Digestivo nº 175 | Julio Daio Borges | Digestivo Cultural

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DIGESTIVOS

Quarta-feira, 19/5/2004
Digestivo nº 175
Julio Daio Borges

+ de 3900 Acessos




Cinema >>> Fuser
"Diários de Motocicleta", de Walter Salles Jr., é o filme da estação. Não adianta: você vai cansar de ler sobre ele. Isso porque o filme é bom, com um tema de apelo universal, direção cuidadosa, atuação exemplar, e locações esplendorosas da América Latina. Há uma meia dúzia de "senãos", claro, como o "Momento Sebastião Salgado", ao final, mas nada que comprometa o conjunto. Walter Salles já foi muito mais político, e tinha tudo para ser bastante político nesse filme, mas não foi. O que é um paradoxo. A grande razão de ser de "Diários de Motocicleta" é o fato de ele tratar da juventude de Che Guevara, que foi um líder revolucionário. Ocorre, porém, que o grande apelo do filme reside no fato do humanismo, puro e simples, superar quaisquer considerações comunistas, socialistas ou de esquerda. O "engajamento" posterior fica sugerido — afinal essa foi a "viagem de formação" do Che —, mas a pregação não é ostensiva, apesar do tom de documentário, em algumas passagens, como se o personagem colhesse depoimentos. E Gael Garcia Bernal é o ator latino da vez. Já tinha dado as caras por aqui no fraco "O Crime do Padre Amaro" (2002). E quem prestou bastante atenção na aparição de Caetano Veloso no Oscar no ano passado, lembra-se de Bernal apresentando o intérprete de "Burn it Blue" ("Frida", 2003) como "um amigo". (Dado que o ator também está no último de Almodóvar, pode-se imaginar as conexões.) De qualquer forma, é um grande passo para o cinema brasileiro que agora tem um diretor que não pertence só ao Brasil mas ao mundo. Nem Glauber Rocha alcançou tal prestígio; Fernando Meirelles talvez um dia alcance. A "latinidad" está "de moda" no cinema mundial; assim como um certo "orientalismo" para as massas. Gente que nunca ouviu falar de Che Guevara pode agora admirá-lo na sua inocência pré-militância, pois sua "obra" posterior — se considerarmos um balanço até os dias atuais — ficou inacabada, ou falhou vergonhosamente, por conta de figuras hoje lamentáveis como Fidel Castro. E o livro, para quem se empolgou com a sessão, não é bom; embora pareça, Che não foi grande coisa como escritor (fora a mão do "Ministério da Desinformação" cubano nos escritos, que deformou o pouco que havia de autenticidade original). Enfim, "Diários de Motocicleta" é um feito importante, mas nada que transcenda as salas de exibição. [Comente esta Nota]
>>> Diários de Motocicleta
 



Música >>> Please don’t tell me ‘bout the news
Quem não ouviu falar dos Yardbirds? Quem não ouviu, pelo menos, ouviu falar do Led Zeppelin. Então, essa banda, antes de ter esse nome, teve o seguinte: The New Yardbirds. Daí já dá para se ter uma idéia da importância dos Yardbirds originais. O clichê mais comum a se repetir é que o conjunto teve, em algumas de suas formações, nada mais nada menos que Eric Clapton, Jeff Beck e Jimmy Page – ou seja, a nata da guitarra roqueira inglesa dos anos 60 e 70. Quem não ouviu falar nesses caras? Pois os Yardbirds voltaram; como é de direito, como todo mundo “voltou”. E, depois de 35 anos, seu novo CD, “Birdland”, está saindo no Brasil pela Hellion Records, uma “independente para pessoas independentes”. Lá fora, os Yardbirds resolveram se abrigar sob o guarda-chuva da Favored Nations, a gravadora de Steve Vai, outro guitarrista que, nas 6 e nas 7 cordas, já foi Deus na Terra. Vai está obviamente fazendo miséria no CD; mais precisamente, na faixa “Shapes of things” (Vai dizer que você não conhece? “Come tomorrow / Will I be older...”, aliás uma letra bem sugestiva). Além de Little Steve Vai, mais uma constelação de “guitar heros” abrilhantam este “Birdland”, que não é só de “covers”, tem faixas inéditas também. Joe Satriani, por exemplo, o lendário professor de Steve Vai, dá o ar da graça em “Train kept a rollin’” (Essa você conhece, vai? “The train kept a rollin’ all night long / The train kept a rollin’ all night long...”). Jeff Beck, sim ele igualmente “voltou”, empresta o seu timbre e o seu “groove” a “My blind life” (Tudo bem, essa você não precisava conhecer; é nova). Ainda há Slash (aquele, do Guns’n’Roses) e Brian May (do Queen). Surpreende, no meio de toda essa lista, Steve Lukather, do Toto, em “Happenings ten years time ago”, que ficou também famoso por ser muito amigo de... Edward Van Halen. Pronto, não faltou ninguém. O melhor de tudo é que “Birdland” tem qualidade, tem homogeneidade e não é apenas mais um “revival” bobo. Que os Yardbirds venham ao Brasil; e tragam, a tiracolo, toda essa turma. [Comente esta Nota]
>>> Birdland - Yardbirds - Hellion Records
 



