Entrevista a Cultura e Mercado | Digestivo Cultural

busca | avançada
28797 visitas/dia
1,0 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Almundo traz até 40% de desconto em seu primeiro Outlet 2019
>>> Ex-Titã Paulo Miklos apresenta seu terceiro álbum no Sesc Belenzinho
>>> Companhia de Teatro Heliópolis coloca em cena as duas faces da justiça em nova montagem
>>> Cunha realiza 2ª edição do Verão na Montanha - Cunha Fest, festival de jazz e blues
>>> Artista ucraniana expõe pela 1a vez no Brasil
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> As palmeiras da Politécnica
>>> Como eu escrevo
>>> Goeldi, o Brasil sombrio
>>> Do canto ao silêncio das sereias
>>> Vespeiro silencioso: "Mayombe", de Pepetela
>>> A barata na cozinha
>>> Uma Receita de Bolo de Mel
>>> O Voto de Meu Pai
>>> Inferno em digestão
>>> Hilda Hilst delirante, de Ana Lucia Vasconcelos
Colunistas
Últimos Posts
>>> Mon coeur s'ouvre à ta voix
>>> Palestra e lançamento em BH
>>> Eleições 2018 - Afif na JP
>>> Lançamentos em BH
>>> Lançamento paulistano do Álbum
>>> Pensar Edição, Fazer Livro 2
>>> Ana Elisa Ribeiro lança Álbum
>>> Arte da Palavra em Pernambuco
>>> Conceição Evaristo em BH
>>> Regina Dalcastagné em BH
Últimos Posts
>>> Assim eu quero a vida
>>> Um sujeito chamado Benício
>>> A imaginação educada, de Northrop Frye
>>> Direções da véspera (Introdução)
>>> O tempo nos ensina - frase
>>> O Cinema onde os fracos não tem vez
>>> Senhor do Corpo e da alma - poema
>>> Fotogenia
>>> É Natal
>>> Canções de amor
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Jabá é sempre jabá
>>> Guimarães Rosa: um baiano de sangue
>>> Contra reforma ortográfica
>>> Wilhelm Reich, éter, deus e o diabo (parte I)
>>> O certo e o errado no ensino da Língua Portuguesa
>>> Jane Fonda em biografia definitiva
>>> Sobre caramujos e Omolu
>>> Sobre a vida no campo
>>> O óbvio final de Belíssima
>>> Unidade na multiplicidade
Mais Recentes
>>> Curso de Direito Aeronáutico de Luis Ivani de Amorim Araújo pela Forense (1998)
>>> Patologia bucal de William G. Shafer / Maynard K. Hine / Barnet M. Levy pela Mundi (1961)
>>> Dicionário Internacional de Economia e Finanças de Bernard e Colli pela Forense-Universitária (1998)
>>> Tratado de Direito Privado - Tomo 10 de Pontes de Miranda pela BookSeller (2000)
>>> Tratado de Direito Privado - Tomo 22 de Pontes pela BookSeller (2003)
>>> Didático de Enfermagem Teoria e Prática - Volume I de José Jardes da Gama - Sandra Maria da Penha pela Eureka (2017)
>>> Geografia 7º Ano - Espaço e Vivência - Livro do Aluno de Levon Boligian e Outros pela Atual (2016)
>>> The Adventures of Tom Sawayer de Mark Twain pela Sterling (2010)
>>> Ataque do Comando P. Q de Moacyr Scliar pela Ática (2006)
>>> Uma Aventura no Mundo de Tarsila de Mércia M Leitão - Neide Duarte pela Do Brasil (1999)
>>> Educando Filhos Responsáveis de Elizabeth M Ellis pela Ática (1997)
>>> Celebridade de Chris Rojek pela Racco (2008)
>>> O Pagador de Promessas de Dias Gomes pela Ediouro (2006)
>>> Tudo é Poesia - Livro II - 2ª Edição de Ray Lima pela Queima - Bucha (2005)
>>> Os Escravos de Castro Alves pela Cedic
>>> Geografia - Volume Único - Vereda Digital - Livro do Aluno de Bacic Silva Lozano pela Moderna (2012)
