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Sexta-feira, 17/8/2007
Leitor bebum começou com um gole
Ana Elisa Ribeiro

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+ 4 Comentário(s)


Beba sem moderação


Desconfio muito de certas coisas na Internet. Uma delas é a atribuição de autoria a textos de ampla circulação. A moda me atingiu por e-mail e minha mínima perícia para saber se o texto era ou não era do autor apontado me bastava. Lembro de uma mania de enviar poemas ditos de Drummond numa chuva de e-mails absurdos. Li a obra do poeta itabirano quase inteira. Isso era o suficiente para saber que frases de um efeito brega e temas de auto-ajuda não seriam cometidos por ele. E eu nem sou tão fã assim de Drummond. Sou muito mais fã de Ricardo "Ximite" Carvalho, poeta curitibano que escreveu os impecáveis "Drummonstro I e II", no livro Lascas, pela editora Medusa, já faz alguns anos.

Houve também uma enxurrada de textos atribuídos a Clarice Lispector e ao campeão de autorias Luis Fernando Verissimo. Outro campeão é Millôr, que parece ter sido o pai de uma ótima sacada chamada L.I.V.R.O. Não sei se ele chegou a assumir a paternidade do rebento, mas o texto é mesmo muito curioso. Não vou replicá-lo aqui, mas, no site dos Amigos do Livro, L.I.V.R.O. ocupa página inteira. E que papo é esse de "página inteira"? Não parece uma expressão "de papel"? É claro que é.

Algumas curiosidades sempre pintam na hora de pensar "em papel". Publicar livros, por exemplo, é um processo complexo, cheio de idas e vindas, que costuma apontar alguns caminhos. Se a "linha de produção" do livro era, desde Gutenberg, cheia de especialistas, a começar pelos tipógrafos, hoje ela tende a acontecer em plena "desespecialização". Como muita gente sabe, é possível fazer um livro sozinho, no escritório de casa, exceto pela fase da impressão, que deve acontecer, a depender da tiragem, em uma gráfica. O resto é escrever, editar ou organizar, programar visualmente, diagramar, revisar, fechar um .pdf e mandar para o forno.

Mas o que é um livro? Muitos autores se vêem diante da pergunta quando precisam definir, por exemplo, o número de páginas, o tamanho do objeto, o tipo de papel a ser usado. No Brasil, é comum que se atribua mais valor (subjetivamente mesmo) a livros grandes, em formatos imponentes. Trata-se de um aspecto curioso da nossa cultura de não-leitores. Capa dura ainda impressiona, especialmente se tiver pano. Livros que se descolam são um horror. Capas brancas incomodam porque se sujam facilmente. Aqueles plásticos que as livrarias põem para proteger as capas deixam o leitor meio irritado. Nem todo mundo tem coragem de pedir para rasgar. Comprar sem ler o sumário ou as orelhas aumenta o risco de uma má compra. Principalmente se o livro tiver capa marketeira e conteúdo fraco. Lobo em pele de cordeiro, às vezes de coelho.

E os livros de bolso? O que são? Em geral, essa expressão traz logo à memória a idéia de livros pequenos, portáteis (mais do que os outros), simples e mais baratos. A chateação começa quando o feeling do leitor-consumidor começa a piscar com relação a outros atributos: livros de papel ruim, com letras miúdas e entrelinhas apertadas, margens escassas e a falta de lugar para pôr o dedão sem tampar o texto. Livros que se descolam, sem costura, com capas feias.

Quando alguém comenta que "o brasileiro não lê porque o livro é caro", sempre questiono: fala sério, se livro custasse mais barato, por algum motivo, você acha que as pessoas leriam mais? Pense nos seus amigos, parentes, colegas. Leriam mais? Em Belo Horizonte eu sempre completo com a constatação: você prefere comprar livros ou pagar 200 reais de conta no bar? A resposta é quase sempre em prol da "dolorosa".

Custar mais barato não resolve todos os nossos problemas de acesso ao livro. O conceito de livro acessível é uma discussão à parte. Que o diga o professor Lívio Lima de Oliveira, da USP e da Faculdade Editora Nacional, que apresentou trabalho interessante sobre isso na Intercom há alguns anos.

O que é um livro?
"Livro tem que parar em pé na estante". Era isso o que diziam alguns editores independentes na virada do século. Joca Reiners Terron, editor da então corajosa Ciência do Acidente, disse isso quando pediu que eu desencavasse mais poemas para meu Perversa, em 2002. E eu tratei logo de aumentar o fôlego do livro.

Livro tem que parar em pé. Livro tem que ser grande. Livro tem que ter "orelhas", senão ele "desbeiça" todo e fica horroroso, donde se infere que livro tem que ter vida longa, ser bem-tratado, bonito.

