Digestivo nº 225 | Julio Daio Borges | Digestivo Cultural

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>>> Bulunga o Rei Azul de Pedro Bloch pela Moderna (1991)
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>>> Terra dos Homens de Antoine de Saint-Exupéry pela Nova Fronteira (1988)
>>> O Menino de Areia de Tahar Ben Jelloun pela Nova Fronteira (1985)
>>> Aspectos Endócrinos de Interesse à Estomatologia de Janete Dias Almeida pela Unesp (1999)
>>> Nociones de Historia Linguística y Estetica Literaria de Antonio Vilanova- Nestor Lujan pela Editorial Teide/ Barcelona (1950)
>>> El Estilo: El Problema y Su Solucion de Bennison Gray pela Editorial Castalia/ Madrid (1974)
>>> El Cuento y Sus Claves de Raúl A. Piérola/ Alba Omil (profs. Univ. Tucumán pela Editorial Nova, Buenos Aires (1955)
>>> Las Fuentes de La Creacion Literaria de Carmelo M. Bonet pela Libr. del Collegio/ B. Aires (1943)
>>> As Hortaliças na Medicina Doméstica/ Encadernado de Alfons Balbach pela A Edificação do Lar (1976)
>>> A Flora Nacional na Medicina Doméstica de Alfons Balbach pela A Edificação do Lar
>>> Arlington Park de Rachel Cusk pela Companhia das Letras (2007)
>>> Muitas Vidas, Muitos Mestres de Brian L Weiss pela Salamandra (1991)
>>> As Frutas na Medicina Doméstica de Alfons Balbach pela A Edificação do Lar
>>> Coleção Agatha Christie - Box 8 de Agatha Christie; Sonia Coutinho; Archibaldo Figueira pela HarperCollins (2019)
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>>> Um Estudo Em Vermelho - Edição De Bolso de Arthur Conan Doyle pela Zahar (2013)
>>> Eu, Dommenique de Dommenique Luxor pela Leya (2011)
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>>> O Futuro da Filosofia da Práxis de Leandro Konder pela ExpressãoPopular (2018)
DIGESTIVOS

Quarta-feira, 4/5/2005
Digestivo nº 225
Julio Daio Borges

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+ 1 Comentário(s)




Música >>> Vivo
Lenine andava meio sumido. Depois da controvérsia com Chico Buarque e Edu Lobo, em torno de Cambaio (2001), quando transformou a obra dos compositores numa gritaria e numa barulheira infernal, achou por bem debandar para a Europa. Falange Canibal (2002), uma espécie de disco, uma espécie de manifesto, que trazia no bojo a participação do Living Colour (que, depois, se tornou banal), não foi bem compreendido — no limite, sequer assimilado. Muito longe da penetração de Na Pressão (1999), muito mais longe ainda da consagração de O dia em que faremos contato (1997) e há 20 mil léguas submarinas da obra-prima Olho de Peixe (1993), com Marcos Suzano. Mas o Brasil foi injusto com Lenine; embora o mundo não tenha sido nesse período. Mormente a França que, inclusive, o chamou para compor a música tema da tal mostra de 2005... Foi nesse país, mais especificamente em Paris, que Lenine registrou seu primeiro ao vivo: In Cité (2004), divulgado em show por aqui em março. Lá está um Lenine sóbrio, o melhor Lenine: longe do eletrônico, longe do cânone da MPB impositiva; acústico, lírico, intimista. Ainda que poluído e distorcido em alguns momentos. E ainda que tenha se apresentado num abarrotado Tom Brasil. Mas, felizmente, distante do alvoroço desumano de Cambaio e afins. Nelson Motta confirmou, em abril, na Casa do Saber, que Lenine é um artista poderoso e que precisou de alguns dias para digerir seu show, no Rio. Com razão. Está tocando melhor (aquele violão que lhe é tão característico); está com uma banda mais afinada; está, evidentemente, mais maduro depois das reviravoltas todas. Mesmo não sendo uma obra completamente inédita, é um alívio que, em In Cité, Lenine tenha recuperado seu eixo. Afinal, ele sobreviveu à mídia; ele sobreviveu à consagração. Mantendo-se fértil. Quantos podem afirmar a mesma coisa? Hoje, entre os artistas, quase nenhum — ou nenhum. Que ele permaneça então nessa fase low-profile. Está em seu domínio; está em seu território. Em tempos de tanto obscurantismo e de tanta empulhação, ninguém precisa ver seu nome em letras de neon pra saber que Lenine é bom. [Comente esta Nota]
>>> In Cité (ouça as faixas) | Lenine
 