>>> Nuevo Listo Parte a - Livro do Aluno de Roberta Amendola pela Santillana (2012)
>>> Jornadas - Português - 6º Ano - Livro do Aluno de Dileta Delmanto - Laiz B de Carvalho pela Saraiva (2016)
>>> Jornadas - Português - 9º Ano - Livro do Aluno de Dileta Delmanto - Laiz B de Carvalho pela Saraiva (2016)
>>> E Agora, Mãe? - 3ª Edição de Isabel Vieira pela Moderna (2018)
>>> É de Morte! de Flávia Savary pela Ftd (2014)
>>> Os Três Mosqueteiros Em Cordel de Klévisson Viana pela Leya (2011)
>>> História 360º - Livro do Aluno de Alfredo Boulos Júnior pela Ftd (2017)
>>> Hyperlink - 2 Edition de Albina Escobar pela Pearson (2014)
>>> Access - Volume 1 - Livro do Aluno de Luiz Otávio Barros pela Richomond (2016)
>>> Davi e a Árvore da Riqueza de Angélica Rodrigues Santos - Rogério Olegário pela Humanidades Educação (2017)
>>> O Patinho Feio de Ingrid Biesemeyer Bellinghausen pela Dcl (2005)
>>> Os Animais do Mundinho de Ingrid Biesemeyer Bellinghausen pela Dcl (2007)
>>> Um Mundinho de Paz de Ingrid Biesemeyer Bellinghausen pela Dcl (2012)
>>> João e o Pé de Feijão de Ingrid Biesemeyer Bellinghausen pela Dcl (2006)
>>> A Riqueza Está Em Toda Parte de Angélica Rodrigues Santos - Rogério Olegário pela Humanidades Educação (2015)
>>> Dinheiro Nasce Em Árvore? de Angélica Rodrigues Santos - Rogério Olegário pela Humanidades Educação (2018)
>>> Uma Escada Chamada Vida: Coleção Crescer e Enriquecer de Angélica Rodrigues Santos - Rogério Olegário pela Humanidades Educação (2018)
>>> A Magia do Lixo - 3ª Edição de Jonar Brasileiro - Kátia Rocha pela Humanidades Educação (2016)
>>> De Olho na Amazônia - 2ª Edição de Ingrid Biesemeyer Bellinghausen pela Dcl (2011)
>>> A Receita da Prosperidade de Angélica Rodrigues Santos - Rogério Olegário pela Humanidades Educação (2017)
>>> Projeto Teláris - História 9º Ano - Livro do Aluno de Gislane Azevedo - Reinaldo Seriacopi pela Ática (2015)
>>> 1000 Lugares para Conhecer Antes de Morrer: um Guia para Toda a Vida de Mara e Outros pela Sextante (2006)
>>> Conexões: George Washington a Compadre Washington de Super Interessante pela Abril (2016)
>>> Super 30 Anos: as Revoluções das Três Últimas Décadas de Abril pela Abril (2017)
>>> Acontecem Há Mais de Cem Anos de Elto Koltz pela Prazer de Ler (2011)
>>> A Bússola e a Balança: por um Mundo Mais Justo de Maria Lúcia de Arruda Aranha pela Moderna (2001)
>>> Sistemas Digitais: Fundamentos e Aplicações - 9ª Edição de Floyd pela Bookman (2007)
>>> Contos de Exemplo de Luís da Câmara Cascudo pela Global (2014)
>>> Globalização: o Que é Isso, Afinal? 2ª Edição de Cristina Strazzacappa - Valdir Montanari pela Moderna (2006)
>>> Educando Filhos Responsáveis de Elizabeth M Ellis pela Ática (1997)
>>> Noilde Ramalho: uma História de Amor à Educação de Daladier Pessoa Cunha Lima pela Liga de Ensino do Rn (2004)
>>> O Homem Que Se Achava Napo Leão: por uma História Política da Loucura de Laure Murat pela Três Estrelas (2009)
>>> Brincadeiras do Tempo da Vovozinha de Maria das Graças Brandão Soares pela Gracinha (2012)
>>> Almanaque Anos 70: Lembranças e Curiosidades de uma Década Muito Doida de Ana Maria Bahiana pela Ediouro (2006)
EDITORIAIS >>> Nova Seção Entrevistas

