O fim do livro, não do mundo | Marta Barcellos | Digestivo Cultural

busca | avançada
37900 visitas/dia
1,3 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Banda GELPI, vencedora do concurso EDP LIVE BANDS BRASIL, lança seu primeiro álbum com a Sony
>>> Celso Sabadin e Francisco Ucha lançam livro sobre a vida de Moracy do Val amanhã na Livraria da Vila
>>> No Dia dos Pais, boa comida, lugar bacana e MPB requintada são as opções para acertar no presente
>>> Livro destaca a utilização da robótica nas salas de aula
>>> São Paulo recebe o lançamento do livro Bluebell
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Rinoceronte, poemas em prosa de Ronald Polito
>>> A forca de cascavel — Angústia (FUVEST 2020)
>>> O reinado estético: Luís XV e Madame de Pompadour
>>> 7 de Setembro
>>> Outros cantos, de Maria Valéria Rezende
>>> Notas confessionais de um angustiado (VII)
>>> Eu não entendo nada de alta gastronomia - Parte 1
>>> Treliças bem trançadas
>>> Meu Telefunken
>>> Dor e Glória, de Pedro Almodóvar
Colunistas
Últimos Posts
>>> Diogo Salles no podcast Guide
>>> Uma História do Mercado Livre
>>> Washington Olivetto no Day1
>>> Robinson Shiba do China in Box
>>> Karnal, Cortella e Pondé
>>> Canal Livre com FHC
>>> A história de cada livro
>>> Guia Crowdfunding de Livros
>>> Crise da Democracia
>>> Banco Inter É uma BOLHA???
Últimos Posts
>>> Uma crônica de Cinema
>>> Visitação ao desenho de Jair Glass
>>> Desiguais
>>> Quanto às perdas I
>>> A caminho, caminhemos nós
>>> MEMÓRIA
>>> Inesquecíveis cinco dias de Julho
>>> Primavera
>>> Quando a Juventude Te Ferra Economicamente
>>> Bens de consumo
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Ação Social
>>> Dá-lhe, Villa!
>>> forças infernais
>>> 20 de Abril #digestivo10anos
>>> Pensando sozinho
>>> Minha casa, minha cama, minha mesa
>>> Aranhas e missangas na Moçambique de Mia Couto
>>> Novos Melhores Blogs
>>> Reflexões para um mundo em crise
>>> Não Aguento Mais a Empiricus
Mais Recentes
>>> Plantas de Cobertura do Solo Caracteristicas e Manejo Em Pequenas . de Claudino Monegal pela Autor (1991)
>>> Os Honorários Advocatícios na Justiça do Trabalho - de Carlos Roberto Ramos pela : Conceito (2013)
>>> 1985 - o Autor de Laranha Mecânica Contesta o 1984 de Orwell e Mostra de Anthony Burgess pela Lpm (1980)
>>> Ciencias Criminais - Articulacoes Criticas Em Torno dos 20 Anos da Con de Ana C. B. de Pinho pela Lumenjuris (2009)
>>> Manual de Anestesia Em Pequenos Animais - de Paddleford pela Roca (2001)
>>> Las Investigaciones de Alvirah y Willy de Mary Higgins Clark pela Plaza & Janes (1998)
>>> Manual de Direito Constitucional - Volume Único de Marcelo Novelino pela Metodo (2014)
>>> Surfing and Health: Expert, Medial and Advice de Joel Steinman pela Meyer (2019)
>>> Competition in Global Industries de Michael E. Porter pela : Harvard Business School (1986)
>>> 22/11/63 - Novela de Stephen King pela Plaza Janés (2012)
