Nadia Boulanger (1887-1979) | Lauro Machado Coelho

busca | avançada
54424 visitas/dia
1,8 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Nasi e Scandurra apresentam clássicos do IRA! no Sesc Santo André
>>> Douglas Germano apresenta 'Umas e Outras'
>>> Mostra de Cinemas Africanos acontece em São Paulo e Curitiba a partir de 6 julho
>>> Iecine abre inscrições para a Oficina de Crítica e Fruição Cinematográfica
>>> Orquestra Modesta retorna ao Sesc Santo Amaro com 'Canções Para Pequenos Ouvidos 2'
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> 80 anos do Paul McCartney
>>> Gramática da reprodução sexual: uma crônica
>>> Sexo, cinema-verdade e Pasolini
>>> O canteiro de poesia de Adriano Menezes
>>> As maravilhas do modo avião
>>> A suíte melancólica de Joan Brossa
>>> Lá onde brotam grandes autores da literatura
>>> Ser e fenecer: poesia de Maurício Arruda Mendonça
>>> A compra do Twitter por Elon Musk
>>> Epitáfio do que não partiu
Colunistas
Últimos Posts
>>> Oye Como Va com Carlos e Cindy Blackman Santana
>>> Villa candidato a deputado federal (2022)
>>> A história do Meli, por Stelleo Tolda (2022)
>>> Fabio Massari sobre Um Álbum Italiano
>>> The Number of the Beast by Sophie Burrell
>>> Terra... Luna... E o Bitcoin?
>>> 500 Maiores Álbuns Brasileiros
>>> Albert King e Stevie Ray Vaughan (1983)
>>> Rush (1984)
>>> Luiz Maurício da Silva, autor de Mercado de Opções
Últimos Posts
>>> A lantejoula
>>> Armas da Primeira Guerra Mundial.
>>> Você está em um loop e não pode escapar
>>> O Apocalipse segundo Seu Tião
>>> A vida depende do ambiente, o ambiente depende de
>>> Para não dizer que eu não disse
>>> Espírito criança
>>> Poeta é aquele que cala
>>> A dor
>>> Parei de fumar
Blogueiros
Mais Recentes
>>> L’Empereur
>>> Longa vida à fotografia
>>> iPad pra todo mundo
>>> Minha pátria é a língua portuguesa
>>> Minha pátria é a língua portuguesa
>>> Wikipedia e a informação livre
>>> Público, massa e multidão
>>> Uma Receita de Bolo de Mel
>>> Os Clássicos e a Educação Sentimental
>>> O youtuber é um novo dândi?
Mais Recentes
>>> Onze - Confira !!! de Bernardo Carvalho pela Companhia das Letras (1995)
>>> Fundação - (imperdível, Confira!) de Isaac Asimov pela Aleph (2009)
>>> Oups- o Mensageiro do Planeta Coração (descriÇÃo Fiel!) de Kurt Hortenhuber pela V & R (2006)
>>> No Reino da Fala de Eleonora Motta Maia pela ática (1999)
>>> A Caverna de Cristal / 7ª Ed - Confira !!! de Mary Stewart pela Best Seller (1970)
>>> O Efeito Urano de Fernanda Young - 2001 pela Objetiva (2001)
>>> A Queda de Michael Connelly, Cassio Arantes pela Suma (2014)
>>> A Garota do Penhasco - Confira!! de Lucinda Riley, Henrique Amat Rego Monteiro pela Novo Conceito (2013)
>>> Como Te Leio? Como-te Livro? / Capa Dura - Confira !!! de Marcia Grossmann pela Cultura (2002)
>>> O Senhor do Mundo Seguido de os Violadores do Bloqueio de Julio Verne / Capa Dura pela Edico
>>> Anil S Ghost de Michael Ondaatje pela Bloomsbury (2000)
>>> Um Estudo Crítico da História II - Confira !!! de Helio Jaguaribe pela Paz e Terra (2001)
>>> The Euro and the Battle of Ideas / Capa Dura - Confira !!! de Markus K Brunnermeier pela Princeton University Press (2016)
>>> Confie Em Mim - Desenvolvendo um Estilo de Liderança Que os Outros de Wayne Hastings e Ran Potter pela Motivar (2005)
>>> Brasil: Passado e Presente - Estudo de Problemas Brasileiros Col. Kair de Osmar Salles de Figueiredo pela E. P. U (1979)
>>> Além da Globalização de Hazel Henderson pela Cultrix (2003)
>>> Maria Callas: a Mulher por Trás do Mito - Confira !!! de Arianna Stassinopoulos Huffinton pela Companhia das Letras (1996)
>>> Céu de um Verão Proibido - Confira !!! de João Pedro Roriz pela Besourobox (2014)
>>> A Ideia de uma Sociedade Cristã - Col. Abertura Cultural - Confira! de T. S. Eliot pela É Realizações (2016)
>>> A Dança dos Dragões - as Crônicas de Gelo e Fogo Livro Cinco de George R. R. Martin pela Leya
>>> Rumo à Consciência Cósmica de Huberto Rohden pela Alvorada
>>> Revista Jataí 1 de Desconhecido pela Faculdade Rudolf Steiner (2019)
>>> E o Príncipe Dançou... o Conto de Fadas, da Tradição Oral à Dança Cont de Katia Canton pela Ática (1994)
>>> Socorro! Meu Filho Come Mal - Confira! de Gabriela Kapim, Ana Abreu pela Leya Casa da Palavra (2014)
>>> Desafios do Envelhecimento: Vez, Sentido e Voz - Confira! de Vicente de Paula Faleiros, Altair M. Lahud Lourei pela Universa (2006)
ENSAIOS

