Minha história com Philip Roth | Julio Daio Bløg

busca | avançada
56138 visitas/dia
1,8 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Centro em Concerto - Palestras
>>> Crônicas do Não Tempo – lançamento de livro sobre jovem que vê o passado ao tocar nos objetos
>>> 10º FRAPA divulga primeiras atrações
>>> Concerto cênico Realejo de vida e morte, de Jocy de Oliveira, estreia no teatro do Sesc Pompeia
>>> Seminário Trajetórias do Ambientalismo Brasileiro, parceria entre Sesc e Unifesp, no Sesc Belenzinho
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> As fezes da esperança
>>> Quem vem lá?
>>> 80 anos do Paul McCartney
>>> Gramática da reprodução sexual: uma crônica
>>> Sexo, cinema-verdade e Pasolini
>>> O canteiro de poesia de Adriano Menezes
>>> As maravilhas do modo avião
>>> A suíte melancólica de Joan Brossa
>>> Lá onde brotam grandes autores da literatura
>>> Ser e fenecer: poesia de Maurício Arruda Mendonça
Colunistas
Últimos Posts
>>> Oye Como Va com Carlos e Cindy Blackman Santana
>>> Villa candidato a deputado federal (2022)
>>> A história do Meli, por Stelleo Tolda (2022)
>>> Fabio Massari sobre Um Álbum Italiano
>>> The Number of the Beast by Sophie Burrell
>>> Terra... Luna... E o Bitcoin?
>>> 500 Maiores Álbuns Brasileiros
>>> Albert King e Stevie Ray Vaughan (1983)
>>> Rush (1984)
>>> Luiz Maurício da Silva, autor de Mercado de Opções
Últimos Posts
>>> Melhores filme da semana em Cartaz no Cinema
>>> Casa ou Hotel: Entenda qual a melhor opção
>>> A lantejoula
>>> Armas da Primeira Guerra Mundial.
>>> Você está em um loop e não pode escapar
>>> O Apocalipse segundo Seu Tião
>>> A vida depende do ambiente, o ambiente depende de
>>> Para não dizer que eu não disse
>>> Espírito criança
>>> Poeta é aquele que cala
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Aconselhamentos aos casais ― módulo I
>>> Violões do Brasil
>>> Heróis improváveis telefonam...
>>> A esquerda nunca foi popular no Brasil
>>> Na minha opinião...
>>> Amores & Arte de Amar, de Ovídio
>>> VOCÊS
>>> As sombras e os muros de José J. Veiga
>>> Entrevista com o poeta Júlio Castañon Guimarães
>>> 30 de Junho #digestivo10anos
Mais Recentes
>>> Jackson Pollock - drawing into painting de Bernice Rose pela The Museum of Modern Art (1980)
>>> O Manto das Trevas de Helen MacInnes pela Record (1982)
>>> Machado de Assis - Literatura Comentada de Marisa Lajolo pela Abril Educação (1980)
>>> Álbum de Casamento de Nora Roberts; Janaina Senna pela Arqueiro (2013)
>>> A Mágica do 1-2-3 de Thomas W. Phelan; Simone Lemberg Reisner pela Sextante (2009)
>>> Os Eleitos de Tom Wolfe pela Rocco
>>> Visões do Golpe de Vários Autores pela Nova Fronteira (2014)
>>> Désirée, Wife of Marshal Bernadotte de Annemarie Selinko pela Longman (1975)
>>> Arsene Lupin Contra Herlock Sholmes de Maurice Leblanc pela L&pm (2021)
>>> Tribulações de um Chinês na China de Julio Verne pela Edico
>>> O Caso dos Exploradores de Cavernas de Lon L. Fuller pela Edipro de Bolso (2015)
>>> Balanced Yoga: the Twelve Week Programme de Svami Purna pela Element Books (1992)
>>> Os Três Mosqueteiros de Alexandre Dumas pela Abril (1971)
>>> Hora do Apocalipse de Edgard Armond pela Aliança (1992)
>>> Outra Vez Heidi de Johanna Spyri pela Hemus (1985)
>>> Guia Completo de Inglês para Viagem de Ana Cuder pela Fluentics
>>> Inspirações - Pintura em seda livro I de Denise Meneghello pela Maio (1995)
>>> Eu Acredito no Amor! de Aldirene Maximo pela Scortecci (2017)
>>> Técnicas para Entrevistas - Conquiste Seu Emprego de Aggie White pela Cengage Learning (2008)
>>> Marley & Eu de John Grogan pela Prestigio (2006)
>>> Clínica Odontológica Brasileira 2004 de Marco Antonio Bottino pela Artes Medicas (2004)
>>> Die Blutschule de Max Rhode pela Roman
>>> As Viagens de Gulliver de Jonathan Swift pela Nova Cultural
>>> Surrealismo de Marilda de Vasconcellos Rebouças pela Ática (1986)
>>> E Após o Sinal Sensível de Prof Luiz Meloni pela Leia Sempre
BLOGS >>> Posts

Domingo, 27/5/2018
Minha história com Philip Roth
Julio Daio Borges

+ de 2600 Acessos

Deve ter sido o Paulo Francis quem primeiro me chamou a atenção para o Philip Roth (1933-2018).

Em “Waaal” (1996), seu “Dicionário da Corte”, Francis nos diz que Roth era um “gigante” perto da literatura “liliputiana” dos nossos dias. E era mesmo.

Mas lembro de começar a ler o Philip Roth *mesmo* na época do Daniel Piza. Na época da sua coluna “Sinopse” na Gazeta Mercantil (1996-2000).