Teatro >>> Não tem partido nem ideal
O Ágora, longe do espalhafato da grande mídia, num espaço discreto numa travessa da avenida Brigadeiro Luís Antônio, está ficando conhecido por lançar tendências nas artes cênicas. Não é de hoje, claro, mas, por exemplo, o secretário da cultura de São Paulo na gestão Marta Suplicy (esqueçam os CEUs, esqueçam os túneis) saiu de lá: Celso Frateschi. Depois, saiu de lá também, para uma turnê consagradora, com Tony Ramos no lugar de Jairo Mattos, a montagem de Novas Diretrizes em Tempos de Paz (2002). E saiu de lá, dessa mesma peça aliás, Dan Stulbach – para quem não sabe (se é que alguém neste País ainda não sabe), o mais novo darling da Rede Globo, da última recente novela das oito. Só por isso o Ágora já deveria ser parada obrigatória para quem se interessa, minimamente que seja, por teatro. Como o é hoje a Terça Insana, de Grace Gianoukas, e a mostra Cemitério de Automóveis, anualmente no Centro Cultural São Paulo, do justamente celebrado Mário Bortolotto. Para completar, o Ágora tem preços populares, como nunca se viu, e estacionamento próximo. Qual a desculpa para não ir lá? Nenhuma. E qual o motivo para se ir lá agora? A nova peça de Sérvulo Augusto e Viviane Dias, Bixiga, uma Bela Vista – uma seqüência de cenas ou sketches cômicos (quase uma tendência atual), com oito atores, a partir de histórias do bairro, desde a sua fundação, colhidas pelos próprios, entre seus moradores, e elaboradas para o palco. Desde a divertida fila de banheiro numa pensão até o garçom bêbado numa cantina; desde duas gerações de ladrão-que-rouba-ladrão até as conquistas de duas mocinhas na época em que o automóvel aparecia; desde a herança não tão legítima de um dono de padaria (naquele tempo DNA não havia) até a discussão eterna por causa do próprio nome – Bixiga ou Bela Vista? A colônia italiana tem sido, ultimamente, vilipendiada em concepções, principalmente televisivas, que relegam sua influência a uma mera caricatura à qual todo mundo se acostumou. O diferencial, no texto e nas músicas de Sérvulo e Viviane, está em respeitar essa cultura tão paulistana, ainda que em forma de piada, mas seguindo o exemplo de Juó Bananére, o encrenqueiro de gênio. O Ágora não devia precisar de propaganda, mas, se precisa, nada melhor do que esse espetáculo. [Comente esta Nota]
>>> Bixiga, uma Bela Vista | Ágora
 



Literatura >>> A Pesca Milagrosa
Fernando Bonassi uma vez disse, em entrevista, que para ser escritor era preciso muito mais que querer ser escritor. Era preciso, claro, escrever, mas, também, se espraiar em todas as direções: publicações literárias, concursos de contos, internet, pequenas editoras e até edições em banca. Vera Carvalho Assumpção, se o tivesse lido, teria confirmado. Até porque entendeu essa realidade bem antes. Desde 1983 é, além de esposa, mãe, executiva de empresa, chefe de família, escritora. Mas não porque esperou a consagração cair do céu, ansiando que lhe batessem à porta – como, hoje, centenas de escritores virtuais fazem – e, sim, porque esquadrinhou as possibilidades, para um escritor brasileiro, de norte a sul do País, também em Portugal, e saiu vitoriosa das inúmeras investidas em anos. Hoje Vera é autora infanto-juvenil da Larousse (entre outras), gigante editorial da França que acaba de se estabelecer por estas plagas. Seu original chamou tanto a atenção que virou logo livro; que vai ser adotado em escola; e que – consagração das consagrações – rumou este mês para a feira de Bolonha. Paulo-coelhos à parte, quantos escritores, não-badalados, não-apadrinhados, não-incensados pela mídia, realmente independentes como Vera, podem se gabar desse fato? Mas a história vem de longe. Desde o primeiro romance, Maria Eugênia (1983), pela extinta T.A. Queiroz, até o último por uma editora conhecida, a Landscape: Paisagens Noturnas (2003), que abre a saga do detetive Alyrio, seu xodó, com já duas novas “aventuras” no prelo, O Rigor da Forma e Formas Fragilizadas (a partir de notícias de jornal, trabalhadas, óbvio, em forma de ficção). Passando por prêmios acumulados em incontáveis concursos, pelos quatro cantos do mundo: da Universidade de Évora até a Universidade Trás-os-Montes e Alto Douro, que lhe conferiram bolsas internacionais; desde Franca, Araraquara, São Bernardo e Barretos; desde o 1º lugar no Gralha Azul (com direito a viagem pra Europa) até o 2º lugar no Guimarães Rosa da Radio France. É um currículo e tanto. Sem contar que Vera acumula a diretoria da UBE, fez um uso pioneiro da interatividade na internet (publicando em capítulos, quando nem blog havia) e prepara, este ano, um novo site. É o que é ser escritor. Depois de mais de uma dezena de obras, e duas décadas de trabalho árduo, Vera Carvalho Assumpção não precisa que lhe digam – ou a encaixem em nova, novíssima, recente geração – é escritora e ponto. Além de mãe, empresária, empreendedora... Sim, meus caros aspirantes, essas coisas ocorrem. [Comente esta Nota]
>>> Viagem Virtual (Larousse) | Paisagens Noturnas (Landscape)
 
>>> E O CONSELHEIRO TAMBÉM PUBLICA NO SITE DA ABI

Saul Bellow

Na seção "Jornalistas recomendam", do site da Associação Brasileira de Imprensa, confira uma dica de leitura de Julio Daio Borges.

