O curioso caso de Alberto Mussa | Rafael Rodrigues | Digestivo Cultural

busca | avançada
46580 visitas/dia
1,5 milhão/mês
Digestivo Cultural
O que é?
Quem faz?

Audiência e Anúncios
Quem acessa?
Como anunciar?

Colaboração e Divulgação
Como publicar?
Como divulgar?

Newsletter | Disparo
* Histórico & Feeds
TT, FB e Instagram
Últimas Notas
>>> Daily Rituals - How Artists Work, by Mason Currey
>>> Fernando Pessoa, o Livro das Citações, por José Paulo Cavalcanti Filho
>>> A Loja de Tudo - Jeff Bezos e a Era da Amazon, de Brad Stone
>>> Reflexões ou Sentenças e Máximas Morais, de La Rochefoucauld
>>> O Capital no Século XXI, de Thomas Piketty, o livro do ano
>>> Trágico e Cômico, o livro, de Diogo Salles
>>> Blue Jasmine, de Woody Allen, com Cate Blanchett
>>> The Devil Put Dinosaurs Here, do Alice in Chains
Temas
Mais Recentes
>>> Wilhelm Reich, éter, deus e o diabo (parte I)
>>> Noites azuis
>>> O Bigode
>>> A jornada do herói
>>> Bonecas russas, de Eliane Cardoso
>>> Proposta Decente?
>>> Lares & Lugares
>>> O turista imobiliário
>>> Tectônicas por Georgia Kyriakakis
>>> Miguel de Unamuno e Portugal
Colunistas
Mais Recentes
>>> O Digestivo nas Copas
>>> Idade
>>> Origens
>>> Protestos
>>> Millôr Fernandes
>>> Daniel Piza (1970-2011)
Últimos Posts
>>> Clube de Leitura Sesc do Carmo
>>> Nicolau Sevcenko & jornalismo
>>> Mongólia:ainda dá tempo
>>> Uma Suíte Americana
>>> Petite Messe Solennelle
>>> Stevie Ray Vaughan em Montreux
>>> The Innovators Walter Isaacson
>>> Suassuna no Digestivo
>>> Fire Phone by Jeff Bezos
>>> Trágico e Cômico, o debate
Mais Recentes
>>> Harold Ramis (1944-2014)
>>> Sergio Britto & eu
>>> Para o Daniel Piza. De uma leitora
>>> Joey e Johnny Ramone
>>> A Cultura do Consenso
>>> De Kooning em retrospectiva
>>> Delírios da baixa gastronomia
>>> Jane Fonda em biografia definitiva
Mais Recentes
>>> Jaime Pinsky
>>> Luis Salvatore
>>> Catarse
>>> Chico Pinheiro
>>> Sheila Leirner
>>> Guilherme Fiuza
Mais Recentes
>>> Digestivo Books
>>> Caixa Postal
>>> Nova Seção Livros
>>> Digestivo no Instagram
>>> 2 Milhões de Pageviews
>>> 40 mil seguidores no Twitter
Mais Recentes
>>> Manoel de Barros: poesia para reciclar
>>> Memória das pornochanchadas
>>> Vocabulário Grego da Filosofia
>>> Uma lição de solfejo
>>> Fim
>>> O amor é um jogo que ganha quem se perde
>>> Para o Daniel Piza. De uma leitora
>>> Charles Darwin 2 - O Poder do Lugar
>>> Paris, a festa continuou
>>> Kubrick, o iluminado
LIVROS
Mais Recentes
>>> As Aventuras do Capitão Pirata da Barba Verde
>>> Avantesmas: 13 Histórias Clássicas de Fantasmas
>>> Assim É Como Termina
>>> Assassinato no Expresso do Oriente
>>> Aniquilação - Volume 1
>>> Amo Você, Papai!
>>> Almanaque Ciência em Show Master Pop
>>> Alimentos para o bem-estar
>>> Aliens Vs. Cientistas Loucos no Fundo do Oceano
>>> Alegria, Culpa, Raiva, Amor
>>> Eduardo Campos - Um Perfil (1965-2014)
>>> O Alienista
>>> Ai, Meus Deuses!
>>> Agente da Polícia Federal - Gabaritado e Aprovado
>>> Adeus, Aposentadoria
>>> O adeus à Europa
>>> 52 Lições de Fotografia Digital
>>> 4 Semanas de Prazer
>>> 4 Ps da Oab 2 Fase - Prática Trabalhista
>>> 4 Ps da Oab 2 Fase - Prática Constitucional
>>> A 25ª Hora
>>> (As) 51 Personalidades (Mais) Marcantes do Brasil
>>> Curso de Direito do Trabalho
>>> Invisível
>>> Infinity Drake - Os filhos da Scarlatti
>>> Hotéis
>>> Um Homem Morto a Pontapés
>>> A História da Culinária em 100 Receitas
>>> Hello Kitty - Minha familia e amigos
>>> Hello Kitty - Quebra-cabeças
>>> O Forte De Nove Torres
>>> A festa da insignificância
>>> Fala, memória
>>> Eu Sou Saint German
>>> Um divã no campo de batalha
>>> A Mente Suja de Robert Crumb
>>> Diários de Adão e Eva
>>> Tudo que eu Pensei mas não Falei na Noite Passada
>>> Black Blocs
>>> Gabo - Memórias de uma Vida Mágica
>>> O Encanto do Mar e o Som do Trovão
>>> Empreendedorismo Criativo
>>> Dossiê Michel Vaillant - Ayrton Senna
>>> Direito das Sucessões
>>> Desafiando o Destino
>>> Os deixados para tras - Capa da série
>>> Half Bad
>>> Guia Londres de Bicicleta
>>> O Guia Do Herói Para Invadir O Castelo
>>> Guia Berlim de Bicicleta
COLUNAS