Depois de ler o registro de suas impressões sobre “O Teatro de Sabbath” (1997) - onde ele dizia que marcara vários trechos com caneta “marca texto” - era muito difícil ignorar Roth e seus escritos.

Em 1998, finalmente li “Pastoral Americana”. E o que me chamou atenção, na época, foi a desconstrução do sonho americano.

Philip Roth tinha a capacidade de fazer o leitor entrar na alma americana. De repente, eu me sentia parte da sociedade norte-americana, sem nunca ter sido...

Quando escrevi a respeito (está como “Philip Roth e a Pastoral Americana” no Google), acho que eu queria soar tão bombástico quanto o romance soou para mim. E caprichei na prosa poética - que hoje eu identifico como o estilo de alguém que está começando (e testando seus limites)...

Nos Estados Unidos, comprei “Complexo de Portnoy” (1969) e “Operação Shylock” (1993) em inglês - dois romances que mereceram elogios rasgados do Francis -, mas acabei não lendo.

Fui ler “A Marca Humana” em 2002, já na época do Digestivo. Perto da fatídica eleição presidencial de 2002, o que me ficou, do romance, foi o horror da correção política, que já dominava os Estados Unidos, e que estava se estabelecendo, com a ascensão da esquerda, no Brasil.

Roth previu toda a histeria a que estamos assistindo - sendo o último capítulo essas acusações infindáveis de assédio, quando vão conseguir proibir até o assobio, para uma mulher, na rua...

No livro, um personagem negro - sim, negro - é acusado de racismo. E é perseguido, como professor universitário, pelas patrulhas...

Numa entrevista de Roth, dessa época, ele assume uma postura quase “anti-intelectual”. Antiacadêmica. Tudo o que Jordan Peterson denunciou - aquele pensador canadense que está na moda -, Roth já havia antevisto na virada do milênio.

Meu texto - que está como “Philip Roth e a marca humana” no Google - foi considerado um exemplo de crítica literária, na época, pelos meus colegas de Digestivo. Lembro que até peguei um erro do Daniel Piza, numa resenha dele, apressada, para o Estadão (mas não incluí no meu texto).

Em 2006, li “O Animal Agonizante”, e, embora seja da fase final de Roth, de que eu gosto menos, tínhamos começado uma parceria com a Companhia das Letras, no Digestivo, e eu fiz questão de disponibilizar um exemplar para todos os Colunistas que quisessem ler...

Digo que “gosto menos” porque, na fase final de Roth - na idade em que muita gente já está aposentada no Brasil -, ele trata muito da decadência física, da proximidade da morte, e cada novo livro soa como se fosse o último, como uma despedida...

Os grandes painéis da vida americana, como “Pastoral Americana” e “A Marca Humana”, haviam ficado para trás. Roth assume um tom mais confessional, e, apesar de continuar brilhante, e um exemplo de escrita, não alça mais grandes voos.

Com exceção, talvez, de “Complô contra a América”, uma ficção histórica, de 2004, lançada aqui em 2005, que, em português, achei maçante, ainda que, no Digestivo, tenhamos publicado uma resenha do Sérgio Augusto.

O último grande livro de Roth que li... foi o primeiro. Sim, você leu certo. “Adeus, Columbus” (1959) foi seu primeiro livro de contos, quando ele tinha 26 anos, e que a Companhia de Bolso publicou, aqui, em 2006.

Li, encantado, em 2007. Roth, na sua estreia, já era genial. Procurei se escrevi a respeito, na época, mas não encontrei... De qualquer forma, como são contos, considero a “porta de entrada” para o universo de Roth. Pode-se ler sem medo. É maravilhoso.

Nos últimos anos, senti falta desse universo, comprei e tentei ler “Complexo de Portnoy” em português. Mas achei muita masturbação. Literalmente ;-)

Quando Roth estava vivo, era lugar-comum dizer que ele era um dos maiores escritores vivos, senão o maior deles. Agora, virou lugar-comum dizer que, apesar disso, ele não ganhou o Nobel.

Roth se inscreve na melhor tradição do romance americano e seguiu os passos de outros grandes como Saul Bellow e William Faulkner.

Tive a sorte de ser seu contemporâneo, de ler alguns de seus grandes livros, e de sofrer a sua influência. Assim como o Paulo Francis e o Daniel Piza foram meus heróis no jornalismo, Philip Roth foi - é e sempre será - um dos meus heróis literários.

Para ir além
Compartilhar


Postado por Julio Daio Borges
Em 27/5/2018 às 20h17


Mais Julio Daio Bløg
Mais Digestivo Blogs
Ative seu Blog no Digestivo Cultural!

* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




Um Certo Capitão Rodrigo
Érico Veríssimo
: Abril Cultural
(1981)



O Espírito dentro de nós e o espírito sobre nós
Kenneth E. Hagin
Rhema Faith
(2010)



Contos da Rua Brocá
Pierre Gripari
Martins Fontes
(2009)



Primeiros Casos de Poirot
Agatha Christie
Nova Fronteira



Germinal
Émile Zola
Abril Cultural
(1979)



Care of the Soul
Thomas Moore
Harper Usa
(1994)



Contos da Taberna
Arthur Clarke
Francisco Alves
(1982)



Oab Nacional 1ª Fase V. 1 - Direito Civil
Fábio Vieira Figueiredo; Brunno Pandori Giancoli
Saraiva
(2009)



Indústria da Transformação do Material Plástico
Sesi/sp
Sesi/sp
(2012)



Cidadania, Direitos Humanos e Educação - Confira !!!
Carolina Alves de Sousa Limaa
Almedina
(2019)





busca | avançada
56138 visitas/dia
1,8 milhão/mês