mais.

10- Em uma entrevista que fiz com Antonio Candido ele me disse que o Drummond era um poeta e que ele era apenas um simples mortal. Você acredita que exista uma diferença ontológica entre os poetas e os seres humanos comuns?

RONALD: Não, para mim não há diferença ontológica. Creio que o poeta, ou o artista, é apenas alguém que conseguiu uma via de comunicação mais clara, palpável (no sentido material, físico do termo) para manifestar seu universo interior, sensível. Todo homem é, contudo, em alguma medida, um artista porque dotado de algum senso estético. Mas um amigo poeta me disse uma vez uma coisa que foi marcante para mim: 'Se eu não fosse poeta, eu seria um assassino'. Acho que é precisamente isto.

11- De uma poesia mais contida, mais elíptica, pelo menos nos primeiros livros (Solo e Vaga), você passou para uma poesia, digamos, menos centrada num sujeito, seja ele quem for, a uma poesia mais prosaica, onde a linguagem me parece mais à vontade, lembrando, às vezes, pequenos minicontos. Se existem essas mudanças, elas vêm de novas experiências com a linguagem, com a vida, ou é apenas um momento, como aparece muito bem em Intervalos e mais precisamente em De Passagem?

RONALD: Posso estar iludido acerca de mim mesmo (tomara!), mas acho que minha poesia continua fortemente centrada num sujeito (quem?), ainda que a linguagem esteja mais à vontade, mais 'prosaica', para usar sua expressão, mesmo que não haja nenhuma prosa. Há menos inércia e mais ação, acho que é isto. E esta pequena guinada (que não suponho seja momentânea, mas decisiva e sem retorno) é decorrência, para mim, de meu interesse pelas reflexões da filosofia contemporânea em torno da pós-modernidade e meu afastamento relativo do projeto dito da modernidade, o que inclui praticamente a maior parte da poesia que é escrita hoje no Brasil. Se alguns poemas de De passagem lembram minicontos (ainda que escritos em versos), acho que é pelo interesse em escrever numa dicção da fábula (não da história!), o que significa tentar assumir um imaginário e uma operação cognitiva tipicamente da infância, traço visível em alguns poetas estrangeiros pós-modernos. Da vida penso que me veio a meia-idade, um certo apaziguamento, já que nada mais tem jeito e eu continuo vivo (por quê?). Como disse acho que Paulo Mendes Campos, autor que inclusive não me interessa, é imodesto sofrer em demasia.

12- A poesia precisa da crítica ou a crítica precisa da poesia? O poeta depois de ler algumas críticas negativas ou positivas, elas podem contribuir para melhorar o trabalho da criação? Gostaria que respondesse pensando nas críticas que seus livros receberam até agora.

RONALD: Tanto a poesia aprende com a crítica quanto vice-versa. São instâncias complementares. Crítica para mim é o leitor, qualquer que seja. Aprende, não sei se precisa, não sei se a poesia é necessária, acho que não, podemos viver sem ela. Foram muito poucos os textos que buscaram comentar meus livros, já que meu trabalho praticamente não tem visibilidade na mídia e muito menos nas revistas especializadas. Mas dos poucos textos que foram escritos sobre meus poemas, eu destacaria a resenha de Vera Lins, publicada no Suplemento Literário de Minas Gerais há alguns anos, a respeito de meu livro Intervalos. Acho a leitura dela importantíssima, contribuiu profundamente para que eu pensasse os rumos que deveria dar à minha poesia, exatamente porque ela percebeu em poemas como 'Leve-me para cima' e 'Vão' indicadores de que alguma coisa estava mudando, de um novo território que eu poderia ocupar. Isto coincidia com minha própria percepção do que estava tentando fazer. Daí a razão destes poemas estarem no final do livro, pois eles já manifestavam, de alguma forma, distância dos anteriores.

13- Para encerrar qual o poema seu que você mais gosta e qual o que você menos gosta. Por quê?

RONALD: Que pergunta difícil! Estou aqui relendo (argh!) todos os meus livros para ver se consigo responder. Acho impossível. Prefiro indicar alguns poemas que continuam ainda (até quando?) me interessando e dizer que o livro de que menos gosto é Intervalos, mesmo que nele estejam os poemas citados antes, 'Leve-me para cima' e 'Vão', ambos muito importantes para mim. Citaria ainda o poema 'Muda' (de Vaga), o poema 'Cartilha' (de Solo), o poema 'Tubo de feixes' (de De passagem) e o poema 'Light' (de Objeto). Este último que eu citei eu gosto bastante. Por que prefiro esses, essa meia-dúzia que é uma multidão? Não sei bem a resposta. Creio que neles eu consegui ser intenso e bem pessoal. Mas veja bem: minha poesia é bastante linear, sem muitos altos e baixos (nada casual, portanto, que eu realmente adore Cláudio Manuel da Costa...). Daí que minha escolha pode ter pouco valor, pois todos os poemas se parecem muito.

Duas caixas, dois poemas e duas traduções de Ronald Polito:


"Sem título" (1995) e "Sem título" (1996)

BÁRBARO

Morder sem pensar, só pensar
Se morder

Armando Freitas Filho

Um tipo de bicho,
de vírus, vampiro, um clone
mix de ventrílogo
e mímico, sim, anjo
sardônico (demasiado
humano), caracol
com cauterização e gana.

É a hora
do monstro (seu nome é
multidão), do máximo
denominador comum.
Exaustivo mesmo
quando improvisa, no atropelo
desse instante de sangue
correndo solto, sem futuro,
que ele engole ou cospe
desavizado, unânime.

(do livro De Passagem)

O SILÊNCIO CANSADO

este papel
antes em branco

esta pena

este não
é poema

(do livro Solo)

Traduções:

A HUMILDADE PREMIADA

Numa universidade pouco renomada havia um professor pequeno de corpo, rubicundo e gago, que, como carecia inteiramente de idéias próprias, era muito estimado em sociedade e tinha diante de si um futuro brilhante na crítica literária.

O que lia nos livros oferecia tresnoitado a seus discípulos na manhã seguinte. Tão excepcional faculdade de repetir com exatidão constituía o desespero dos mais perfeitos construtores de máquinas falantes.

E assim se passaram muitos anos até que um dia, por força de repetir idéias alheias, nosso professor teve uma idéia própria luminosa e bela como um peixinho vermelho atrás do irisado cristal de um aquário.

(Julio Torri. Almanaque das Horas e Outros Escritos)

Uma onda
ou uma árvore, ainda que possam
ter muitos detalhes, representam
uma onda
ou uma árvore.

E não me pregue mais botões
inúteis nas mangas
do paletó.

(Joan Brossa. Poemas Civis)


Jardel Dias Cavalcanti
Campinas, 10/12/2002


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