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Quarta-feira, 1/6/2011
Conversas de Mandela Consigo
Enzo Menezes

+ de 4200 Acessos

Pensar no homem além da lenda. Apesar da figura mítica criada ao redor de seu nome. Essa é a proposta de Conversas que Tive Comigo, de Nelson Mandela, composto por cartas e entrevistas do líder sul-africano com parentes, amigos e, sobretudo, consigo. Diários e cadernos mantidos durante os 27 anos em que esteve preso por discordar do apartheid. Organizado pela Fundação que leva seu nome e com prefácio de Barack Obama, traz farto material nunca antes divulgado.

O acervo de biografias, reportagens e ensaios publicado sobre Mandela desde sua prisão (1962) e, sobretudo após a libertação (1990) e a chegada à Presidência da África do Sul (1994) compõe uma colcha costurada pelo perfil de um dos políticos mais influentes do século XX. Ativista, prisioneiro, presidente, Nobel da Paz, líder inspirador ao redor do planeta. Histórias bastante exploradas e conhecidas que, na medida do possível, são evitadas em Conversas que Tive Comigo. A pretensão do livro é construir o perfil do Homem Mandela acima de qualquer honraria. Antes de qualquer honraria. Para a tarefa, nada mais justo que a utilização de documentos pessoais ― muitos dados como perdidos por causa da censura na prisão e guardados por décadas ― como cartas, calendários, anotações de diários e cadernos. Como avisa a introdução, não será retratado o Mandela dos discursos nem no atendimento às expectativas do público. Apenas um homem como qualquer outro e sua correspondência pessoal ― ou o já divulgado pelo serviço secreto sobre ela.

Um problema apresentado pelo volume é a falta de contextualização histórica em diversas passagens. Cartas e documentos não seguem sempre ordem cronológica, às vezes não se conectam nem mesmo por assunto e respostas às solicitações do prisioneiro são desconhecidas pelo leitor. Para não perder o foco na correspondência pessoal, acontecimentos políticos não são devidamente explicados, o que faz com o que o leitor menos acostumado à biografia de Mandela se perca em algumas passagens. Problema parcialmente solucionado na abertura de cada capítulo, quando há textos introdutórios do editor ― essenciais ao entendimento ― caracterizando o momento histórico e dando destaque a informações de sua família.

Boa parte das cartas contidas no livro sequer chegaram aos destinos. Algumas só foram divulgadas depois que Mandela ascendeu à presidência, outras permaneceram arquivadas e só foram conhecidas pelos organizadores da Fundação Nelson Mandela durante a seleção de material para o volume. Há ainda material não divulgado e, muitas, com certeza, foram destruídas logo que saíram das mãos do ex-prisioneiro. Não há uma catalogação dos escritos, mesmo com o trabalho da Fundação responsável por isso, o que dificultou a edição do material e fragmenta a leitura do livro.

São apresentados trechos da intimidade de um homem surpreendentemente sóbrio. Um líder carismático avesso aos discursos inflamados, que preferia a sensatez e a fala calma para transmitir confiança ao público. Mesmo isolado e sujeito às humilhações da cadeia, e consciente de que fora condenado à prisão perpétua, procurou transmitir segurança em seus princípios sem alimentar vingança contra o opressor. Desconcerta pensar em um jovem casal― Nelson e Winnie separado por cartas censuradas, ternura nutrida à distância. Esforços dos dois em nome da luta pela igualdade para o povo, mesmo que isso significasse, quase sempre, privações à própria família. Desconcerta também descobrir que eles permaneceram juntos enquanto separados fisicamente e se divorciaram quando Mandela foi libertado, 28 anos depois. Ele se recusa a detalhar os motivos da separação nas entrevistas que compõem a biografia.

O trabalho árduo na pedreira da prisão na Ilha de Robben era acompanhado por cantos de liberdade proibidos para os homens submetidos aos trabalhos forçados. Proibidos porque davam força e motivo de orgulho para os encarcerados. Canções ainda hoje polemizadas na África do Sul pós-apartheid ― vide a repercussão ao comentário de Bono Vox em fevereiro deste ano sobre uma canção que incentivava a morte de fazendeiros africânderes, brancos ― como prova de uma legalidade de direitos civis ainda não sedimentada no quesito cultural. Afinal, são menos de duas décadas de liberdade frente a séculos de dominação branca, da colonização europeia à ascensão dos bôeres.

De acordo com uma carta escrita a Winnie em 1975, Mandela dedicava 15 minutos à meditação diária, como meio de exercício espiritual. A introspecção seria importante para pensar na própria mesquinhez como ser humano, nas fraquezas provocadas pela vaidade e ambição e em maneiras para superar tal condição. Os fundamentos da vida espiritual, segundo Mandela, "honestidade, sinceridade, simplicidade, humildade, generosidade pura, ausência de vaidade, disposição para ajudar os outros" (pág. 207) seriam "qualidades facilmente alcançáveis por todos", se pararmos de medir o sucesso por fatores como riqueza e ascensão social e nos concentrarmos na introspecção que desenvolvesse questões abstratas no íntimo do ser.

Poucos têm conhecimento de Mandela como um homem culto, desde a juventude, apesar da pobreza. Gostava de citar passagens do teatro grego, estudou latim e devorava literatura de guerra. Por isso, cada uma das quatro partes do livro é dividida com os nomes e gêneros dos estilos clássicos: pastoral, épico, trágico e tragicômico. Como em uma sinfonia. Momentos distintos no espectro da existência. Por falar em escritos sobre guerras e guerrilhas, alimentou esse interesse quando comandou o Umkhonto we Sizwe ― braço armado do Congresso Nacional Africano (CNA), partido que integrou desde a juventude e pelo qual foi eleito presidente décadas depois.

Nelson Mandela sempre teve plena consciência da aura mítica criada em torno de sua personalidade. E se esforçou para desconstruir tal conceito, talvez por medo de se tornar uma estátua da igualdade e uma bandeira dos direitos, e não apenas um homem que lutou por ideais concretos. Por receio de que o mundo recitasse a lenda e se esquecesse da carne e do sangue que moveram a consciência, insiste em afirmar sua condição humana e negar qualquer pretensão de santidade. Em mais de uma ocasião, avisa ao interlocutor que "um santo é um pecador que continua tentando ser limpo". Não é alguém que nunca tenha errado e que paire acima dos semelhantes com um olhar repreensivo, mas um ser que se esforça para superar os próprios erros, inerentes à existência humana.

"Na vida real lidamos não com deuses, mas com seres humanos comuns, como nós mesmos: homens e mulheres cheios de contradições(...). O aspecto no qual a pessoa se concentra para julgar outras depende do seu caráter em particular. Quando julgamos outras pessoas, também estamos sendo julgados por elas(...). Um realista, por mais chocado e desapontado que esteja com as fragilidades das pessoas a quem adora, irá olhar para o comportamento humano de todos os lados de forma objetiva e se concentrará nas qualidades edificantes da pessoa, aquelas que elevam o espírito e despertam o entusiasmo pela vida(...)".

Prefere negar o mito para lembrar que, enfim, há uma corrente sanguínea, um intelecto, o peso das decisões e dos erros antes de qualquer imagem mítica que o mundo possa construir de seus feitos.

Para ir além






Enzo Menezes
Belo Horizonte, 1/6/2011


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