Lembro até hoje, com certa angústia, do dia em que recebemos de volta uns livros didáticos de física que estavam emprestados a uns primos do interior. Voltaram rabiscados, faltando páginas e com as capas listradas a golpes de estilete. Só pude entender aquilo como a manifestação mais profunda de desamor à odiosa matéria, mas a falta de respeito ao objeto (alheio!) não me desceu pela goela até hoje. E nem mesmo eram livros de afeto, eram livros didáticos, a parte mais mercantil da produção livreira, especialmente no Brasil.

Millôr diz que livro é "tecnologia da informação", sigla de "Local de Informações Variadas, Reutilizáveis e Ordenadas". De fato, o objeto inteligente "não tem fios, circuitos elétricos, pilhas", o que reduz sobremaneira o risco de choque ou "pau". Mesmo na metáfora do computador, as definições do escritor são cabíveis.

Na Wikipedia, também há uma definição de livro: "volume transportável, composto por, pelo menos, 49 páginas, sem contar as capas, encadernadas, contendo texto manuscrito ou impresso e/ou imagens e que forma uma publicação unitária (ou foi concebido como tal) ou a parte principal de um trabalho literário, científico ou outro". A delimitação do número de páginas não saiu do nada. É convenção da Unesco. Menos do que 49 páginas é folheto ou, em tradução mais literal, panfleto.

Segundo a Wikipedia, "o livro é um produto intelectual e, como tal, encerra conhecimento e expressões individuais ou colectivas. Mas também é nos dias de hoje um produto de consumo, um bem e sendo assim a parte final de sua produção é realizada por meios industriais (impressão e distribuição)". Revejam: "produto de consumo", que talvez seja o empecilho número um para que grande parte dos textos publicados no Brasil possam alçar a categoria de livros.

Curiosa mesmo é a definição que a Wikipedia dá ao autor. Segundo a enciclopédia livre, "a tarefa de criar um conteúdo passível de ser transformado em livro" é dele. Na mão inversa, conteúdos não-passíveis... e quem define se eles são ou não transformáveis em livros? Michel de Certeau já defendia a idéia, muito grata, de que autores escrevem textos, coisa diversa de dizer que façam livros. Para a Wikipedia, a tarefa de "transformar os originais em um produto comercializável" é do editor, e nem se fala em seleção, triagem, gargalo, lobby e outros perrengues. O comércio é que é o ponto central. Daí, mais uma vez, pode-se deduzir que quase ninguém no Brasil seja editor, de fato. E a enciclopédia completa: o editor, em geral, é contratado por uma editora. E alguém sabe o que é isso?

O Brasil é um país de poucas editoras, raras livrarias e um contingente razoável de não-leitores. Para afirmar isso, é preciso dizer o que se entende por "não-leitor". Antes: o que se entende por leitura. Se o critério for assimilável ao da Unesco, então pode-se propôr uma contagem que considere apenas leitores de objetos com mais de 49 páginas, a uma freqüência, por exemplo, trimestral (perfil do "leitor efetivo" na pesquisa "Retratos da Leitura no Brasil", amplamente divulgada em 2001). Se o critério for o caráter artístico da obra, talvez tenhamos estatísticas muito envergonhadas. O que é literatura? É a pergunta que pulsa. Quando é, quem são os autores legitimados? Quem lê Machado de Assis, atualmente? Provavelmente teremos forte participação de estudantes, mas em que circunstâncias eles lêem o carioca mais famoso do país? Seriam as circunstâncias "ideais"? E se nos voltarmos à literatura contemporânea? Quem a conhece, além dos próprios autores? Onde estão os livros desses escritores? Provavelmente, nossos dados tenderão à insignificância numérica, relativa, à margem de erro, ao empate técnico entre quem lê e quem escreve.

Mas há uma outra angulagem. Um país de quase 200 milhões de habitantes já não deve ser fácil de educar. Imagine-se, então, se grande parte desses milhões tiver visto escola pública, pela primeira vez na história, há pouco mais de 50 anos. E se apenas uma ninharia desse povão todo tiver monopolizado as poucas escolas privadas, além de ter se dedicado mais a criar suas vaquinhas em sesmarias latifundiárias? Não pode ser fácil lidar com isso.

O Brasil é a oitava economia editorial do mundo. Não é pouco, embora seja distorcido. Um país com 200 milhões de pessoas pode ser visto não como um imenso clube de analfabetos, mas como um grande estádio de leitores em formação. Se a lente for essa, é possível considerar que tomemos, todos, alguma atitude para impulsionar o "consumo" de textos, livros ou folhetos. Editoras de livros didáticos, que enriquecem às custas de compras milionárias do governo federal, sabem disso faz tempo. Editoras de livros para crianças, também. Alguma coisa é preciso aprender com eles.

Mas quem é o leitor em formação? Onde ele está? O que ele gostaria de consumir? Como fazer com que ele consuma? O discurso do "ler por prazer" vale a pena? Toda leitura é prazerosa ou é preciso ler para outros fins? Como promover o encontro do leitor com o livro? Promover o encontro do pré-leitor com o texto já é válido? A professora Sandra Reimão menciona, em seus trabalhos, a "teoria do degrau", muito corrente no senso comum, segundo a qual a leitura de textos de qualidade duvidosa (lingüística, artística e editorial) pode ser o começo de uma trilha em que o leitor acabaria tendo acesso a obras, de fato, bem-escritas, bem-cuidadas e legitimadas. Será? A menção a essa "teoria" ajuda a refletir sobre os mitos em relação à formação do leitor.

