Revolusséries | Luís Fernando Amâncio | Digestivo Cultural

busca | avançada
38231 visitas/dia
947 mil/mês
Mais Recentes
>>> Alex Flemming inaugura intervenção "Anaconda" na Casa-Museu Ema Klabin
>>> Fundação Ema Klabin abre Festival Internacional de Música Judaica
>>> Projeto Jardim Imaginário inaugura a instalação "Penetra" de Marcius Galan
>>> Silibrina é uma das bandas brasileiras selecionadas para o SXSW
>>> Chapel Art Show comemora 50 anos e homenageia German Lorca
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> A poesia afiada de Thais Guimarães
>>> Manchester à beira-mar, um filme para se guardar
>>> Noel Rosa
>>> Sabemos pensar o diferente?
>>> Notas de leitura sobre Inácio, de Lúcio Cardoso
>>> O jornalismo cultural na era das mídias sociais
>>> Crítica/Cinema: entrevista com José Geraldo Couto
>>> O Wunderteam
>>> Fake news, passado e futuro
>>> Luz sob ossos e sucata: a poesia de Tarso de Melo
Colunistas
Últimos Posts
>>> Jeff Bezos é o mais rico
>>> Stayin' Alive 2017
>>> Mehmari e os 75 anos de Gil
>>> Cornell e o Alice Mudgarden
>>> Leve um Livro e Sarau Leve
>>> Pulga na praça
>>> No Metrópolis, da TV Cultura
>>> Fórum de revisores de textos
>>> Temporada 3 Leve um Livro
>>> Suplemento Literário 50 anos
Últimos Posts
>>> Vegetativo
>>> Açaí com granola
>>> Em suspenso
>>> Nesse mundo de anjos e demônios
>>> A lâmpada
>>> Irredentismo
>>> Tabela periódica
>>> Insone
>>> Entre Súcubos e Íncubos
>>> Aonde eu quero chegar
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Adiós, muchachos
>>> Bang bang: tiroteio de clichês
>>> absolutamente
>>> Estrangeirismos, empréstimos ou neocolonialismo?
>>> Verão Poesia Internacional BH
>>> Felicidade: reflexões de Eduardo Giannetti
>>> O grande livro do jornalismo
>>> Olga e a história que não deve ser esquecida
>>> Tectônicas por Georgia Kyriakakis
>>> Crítica à arte contemporânea
Mais Recentes
>>> Einstein O Campo Unificado
>>> Dez Lições de Sociologia
>>> Manual do paulistano moderno e descolado
>>> Amor e solidão
>>> Grammar Practice for Intermediate Students
>>> Sombra Errante- a perceptora na narrativa inglesa do século XIX
>>> A mecânica das águas
>>> Judy Moody salva o mundo!
>>> O nascimento do prazer
>>> Cálculo Volume 2
>>> Engenharia de Controle Moderno
>>> Curso de Ciruitos Elétricos Volume 1
>>> Um curso de Cálculo Volume 1
>>> História da Literatura Brasileira - Vol. único
>>> A arte da Guerra - Os treze capítulos - 2ª ed.
>>> Sua Eminência o Cardeal Dom Lucas Moreira Neves
>>> A Princesa Vermelha
>>> As Ilusões Armadas: A Ditadura Envergonhada - Vol. 01
>>> Estudos sobre os Lusíadas////Estudos da Língua Portuguesa
>>> As Ilusões Armadas: A Ditadura Escancarada - Vol. 02
>>> Hamlet
>>> Fedro
>>> Número Zero
>>> Roma Antiga - De Rômulo a Justiniano. Convencional
>>> Essencial Franz Kafka
>>> The Communist Manisfesto And Other Writings
>>> Harlequin (The Grail Quest) Vol. 01
>>> Nova Visão em Ortodontia-Ortopedia Facial
>>> Sociologia - Introdução à ciência da sociedade (4ª ed.)
>>> Diagnostico,Planejamento e Condutas Clinicas na Técnica Ortodôntica
>>> The Child With Traumatic Brain Injury Or Cerebral Palsy
>>> Teoria Geral do Estado
>>> Roteiro para Mídia Eletrônica - TV, rádio, animação e treinamento corporativo
>>> The Art of The Advocate
>>> O Problema da Obediência em Hobbes
>>> Mitos e Mitologias Políticas
>>> 1946 - Le Droit Mis en Scéne
>>> Enfermagem em Cardiologia
>>> Fundamentos de Dentistica Operatoria
>>> Saude EM Contingencia Com Prudutos Quimicos
>>> O medo de Montalbano
>>> Pátria de Histórias Bahia prosa e poesia
>>> Torrentes Espirituais
>>> Azincourt
>>> A Sarsa de Horeb ou o Mistério da Serpente
>>> Homem e Mulher A Integração como caminho de desenvolvimento
>>> Terra à vista. Histórias de náufragos da Era dos Descobrimentos
>>> A Voz íntima do Amor
>>> Desenho Arquitetônico 2ª ed.
>>> Morar Só - Uma opção de vida
COLUNAS

