Digestivo nº 220 | Julio Daio Borges | Digestivo Cultural

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>>> El Cuento y Sus Claves de Raúl A. Piérola/ Alba Omil (profs. Univ. Tucumán pela Editorial Nova, Buenos Aires (1955)
>>> Las Fuentes de La Creacion Literaria de Carmelo M. Bonet pela Libr. del Collegio/ B. Aires (1943)
>>> As Hortaliças na Medicina Doméstica/ Encadernado de Alfons Balbach pela A Edificação do Lar (1976)
>>> A Flora Nacional na Medicina Doméstica de Alfons Balbach pela A Edificação do Lar
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DIGESTIVOS

Quarta-feira, 30/3/2005
Digestivo nº 220
Julio Daio Borges

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+ 5 Comentário(s)




Artes >>> Quem te viu, quem te vê
O que aconteceu com a geração dos 60? É o caso de se perguntar. Na política, com a ascensão de Lula, do PT e do dito núcleo duro, ela se transformou nisso aí a que estamos assistindo de camarote. (Precisa falar?) Já na música, dois dos maiores expoentes da MPB se tornaram presa fácil para as revistas de fofoca. E só. Enquanto, um terceiro dirige o Ministério da Cultura. (Cadê os resultados?) Mas antes de embarcar na lengalenga de cobranças a Gilberto Gil, que de administrador só tem a formação (vocês esperavam alguma outra coisa?), vale se deter sob os refugos de celebridade em que se transformaram Caetano Veloso e Chico Buarque. O primeiro, ridicularizado no episódio de sua separação, depois de embarcar em duas décadas de projetos mirabolantes (e mornos) da mesma mulher da qual, em 2004, se separou. É o caso, então, de se perguntar: E agora, Caê? A festa acabou, a fulana te espoliou, o barco partiu... Já Chico Buarque pode acumular em gafes artísticas o que o presidente acumula em políticas. Depois daqueles livros que quase ninguém entende, mas dos quais praticamente ninguém fala – pois o lobby é forte –, ele deu para se separar de Marieta Severo e deu para namorar mulher casada no mar do Leblon. Como no caso dos foras do nosso mandatário-mor (vocês reclamam do Severino agora, mas vocês votaram no atraso em 2002...), que – dizem as más línguas lá de Brasília – precisa ser escondido após o “chá” das cinco, Chico Buarque de Hollanda necessita ser abafado na imprensa nacional depois do cafofo aquático em praça pública... É por isso que há um esforço, fundamental, em esquecer o que ele é e em lembrar o que ele foi. Porque ele foi grande. Ah, ele foi. Basta conferir a exposição dos 60 anos no Sesc (que passou voando). Além das imagens relativamente óbvias, havia documentos interessantíssimos, principalmente manuscritos de seus clássicos, e extratos em vídeo desde a óbvia “Banda” até a já perdida leréia dos sem-terra... A carreira dos representantes dos 60 não vai ser salva do naufrágio, mas a memória musical brasileira agradece pelos despojos. [Comente esta Nota]
>>> Chico Buarque: o tempo e o artista
 



Música >>> Retrato em branco e preto
De Tom Jobim, tudo está perdoado. Por mais que seja executado, reexecutado e ainda, mais uma vez, executado, ele era – além do já sabido – um tremendo contador de histórias. É o que justifica, por exemplo, esse Antonio Carlos Jobim em Minas ao vivo: piano e voz, da Biscoito Fino. Pois todo mundo já está careca de saber que sua música é maravilhosa, e que ela pode ser cantada por quase qualquer pessoa de cor e salteado, de trás para frente, como “Parabéns a você” e similares. Assim, fora o fato de ouvir as pérolas eternas (“Desafinado”, “Samba de uma nota só”, “Chega de saudade”...), o CD está recheado de casos engraçados que eram – em show – também sua especialidade. Aquele jeito de falar baixo, emulando a modéstia do caipira, mas, ao mesmo tempo, tratando de feitos incomparáveis como a composição de suas canções e a recapitulação da gênese que permitiu a elas que se transformassem no que hoje são... para o mundo. E Tom Jobim é interessante mesmo quando troca os personagens de antigas histórias – como trocou daquela em que foi apresentado a Vinicius de Moraes. Na televisão já falou que quem os introduziu foi o maestro e arranjador Leo Peracchi; neste álbum, gravação de 1981 na verdade, ouvimos uma outra versão em que o mestre-de-cerimônias (o introdutor) é o crítico e historiador Lúcio Rangel. Enquanto esperamos a biografia definitiva de Ruy Castro para confirmar qual é qual, rimos dos lapsos do mestre – que quando errava e dava foras, ficava ainda mais engraçado e melhor. (O Tom Jobim pode. Os outros, não.) E para não dizer que a música, nesse lançamento, não é, mais uma vez, indispensável, aí estão as interpretações raras de “Ligia”, “Águas de março”, “Água de beber” e “Dindi” (ao todo são 18 faixas). Sem contar “Garota de Ipanema”, da qual ele não conseguia escapar. A turma pedia e pedia e pedia e ele, quando se irritava, exclamava: “Vocês sabiam que eu tenho mais de 400 músicas?”. E tinha razão. [Comente esta Nota]
>>> Antonio Carlos Jobim em Minas ao vivo: piano e voz - Biscoito Fino
 



