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Domingo, 5/4/2015
Tuc!
Renato Alessandro dos Santos

+ de 2100 Acessos

Ando me sentindo como se tivesse 16 anos, em 1988. Voltei a ouvir meus discos. Fazia uns 15 anos que não os ouvia como agora. Estavam com poeira, jogados num canto da casa, sem que ninguém desse bola pra eles. Até que, por uma conjunção universal de elementos carregados de eletricidade, uma fagulha pôs em curto-circuito o meu cérebro, e ele, que não dava mais bola alguma para discos de vinil, voltou a ver nessas bolachas algo que não encontrava, justamente, desde que a onda seguinte, os CDs, lá nos anos 1990, chegou para mandar para o exílio toda a minha coleção de discos. E se você pensa que são poucos os que voltaram a ouvir seus discos não vai acreditar quando descobrir os preços que alguns lps, que na virada do século eram vendidos a preço de banana, custam agora. Quer comprar algum disco do Led Zeppelin? Que tal os primeiros do Uriah Heep ou do Nazareth? Mutantes? Você terá de andar de ônibus e deixar o carro em casa. Será preciso economizar para voltar a ouvir discos que, lá na adolescência, você trocava por livros ou outras dessas bugigangas que deixam a vida de qualquer um inesquecível. Um acontecimento, enfim.

E sabe que tudo começou porque... porque... Por quê?



Uma coisa é certa: por causa do filme Quase famosos (Almost famous). Fui ver a versão do diretor, de quase três horas, e, de novo, aparecem aqueles discos sugestivos: nunca me esqueci da cena em que o garoto ganha os discos da irmã, que foge estrada afora com o namorado; é quando a câmera mostra a capa de alguns dos álbuns que a hermana roqueira deixa para o irmão. Uau: Pet sounds (The Beach Boys), II (Led Zeppelin), Tommy (The Who), et cetera.

Outra é porque tem a ver com escrever. Jack Kerouac, durante os 21 dias que gastou para escrever a primeira versão de On the Road, com a cabeça cheia de benzedrina, levantava-se, imagino, toda hora para pegar uma cerveja na geladeira. A vantagem de escrever ouvindo discos, noto agora, é que você escreveescrevescreve e, de repente, acaba o lado A, ou o lado B, e, de um jeito ou de outro, seja para virar o disco seja para trocá-lo, você se levanta e oxigena seu cérebro e escrevescrevescreve novamente.

Outra coisa certa foi ter encontrado um amigo na virada deste ano, na casa da minha sogra, o Dênis, que tem, em vinil, a coleção do Led Zeppelin e do AC/DC, além de outras beldades dos anos de ouro do rock. Conversando com ele, me dei conta de que a paixão pelos discos havia recomeçado, e agora me encontro aqui, num sábado à tarde, com um doutorado pra terminar, escrevendo este texto. (Que minha orientadora não o leia. Oi, Maria Clara. Desculpe) É que hoje aguardava uma encomenda que chegaria por Sedex. Ontem, já havia chegado o Rampant, do Nazareth. Que disco! Mas quando o carteiro passou, eu estava dormindo e, quando acordei, só havia um recado de que precisaria pegar os discos na segunda-feira.

Você não está entendendo.

Vê bem: sabe qual era a encomenda? Alguns discos, mas não uns discos quaisquer. Todos os discos do Led Zeppelin, à exceção do II; Let there be rock, do AC/DC; o Meddle, do Pink Floyd, e o The dark side of the moon. Meu: The dark side of the moon! Meu! Finalmente!

Imagine minha tristeza quando vi o comunicado dos Correios em minha caixa de correio. Tristeza. Liguei lá, mas ninguém atendeu. Pensei em rolar pra lá e pra cá pelo chão, mas não tenho mais idade pra isso. Se bem que voltei a ter 16 anos. Então, rolei pra lá e pra cá. Minha mulher, vendo aquilo, achou que eu havia ficado gira e, por isso, em vez de se unir a mim, preferiu lamentar o vexame da cena em si. Quando disse a ela o que houve, falou: Vai lá!. Como não havia pensado nisso antes?! Cobri-a de beijos, abraços, horas felizes até, e fui lá. Quando cheguei, só havia uma moto desolada no estacionamento e o sol a pino lamentando o meu azar. Já ia virar as costas e ir embora, quando a porta, como gergelim, repentinamente, abriu-se. Sai de lá um funcionário que não queria por nada deste mundo me entregar caixa alguma. Vai levar 20 minutos até eu achar sua encomenda. Moço, por favor, estava ansioso esperando essa encomenda. Não queria dizer que eram discos, porque ele poderia imaginar que eu sobreviveria a um fim de semana sem eles. Mas o homem estava irredutível. Eu já ia virando as costas, cenhos franzidos, punhos cerrados, quando ele, de certo com medo de que fosse levar uma voadora, acabou cedendo e voltou para dentro. Não levou nem dois minutos para vê-lo chegando com uma caixa. Ah, que alegria é receber em mãos uma caixa vinda pelo correio. Lembra? Ele me fez assinar uma folha qualquer lá e me entregou o baú, repleto de tesouros. Saí dali e, zás-trás, cheguei em casa. Abri a porta. Abri o baú. De lá de dentro, 11 discos pularam em meu colo, abraçando-me afetuosamente. Mostrei-os à amada e subi correndo para o meu cantinho, onde me encontro agora, em cima de uma nuvem. Os ouvidos o-u-v-e-m, neste momento, Overdose, segunda faixa do lado B de Let there be rock, disco que tem estampado o ano de 1978 nele - fui ver. Êxtase. Estou em êxtase. Sabe a diferença entre ter todos os discos do AC/DC num pen-drive e ter um único disco deles em vinil? Lembra quando você tirava o disco da capa, do envelope de plástico dentro dele e o colocava no prato do toca-discos? Lembra daquele barulhinho que vinha em seguida, quando a agulha, caía sobre ele?


Postado por Renato Alessandro dos Santos
Em 5/4/2015 às 14h56


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