Segunda-feira, 20/2/2006
Entrevista a Cultura e Mercado
Julio Daio Borges

+ de 9500 Acessos

Leitor: no início do mês, o jornalista André Fonseca, do site Cultura e Mercado, me procurou para elaborar meu "perfil" (!). Encaminhou por e-mail algumas perguntas, que serviram de base... Mas elas ficaram tão boas, e também as respostas – modéstia à parte –... que resolvi publicar esse "making-of", do profile, aqui, no Digestivo Cultural. Espero que você goste, e que aproveite. Trata, claro, do Digestivo, de jornalismo cultural, dos nossos Colaboradores e, óbvio, também dos Leitores! Temas, felizmente ou infelizmente, inesgotáveis...! – JDB

1. O que você entende por jornalismo cultural? E dentro da sua visão, os cadernos de cultura dos jornais e as revistas de cultura no Brasil estão fazendo realmente jornalismo cultural? O que você destacaria?
É muito difícil, para mim, definir “jornalismo cultural” como um conceito abstrato. A meu ver, talvez o papel do jornalista cultural seja o de mediação, entre a chamada indústria cultural e o público leitor. Mas nós sabemos que isso quase não acontece nas revistas e nos jornais do Brasil. Quanto maior o alcance de um veículo – ou quanto maior a importância a ele atribuída –, maior a pressão das assessorias de imprensa, que supostamente deveriam fazer a mediação entre a indústria cultural e os jornalistas. O jornalista cultural deveria então, como se diz, separar o joio do trigo – informar e, mais do que isso, formar o leitor, através de sua bagagem e de seu julgamento crítico. Infelizmente, porém, predomina hoje o jornalismo de agenda, onde as vedetes são os “guias” de fim de semana, e o modus operandi (até em termos de linguagem) é o mesmo da divulgação publicitária.

2. As universidades sabem formar jornalistas culturais?
Não sei dizer com precisão, porque não me formei como jornalista na universidade. O que chega até mim – seja pelo meu Editor-assistente (Fabio Silvestre Cardoso, que é professor de jornalismo cultural), seja pelo feedback que recebemos de estudantes de jornalismo que lêem o Digestivo Cultural – é a insistência no “velho fazer jornalístico” de décadas atrás e a constatação de que o nível das turmas é muito baixo, até em termos de cultura geral. Bom, em primeiro lugar, eu acho que qualquer candidato a jornalista cultural deveria se preocupar com seu “repertório”: conhecer as principais manifestações artísticas, ler sobre elas e tratar de refletir criticamente. Eu tenho dúvida se a maioria dos estudantes de jornalismo tem essa consciência, essa maturidade, essa percepção. E mais grave ainda: eu tenho sérias dúvidas se os profissionais do jornalismo cultural têm essa abertura para, digamos, o legado de nossa civilização e, ao mesmo tempo, para o novo. Já os professores parecem muito preocupados com os modelos jornalísticos dos anos 60, 70 e 80. Como disse o Pedro Doria (do No Mínimo), ninguém está formando profissionais para a internet, por exemplo.