Terça-feira, 21/4/2009
O curioso caso de Alberto Mussa
Rafael Rodrigues

+ de 4200 Acessos

Fosse feito um levantamento sobre qual o perfil dos personagens mais presentes na literatura brasileira contemporânea, certamente seria constatado que eles são homens, com idade entre 25 a 50 anos, geralmente escritores (ou aspirantes a), professores ou homens de negócios; são também, em sua maioria, solteiros e quase sempre estão atravessando uma crise existencial. Isso se analisarmos somente obras de autores do sexo masculino. Entre as escritoras, o caso é um pouco mais simples: as personagens são mulheres em alguma crise de idade (dos 20, 30, 40 ou 50), (mal) casadas ou à procura de um relacionamento estável (geralmente estão envolvidas com algum homem muito instável); no quesito profissão, ou elas são profissionais bem-sucedidas ou são donas de casa amarguradas.

Não obstante os pseudoescritores, herdeiros de Charles Bukowski, John Fante, Allen Ginsberg e companhia (estes, sim, escritores de verdade, não seus imitadores) e pseudoescritoras netas de Clarice Lispector, Florbela Espanca e Virginia Woolf (estas, sim, escritoras de verdade, não suas imitadoras), sem dúvida existem livros de qualidade contendo personagens tão comuns. Mas só aparentemente comuns.

Alguns escritores e escritoras conseguem tirar das influências mais batidas (Rosa, Lispector, Cortázar, Borges, Kafka) algo novo, original. Conseguem fazer de uma história aparentemente simples uma bela e tocante obra ― por vezes perturbadora ―, como fazem, por exemplo, Menalton Braff, Mayrant Gallo, Ronaldo Correia de Brito, Ruy Espinheira Filho e outros tantos. Mas isso porque esses autores não beberam apenas em fontes "batidas". A qualidade de todos vem também das suas vivências pessoais e da convivência (real ou apenas "literal", no sentido de que apenas através dos livros) com autores menos explorados pela maioria dos contemporâneos, ou seja, os clássicos, dos quais geralmente os "novos" escrevinhadores tomam distância ― talvez por preguiça de lê-los.

É por isso que casos curiosos como o de Alberto Mussa, que está alheio a tudo isso, devem ser alardeados.

