O curioso caso de Alberto Mussa | Rafael Rodrigues | Digestivo Cultural

busca | avançada
31179 visitas/dia
1,1 milhão/mês
Mais Recentes
>>> 1ª Festa oficial de aniversário de 124 anos da Vila Madalena
>>> EM 'A COZINHA DA DOIDIVANA', IVANA ARRUDA LEITE CONVIDA FABRÍCIO CORSALETTI PARA JANTAR E BATE-PAPO
>>> CAIXA apresenta o XI Circuito de Teatro em Português entre 18 e 27 de agosto
>>> Sesc Consolação apresenta Histórias de Alexandre com o Grupo 59 e direção de Paoli Quito
>>> Cantora carioca Cimi apresenta seu álbum de estreia 'UM SIM' no Rio
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Da varanda, este mundo
>>> Estevão Azevedo e os homens em seus limites
>>> Séries da Inglaterra; e que tal uma xícara de chá?
>>> A fotografia é um produto ou um serviço?
>>> A noite iluminada da literatura de Pedro Maciel
>>> Apontamentos de inverno
>>> Literatura, quatro de julho e pertencimento
>>> O Abismo e a Riqueza da Coadjuvância
>>> Os Doze Trabalhos de Mónika. 4. Museu Paleológico
>>> Um caso de manipulação
Colunistas
Últimos Posts
>>> Jeff Bezos é o mais rico
>>> Stayin' Alive 2017
>>> Mehmari e os 75 anos de Gil
>>> Cornell e o Alice Mudgarden
>>> Leve um Livro e Sarau Leve
>>> Pulga na praça
>>> No Metrópolis, da TV Cultura
>>> Fórum de revisores de textos
>>> Temporada 3 Leve um Livro
>>> Suplemento Literário 50 anos
Últimos Posts
>>> A imagem de Haroldo Maranhão
>>> Rimas geométricas
>>> Por um cisco
>>> Em relação a ti
>>> Sobre os papéis
>>> Universo ardente
>>> Gramática geral
>>> O CIRCO ESOTÉRICO
>>> Elenco
>>> De pai para filho - Oração
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Claro Enigma, de Carlos Drummond de Andrade
>>> Uma nova corrida espacial?
>>> Modelos plus size: as novas mulheres irreais
>>> A morte de Gilberto Dupas
>>> Além do bem e do mal
>>> Picasso e Matisse: documentos
>>> Produtores
>>> O bom humor do mal-humorado Jamelão
>>> Discutir, debater, dialogar
>>> O homem visto do alto
Mais Recentes
>>> 101 Dicas Essenciais - Microondas
>>> Global Elementary - Workbook With Audio CD
>>> 100 Receitas de Macarrão
>>> 100 Receitas com Lata
>>> Global Coursebook Elementary
>>> A historia não contada da igreja do novo testamento
>>> A História Cultural entre práticas e representações
>>> Ainda Lembro - Jean Wyllys (Biografia/Memórias)
>>> 7o. Habitasul Revelação Literária na Feira - Porto Alegre (Contos e Poesias Brasileiros)
>>> Contos Novos - Mário de Andrade (Literatura Brasileira)
>>> Contos Novos - Mário de Andrade (Literatura Brasileira)
>>> Brás, Bexiga e Barra Funda - A. Alcântara Machado (Literatura Brasileira)
>>> O peru de Natal e outras histórias - Vários Autores - Volume 2 (Contos Brasileiros)
>>> A borboleta em voce
>>> Você vai sair dessa!
>>> Amor de Pai
>>> O que significa ser Cristão
>>> O Ser e o Nada
>>> A Bíblia em resumo - Os 66 livros da Bíblia vistos um a um!
>>> História De Lince
>>> Eva Maria Lakatos - Sociologia Geral (6º edição)
>>> CLT Saraiva Acadêmica e Constituição Federal (2008) - (MINI)
>>> (Mini)Código Civil e Constituição Federal (Ano 2008) - Legislação
>>> Sebastião Amorim - Inventários e Partilha - Teoria e prática
>>> Yussef Said Cahali - Divórcio e Separação (Tomo 1)
>>> Yussef Said Cahali - Divórcio e separação (Tomo 2)
>>> Hugo de Brito Machado - Curso de Direito Tributário (2004)
>>> A historia
>>> O que acontece quando Deus responde as oracoes
>>> O mestre dos mestre
>>> Curso de Direito Tributário - Fábio Ulhoa Coelho (2004)
>>> Contos e Poemas para crianças extremamente inteligentes de todas as idades
>>> Contos e Poemas para crianças extremamente inteligentes de todas as idades
>>> Contos e Poemas para crianças extremamente inteligentes de todas as idades
>>> Considerações sobre as causas da grandeza dos romanos e da sua decadência
>>> As Universidades na Idade Média
>>> Os Pobres na Idade Média
>>> A Infelicidade do Século + Sobre o comunismo, o nazismo e unicidade da Shoah
>>> A Mais Bela História do Amor
>>> Jesus Cristo é o senhor
>>> Evangelismo por fogo
>>> A Invenção da Sociedade
>>> O Presente do Fazedor de Machados
>>> Pequeno Dicionário Filosófico
>>> Dicionário de Simbologia
>>> Dicionário de Símbolos
>>> Dicionário do Cristianismo
>>> 1492 + Os acontecimentos que marcaram o início da Era Moderna
>>> O Cemitério de Praga
>>> Meditando no Ritmo do Coração
COLUNAS