3. Quais suas orientações para quem quiser produzir jornalismo cultural no Brasil?
Eu disse, no ano passado, que o jornalista, como o conhecemos, havia se convertido em commodity e que os estudantes de jornalismo deveriam dar seus primeiros passos em blogs. Choquei um monte de gente. Lembro que uma recém-formada ficou particularmente desorientada... Acontece que ainda não caiu a ficha de que o jornalismo tradicional acabou; é privilégio de uma meia-dúzia só. Quem pegou essa era de ouro – em papel –, pegou; quem não pegou, não pega mais. (Aliás, muitos dos que pegaram, têm de lutar todos os dias para manter suas posições...) No meu ponto de vista, o grande desafio para esta e para as próximas gerações de jornalistas – culturais ou não – é garantir que o jornalismo sobreviva, de alguma forma, na internet. É um desafio que nós abraçamos, desde 2000, no Digestivo – porque uma imprensa cada vez mais encolhida não quis imediatamente nos ajudar; e porque a internet, para os “tomadores de decisão” de meia-idade (estatisticamente, a faixa no Brasil), é uma questão ainda de mudança de mentalidade. Os jovens jornalistas, que querem se agarrar às oportunidades ilusórias da velha mídia, deveriam concentrar suas energias para desbravar a nova.

4. O que um jornalista cultural pode fazer nos dias de hoje para conseguir a exposição (e a leitura) de seu trabalho, com a mídia impressa tendo cada vez menos espaço e a mídia eletrônica infestada de iniciativas?
Não há uma resposta fácil para essa pergunta. Meu palpite é que não teremos mais jornalistas “de longo alcance”, como tivemos em outras gerações. Mas não acho que isso tenha necessariamente a ver com a internet. Quando Paulo Francis morreu, há quase dez anos (a internet era incipiente ainda), foi quase unânime a constatação de que nenhum outro jornalista, dali pra frente, teria a mesma exposição, a mesma influência e até a mesma responsabilidade. Eu gosto de pensar que a beatlemania já passou, porque não vamos inventar novamente a televisão – a mídia de massa. A internet está mostrando que vai-se trabalhar, daqui pra frente, a comunicação pessoa-a-pessoa e não mais o modelo de um-para-muitos. O especialista arrogante, nesse cenário, perde espaço e o palpiteiro descompromissado ganha. Entrando no exemplo do Digestivo, considero que crescemos porque nunca adotamos uma postura “de cima pra baixo” como o resto da mídia; cultivamos sempre o diálogo aberto e franco; e tivemos a humildade necessária para, constantemente, admitir erros e mudar. Se você tomar aquela frase famosa de que a reputação é “a soma de mal-entendidos em torno de uma pessoa”, e se você considerar que, na internet, as reputações estão permanentemente em cheque, vai perceber que estamos inaugurando uma nova era.

5. O Digestivo, conforme apresentado em seu editorial, construiu uma das únicas pontes entre a velha e a nova mídia. Isso foi um objetivo planejado ou conseqüência casual? Como se deu esse processo? E porque a grande imprensa parece reticente em revelar novos talentos na área de jornalismo?
O projeto inicial do Digestivo era revelar novos talentos. E eu acho que, em grande medida, continua sendo. Acontece que alguns jornalistas mais atentos da “velha guarda”, digamos assim, perceberam que – apesar das fracassadas experiências jornalísticas no Brasil do tempo da Bolha – eles deveriam participar do advento da internet em algum momento. Como o No Mínimo tem aquele “cast” fixo – e é muito mais restritivo nesse sentido –, o Digestivo acabou surgindo no horizonte como uma alternativa. E a ponte se fez então. Lógico que esses mesmos jornalistas se identificaram com a qualidade do nosso trabalho, com o profissionalismo, com a constância. E óbvio que eles sempre foram, com sua experiência e seus conselhos, a nossa inspiração. A seção “Ensaios” – que é como chamamos a seção em que esses jornalistas estão – surgiu quando Luís Antônio Giron (hoje editor de cultura da Época) me ofereceu uma versão mais longa de um texto seu que havia sido cortado no caderno de cultura de um grande jornal. Depois veio o Daniel Piza, o Sérgio Augusto... E eu imediatamente percebi que precisaria criar uma nova seção; não poderia misturá-los com os jovens Colunistas do Digestivo... Sobre a imprensa não dar tanta bola, hoje, para novos talentos, eu acho que tem bastante a ver com o encolhimento das redações, em conseqüência de investimentos precipitados em outras (novas) mídias: digamos que eles estão, como disse Otávio Frias Filho, “se segurando”; não têm como absorver a oferta de talentos em botão – ainda mais depois da internet.