Segundo a Wikipedia, a Bíblia é o livro mais vendido do mundo. Até mesmo Johann Gutenberg tratou de começar seus trabalhos na oficina tipográfica com esse best-seller. Alguns pesquisadores traçam uma lógica histórica segundo a qual isso teria ampliado, em muito, o acesso dos leitores comuns (não-ligados à Igreja) ao Livro Sagrado, o que também daria um importante reforço à Reforma Protestante. E por aí vai.

O segundo livro mais vendido do mundo é o Guiness World Book of Records. Será por quê? Mais uma vez, trata-se de uma espécie de livro de consultas, para ser bebericado. De gole em gole, enche-se de papo. Pela "teoria do degrau", cada beberico poderia levar ao vício. Quem nos dera um país desse tipo de bebum.


Ana Elisa Ribeiro
Ouro Preto, 17/8/2007


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COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
17/8/2007
08h37min
Acho sim. Acho que diminuir o preço dos livros levaria a maior consumo, não porque cada pessoa compraria mais livros (e, sinceramente, numa mesa de bar, o mais lógico seria que cada um dissesse o que disseram, Ana. E pode ter certeza que não refletiu o real sentimento delas), mas porque mais pessoas teriam acesso. Quem não compra nenhum, de repente compraria um... dois. A capa teria que ser bonita, como as dos DVDs, que alugam sem conhecer os nomes dos atores ou diretor. E deveria haver figuras nos livros. De figuras de página inteira, no nível primário, até figuras menores rareando de capítulo em capítulo, no final do terceiro colegial. Em todos os anos os professores de português deveriam exigir a leitura de livros e os clássicos (a maioria) deveriam ficar só para o final, pois no início os livros deveriam ser Júlio Verne, Ali Babá e Lobato. Depois poderiam vir Luis Fernando Veríssimo e no final, no terceiro colegial, Machado e Eça de Queirós. É a opinião de quem sofreu com isso!
[Leia outros Comentários de Albarus Andreos]
17/8/2007
11h02min
Estudei num colegio interno durante três anos, e na fase das espinhas e dos amores de corredores, me lembro que Paulo Coelho era febre entre a meninada. Ninguém aida sabia o que era crítica e pensavamos apenas em organigar um sabá no fim de semana. Hoje, assim como alguns do meus conhecidos, não leio mais Coelho, e acredito realmente na "Teoria do DeGrau", não consigo mais olhar para os livros do cara, mas sei que ele fez parte da minha iniciação na leitura, silenciosamnete o agradeço por isso, apesar de esconder a sete chaves esse meu passado noir... Atualmente faço o tipo leitor seletivo e só ando enchendo a boca pra falar de Lispector, Flaubert, Carpinejar, Kafka e outros monstros.
[Leia outros Comentários de André Campos ]
17/8/2007
11h18min
Você nos faz importantes perguntas. Me fez pensar no que motiva a leitura, se há por que fazer isso, para quê, a quem interessa pessoas com conhecimentos, com capacidade crítica e reflexiva. Se o interesse social não é o de que as pessoas prefiram os bares, as bebidas, a inconsequência, sendo influenciadas de modo mais fácil. E talvez até mais significativo do que "o que se lê", seja "como se lê", pois de nada adianta ler "os grandes" pelo status de ser considerado leitor "dos bons". Talvez seja necessário aprender a ler, antes de aprender a escolher o que ler. E seria muito bom mesmo que os embriagados fossem apenas do tipo que se inebriam pelo fascínio de uma boa leitura ou se precisássemos somente ler para saciar nossa fantasia, o que também é ótimo. Gosto dos textos que incitam reflexão a partir de questionamentos que ficam em aberto, esse seu está muito bom, dá o que pensar...
[Leia outros Comentários de Cristina Sampaio]
20/8/2007
14h31min
Como você diz, toda leitura deve ser prazer. Nada adianta ler pela obrigação, isto leva os distanciamento dos livros. Li o Código da Vinci, mas não consegui ler a "História do cerco de Lisboa". A leitura deve entreter, caso contrário é um exercício de auto-flagelação. Quanto ao preço, influencia sim, todos os paulistanos na casa dos 40 anos deve se lembrar das "bancas de livros em promoção" no centro da cidade, sempre que passava por lá com meu pai, ganhava um (ou alguns livros), muita porcaria sim mas muita coisa interessante. Tinha uma tal "Biblioteca das Crianças" que guardo até hoje p/ meus filhos. Muitos livros disponíveis para iniciar a leitura por prazer e não apenas para as provas e trabalhos escolares...
[Leia outros Comentários de Alberto]
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