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Domingo, 9/8/2015
A figura do malandro
Guilherme Carvalhal

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O malandro é uma das mais corriqueiras alegorias referentes ao povo brasileiro. É a representação carnal do conceito de malandragem, um fruto das complexas redes de poder no Brasil, como a forte hierarquia e o afastamento dos indivíduos do poder público, gerando uma zona cinzenta entre o lícito e o ilícito. Mesmo estando nos limiares da marginalidade, é uma figura romântica e simpática.

Enquanto um conceito de entendimento sociológico e uma prática corriqueira no dia a dia, alterada conforme as novas necessidades dos tempos (usar o wi-fi do vizinho sem sua autorização não seria uma malandragem pós-moderna?), a malandragem foi tema de obras artísticas e de grande mídia, cada uma dando sua contribuição na interpretação e na formação do conceito dessa figura.

Apesar da malandragem ser um conceito que ocorra dentro de todo território brasileiro, sua presença é mais referenciada ao Rio de Janeiro e, em alguma escala, à Bahia. Na Bahia, Jorge Amado foi um dos principais a colocá-los como personagens de suas obras, sendo o caso mais conhecido o do Vadinho, de Dona Flor e Seus Dois Maridos, homem que não gostava de trabalho e levava a vida entre golpes e ludibrio. Fora desse eixo, dentro da literatura e do folclore há inúmeras outras abordagens, como João Grilo e Pedro Malasartes.

No Rio de Janeiro é que achamos a principal fonte de referências ao malandro, até mesmo pela sua imagem clássica refletir a essa cidade na primeira metade do século XX, através da figura de terno e chapéu-panamá envolvida com samba e capoeira. Uma obra que aborda essa imagem é A Ópera do Malandro, peça teatral de Chico Buarque transformada em filme por Ruy Guerra.

Essa história é interessante enquanto retrato histórico, por mostrar uma ampla realidade carioca na década de 1940 e a vida do malandro: jogo de sinuca, capoeira, bebida, golpes, teatro de revista. O problema dessa narrativa é sua necessidade de se colocar como expressão histórica, o que torna a história menos um desenrolar natural de fatos e mais uma colagem de momentos diversos, precisando encaixar um pouco de tudo para recriar a atmosfera da época.

No Brasil para exportação existe a clássica figura do Zé Carioca, criação de Walt Disney que mostrava o Rio de Janeiro ao Pato Donald. Nos tempos de sua criação ele era apresentado de terno e chapéu-panamá, além do guarda-chuva e o charuto na boca (em tempos em que se podia colocar fumo em uma publicação destinada a crianças). Com a modernidade ele mudou de visual, passou a usar boné e roupa esportiva, além de deixar o barraco na favela e ir morar em uma casa melhor estruturada.

A figura do Zé Carioca nasce de um período de trocas culturais entre Brasil e Estados Unidos. Nele é referido não apenas o esteriótipo do malandro, mas muitos dos lugares comuns do brasileiro estão presentes ali, como o gosto por futebol, por feijoada, as dificuldades financeiras. Sua figura soa não como um personagem feito pela Disney para homenagear o Brasil, mas para estereotipar o Brasil para o restante do mundo.

A música foi um extenso espaço para se referenciar a malandragem, principalmente o samba. De Conversa de Botequim, composta por Noel Rosa em 1935, até o disco Os 3 Malandros in Concert, gravado por Moreira da Silva, Bezerra da Silva e Dicró em 1995 em sátira aos Três Tenores (Placido Domingo, José Carreras, Luciano Pavarotti ), esse tema sempre foi explorado pelas composições. Jorge Aragão, João Nogueira e muitos outros fizeram do malandro inspiração para músicas.

Um dos principais artistas a retratar o malandro foi o ator e diretor Hugo Carvana. Em filmes como Vai trabalhar, vagabundo e Se segura, malandro, ele captou não uma figura pronta do imaginário, mas a ideia da malandragem. Tanto que esses filmes foram realizados na década de 1970, já sem a moda dos ternos e dos chapéus.

O universo criado por Carvana é mais moderno, sem saudosismos ou romantismos. O que ele apresenta é uma comédia com muito escracho envolvendo personagens que são avessos ao trabalho e levam a vida na conversa mole. Vai trabalhar, vagabundo começa apresentando essa relação entre lícito e ilícito, quando o personagem principal sai da cadeia.

Uma obra recente de Carvana, Casa da Mãe Joana, trouxe uma perspectiva diferente dessa figura, que é o malandro já com mais idade. É a filha fruta de um relacionamento casual que aparece, o amante profissional de meia idade, o jornalista intelectual bêbado e suas imagens de mulheres do passado. Uma das melhores comédias brasileiras dos últimos tempos.

Assim como o malandro faz parte do ideário nacional, sua presença se deu na literatura, na música, no teatro e no cinema. Do visual clássico que se estampou na memória coletiva até a aplicação do conceito de malandragem em histórias modernas, ele participou ao longo dos anos das narrativas da nação. Sua visão se transformou ao longo dos anos, sempre expressando um conjunto de valores frutos da complexidade da sociedade brasileira.


Postado por Guilherme Carvalhal
Em 9/8/2015 às 13h56


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