>>> EVENTOS QUE O DIGESTIVO RECOMENDA



>>> Palestras
* Aviação Aliada na 2ª Guerra Mundial
Paulo Fernando Kasseb, Claudio Lucchesi e major John Buyers
(Qui., 5/5, 17hs., VL)

>>> Noites de Autógrafos
* Operação ER: O escolhido - Hortêncio Pereira da Silva Neto
(Seg., 2/5, 18h30., VL)
* Haikai - João Batista Dubieux
(Ter., 3/5, 18h30, CN)
* Totalmente grávida - Luli
(Ter., 3/5, 18h30, VL)
* A África na sala de aula - Leila Leite Hernandez
(Qua., 27/4, 18h30, CN)
* Parcerias Público-Privadas e a atuação administrativa
Juarez de Oliveira
(Qua., 4/5, 18h30, VL)
* Mãe é mãe
Judith Brito
(Qua., 4/5, 19hs., CN)
* Mestruação
Graziela Lanzara e Mauricio Torselli
(Qui., 5/5, 18h30, CN)
* Docência em Saúde
Sylvia Helena Batista e Nildo Alves Batista
(Qui., 5/5, 19hs., CN)

>>> Exposições
* Exposição de Vera Lúcia Esteves
(de 2 a 16 de maio, das 9 às 22 hs., CN)

>>> Shows
* New Orleans - Traditional Jazz Band
(Sex., 6/5, 20hs., VL)
* Outro Quilombo - Renato Braz
(Sáb., 7/5, 19hs., VL)

* Livraria Cultura Shopping Villa-Lobos (VL): Av. Nações Unidas, nº 4777
** Livraria Cultura Conjunto Nacional (CN): Av. Paulista, nº 2073
*** a Livraria Cultura é parceira do Digestivo Cultural


>>> DIGESTIVO 5 ANOS

"Parabéns pelo aniversário! Muitos anos mais de vida, para gáudio dos leitores. Beijos."
Cíntia Moscovitch, autora de Arquitetura do Arco-íris

"Caro Julio, recebi a Revista, e gostei! Acompanho o Digestivo Cultural desde sempre, ainda bem que vocês existem, resistem e fazem a diferença! Sempre assistimos às iniciativas culturais, desse nivel, sucumbirem pela falta de apoio/anunciantes, vide as revistas, República, Bravo! e muitas outras, mas com estes novos tempos, de Internet, acho que poderemos ter uma sobrevida da inteligência. Muita Força, e um Grande Abraço."
Davilson Brasileiro

"Julio, mais do que escrever uma mensagem parabenizando os cinco anos do Digestivo e o merecido sucesso do site, quero compartilhar com você, alguém a quem já enxergo de forma carinhosa e fraterna, as sensações que tive ao ler o especial de cinco anos. Recebi a newsletter ainda no meu trabalho, pouco depois do fim do expediente, e não desgrudei da tela enquanto não devorei cada texto, cada depoimento, cada linha escrita com o coração por você e pelos colunistas. Devorei os depoimentos e o editorial com rara voracidade (costumo me cansar de ler muito na tela no PC), me envolvendo com cada palavra, cada sentença. Porque o que emanava dali não eram meros comentários de uma equipe de trabalho fazendo um balanço costumeiro. Emanava vida, paixão, ardor, de todos. Desde a sua apresentação, sempre simpática e convidativa, ao artigo sobre os colunistas; desde o texto revelando a escrita com "caneta tinteiro" até as lembranças dos amigos colaboradores. Impossível eu, recente "entrão" no universo do Digestivo, ainda engatinhando (isso, se tanto) nesse mundo para mim até então intransponível, não me emocionar. [...] Desculpe a falação e a pregação. Se chegou até aqui, aproveito e envio a cada um abraços fortes e a esperança do sucesso a todos. E a você, mando um abraço igualmente caloroso e a certeza de que terá em mim alguém o admirando sempre, aqui do lado de cá da tela. Até mais e, como sempre, vamos nos falando."
Marcelo Miranda
 
Julio Daio Borges
Editor

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COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
4/5/2005
15h02min
Não concordo com o dito "gritaria e barulheira infernal", sobre a participação de Lenine em Cambaio. Nem sou fã do cara, mas a questão é que as músicas ficaram aguçadas em relação ao espetáculo. Tá, música é música, mas tem tudo haver com a peça. Só não percebe quem não viu a mesma. E penso ser agressivo demais, pois a música não é, dizer que "...eu quero moça que me deixe maluco, procuro moça que me deixe cambaio..." seja uma gritaria... Sem mais. Renata Linhares
[Leia outros Comentários de Renata]

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