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Segunda-feira, 6/4/2009
@mores bizarros
Pilar Fazito

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+ 3 Comentário(s)

Há coisas que merecem ser feitas ao menos uma vez na vida. Uma delas é entrar num site de relacionamentos. Vossa senhoria já entrou num? Então, entre. Você pode até não encontrar a sua alma gêmea, mas terá a oportunidade de fazer uma excelente observação antropológica sobre a fauna humana ou, no mínimo, dar umas boas gargalhadas.

Dizem por aí que muita gente acaba encontrando sua cara metade em sites de relacionamento. Todo dia aparece um caso desses na televisão, no rádio, na internet. Pessoalmente, entretanto, não conheço ninguém que tenha conseguido essa proeza, o que não quer dizer que a tentativa não valha a pena. De todo modo, sites de relacionamento são um laboratório para todo escritor, cronista, roteirista ou criador. Ali se vê todo tipo de gente, reunida em torno de um objetivo comum, embora muitas de suas expectativas sejam completamente irreconciliáveis e não correspondam à realidade.

A graça da coisa começa quando o sujeito se vê diante de um questionário um tanto insólito, condição sine qua non para se cadastrar no site, enviar e receber recadinhos românticos ou apimentados, flores e beijos virtuais. Acredito que o questionário não varie muito de site para site; a grosso modo, é algo mais ou menos assim: primeiro, você escolhe um apelido pelo qual será chamado. E aí vale tudo, de "sereia_turbinada" a "ursinhopimpão". A escolha do apelido, ou nickname, diz muito sobre as intenções ou a situação do candidato a cobertor de orelha e, pode-se dizer, é um dos elementos mais importantes nesse marketing pessoal. Ainda assim, parece que tem gente que não se toca. Não venha me dizer que uma "loiradocréu" é uma alma meiga e delicada, em busca de seu príncipe encantado. Do mesmo modo, "moreno_22cm" já diz tudo o que o cara tem a oferecer.

O passo seguinte é dizer como você é fisicamente e quais são os seus gostos e preferências, o seu hobby, a profissão, faixa de rendimentos, qual é a sua escolaridade, de que tipo de música e comida gosta, se é daqueles que gostam de uma balada ou se é mais caseiro etc. É claro que você pode omitir ou mentir nas respostas, mas suponhamos que você seja um sujeito sincero. E aí a gente percebe que a cor dos olhos, do cabelo, altura e peso não querem dizer nada. Nada mesmo.

Os gerenciadores desse tipo de site garantem que se você puser uma foto terá mais chances de receber flertes e mensagens e, consequentemente, encontrar o seu amor. Realmente, você receberá mais mensagens, já que os outros candidatos verão que seus olhos castanhos amendoados combinam bem com o seu rosto, ao contrário dos estrábicos olhos azuis da "sereia_turbinada". Mas a gente sabe que foto é foto e nem sempre corresponde à realidade. Geralmente, ela achata em 2D todo o conjunto da obra, reduzindo em pixels traços, volume e movimentos naturais. Além disso, a gente sempre escolhe aquela foto de dois anos atrás, quando estávamos no auge do regime, ou aquela que retrata o nosso melhor ângulo. A foto maquia um momento de perfeição com a promessa de torná-lo eterno. Mas as pessoas não são seres de celulóide e aí é um "Deus nos acuda" quando o outro se toca que "Monalisa25" tem poros; e que esses poros secretam oleosidade ao longo do dia; e que isso resulta em espinha.

Mas vamos ignorar esses detalhes técnicos e supor que as fotos sejam fiéis ao retratar os usuários dos sites de relacionamento. Você põe lá uma foto sua e, uma hora depois, começa a receber uma enxurrada de e-mails, te chamando para teclar ou para conhecer melhor o outro, sem contar a quantidade de flores, beijos virtuais e de cantadas-padrão, algumas delas patéticas ou ofensivas (fazer o quê se o site só te dá aquelas poucas opções pré-formatadas enquanto você não resolve pagar a mensalidade básica e ter mais liberdade para escrever o que dá na telha?). Você começa a achar que é um sucesso e que todas aquelas pessoas que te mandam mensagens estão caidinhas por você. Então, de repente, se dá conta de que cada uma delas manda as mesmas flores e beijos virtuais para, pelo menos, mais uma dezena de outros nicknames e percebe que paqueras em sites de relacionamento estão mais para um tiroteio com balas perdidas do que para um jogo de dardos. Em outros termos: não existe um alvo; é todo mundo atirando para todo lado e contabilizando os mortos, ops, os flertes.

Mas vamos insistir na possibilidade de isso dar certo e imaginar que duas almas gêmeas possam se encontrar em meio a todo esse tiroteio. É bem verdade que, antes disso, "calcinha@corderosa" vai ficar indecisa entre "lobo_solitário492" e "pururucacomcerveja". O primeiro resume o que busca com a frase "vem me fazer feliz"; o segundo com "minha mãe diz que sou lindo". Ela resolve consultar o tarô e recorre à astrologia para confirmar o que as cartas disseram, até que se decide pelo "lobo_solitário492". Então, aceita encarar a difícil missão de levar felicidade a um maníaco depressivo que, provavelmente, já tentou o suicídio uma dezena de vezes e ainda acha que alguém tem a obrigação de salvá-lo de si mesmo. "Calcinha@corderosa" realmente acredita que é mais fácil lidar com isso do que ter uma sogra onipotente... Trocando seis por meia dúzia, ela está certa.