Terça-feira, 21/4/2009
O curioso caso de Alberto Mussa
Rafael Rodrigues

+ de 5900 Acessos

Fosse feito um levantamento sobre qual o perfil dos personagens mais presentes na literatura brasileira contemporânea, certamente seria constatado que eles são homens, com idade entre 25 a 50 anos, geralmente escritores (ou aspirantes a), professores ou homens de negócios; são também, em sua maioria, solteiros e quase sempre estão atravessando uma crise existencial. Isso se analisarmos somente obras de autores do sexo masculino. Entre as escritoras, o caso é um pouco mais simples: as personagens são mulheres em alguma crise de idade (dos 20, 30, 40 ou 50), (mal) casadas ou à procura de um relacionamento estável (geralmente estão envolvidas com algum homem muito instável); no quesito profissão, ou elas são profissionais bem-sucedidas ou são donas de casa amarguradas.

Não obstante os pseudoescritores, herdeiros de Charles Bukowski, John Fante, Allen Ginsberg e companhia (estes, sim, escritores de verdade, não seus imitadores) e pseudoescritoras netas de Clarice Lispector, Florbela Espanca e Virginia Woolf (estas, sim, escritoras de verdade, não suas imitadoras), sem dúvida existem livros de qualidade contendo personagens tão comuns. Mas só aparentemente comuns.

Alguns escritores e escritoras conseguem tirar das influências mais batidas (Rosa, Lispector, Cortázar, Borges, Kafka) algo novo, original. Conseguem fazer de uma história aparentemente simples uma bela e tocante obra ― por vezes perturbadora ―, como fazem, por exemplo, Menalton Braff, Mayrant Gallo, Ronaldo Correia de Brito, Ruy Espinheira Filho e outros tantos. Mas isso porque esses autores não beberam apenas em fontes "batidas". A qualidade de todos vem também das suas vivências pessoais e da convivência (real ou apenas "literal", no sentido de que apenas através dos livros) com autores menos explorados pela maioria dos contemporâneos, ou seja, os clássicos, dos quais geralmente os "novos" escrevinhadores tomam distância ― talvez por preguiça de lê-los.

É por isso que casos curiosos como o de Alberto Mussa, que está alheio a tudo isso, devem ser alardeados.