Além do Mais >>> Aleluia, aleluia
E a religião perdeu mais uma vez para a ciência – para a nossa sorte. E o Brasil avançou. Essa questão das células-tronco é mais que simplesmente um debate bizantino num país atrasado, é a chance de o Brasil – um dia, talvez, quem sabe – ensinar ao mundo, como ensinou no caso da Aids, como está ensinando à África, sem todo o dinheiro, mas cheio de idéias revolucionárias. Porque hoje é assim. Milagres de idéias e não necessariamente de capital. Porque o capital está escasso, as mazelas são demais e as idéias, felizmente, não param. E entre os vencedores desta causa atual está Andréa Bezerra de Albuquerque e está o Movitae, movimento por ela fundado apenas para concretizar esse sonho de tratamento a partir das tais células-tronco embrionárias. Quando começou, em 2002 e nos anos posteriores, Andréa ia a Brasília e se perguntava onde estavam as associações dos principais beneficiados, onde estavam os prováveis beneficiados, e onde estavam, enfim, as pessoas (onde estava a humanidade)? Hoje, Andréa é disputada a tapa pela mídia que, até há pouco, solenemente ignorava o debate (salvo os espaços dedicados à ciência e à saúde, temas que soam vagos e intangíveis à massa). Além de entrar em cadeia e em rede via, por exemplo, Jornal Nacional, Andréa agora recebe e-mails esperançosos de gente como o deputado Roberto Freire e é – se não, deveria ser – tratada a pão-de-ló por parlamentares. O Movitae cumpriu sua função e sua idealizadora está tão ocupada que não consegue atualizar o site; não consegue retomar as newsletters que enviava, animada, a cada pequena vitória, a cada migalha conquistada. Os oposicionistas (e sempre os há) deveriam pensar, como disse alguém na WWW, que têm a opção de não ser tratados com células-tronco embrionárias, quando a cura chegar. E que se Jesus tivesse a tecnologia (cala-te, boca blasfema) iria promover muito mais ressurreições dos mortos como a de Lázaro. Porque hoje, daqui a pouco, até super-homem poderá ser salvo – por meros mortais. [Comente esta Nota]
>>> Movitae
 
>>> EVENTOS QUE O DIGESTIVO RECOMENDA



>>> Cafés Filosóficos
* Série Cosmologia e o Ano Internacional da Física: A Estrutura do Universo - Gastão B. Lima Neto
(Ter., 29/3, 19hrs., CN)

>>> Palestras
* Fertilidade natural - Arnaldo Cambiaghi
(Qui., 31/3, 19hrs., VL)

>>> Noites de Autógrafos
* Efeitos colaterais de uma vida - Graça Marques Ibiapino
(Seg., 28/3, 18h30., VL)
* Inquéritos alimentares - Regina Mara Fisberg, Dirce Maria Lobo Marchioni, Betzabeth Slater e Lígia Araújo Martini
(Seg., 28/3, 18h30., CN)
* Governança na empresa familiar - Werner Bornholdt
(Qua., 30/3, 18h30., VL)
* Noturnos e outros contos fantásticos - Gianni Ratto
(Ter., 30/3, 18h30., CN)
* Palmas para João Cristiano - Ana Maria Machado
(Sáb., 2/4, 15h30., VL)

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* Jam Session - Traditional Jazz Band
(Sex., 1/4, 20hrs., VL)
* Espaço Aberto - Big Band da Santa
(Dom., 3/4, 18hrs., VL)

* Livraria Cultura Shopping Villa-Lobos (VL): Av. Nações Unidas, nº 4777
** Livraria Cultura Conjunto Nacional (CN): Av. Paulista, nº 2073
*** a Livraria Cultura é parceira do Digestivo Cultural