Literatura >>> Monólogo com a sombra
Marcelino Freire não gosta quando o chamam de “marqueteiro”. Se pudesse, disse em entrevista, mandava exterminar toda a crítica. O fato é que ele leva jeito para se promover. A si e às suas iniciativas. E isso é “marketing”. J. M Coetzee, o ganhador do último Nobel de literatura, disse – também em entrevista – que não faz sentido, para um escritor, promover a própria obra. Quando termina de escrever, se esvazia daquilo, e não vê lógica em realizar longos colóquios a respeito. Seu último livro, “Elizabeth Costello” (Cia. das Letras), aliás, fala disso. (Para o bem do paradoxo.) Já Marcelino Freire organizou a coletânea “Os cem menores contos brasileiros do século XXI”, para a coleção “5 minutinhos”, que coordena junto à Ateliê Editorial. O pequeno volume, de 10 por 12, é o encontro perigoso da literatura com o livro dos recordes. Marcelino chamou 100 escritores brasileiros do século XXI e obrigou-os a se limitar a 50 letras. Saiu de tudo. Desde piadas, como a de Jorge Furtado (“– Eu não te amo mais./ – O quê? Fala mais alto, a ligação está horrível!”) até aforismos, como o de Newton Moreno (“O ódio fica mais jovem a cada dia”). Quando o critério é a métrica e não a rima, os resultados são desiguais. Mesmo grandes mestres da narrativa curta, como Millôr Fernandes e Dalton Trevisan, tropeçam na bainha da saia, e não conseguem soar mais que engraçadinhos. Antônio Torres foi na média (“Mas o Rio continua lindo/ Pensa o desempregado ao pular do Corcovado”) e Cíntia Moscovich recaiu no inevitável jogo de palavras (“Uma vida inteira pela frente. O tiro veio por trás”). Ela e Ivana Arruda Leite salvaram a honra da “nova geração” (“Feijoada/ Confesso. Fui eu que enfiei a faca na barriga desse porco”). A seleção é eclética, e ninguém pode acusar Marcelino de ter sido descuidado ao chamar os nomes. Há desde os controversos Marcelo Mirisola, Mário Bortolotto e Joca Reiners Terron até os queridinhos Fernando Bonassi, Marçal Aquino e Miguel Sanches Neto. Philip Roth disse, uma vez, que se colocassem todos os escritores americanos num avião, e esse caísse, ninguém daria a mínima. Nós não chegamos ainda nesse estágio, e Marcelino Freire, marqueteiro ou não, está tentando tirar a literatura brasileira do limbo. [Comente esta Nota]
>>> Os cem menores contos brasileiros do século XXI - Marcelino Freire (org.) - 216 págs. - Ateliê Editorial
 
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(3ª f., 18/5, 19h30, VL)

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* Nas Profundezas da Rede - João Octaviano
(3ª f., 19/5, 19h30, VL)
* Almanaque - Ruth Rocha
(Sáb., 22/5, 16hrs., VL)

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* Música das Nações - Quarteto de Vozes
(2ª f., 17/5, 20hrs., VL)
* Fats Waller II - Traditional Jazz Band
(6ª f., 21/5, 20hrs., VL)
* Espaço Aberto - Orquestra Popular da FAAM
(Dom., 23/5, 18hrs., VL)

* Livraria Cultura Shopping Villa-Lobos (VL): Av. Nações Unidas, nº 4777
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*** a Livraria Cultura é parceira do Digestivo Cultural


>>> Circuito Erdinger & Kiss FM
Acontece nesta quarta-feira, dia 19/5, a partir das 21 hrs., no bar Coyote (Rua Quatá, nº 603 - Vila Olímpia - Tel.: 11 3044-0626), onde estará se apresentando a banda The Brittos.

* a Erdinger é parceira do Digestivo Cultural
 
Julio Daio Borges
Editor

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