Seu mais novo livro, Meu destino é ser onça (Record, 2009, 272 págs.), é tão original quanto os anteriores (Elegbara, O Enigma de Qaf, O movimento pendular e O trono da rainha Jinga) ― se não mais. No limiar entre o ensaio e a ficção, Meu destino é ser onça valeria a pena somente pelo Mito Tupinambá que é recriado por Mussa, digno de ser relido diversas vezes, tamanha sua fluidez (é quase hipnótico) e sua aura de mistério. Mas, além disso, o autor reproduziu trechos dos escritos de historiadores que documentaram suas passagens pelo Brasil na época do "Descobrimento", como André Thevet, Padre Manuel da Nóbrega, Gabriel Soares de Sousa e outros, sobre os índios. Esses trechos são um capítulo à parte, por serem relatos feitos no calor ― em ambos os sentidos ― e na urgência da hora. O conjunto da obra culmina num fundamental documento sobre a História do Brasil, imprescindível para estudiosos e também para os leigos. A todos os brasileiros, Mussa deixa um recado: "Há 15 mil anos somos brasileiros; e não sabemos nada do Brasil". Na entrevista abaixo, concedida por e-mail, o autor fala sobre sua carreira e, claro, sobre seu mais novo livro.

Uma obra singular como a sua não deve ter encontrado editores ávidos para publicá-la. Como foi o início da sua carreira, as primeiras tentativas de publicação? Você precisou bancar seus primeiros livros ou encontrou editores dispostos a apostar neles? E agora, que você é publicado pela maior casa editorial do país (Record)? A cobrança é maior ou a liberdade é maior (porque você está mais tranquilo, já que "tem uma editora")?

Minha história deve ser parecida com a de muita gente. Meu primeiro livro, Elegbara, foi edição paga. Depois, ganhei uma bolsa da Biblioteca Nacional para escrever O trono da rainha Jinga. E o livro foi aceito pela Nova Fronteira, que na época andou publicando autores que ganharam esse prêmio. Mas o livro não "aconteceu", teve só uma resenha, na época do lançamento, e a editora não estava animada a publicar o terceiro livro, O Enigma de Qaf. Foi aí que a Ana Maria Santeiro, que até hoje é a minha agente, me apresentou à Luciana Villas-Boas, e em menos de um mês eu tinha o contrato nas mãos. Foi meu primeiro sucesso (é claro, dentro das minhas circunstâncias) literário. Ganhei prêmios, tive matéria em vários jornais e revistas. Depois disso, as coisas ficaram mais fáceis. Minha relação com a Luciana, e com toda a equipe da editora, é a melhor possível. Sou amigo de todos. Hoje, todos os meus livros são publicados pela Record, que inclusive reeditou os dois primeiros. Sinto que ali é a minha casa, estou plenamente realizado.

A História do Brasil não está muito presente nos livros de autores brasileiros, você concorda? Exceto os anos de chumbo (a Ditadura), poucas são as épocas históricas que servem de "pano de fundo" para romances e contos brasileiros. Por que isso acontece? Você tem alguma teoria a respeito?

Não sei se chega a ser uma teoria, mas acho que nós vivemos um momento em que a cultura do imediato é quase uma obsessão. São transmissões em tempo real, é a virtualidade, o celular, o GPS, o MSN, a ideia do agora, do instantâneo, do contemporâneo. Um mundo assim não dá espaço para a reflexão, as pessoas ficam grudadas no computador obcecadas pelo seu próprio tempo, assistindo em tempo real as coisas que acontecem. Há um sentimento geral de que vivemos um período de revolução histórica, a revolução informática (similar em termos de impacto à revolução industrial ou à revolução neolítica). E estão deslumbrados consigo mesmos. Eu acho esse excesso de autorreferência uma coisa muito perigosa.

Fale um pouco sobre seu novo livro, Meu destino é ser onça. Como (e quando) surgiu a ideia de escrevê-lo? Quanto tempo levou para concluí-lo? Você diria que é seu livro mais ambicioso (até agora)? Foi o mais difícil de escrever (por causa das pesquisas que precisou fazer)?

Meu destino é ser onça é uma tentativa literária de reconstituir uma possível narrativa mítica tupinambá, que nunca deve ter existido. Nisso reside a literariedade do livro, é o mito do mito, o mito que poderia ter sido. Mas não consigo classificá-lo como um livro de estrita ficção, porque eu respeitei as fontes ao máximo.

Pensei em escrever logo depois que entreguei o O movimento pendular para a Record, no início de 2006, ou seja, levei cerca de dois anos e meio para escrever Meu destino é ser onça. Só consegui fazer nesse tempo tão curto porque tinha já muitas coisas anotadas, de leituras passadas, sobre o assunto, desde 1990, quando pensei em fazer um doutorado em línguas tupi-guarani.

