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Terça-feira, 28/4/2015
A literatura como vício
Renato Alessandro dos Santos

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Eu nunca tive talento para tocar guitarra. Durante toda minha adolescência, eu bem que quis ser um grande guitarrista e tal, mas descobri que não levava jeito praquilo. Acho que é por isso que meu violão hoje vive com uma eterna camada de poeira sobre si. Que dó! Embora não me faça falta, nem por isso ele fica jogado num canto qualquer do quarto, a contemplar uma réstia de sol que lá continua a brilhar; ele simplesmente fica ali, ao lado da cama, de boca aberta, esperando de mim uma dedicação de amor eterno que nunca vai ter, porque, como disse, nunca tive talento para tocar guitarra. Na infância, competia com meu avô para ver quem estragava mais "Menino da porteira", aquela música caipira que ficou famosa com Sérgio Reis -- Sérgio Reis! Olha só que beleza!

"Nunca tive talento para coisa alguma. Na aula de educação física, parecia um ponto de exclamação (!) assustado, um graveto-magricela que jogava basquete tão bem quanto qualquer jogador da seleção brasileira na final da Copa de 1998, na França, naquele jogo em que Ronaldo surtou. Acho que posso comparar o que brasileiros sentem pelo futebol com a mesma paixão que artistas, por exemplo, sentem pelo vinho, ou com o que pensam astrônomos e poetas a respeito de estrelas. Enfim, descobri que basquete também não era para mim.

Se recordasse minha infância, me lembraria que fui goleiro do Santos, cientista louco, detetive particular, tripulante da frota estelar, guitarrista do Kiss e sabia que me casaria com a princesa Diana -- porque ela sabia, na verdade, que seu príncipe encantado não era o Charles, mas um garoto que amava o Gato Félix e o Sítio do Pica-Pau Amarelo, todo metido a engraçadinho, que vivia em Araraquara, uma cidade do interior paulista tão divertida como uma reunião dos Alcoólatras Anônimos.

Deixei a infância quando me tornei médico. Minha prima sempre era a paciente, mas hoje ela não se lembra mais disso. W. B. Yeats, um poeta irlandês do século 19, escreveu que a inocência e a beleza não têm nenhum inimigo, exceto o tempo. Imagino quantas crianças deixaram de ser crianças quando brincaram de médico pela última vez.

Bem, de qualquer forma, descobri que também não tinha o menor jeito com medicina, mas até hoje um médico vive a me perguntar se já me decidi pela carreira de cientista louco, detetive ou astronauta da NASA. Esqueci de contar que também quis ser astronauta. Puxa vida, como tomei refrigerante!

Foi na adolescência, quando comecei a ler os livros da série "Vaga-Lume" que descobri a literatura. Nunca me esqueci daquelas histórias: A ilha perdida, As aventuras de Xisto, O caso da borboleta Atíria, O escaravelho do diabo, O mistério do cinco estrelas, O rapto do garoto de ouro etc. etc.; sem contar O gênio do crime, de outra editora, com sua história sobre um metódico falsificador de figurinhas.

Adolescendo, descobri o terror com Stephen King e nunca me esqueço de uma noite em que lia O cemitério em uma edição caindo aos pedaços da biblioteca municipal. Estava na sala, sozinho, com a dentadura a ranger como nos desenhos animados, quando Fernanda, uma amiga de minha irmã que era muito chata e diabolicamente irritante naquele tempo, abriu a porta de repente. Não era dessas portas comuns; era dessas portas de correr. Só sei que, com o barulho que a porta fez, me pendurei no lustre e no teto fiquei quando ela entrou. Sempre fui muito medroso. Você já leu esse livro de Stephen King?

Acho que já li pelo menos umas trezentas vezes outro livro seu; não, seu; dele. Pois a primeira vez que li A hora do vampiro devia ter entre 14 ou 15 anos. Uau! Até hoje, é o melhor romance que conheço sobre essas singulares criaturas dentuças, quando não tenho mais 16, como Holden, o admirável mentiroso compulsivo de O apanhador no campo de centeio, do excêntrico J. D. Salinger. É um romance que você deveria ler, sem dúvida, para se lembrar de como era difícil ser adolescente.

Vampiros. Sempre me fascinaram. Tudo bem que o maior connaisseur e multiplicador de LSD dos anos 1960, Dr. Timothy Leary, lia Horácio e Sócrates na adolescência. De minha parte, eu ainda preferia o mundo a desvanecer aos poucos, com o crepúsculo a entorpecer o sol e, em seguida, na ponta dos pés, a desligar a luz do céu, tingindo-o de noite, momento quando todos os verdadeiros heróis iriam combater vampiros louquinhos por uma jugular alheia. Ah! Esses seres notívagos a lamber os beiços, ansiosos por deixar bordadas duas marcas escarlates nos pescocinhos das donzelas de Salem's Lot!

Porém, Stephen King não escreveu somente histórias de horror. Ele e outro escritor, Peter Straub, fizeram muitas cabeças rodopiarem com a leitura de O talismã - isto é, quando contaram a história de um garotinho, Jack Sawyer, que com doze anos inicia uma jornada não só de costa a costa pelos Estados Unidos, mas também pelos "Territórios", um mundo paralelo ao nosso e situado na imaginação do leitor, talvez, ao lado da Terra de Oz.

Jack Sawyer sempre me lembrou o escritor beat Jack Kerouac, que também cruzou de ponta a ponta no final da década de 1940 os Estados Unidos e o México, de carona, não em busca do mesmo talismã de Sawyer, mas à procura de uma América que ele leu em livros como As aventuras de Huckleberry Finn, de Mark Twain, que, para outro autor, Ernest Hemingway, foi a obra precursora de toda a literatura norte-americana moderna. Dizem que Twain representou melhor do que qualquer outro escritor a força do espírito libertário na literatura norte-americana. Jack Kerouac em On the Road demonstrou esse mesmo espírito com muito talento, e foi bem longe, tão longe como o personagem Jack Sawyer, de O talismã.

Enfim, ler deve ser um prazer para o leitor. Não importa que seja o puro entretenimento de Stephen King ou as clássicas aventuras contadas por Mark Twain. Não importa. Da mesma forma que um cigarro desconta minutos valiosos da biografia de qualquer pessoa, somos pegos em flagrante, quando nos damos conta de que ler nada mais é do que um vício; nesse caso, ser um viciado em literatura, submerso nas páginas de um livro, é um raro prazer. Será que temos alguma coisa em comum?

Texto publicado no site Tertúlia (www.tertuliaonline.com.br) e no livro Mercado de pulgas: uma tertúlia na internet (Multifoco).


Postado por Renato Alessandro dos Santos
Em 28/4/2015 às 23h58


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