Segunda-feira, 16/11/2009
Nadia Boulanger (1887-1979)
Lauro Machado Coelho

+ de 6600 Acessos

Há exatos 30 anos, em 22 de outubro de 1979, com 92 anos, Nadia Boulanger falecia na França. Professora e mentora de grandes músicos ― entre os quais o brasileiro Almeida Prado e o regente principal da Osesp Yan Pascal Tortelier ― Boulanger foi uma das mais influentes personalidades musicais do século XX.

O brasileiro Almeida Prado, que foi seu aluno, fala da maneira casual como ela lhe falava: "Hoje terminaremos a aula um pouquinho mais cedo, porque Gabriel vem jantar". Esse amigo, de quem Nadia Boulanger falava com tanta intimidade, era Gabriel Fauré. Porque, pelo salão da Rue Ballu, em Fontainebleau, onde morava essa mestra extraordinária, passou todo o mundo musical que estava em Paris entre as décadas de 1920 e 1970 do século passado. De Fauré, que foi seu professor, a Astor Piazzolla e Philip Glass, que foram seus alunos, todos estimavam e respeitavam "Mademoiselle Fontainebleau", uma grande dama absolutamente singular.

Em um delicioso documentário que Bruno Monsaingeon fez sobre ela, quando Nadia completou 90 anos ― e que a mostra tão lúcida quanto aos 30 ―, Leonard Bernstein conta um episódio curioso. Um dia, trouxe-lhe uma canção que acabara de compor. Tocou-a e ela o ouviu atentamente. Quando ele terminou, Nadia perguntou: "E se você trocasse aquela nota assim assim?" Lennie o fez e, de repente, confessa, algo transfigurou inteiramente a melodia: "Essa era Nadia Boulanger!", conclui Bernstein. "Era capaz de, à primeira audição, detectar onde estava o problema e de dar a sugestão exata para corrigi-lo."

Pudera, estava no sangue! Sua avó, Marie-Julie, era cantora, e o avô, Frédéric, um grande violoncelista. O pai, Ernest, aluno de Charles-Valentin Alkan, ganhou o Prix de Rome de 1835 e, na capital italiana, conheceu a princesa russa Raíssa Nishiétskaia, que seria a mãe de Nadia e Lili Boulanger. Esta era uma compositora talentosíssima, a única mulher a ganhar o Prix de Rome, em 1913. Morreu em 15 de março de 1918, com apenas 25 anos, e deixou uma obra pequena, mas que nos faz lamentar a termos perdido tão jovem. Foi por achar que nunca poderia igualar o gênio da irmã que Nadia renunciou à composição. E tornou-se a mais notável professora de seu tempo. Tão exigente com seus alunos quanto consigo mesma ― a ponto de Yehudi Menuhin tê-la chamado de "a terna tirana", na biografia dela que publicou, em 1977, em colaboração com Alan Kendall.

Existe, na Wikipedia, uma lista de 47 alunos notáveis de Mme. Boulanger ― entre eles Almeida Prado, Cláudio Santoro e Egberto Gismonti. E ela está incompleta, pois nem Nadia e nem Annette Dieudonné, sua companheira da vida inteira, se preocuparam em registrar a procissão de estudantes que passaram pelas suas mãos. Mas o compositor americano Virgil Thomson, que foi a Paris aprender com ela, dizia: "Toda cidade americana tem duas coisas: uma máquina de vender chicletes e um aluno de Nadia Boulanger". Por exemplo, o maestro Yan-Pascal Tortelier, atual titular da Osesp, de São Paulo, diz que duas pessoas foram fundamentais para a sua formação musical: o seu pai, o violoncelista Paul Tortelier, e "Mademoiselle".