Terça-feira, 21/3/2017
Revolusséries
Luís Fernando Amâncio

+ de 1600 Acessos

O bom de ficar mais velho - e não é fácil encontrar vantagens - é bater no peito e dizer sobre algum assunto: eu vi isso acontecer. Porque o tempo passa e é inevitável que coisas, sejam elas quais forem, aconteçam. Coisas boas, coisas ruins, o diabo a quatro. O tempo não fica parado. Às vezes passa mais devagar, é verdade. Quando eu volto do almoço para o serviço, por exemplo, sei que as 17 horas vão demorar uma pequena eternidade para chegar. Mas chegam. E rapidinho são 18 e eu estou em casa, me sentindo com o ânimo de um folião na Quarta-feira de Cinzas, depois de ser atropelado por um trio elétrico. Cadê os físicos para explicarem essa macumba?

Enquanto eles não chegam, vamos seguir o raciocínio. Coisas acontecendo. São muitas. Só que raramente a gente percebe o que está mudando, não damos o valor às pequenas revoluções do dia a dia. Sabem o motivo? Porque estamos ocupados demais com outros assuntos.

Mas não. Esta não é uma crônica sobre as mazelas da vida contemporânea, sobre a correria dos nossos dias, blá blá blá. Usamos essa desculpa desde antes da queda da Bastilha. Mas a real é a seguinte: em 2017, as pessoas esquecem de levar o cachorro para passear, do aniversário de casamento, o filho na escolinha de futebol, de pagar o IPTU, de dizer o sagrado e sempre necessário #foraTemer de cada dia, por um único motivo, que não é o trabalho, não são os estudos, não é o trânsito, tampouco a filantropia. O motivo da nossa correria atende pelo nome de Netflix.

Caramba. Como a humanidade viveu sem isso até aqui? Eu sou do tempo em que para ver séries era preciso sintonizar nas madrugadas da TV aberta, ou levar o prato da macarronada de domingo para a sala, enquanto Celso Portiolli fazia jogos com os telespectadores nos intervalos. Intervalos, lembram deles?

Assistir série era um passatempo de poucos. As pessoas até nos discriminavam. "Sabe fulano? Ele é até legal. Mas assiste série, sabe, esses programas americanos, com risadas no fundo? Acho isso meio chato".

Mas o tempo têm a velocidade do Flash e não há revolução mais forte do que as silenciosas. Hoje em dia, meus amigos cultivam séries de estimação. E não é uma ou duas. São dezenas! Há série para se ver sozinho, em casal e até aquelas, para toda família. Série de humor, para descontrair; série de episódios com reviravolta, para ficar impressionado; série de terror, pra dormir com medo; Black Mirror, pra temer os caminhos da humanidade; tem até série novelão, pra quem prefere uma A Usurpadora que talks in English. Enfim, há séries à rodo. Inclusive séries ruins.