Seu mais novo livro, Meu destino é ser onça (Record, 2009, 272 págs.), é tão original quanto os anteriores (Elegbara, O Enigma de Qaf, O movimento pendular e O trono da rainha Jinga) ― se não mais. No limiar entre o ensaio e a ficção, Meu destino é ser onça valeria a pena somente pelo Mito Tupinambá que é recriado por Mussa, digno de ser relido diversas vezes, tamanha sua fluidez (é quase hipnótico) e sua aura de mistério. Mas, além disso, o autor reproduziu trechos dos escritos de historiadores que documentaram suas passagens pelo Brasil na época do "Descobrimento", como André Thevet, Padre Manuel da Nóbrega, Gabriel Soares de Sousa e outros, sobre os índios. Esses trechos são um capítulo à parte, por serem relatos feitos no calor ― em ambos os sentidos ― e na urgência da hora. O conjunto da obra culmina num fundamental documento sobre a História do Brasil, imprescindível para estudiosos e também para os leigos. A todos os brasileiros, Mussa deixa um recado: "Há 15 mil anos somos brasileiros; e não sabemos nada do Brasil". Na entrevista abaixo, concedida por e-mail, o autor fala sobre sua carreira e, claro, sobre seu mais novo livro.

Uma obra singular como a sua não deve ter encontrado editores ávidos para publicá-la. Como foi o início da sua carreira, as primeiras tentativas de publicação? Você precisou bancar seus primeiros livros ou encontrou editores dispostos a apostar neles? E agora, que você é publicado pela maior casa editorial do país (Record)? A cobrança é maior ou a liberdade é maior (porque você está mais tranquilo, já que "tem uma editora")?

Minha história deve ser parecida com a de muita gente. Meu primeiro livro, Elegbara, foi edição paga. Depois, ganhei uma bolsa da Biblioteca Nacional para escrever O trono da rainha Jinga. E o livro foi aceito pela Nova Fronteira, que na época andou publicando autores que ganharam esse prêmio. Mas o livro não "aconteceu", teve só uma resenha, na época do lançamento, e a editora não estava animada a publicar o terceiro livro, O Enigma de Qaf. Foi aí que a Ana Maria Santeiro, que até hoje é a minha agente, me apresentou à Luciana Villas-Boas, e em menos de um mês eu tinha o contrato nas mãos. Foi meu primeiro sucesso (é claro, dentro das minhas circunstâncias) literário. Ganhei prêmios, tive matéria em vários jornais e revistas. Depois disso, as coisas ficaram mais fáceis. Minha relação com a Luciana, e com toda a equipe da editora, é a melhor possível. Sou amigo de todos. Hoje, todos os meus livros são publicados pela Record, que inclusive reeditou os dois primeiros. Sinto que ali é a minha casa, estou plenamente realizado.

A História do Brasil não está muito presente nos livros de autores brasileiros, você concorda? Exceto os anos de chumbo (a Ditadura), poucas são as épocas históricas que servem de "pano de fundo" para romances e contos brasileiros. Por que isso acontece? Você tem alguma teoria a respeito?

Não sei se chega a ser uma teoria, mas acho que nós vivemos um momento em que a cultura do imediato é quase uma obsessão. São transmissões em tempo real, é a virtualidade, o celular, o GPS, o MSN, a ideia do agora, do instantâneo, do contemporâneo. Um mundo assim não dá espaço para a reflexão, as pessoas ficam grudadas no computador obcecadas pelo seu próprio tempo, assistindo em tempo real as coisas que acontecem. Há um sentimento geral de que vivemos um período de revolução histórica, a revolução informática (similar em termos de impacto à revolução industrial ou à revolução neolítica). E estão deslumbrados consigo mesmos. Eu acho esse excesso de autorreferência uma coisa muito perigosa.

Fale um pouco sobre seu novo livro, Meu destino é ser onça. Como (e quando) surgiu a ideia de escrevê-lo? Quanto tempo levou para concluí-lo? Você diria que é seu livro mais ambicioso (até agora)? Foi o mais difícil de escrever (por causa das pesquisas que precisou fazer)?

Meu destino é ser onça é uma tentativa literária de reconstituir uma possível narrativa mítica tupinambá, que nunca deve ter existido. Nisso reside a literariedade do livro, é o mito do mito, o mito que poderia ter sido. Mas não consigo classificá-lo como um livro de estrita ficção, porque eu respeitei as fontes ao máximo.