Ela tinha apenas seis anos ao entrar no Conservatório de Paris, onde estudou órgão com Alexandre Guilmant e Louis Vierne, composição com Fauré e Charles-Marie Widor. O seu espírito rebelde impediu-a de vencer o Prix de Rome de 1908, pois em vez da fuga pedida aos candidatos, ela apresentou um quarteto de cordas. Apesar da opinião de Camille Saint-Saëns, que estava na banca, deram-lhe apenas o segundo prêmio e, depois disso, ela não concorreu mais ― o Prix de Rome perdeu muito com isso, diga-se de passagem.

Antes da morte de Lili, ela tinha tentado a composição orientada pelo compositor Raoul Pugno, com quem trabalhou dez anos. Tinha uma autocrítica patológica ― resultado do respeito pelo gênio da irmã ― mas chegou a completar uma Rapsódia para piano e orquestra, o ciclo de canções Les heures claires e a ópera La ville morte. A morte de Pugno, em 1914, e o início da I Guerra Mundial impediram a estreia desse drama lírico, e a partitura permaneceu inédita (ainda se possui a redução vocal e a orquestração dos atos I e III). O resgate dessas composições deveria ser tema de grande interesse para os pesquisadores franceses da atualidade.

A escrita de "Mademoiselle" era nitidamente pós-impressionista, pois ela não escondia de ninguém "desconfiar muito do atonalismo". Mas isso não a impedia de apreciar muito a música de Ígor Stravinsky, de quem regeu a primeira apresentação do Dumbarton Oaks em Washington, em 1938; e de estar aberta às tendências que marcaram a evolução da música contemporânea, nunca se recusando a debater, com isenção, as ideias dos serialistas, da música eletroacústica ou dos minimalistas.

Regia desde 1912 ― época em que isso era totalmente incomum para uma mulher ― e teve nas mãos a batuta da Filarmônica de Nova York, da Sinfônica de Boston, da Philadelphia Orchestra, da Hallé de Manchester e da Sinfônica da BBC. Em sua primeira turnê pelos Estados Unidos, regeu a estreia da Sinfonia para órgão e orquestra de Aaron Copland, um dos muitos que tinham se sentado ao lado de seu piano para beber-lhe as palavras.

Se os franceses a respeitam, nada se compara à veneração que os Estados Unidos têm por ela. De 7 a 9 de outubro de 2004, em homenagem aos 25 anos de sua morte, o American Music Research Center, da Universidade do Colorado, organizou um ciclo de concertos e de conferências para relembrá-la. E o cartaz que anunciava esses eventos trazia a reprodução de Orphée et Eurídice, a litografia que Rainier e Grace de Mônaco encomendaram a Marc Chagall, em 1967, para presentear Nadia no dia de seu 80º aniversário. O seu papel como pedagoga; a música de Lili, de que ela foi uma constante e devotada divulgadora; a música de várias gerações de compositores que passaram pelas suas mãos: todos os aspectos da vida e da obra de "Mademoiselle Fontainebleau" foram dissecados. Questões que devem voltar a apaixonar quem se lembra dela, neste mês de outubro em que se completam 30 anos de que o piano da Rue Ballu se calou.

Nota do Editor
Texto gentilmente cedido pelo autor. Originalmente publicado na Revista Concerto de outubro de 2009. Lauro Machado Coelho é jornalista, crítico musical e autor de vários livros, sendo o mais recente Sinfonia fantástica ― Vida e obra de Hector Berlioz, lançado este mês.


Lauro Machado Coelho
São Paulo, 16/11/2009

Quem leu este, também leu esse(s):
01. Palhaços e candidatos de Luís Antônio Giron
02. Situação da poesia hoje de Affonso Romano de Sant'Anna
03. Jorge Amado universal de Milton Hatoum
04. 2003: No fio da navalha de Ana Maria Bahiana
05. Retrato de corpo inteiro de um tirano comum de José Nêumanne


Mais Lauro Machado Coelho
* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




Confissão
Paula Pimenta
Gutemberg
(2013)



Ergonomia: a Racionalização Humanizada do Trabalho
Roberto Verdussen
Livros Técnicos e Científicos
(1978)



O Dinheiro
Arthur Hailey
Nova Fronteira
(1975)



Metodologia do Ensino de Ciências Biológicas e da Natureza
Diane Lucia de Paula Armstrong Liane Maria Vargas
Intersaberes
(2012)



Alma Nua
Luiz Antônio Viana
Casa Jorge
(2004)



O Quinteto de Buenos Aires
Manuel Vázquez Montalbán
Companhia das Letras
(2000)



Administração Inteligente
Almir Fernandes
Futura
(2002)



Expedições Geográficas 8
Melhem Adas
Moderna
(2011)



360º Física Caderno de Infográficos
Claudio Xavier - Benigno Barreto
Ftd
(2015)



Bolos Decorados Artísticos e Deliciosos 2
Bolos Decorados Artísticos e Deliciosos
Três





busca | avançada
54424 visitas/dia
1,8 milhão/mês