Há relatos de que a frase "você vem sempre por aqui?" foi substituída nas baladas por "você assiste Game of Thrones?". Também fiquei sabendo que há pessoas que assistem séries com aceleração de quadros para poder ver mais. Tempo era dinheiro, agora significa séries.

Os seriados já existiam antes da Netflix e dominam canais pagos da tv brasileira há algumas décadas. Também há os dvds com temporadas completas, os downloads ilegais e, insisto, as madrugadas do SBT. Mas o Netflix (há outros serviços de streaming, eu sei), com um preço mais justo do que o cobrado pelas operadoras de canais pagos, além de sua acessibilidade mais dinâmica aos dias atuais, massificou o processo.

Seguir algumas séries virou pressão social. Houve um tempo em que eu pensava que acompanhar o futebol era o que me ajudava a interagir com metade das pessoas que conheço. Hoje, refazendo os cálculos, concluo que a outra metade só me dá bom dia porque sabe que eu vi Breaking Bad.

Será que, se vivesse hoje, ao invés de criticar a revolução industrial, Charles Chaplin abordaria a revolução das séries em Tempos Modernos?

Não sei. Só sei que, se você chegou ao fim dessa crônica, provavelmente resistiu a uma janela em seu navegador aberta no Netflix. Obrigado pela leitura. Agora, vai lá, coloca sua vida em dia. Ou seja, pode terminar aquela temporada da série que está assistindo.


Luís Fernando Amâncio
Belo Horizonte, 21/3/2017


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Estevão Azevedo e os homens em seus limites de Guilherme Carvalhal
02. Casa Arrumada de Ricardo de Mattos
03. Metallica e nostalgia de Luís Fernando Amâncio
04. A noite do meu bem, de Ruy Castro de Julio Daio Borges
05. E+ ou: O Estadão tentando ser jovem, mais uma vez de Julio Daio Borges


Mais Luís Fernando Amâncio
Mais Acessadas de Luís Fernando Amâncio em 2017
01. Em nome dos filhos - 31/1/2017
02. Brasil, o buraco é mais embaixo - 7/7/2017
03. O dia que nada prometia - 26/5/2017
04. Revolusséries - 21/3/2017
05. On the Road, 60 anos - 5/5/2017


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




UMA DOBRA NO TEMPO
MADELEINE L'ENGLE
MUNDO CRISTÃO
(2000)
R$ 29,68
+ frete grátis



CRÍTICA DA RAZÃO POPULAR
JOSÉ NEDEL
SANTUÁRIO
(1990)
R$ 10,00



UMA LONGA JORNADA
NICHOLAS SPARKS
ARQUEIRO
(2014)
R$ 8,90



TRILOGIA ERIC BERNE-VOCÊ ESTÁ OK?, OS JOGOS DA VIDA,ANÁLISE TRANSACIONAL EM PSICOTERAPIA
ERIC BERNE
ARTE NOVA ( SUMMUS)
(1977)
R$ 140,40
+ frete grátis



SÃO JORGE DOS ILHÉUS
JORGE AMADO
MARTINS
(1972)
R$ 10,00



A HISTÓRIA SECRETA DAS MENINAS TEMPESTIVAS
INÊS STANISIERE
PLANETA JOVEM
(2008)
R$ 26,00



OS SEGREDOS DO PAI-NOSSO - A SOLIDÃO DE DEUS
AUGUSTO CURY
SEXTANTE
(2011)
R$ 12,40



REDESCOBRINDO O BRASIL 500 ANOS DEPOIS
INÁ ELIAS DE CASTRO & MARIANA MIRANDA & CLÁUDIO A.G. EGLER (ORGANIZADORES)
BERTRAND BRASIL
(1999)
R$ 15,00



O LIVRO VERDE DO PÔQUER - TEXAS HOLD'EM
PHIL GORDON
MARCO ZERO
(2010)
R$ 35,00



O HOMEM VOA - A VIDA DE SANTOS DUMONT O CONQUISTADOR DO AR
NANCY WINTERS
DBA
(2000)
R$ 13,00





busca | avançada
38231 visitas/dia
947 mil/mês