Mas meu livro mais ambicioso, pretensioso mesmo, continua sendo, para mim, O movimento pendular. Nesse eu acho que fiz e disse as coisas mais importantes, mais originais. E foi esse também o mais difícil. Meu destino é ser onça foi mais cansativo, mas não o mais difícil, porque menos pretensioso.

Meu destino é ser onça está catalogado como "Ensaio brasileiro". Mas, como você deixa claro no início dele, você quis também fazer literatura, e não ficar preso ao Ensaio. Então, o que é Ensaio e o que é Ficção? O Mito é a Ficção e os capítulos sobre as fontes seriam o Ensaio (ou, se você preferir, "Não-Ficção")?

O problema da catalogação e das catalogações em geral é não prever as formas híbridas. Acabamos decidindo por classificar o livro como ensaio porque ficava mais estranho dizer que era romance, por exemplo. Mas só por isso. O que existe de ficcional no livro, de literário, é o propósito: a vontade de restaurar uma coisa que nunca existiu. Isso é a ficção. O resto é um trabalho, digamos, racional, que parte de um pressuposto absurdo.

Nota do autor
Mais perguntas a Alberto Mussa e mais sobre Meu destino é ser onça na matéria "Somos todos índios", publicada na revista Brasileiros.

Para ir além






Rafael Rodrigues
Feira de Santana, 21/4/2009


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Quem é mesmo massa de manobra? de Cassionei Niches Petry
02. Srta Peregrine e suas crianças peculiares de Ricardo de Mattos
03. Radiohead e sua piscina em forma de lua de Luís Fernando Amâncio
04. Um safra de documentários de poesia e poetas de Elisa Andrade Buzzo
05. E+ ou: O Estadão tentando ser jovem, mais uma vez de Julio Daio Borges


Mais Rafael Rodrigues
Mais Acessadas de Rafael Rodrigues em 2009
01. Meus melhores livros de 2008 - 6/1/2009
02. Sociedade dos Poetas Mortos - 10/11/2009
03. No line on the horizon, do U2 - 24/2/2009
04. Gênios e loucos - 10/2/2009
05. Indignação, de Philip Roth - 27/10/2009


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




PEQUENOS BURGUESES/MÃE - MÁXIMO GORKI (TEATRO/LITERATURA RUSSA)
MÁXIMO GORKI
ABRIL CULTURAL
(1979)
R$ 12,00



NEUROFISIOLOGIA DO COMPORTAMENTO: UMA RELAÇÃO ENTRE O FUNCIONAMENTO CEREBRAL E AS MANIFESTAÇÕES COMPORTAMENTAIS
MARIA APARECIDA DOMINGUES DE OLIVEIRA
ULBRA
(1999)
R$ 250,00
+ frete grátis



A DEMANDA DO SANTO GRAAL
TRADUÇÃO: HEITOR MEGALE
ATELIÊ EDITORIAL
(2016)
R$ 20,00
+ frete grátis



QUEM SÃO OS 144.000 SELADOS E AS DUAS TESTEMUNHAS DO APOCALIPSE?
WIM MALGO
CHAMADA
(1999)
R$ 37,60
+ frete grátis



A SEMENTE
MARILIA FAIRBANKS MACIEL
CLUBE DO LIVRO
(1977)
R$ 2,50



MISTO-QUENTE
CHARLES BUKOWSKI
LPM
(2005)
R$ 19,90



COMÉDIAS DE MARTINS PENA
MARTINS PENA
EDIOURO
R$ 18,00



AS CHAVES DO REINO
L. PALHANO JR.
PUBLICAÇÕES LACHÂTRE
(2000)
R$ 2,00



INTRODUÇÃO À ECLESIOLOGIA
SALVADOR PIÉ-NINOT
LOYOLA
(2013)
R$ 28,00



A DIMENSÃO HUMANA DA GOVERNANÇA CORPORATIVA
HERBERT STEINBERG
GENTE
(2003)
R$ 9,90





busca | avançada
31179 visitas/dia
1,1 milhão/mês