Pensei em escrever logo depois que entreguei o O movimento pendular para a Record, no início de 2006, ou seja, levei cerca de dois anos e meio para escrever Meu destino é ser onça. Só consegui fazer nesse tempo tão curto porque tinha já muitas coisas anotadas, de leituras passadas, sobre o assunto, desde 1990, quando pensei em fazer um doutorado em línguas tupi-guarani.

Mas meu livro mais ambicioso, pretensioso mesmo, continua sendo, para mim, O movimento pendular. Nesse eu acho que fiz e disse as coisas mais importantes, mais originais. E foi esse também o mais difícil. Meu destino é ser onça foi mais cansativo, mas não o mais difícil, porque menos pretensioso.

Meu destino é ser onça está catalogado como "Ensaio brasileiro". Mas, como você deixa claro no início dele, você quis também fazer literatura, e não ficar preso ao Ensaio. Então, o que é Ensaio e o que é Ficção? O Mito é a Ficção e os capítulos sobre as fontes seriam o Ensaio (ou, se você preferir, "Não-Ficção")?

O problema da catalogação e das catalogações em geral é não prever as formas híbridas. Acabamos decidindo por classificar o livro como ensaio porque ficava mais estranho dizer que era romance, por exemplo. Mas só por isso. O que existe de ficcional no livro, de literário, é o propósito: a vontade de restaurar uma coisa que nunca existiu. Isso é a ficção. O resto é um trabalho, digamos, racional, que parte de um pressuposto absurdo.

Nota do autor
Mais perguntas a Alberto Mussa e mais sobre Meu destino é ser onça na matéria "Somos todos índios", publicada na revista Brasileiros.

Para ir além






Rafael Rodrigues
Feira de Santana, 21/4/2009

Quem leu este, também leu esse(s):
01. Gabo, os escritores e a política de Wellington Machado
02. O Mito da Eleição de Marilia Mota Silva
03. Beijo surdo de Ana Elisa Ribeiro
04. Barba ensopada de sangue: a ilusão é humana de Isabella Ypiranga Monteiro
05. Esse Caro Objeto do Desejo de Adriane Pasa


Mais Rafael Rodrigues
Mais Acessadas de Rafael Rodrigues em 2009
01. Meus melhores livros de 2008 - 6/1/2009
02. Sociedade dos Poetas Mortos - 10/11/2009
03. No line on the horizon, do U2 - 24/2/2009
04. Gênios e loucos - 10/2/2009
05. Meus melhores discos de 2008 - 27/1/2009


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



>>> PAZ, instalação de Regina Carmona no lago do Parque Ibirapuera
>>> Comediante Felipe Hamachi apresenta noite de humor com a participação de convidados no Mahôe Bar
>>> O CLUSTER - Especial lançamento da Revista Digital
>>> Caleidos Cia Dança abre inscrições para seleção de elenco
>>> O ADVERSÁRIO
>>> Limão Rosa Café completa um ano e passa a oferecer almoço aos sábados
* clique para encaminhar

Companhia das Letras
Hedra
Editora Perspectiva
Intrínseca
Civilização Brasileira
Nova Fronteira
Arquipélago Editorial
Bertrand Brasil
WMF Martins Fontes
Primavera Editorial
Editora Conteúdo
Cortez Editora
Globo Livros
Best Seller
Busca Sebos
José Olympio
Editora Record
LIVROS


4 PS DA OAB 2 FASE - PRÁTICA CONSTITUCIONAL
Por R$ 68,95
+ frete grátis



O ADEUS À EUROPA
Por R$ 38,95
+ frete grátis



BEIJOS DE AREIA
Por R$ 43,95
+ frete grátis



O ARTÍFICE
Por R$ 33,95
+ frete grátis



GARFIELD - QUEBRA-CABEÇAS
De R$ 16,90
Por R$ 15,95
Economize R$ 0,95



COMO VIVER EM TEMPO DE CRISE?
Por R$ 19,95
+ frete grátis



MANUAL PARA NÃO MORRER DE AMOR
Por R$ 24,95
+ frete grátis



14 CONTOS DE KENZABURO OE
Por R$ 62,95
+ frete grátis



CAÇA ÀS SUÁSTICAS
De R$ 40,00
Por R$ 27,59
Economize R$ 12,41



HIGIENÓPOLIS
Por R$ 71,95
+ frete grátis



busca | avançada
46580 visitas/dia
1,5 milhão/mês