6. Grandes jornais unem suas redações de conteúdo impresso e conteúdo on-line. Boa parte do público, atraído pela velocidade de informações da Internet, não tem mais interesse na leitura de jornais e revistas tradicionais. A mídia impressa está fadada à decadência? E o que ela poderia fazer para reverter esse processo?
Ninguém parece ter uma resposta definitiva para essa questão, e eu não sei se arriscaria... No meu modo de ver, é fatal que o papel vá diminuir ainda muito. É caro, não é dinâmico e é muito pouco interativo. Em termos de notícias, quando o jornal chega na porta da sua casa, ele já está obsoleto. Já era assim com a televisão: você lia no dia seguinte sobre algo que havia visto na noite anterior. Posso estar exagerando, mas, para mim, lançar um jornal ou uma revista hoje é como lançar uma gravadora – nos velhos moldes – em plena época do MP3, do iPod, do iTunes... E nem é apenas um problema de suporte, é também um problema de mentalidade. Imagine o que é, para um jornalista que sempre viveu de escrever (de vender o que escrevia), entrar na internet e ter de, por exemplo, “blogar” (de graça)? Ou então estar à mercê de ser contestado a toda hora por qualquer comentário mais atrevido, e-mail ou o que for? Invertendo a questão: se alguém, de repente, me dissesse que a internet iria acabar amanhã e que eu teria de me adequar aos padrões da velha imprensa, eu acho que resistiria até a morte. Felizmente, os ventos sopram a nosso favor. E os velhos jornalistas que mais resistirem são os que mais vão sofrer na adaptação.

7. A Internet ainda pode ser vista como um dos campos mais férteis para a democratização da comunicação?
Cada vez mais. Existe, evidentemente, a ameaça, volta e meia ressuscitada, de querer controlar a internet. Desde que eu conheci a internet, em 1995, eu sempre pensei que não seria difícil controlá-la: tecnicamente falando, está tudo registrado em algum lugar. Você pode reconstituir os passos de quem você quiser e, teoricamente, chegar a qualquer pessoa... Eu não sei o que aconteceria com a internet dividida entre vários países. Provavelmente, não iria dar coisa boa. Veja o caso do Google na China. Os governos iriam querer intervir... Quando ameaças desse tipo se concretizam, penso que podemos estar vivendo um renascimento, que – a qualquer momento – pode acabar. Uma brecha no tempo em que havia plena liberdade, alcance ilimitado, a um custo baixíssimo. Talvez isso justifique o fato de a internet não ter sido levada a sério ainda por alguns setores: ela é boa demais pra ser verdade. Ninguém é dono, não tem como haver monopólio, o antigo mapa de “explorados & exploradores”, “privilegiados & excluídos”, “classe operária & detentores do capital” não mais se configura. É outra história; e é outra História.

8. Qual sua visão sobre o fenômeno dos blogs? O que esse movimento deve deixar de “lições”?
Acho que os blogs vieram pra ficar. Aqui no Brasil, os blogs não foram adotados amplamente e, fora raríssimas exceções, estão ainda presos a uma certa adolescência... Mas nos Estados Unidos, qualquer especialista parece ter seu blog. Lá é uma ferramenta indispensável; é quase como ter um site... É cedo ainda para pensar nas “lições que os blogs vão deixar”, porque é um fenômeno relativamente recente que teve apenas uma primeira explosão e que, por isso mesmo, ainda está se consolidando. Em termos de imprensa, eu acho que a mídia constituída (jornais, revistas, rádios e televisões) perde um pouco esse papel de “fiscalizadora” da sociedade e, no longo prazo, acaba dividindo com os blogs. Nos EUA, já acontece. Num passado bem recente, os bloggers, por exemplo, derrubaram o âncora do jornalismo da rede CBS; os blogs ajudaram a financiar campanhas eleitorais; e todas as grandes empresas estão sendo pressionadas no sentido de criar seus próprios blogs (mostrando a sua cara, nem que seja através de um “blogueiro honorário”). Como eu falei, a comunicação, de maneira geral, vai ficando menos impessoal e mais humana.