>>> Guia Autorizado Adobe Photoshop 7. 0 - Com Cd - Livro de Treinamento de O mesmo pela Makron Books (2003)
>>> Instrumentos Musicales Precortesianos de Samuel Marti pela Inah (1968)
>>> Lo Mejor de La Siesta Inolvidable de Jorge Halperín pela Aguilar (2005)
>>> Novo Comentário Bíblico Contemporâneo - Lucas de Graig A. Evans pela Vida (1996)
>>> Etiquette For Outlaws de Rob Cohen pela Harper Entertainment (2001)
>>> Caixa de Pássaros de Josh Malerman pela Intrinseca (2015)
>>> Retratos e Fotogramas: Isabelle Huppert de Sesc SP pela Sesc (2009)
>>> As minas de Salomão de Eça de Queiroz pela Livraria Lello
>>> Sim Não de Jussara Braga pela do Brasil (1987)
>>> Alves & C.a de Eça de Queiroz pela Livraria Lello (1928)
>>> Fogo no Céu! de Mary França - Eliardo França pela Ática (1991)
>>> Contos de Eça de Queiroz pela Livraria Lello (1934)
>>> An Amazing Story de Telma Guimarães Castro Andrade pela Atual (1996)
>>> O crime do Padre Amaro de Eça de Queiroz pela Livraria Lello (1935)
>>> Codorna - Criação - Instalação - Manejo de Irineu Fabichak pela Nobel (1987)
>>> Guerras Secretas -Super-Heróis Marvel de Alex Irvine pela Novo Século (2016)
>>> Cartas de Inglaterra de Eça de Queiroz pela Livraria Lello
>>> Cem Anos de Iberê de Luiz Camillo Osorio pela Cosac Naify (2014)
>>> Dia de Aninha de Ciça Alves Pinto pela Global (1996)
>>> Lasar Segall Un Expresionista Brasileño de Ivo Mesquita, Jorge Schwartz e outros pela Takano (2002)
>>> The White Mountains de John Christopher pela Longman (1974)
>>> Laje de Santos, Laje dos Sonhos de Guilherme Kodja Tebecherani, Ana Paula Pinto e outros pela Globo (2009)
>>> Ulster Story de Michael Villeneuve pela Longman (1977)
>>> Marco Giannotti de Nelson Brissac Peixoto pela Cosac Naify (2007)
>>> Morri para Viver de Andressa Urach pela Planeta (2015)
>>> Esio Trot de Roald Dahl pela Puffin Books (2001)
>>> Laura Belém de Laura Belém e outros pela Cosac Naify (2013)
>>> Brave New World de Aldous Huxley pela Longman (1978)
>>> Favela, um Bairro de Cristiane Rose Duarte e Outros (org.) pela Pro (1996)
>>> 1/3 da Vida de Wanderley Oliveira e Ermance Dufaux pela Dufaux (2016)
>>> Quê ?! de Tião Carneiro pela Autor
>>> Conheça a Verdade de Bruce Milne pela Abu (1987)
>>> Para uma Nova Era, Poesia & Prosa de Remisson Aniceto pela Patuá (2019)
>>> Mentes perigosas de Ana Beatriz Barbosa Silva pela Fontanar (2008)
>>> Meu menino vadio de Luiz Fernando Vianna pela Intrínsica (2017)
>>> Correndo com tesouras de Augusten Burroughs pela Ediouro (2002)
>>> Supernova - A Estrela dos Mortos de Renan Carvalho pela Novo Conceito (2015)
>>> Supernova - O Encantador de Flechas de Renan Carvalho pela Novo Conceito (2015)
>>> Segregação e Gentrificação: Os conjuntos habitacionais em Natal de Sara Raquel Fernandes Queiroz de Medeiros pela Edufrn (2018)
>>> Repensar as Familias de Fiona Williams pela Principia (2004)
COLUNAS