 
Julio Daio Borges
Editor

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COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
29/3/2005
18h54min
Caro Julio, tenho lido e feito elogios a ti e ao Digestivo, mas agora, meu caro, pisaste no meu pé, pois mexeste com o Chico. Mas vou polemizar, enaltecendo as qualidades daquele que, para mim, é de longe o maior compositor brasileiro. Gostaria apenas de te dar um puxão de orelha para não emparelhares o Digestivo com aquelas revistecas que exploram futilidades sobre a vida pessoal das "celebridades". Tú é melhor que isso. Os leitores do Digestivo merecem mais. Abraços, Bernardo B Carvalho, Goiânia/GO.
[Leia outros Comentários de Bernardo B Carvalho]
30/3/2005
07h12min
Não sou assinante do Digestivo (muito embora tenha gostado da idéia, após recebê-lo da minha esposa!) e o artigo Quem te viu, quem te vê, de Julio Daio Borges, instigou-me a fazer alguns comentários: 01) A despeito de gostar das músicas de Caetano Veloso, sinceramente, não soube de sua separação. Fiquei sabendo por meio da coluna do senhor; 02) É certo que eu não poderia esperar outra coisa de um tipo de “jornalismo” como o fantástico, por exemplo, mas me pergunto como meios que se pretendem sérios (tais como a Folha de São Paulo, que estampou a foto do Chico beijando a tal mulher no seu caderno cultural!) podem se entregar à onda de jornalismo de celebridades. Portanto, vejo uma falta de reflexão séria em colunas culturais. Qual a relevância para a cultura ao falar da vida privada das celebridades culturais (as “vacas sagradas”)? Concordo com a nota, no que tange à atuação do Ministro da Cultura, mas, ao misturar o público com o privado (fala-se de política nacional, da efervescência cultural dos anos 60, mas também de casamentos desfeitos, namoro com mulher casada e etc), Julio repete o que, ao meu ver, trata-se da mesma falha. Penso que a reflexão de cultura não pode se rebaixar a esses fatos do quotidiano irelevantes para uma verdadeira prudução cultural...!, sob pena de nos perguntarmos: colunasculturais, QUEM TE VIU, QUEM TE VÊ... Vou passar a ler o digestivo cultural, mas espero mais de Julio Daio Borges, seu redator, editor, webmaster e webdesigner... Abraço, Juliano
[Leia outros Comentários de Juliano]
30/3/2005
11h18min
Vou destilar o meu veneno! Eu aumento, mas não invento! Me-ni-no, você não sabe o que eu vi na Ilha de Caras! Será que o Jean ganha o BBB5? Aquele Louro José é mesmo engraçado, não? Vamos rir! Pára, pára, depois dos intervalos comerciais, a namorada que ligou para a produção vai pegar o namorado com outra, que na verdade é uma atriz contratada para seduzi-lo! Aqui tem café no bule! Separa essas duas que estão se engalfinhando ao vivo por causa do resultado do DNA! Direto da Casa de Custódia os presos rebelados agitam lençóis e Simony, ao vivo, gesticula para nosso helicóptero! Julio, sou seu fã, mas afasta de mim esse cálice.
[Leia outros Comentários de Marcelo Zanzotti]
30/3/2005
12h23min
Olá, Julio! Concordo com o aspecto de que há¡ uma decadência de alguns í­cones da MPB dos anos 60. Ok, Gil parece perdido enquanto ministro e Caetano, separado ou não, há pelo menos oito anos não tem um lançamento musical de respeito. Mas eu discordo em relação ao Chico Buarque. Acredito que ele foi um dos poucos que se manteve intacto e criando bem. Se o Ao Vivo não empolga, Paratodos é quase perfeito e As Cidades (nem tão perfeito assim) tem momentos de cara poesia musical. Revistas de fofocas? Paparazzi? Pouco importam... Adultério? Ora, há tantos casos, de maior ou menor importância, de acordo com as conseqüências. Eu não me importo se o Chico está com a esposa de um outro cara (isto é coisa para talvez a minha mãe se importar, ela que assiste aos programas de fofocas), contanto que ele reapareça com um ótimo CD daqui a um tempo. Não me lembro de ele ter se tornado um monge ou coisa parecida. Julio, respeito e admiro a sua pessoa e o que tem construído com o Digestivo Cultural. Tem sido uma ferramenta importante para mim. Até por isso, tomei a liberdade de tornar pública minha discordância. Quanto a Tom Jobim, ele era (para mim, sempre será) fantástico mesmo!!! Vou, com certeza, adquirir o CD deste show. E vamos de células-tronco!!! Um abração!!!
[Leia outros Comentários de Alessandro de Paula]
31/3/2005
10h16min
oi julio, já que li o texto sobre o chico, vou comentar. achei meio reducionista sua abordagem, preocupando-se com a imagem que a mídia faz desses artistas e não com o conteúdo do que eles têm feito. essas fofocas não invalidam o trabalho deles, nem o livro do chico, por mais mirabolante que seja. e também voce não vai querer que eles vivam como viviam nos anos 60. seria mesmice. o "pouco" trabalho destes artistas, se colocados na geleia-geral que virou nossa cultura, com certeza tem mais valor do que essa paranóica da quantidade em detrimento da qualidade. não concorda? só isso, abraço, jardel
[Leia outros Comentários de jardel]

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