9. Os cadernos de cultura dos jornais têm suas pautas normalmente dominadas pela cobertura de grandes eventos, lançamentos e críticas. Falta espaço para reflexão e opinião. As redações correm atrás do que supostamente atrai mais interesse dos leitores, e estes parecem estar satisfeitos com o que lêem. Porque esse círculo vicioso não é rompido?
Porque tem alguém ganhando com isso. Pelo que sei – espero não estar ofendendo ninguém aqui –, os jornalistas, em sua maioria, são muito mal remunerados e, na área cultural, acabam seduzidos pelos produtos (diretos e indiretos) da indústria. Pode parecer estranho para pessoas de outras áreas, mas os jornalistas culturais, principalmente os mais assediados, estão se vendendo barato todos os dias por causa de CDs, DVDs, entradas grátis, almoços em restaurantes... Se fizermos as contas, somando todos esses bens de consumo, vamos descobrir que eles não são tão representativos assim na remuneração do jornalista, mas existe toda uma volúpia em torno de ser “convidado VIP”, assistir aos espetáculos com antecedência, receber os materiais em primeira mão... É lamentável, mas o jornalismo cultural está exposto a esse tipo de corrupção. As empresas de notícia, salvo raríssimas exceções – de novo, não quero soar aqui injusto –, também devem levar a sua parte, eu suponho. Por isso tudo, eu acho que a internet, por não estar totalmente estabelecida, é a única mídia que ainda consegue driblar esses mecanismos de cooptação.


Julio Daio Borges
Segunda-feira, 20/2/2006


Mais Nova Seção Entrevistas
Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




LITERATURA/POLÍTICA/CULTURA (1994 - 2004)
IZABEL MARGATO, RENATO CORDEIRO GOMES
UFMG
(2008)
R$ 50,00



LE GOLF 365 PARCOURS DANS LE MONDE
ROBERT SIDORSKY
HERMÉ
(2005)
R$ 199,00



LA JUSTICE ET LA VIOLENCE (TEXTES ET DOCUMENTS PHILOSOPHIQUES)
PRÉSENTÉS PAR - ROBERT DERATHÉ
CLASSIQUES HACHETTE
(1958)
R$ 15,00



A MORTE DO DIVINO SÓCRATES
JEAN PAUL MONGIN
MARTINS FONTES
(2012)
R$ 27,96



FILHAS DA DEUSA: AS MULHERES SANTAS NA ÍNDIA DE HOJE - LINDA JOHNSEN (RELIGIÃO/HINDUÍSMO)
LINDA JOHNSEN
NOVA ERA
(2009)
R$ 8,00



MORTE ABJETA
BERNARDO GUIMARÃES & MARIA JUDITH RIBEIRO
M. J. RIBEIRO
(2002)
R$ 19,00



POÇO DOS DESEJOS
ROSEANA MURRAY
MODERNA
(2014)
R$ 35,70



HOMENS SÃO DE MARTE - MULHERES SÃO DE VÊNUS (RELAÇÕES HUMANAS)
JOHN GRAY, PH. D.
ROCCO
(1995)
R$ 5,00



REVISTA BRASILEIRA DE ALERGIA E IMUNOPATOLOGIA VOL 19 Nº 2 MAR/ABRIL
NÃO INFORMADO
S.B.A.I
(1996)
R$ 4,00



CEM ANOS DE SOLIDÃO - GABRIEL GARCIA MÁRQUEZ
GABRIEL GARCIA MÁRQUEZ
RECORD
(2017)
R$ 29,99





busca | avançada
28797 visitas/dia
1,0 milhão/mês