Sexta-feira, 20/4/2012
O fim do livro, não do mundo
Marta Barcellos

+ de 4300 Acessos

As notícias nos dão conta: já vivemos a nostalgia do livro. Observe que, quando escrevo aqui a palavra livro, antecedida da palavra nostalgia, uma imagem robusta apossa-se da mente dos leitores digitais que me acompanham: um tomo considerável, talvez clássico da literatura de ficção, um romance daqueles que espelhava, provocava e civilizava o mundo nos bons tempos, graças ao dom de um autor genial e infelizmente sem antecessores na contemporaneidade.

Pois é, o mundo não é mais assim. O tal autor partiu-se em muitos, vozes se espalham por toda parte, em todo tipo de mídia e de linguagem, e o livro de papel - com a experiência de profundidade e fabulação que ele representa - de fato está em perigo. Como leitora que teve a emoção e o conhecimento forjados por volumes assim, também me lamento. E fico feliz por minha filha de 12 anos ainda ter conhecido esta era, mesmo que atracada aos Jogos Vorazes de sua geração. Não, ela não está lendo Dostoievski aos 12 anos, como muitos literatos experimentaram, mas pelos seus relatos entusiasmados tento imaginar que o best seller do momento é uma espécie de 1984, com uma crítica extra aos reality shows. A seu jeito, quem sabe, um dos últimos clássicos do papel.

Terei a oportunidade de acompanhar de perto como será a evolução (?) de sua leitura nos próximos anos, a transformação de uma geração em transição: observar quando passará aos leitores digitais, se fará isso em relação a todas as suas leituras, de que forma se dividirá entre os dois suportes, se a lembrança da pré-adolescência acompanhada por coleções como Harry Potter e Jogos Vorazes também fará dela uma nostálgica, quem sabe garantindo uma sobrevida ao papel além da nossa geração.

Mas a ideia aqui não é engrossar o coro de futurólogos com seus palpites certeiros sobre a dimensão e as características da migração da nossa leitura para formatos digitais. Particularmente, tenho pensado que o sentido de permanência, próprio das letras impressas em papel, lhe garantirão ao menos um nicho de mercado, nem que seja a la vinil. Não faço apostas, no entanto. Vai que a valorização do permanente está mais para característica individual do que humana ou geracional...

Meu intento é mostrar que o fim do livro, como o conhecemos naquela imagem lá em cima deste texto digital (texto que pode ser alterado por mim a qualquer momento), não será o fim do mundo nem da humanidade. Será (ou melhor, já está sendo) sucedido por outras formas de transmissão de conhecimento e de valores. Como acontece quando uma geração julga a anterior, não temos o distanciamento necessário para avaliar o que se perde e o que se ganha - e talvez o exercício de contabilizar perdas, como se tem feito insistentemente, tenha pouca serventia neste momento.

Estas reflexões me vieram ao ler um ensaio do professor João Cezar de Castro, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), questionando a propalada crise da crítica literária, e, por tabela, da própria literatura. Em um passeio pela história, Castro mostra os temores, entre intelectuais e filósofos de certa época, gerados pela difusão de uma nova tecnologia: a do livro.

Não por acaso, ele encontra um primeiro vestígio do problema em um romance de Victor Hugo ambientado em 1482, Notre-Dame de Paris. O personagem Dom Claude compara a novidade do livro impresso com a Catedral: "Infelizmente! - disse -, isto matará aquilo". Ou seja, o livro destruiria o edifício; a imprensa superaria a arquitetura. Antes havia a cátedra e o manuscrito, agora a palavra falada e a palavra escrita se alarmavam com a palavra impressa.

Mas foi quando o livro se tornou objeto cotidiano que a tradição na transmissão de conhecimento e de valores se viu de fato ameaçada: "Receio que a abundância e o baixo preço [do livro] terminem por fazer com que fiquemos mais negligentes", proferiu em 1708 o filósofo italiano Giambattista Vico, em discurso inaugural da Universidade de Nápoles. A preocupação era de que difusão de textos impressos tornasse negligente o corpo discente das universidades.

"Os alunos preguiçosos prevalecerão, pois, tanto tendem a descuidar da aprendizagem oral, quanto da formação letrada. De um lado, faltam às aulas, já que o conteúdo das mesmas se encontra nos livros. De outro, negligenciam a leitura, porque podem aprender de oitiva". Se trocarmos a palavra "livros" por "internet", observa Castro, teremos uma reclamação bem atual dos professores, e no entanto a afirmação acima foi feita pelo filósofo alemão Johann Gottlieb Fichte em 1807.

