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Segunda-feira, 16/2/2009
Pra que serve um crítico musical
Camilo Rocha

+ de 9700 Acessos
+ 3 Comentário(s)

Na era pré-digital, o crítico musical era uma figura bastante poderosa. Nesse tempo, ele era o cara que ouvia o disco antes de todo mundo e sacramentava no papel do jornal ou da revista um veredito sobre o álbum X ou a banda Y. Veredito esse que poderia acompanhar o artista por muitos e muitos anos. O crítico era amado ou odiado por fãs, bandas e gravadoras. O crítico era relevante na engrenagem da indústria musical.

Eu mesmo descobri outro dia que os Titãs nunca se esqueceram de uma resenha que fiz para a Bizz, em 1992, onde falei que sua performance num show tinha sido "murcha como um palhaço desdentado" (eita analogia esquisita, quero crer que hoje aprendi a escrever um pouco melhor).

A crítica funcionava muito como um orientador, uma peneira, estimulando ou não a compra de um disco.

Era digital
Com a era digital, vieram os MP3s, os P2P, os downloads, os blogs, os streamings e os vazamentos. O acesso a qualquer tipo de conteúdo musical saiu da cadeira cativa para a geral. Até sair a resenha, um disco já foi escutado por uma porção de gente. E todo mundo já tem, então, sua opinião sobre o referido disco e não precisa de alguém dizendo "aqui está o futuro da música".

Bom, esta é a interpretação mais óbvia.

Mas ela se baseia numa leitura superficial. Porque um crítico de música pode e deve ser bem mais do que um jurado de programa de auditório, um cara que faz nada mais que dar uma nota para um disco. Tampouco deve ser o crítico um cara que apenas descreve um disco de maneira técnica e fria, como muitos fãs antigamente achavam que devia sair (quantas cartas para a Bizz não falavam "não quero saber sua opinião, quero saber como é o disco").

A boa escrita musical vai muito além disso. O bom crítico oferece contexto, teorias, informações pouco conhecidas sobre o artista, faz ligações entre uma obra e eventos culturais do presente, momentos históricos ou outros artistas.

Por exemplo, quando eu era leitor ávido da Bizz, antes de trabalhar lá, devorava os textos não só por causa do artista focado pelo texto mas por uma porção de outras referências que me eram apresentadas: suas influências culturais, outras bandas da qual fez parte, o autor original de alguma cover que ele gravou. Textos de gente como André Forastieri, Pepe Escobar, Bia Abramo, Ana Maria Bahiana e Luís Antônio Giron sempre foram bem mais do que "falar do disco", e era essa uma das coisas que eu mais curtia.

Resumindo, o bom crítico não apenas fala sobre música, mas te faz pensar sobre essa música. Fora que serve para desinflar o ego de muito artista com complexo triplo de Zeus, Maomé e Jesus Cristo.

É por isso que agora, na internet, em tempos de Perez Hilton e gente falando de música mal e toscamente, eu acredito que o bom texto musical não só tem espaço como é mais necessário do que nunca.

Aí vão dez críticos pop de ontem e hoje que valem a pena.

Lester Bangs: Americano que foi um primeiros por lá a botar pilha no punk. Foi demitido da Rolling Stone nos anos 70 por ser muito "desrespeitoso".

Ezequiel Neves: Também conhecido como Zeca Jagger, tinha um dos textos mais ácidos da primeira versão brasileira da Rolling Stone, nos anos 70.

Pepe Escobar: Farol dos anos 80 e um dos responsáveis por promover no Brasil toda uma nova geração de bandas inglesas como The Cure e Echo & the Bunnymen.

Greil Marcus: Acadêmico de Berkeley, fez escola ao elaborar associações entre o rock e a cultura ocidental como um todo. Seu livro Mystery Train é um clássico.

David Toop: Músico de ambient e um conhecedor profundo de todo tipo de música, do gamelan indonésio ao hip-hop, do pós-punk ao jazz africano.

Nelson George: O principal comentarista da cultura pop negra dos EUA, já escreveu livros sobre a Motown, o rap e "a morte do rhythm'n'blues".

Luís Antônio Giron: Com formação musical erudita, fez história na Folha na virada dos 80 para os 90, ao demolir vários "intocáveis" da MPB.

André Forastieri: Meu primeiro incentivador na Bizz. Antes escrevia na Ilustrada, onde chamou a atenção pelo seu estilo direto, pop e sem papas na língua.

Jon Savage: Inglês detalhista e criativo, autor do livro definitivo sobre a história do punk: England's Dreaming.

Simon Reynolds: Seu texto é quase acadêmico, pomposo às vezes, mas ele oferece "insights" poderosos e uma bagagem musical de cair o queixo.

Nota do Editor
Texto gentilmente cedido pelo autor. Originalmente publicado em seu blog, o Bate-Estaca.


Camilo Rocha
São Paulo, 16/2/2009

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COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
16/2/2009
10h32min
Finalmente alguém conseguiu me explicar essa função de maneira mais convicente!
[Leia outros Comentários de Mônica]
24/2/2009
20h48min
Há alguns anos Ricardo Amaral, Vila e eu entrevistamos três críticos de música consagrados para nosso zine, o finado RPM. Em vez de escrevermos qualquer comentário, deixamos que eles mesmos mostrassem a cara do que é a crítica. Bem Bourdieu. Há um crítico para cada gosto, para cada distinção. Havia um que entendia de um gênero, mas tinha que escrever a respeito de outro. E com a função de consumo, guiar a compra. Você citou caras ótimos, que mais do que guiar consumo, tentam debater idéias. Sem a patetada de dizer que um estilo é mais nobre que outro.
[Leia outros Comentários de Renato]
2/3/2009
10h25min
Camilo, é difícil ler um texto que expresse com clareza a finalidade da crítica. A situação piora à medida que o objeto observado se encontre envolvido na subjetividade do gosto pessoal, não encontre referência acadêmica por ser notadamente um produto de vanguarda, derive de experimentações estéticas e licenças artísticas e, principalmente, na forma que o novo propõe síntese. A crítica contemporânea celebrou o fetiche produto transformando o artista em artífice, agregando ao resultado do seu trabalho um valor contemporâneo capitalista que não estabelece um valor real artístico. O consumo em massa despersonifica e todos ficam ávidos para dar um verniz de originalidade na continuidade do óbvio. Li outro dia que determinada banda tinha "atitude", é certo que tal declaração tem muito da espontaneidade que se ajusta a uma determinada faixa de público, não favoreceu em nada na compreensão do conteúdo do objeto observado. Marketing é um dos vícios destas práticas e nada tem de arte.
[Leia outros Comentários de Carlos E F Oliveira]
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