Eu me pergunto quantas vezes as pessoas devem esbarrar em suas almas gêmeas ao longo da vida, sem perceber. Quantos encontros com o amor predestinado são até mesmo desprezados porque o outro é incapaz de fazer concessões e reconhecer a metade da sua laranja. É incapaz, por exemplo, de aceitar que o amor da sua vida possa não ter os olhos verdes e o glúteo sarado, como ele sempre desejou. Ou que é calvo e tem aquela barriguinha protuberante. Ou que é vegetariano e isso não combina com seu carnivorismo convicto.

Se os usuários de sites de relacionamento conseguirem passar por todos esses obstáculos e ainda assim marcarem um encontro no mundo real, eles passam para outra fase. Uma fase que eu, particularmente, nunca experimentei, mas sei de gente que experimentou. E, segundo os relatos, o andamento da coisa depende dos objetivos de cada um. Há os que querem apenas uns amassos, uns "pégas", como se diz por aí. E, para esses, não há nenhuma necessidade de abrir a boca, soltar o verbo e demonstrar o mínimo de inteligência.

Já para os que buscam relacionamentos mais duradouros, casos e namoros, existe todo um esforço para impressionar o outro e isso inclui uma desenvoltura comportamental, intelectual e sedutora que será avaliada mutuamente. No fim das contas, essa espécie de "dança do acasalamento" demanda uma logística e uma produção que não se resume a apenas um encontro. De todo modo, não importa que leve três ou quinze, a hora da verdade pode vir regada a álcool... Como se dizia na Antiguidade, in vino veritas.

É impressionante como uma taça de vinho ou dois copos de cerveja são capazes de deixar uma pessoa mais à vontade e fazer com que ela ponha de lado toda a sua armadura e os artifícios usados para impressionar o outro. Um certo amigo que o diga, quando percebeu, no terceiro encontro, que a dama escultural que conheceu num desses sites de relacionamento se transformou em gata borralheira de baile funk após algumas goladas. Como em um passe de mágica, os palavrões e as gírias começaram a brotar aqui e ali, assim como a intimidade com o garçom e o resto do bar. A elegância refinada deu lugar a tapas na mesa de metal, gargalhadas sonoras, assuntos tacanhos e um sotaque-brechó que fez meu amigo desaparecer do mapa e nem mesmo ligar no dia seguinte... "Homens, bah!"

Não o culpo. Também não a culpo. Fazer concessões a diferenças é uma coisa, forçar a convivência com quem não tem absolutamente nada a ver com a gente é outra. A vontade de ser aceito e de ter alguém para chamar de seu, às vezes, faz com que a gente encene muitos personagens e represente aquilo que não é.

Apesar de tudo, entrar em sites de relacionamento ainda é uma experiência divertida e, sobretudo, muito instrutiva. A gente começa a relativizar a importância das coisas, aceita que ninguém é perfeito e, por fim, percebe que é mais fácil achar a "tampa da nossa panela" no dia a dia, por meio do nosso círculo de amizades ― em vez de achar que o destino se encarregará de nos trazer o outro embrulhado de presente, via sedex, na cor e no modelo escolhido pela internet. Afinal, não é que falte homem e mulher no mundo, o que falta é aceitá-los como são.

Nota do Editor
Leia também "A internet e o amor virtual".


Pilar Fazito
Belo Horizonte, 6/4/2009


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COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
7/4/2009
01h36min
Bravo à voz de uma mulher sagrada! Pilar, você me diverte até altas horas! Adorei o texto! Você está cheia de razão, pois, caetaneando: realmente "de perto ninguém é normal". Em tempos indecorosos, de exposição em todas as posições, sigamos movidos a Madrileña, "Napoli, Pino, Pi, [cara de] PAU, punks." Bjs do Sílvio Medeiros. Campinas, é outono de 2009.
[Leia outros Comentários de Sílvio Medeiros]
7/4/2009
15h25min
Falta verdade e pricipalmente coragem para as pessoas se olharem, se conhecerem e se relacionarem de carne e osso hoje em dia. Tudo anda tão frio ultimamente e parece que todos têm pressa para tudo, até para o amor...
[Leia outros Comentários de Ana Maria]
29/4/2009
12h44min
Assim como os chats, os sites de relacionamentos são como uma vitrine para os que buscam algum tipo de relacionamento superficial e artificial. E para os que se contentam com isso, a forma direta como um apelido expressa a intenção amorosa, parece ser a chave para a questão: "Serei o que você quiser." O que reflete a falta de palavras verdadeiras sobre si mesmo, assim como a intenção de algo fugaz e passageiro, sem nenhuma troca sentimental. Lamentável! Lamentável amor contemporâneo!
[Leia outros Comentários de Edileusa Kersting]
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