Antes de concluirmos nossa viagem ao passado, é importante ressaltar aonde não se quer chegar: não se trata de igualar as novas tecnologias para mostrar que todas encontraram resistências por parte dos conservadores. Para além desta banalidade está o fato de que grandes inovações - como o livro e o fim de seu formato original - não devem ser reduzidas a uma análise de retrocessos e avanços imediatos.

Por exemplo: no caso da universidade ameaçada pelo livro ("A verdadeira universidade de nossos dias é uma biblioteca", afirmou em 1840 o historiador escocês Thomas Carlyle), foi necessário desenvolver um novo sistema universitário, e chegou-se desta forma à associação entre ensino e pesquisa, na qual se produz um conhecimento novo. "Ou seja, que ainda não se encontra em livro algum!", diz Castro. Foi assim que se construiu o modelo da universidade moderna.

Obviamente, hoje, transformações já estão em curso. A perda da centralidade da literatura no mundo atual (no Brasil semialfabetizado, chegou a ter papel central?) ocorre no momento em que surge a internet. O mundo não cairá na barbárie, caso a literatura como a entendemos atualmente perca de vez a importância na formação humana. E o que será da literatura, seus autores e leitores apaixonados? "O caráter marginal da literatura assegura a criadores, críticos e teóricos uma liberdade inédita, cujo aproveitamento exige a recusa de posições nostálgicas ou ressentidas", diz Castro. Festejemos a marginalidade.



Marta Barcellos
Rio de Janeiro, 20/4/2012


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Meu querido mendigo de Elisa Andrade Buzzo
02. Desbloqueie seu cartão, aumente seu pênis de Luís Fernando Amâncio
03. Contra a breguice no Facebook de Marta Barcellos
04. Monteiro Lobato: fragmentos, opiniões e miscelânea de Gian Danton
05. Só por uma noite de Carina Destempero


Mais Marta Barcellos
Mais Acessadas de Marta Barcellos em 2012
01. A Paris de Chico Buarque - 19/10/2012
02. O fim do livro, não do mundo - 20/4/2012
03. O Facebook e a Alta Cultura - 17/8/2012
04. Esquecendo de mim - 25/5/2012
05. O direito autoral vai sobreviver à internet? - 27/1/2012


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




FUNDAMENTOS PSICOBIOLOGICOS DA EDUCAÇÃO
ÍRIS BARBOSA GOULART
LE
(1982)
R$ 6,90



AGOSTO
RUBEM FONSECA
COMPANHIA DE BOLSO
(2005)
R$ 29,90
+ frete grátis



ECOLOGIA CÓSMICA
RONALDO ROGERIO DE FREITAS MOURÃO
FRANCISCO ALVES
(1992)
R$ 25,90
+ frete grátis



PAI O GRANDE HERÓI DA VIDA
DPL
DPL
(2002)
R$ 4,00



ATÉ EU TE ENCONTRAR
GRACIELA MAYRINK
NOVAS PAGINAS
(2013)
R$ 23,00



DIABETES MELLITUS
RUY LYRA E NEY CAVALCANTI
DO AUTOR
(2006)
R$ 35,00



QUARENTENA - NOVA CULTURAL
WEBSTER, JOSH
NOVA CULTURAL
(1988)
R$ 7,00



A ARMADILHA DE DANTE
ARNAUD DELALANDE; MARIA DE FATIMA OLIVA DO COUTTO
RECORD
(2009)
R$ 14,90



NOVO TESTAMENTO 2A. - TRAD. ORIGINAL GREGO
FREI MATEUS HOEPERS
VOZES
(1958)
R$ 19,70



O DOM SUPREMO
PAULO COELHO; HENRY DRUMMOND
SEXTANTE
(2011)
R$ 10,00





busca | avançada
37900 visitas/dia
1,3 milhão/mês