Cinema de autor | Marta Barcellos | Digestivo Cultural

busca | avançada
74271 visitas/dia
2,0 milhões/mês
Mais Recentes
>>> Inspirado nas Living Dolls, espetáculo de Dan Nakagawa tem Helena Ignez como atriz convidada
>>> As Caracutás apresentam temporada online de Tecendo Diálogos com bate-papo e oficina
>>> Obra de referência em nutrição de plantas ganha segunda edição revista e ampliada
>>> FAAP promove bate-papo com as atrizes Djin Sganzerla, Zezita Matos e com o diretor Allan Deberton
>>> Elísio Lopes Jr comanda oficina gratuita de dramaturgia nesta sexta-feira (27)
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Carol Sanches, poesia na ratoeira do mundo
>>> O fim dos livros físicos?
>>> A sujeira embaixo do tapete
>>> Moro no Morumbi, mas voto em Moema
>>> É breve a rosa alvorada
>>> Alameda de água e lava
>>> Entrevista: o músico-compositor Livio Tragtenberg
>>> Cabelo, cabeleira
>>> A redoma de vidro de Sylvia Plath
>>> Mas se não é um coração vivo essa linha
Colunistas
Últimos Posts
>>> A profissão de fé de um Livreiro
>>> O ar de uma teimosia
>>> Zuza Homem de Mello no Supertônica
>>> Para Ouvir Sylvia Telles
>>> Van Halen ao vivo em 1991
>>> Metallica tocando Van Halen
>>> Van Halen ao vivo em 2015
>>> Van Halen ao vivo em 1984
>>> Chico Buarque em bate-papo com o MPB4
>>> Como elas publicavam?
Últimos Posts
>>> O poder da história
>>> Caraminholas
>>> ETC. E TAL
>>> Acalanto para a alma
>>> Desde que o mundo é mundo
>>> O velho suborno
>>> Normal!
>>> Os bons companheiros, 30 anos
>>> Briga de foice no escuro
>>> Alma nua
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Show him what he is like
>>> Machado polímata
>>> In the Line of Fire
>>> Dor e Glória, de Pedro Almodóvar
>>> A polêmica dos quadrinhos
>>> Ad Usum Juventutis
>>> Schopenhauer sobre o ofício de escritor
>>> Aberta a temporada de caça
>>> Últimos Dias, de Gus Van Sant
>>> Poesia sem ancoradouro: Ana Martins Marques
Mais Recentes
>>> Passagens – Crises Previsíveis da Vida Adulta de Gail Sheehy pela Francisco Alves (1980)
>>> A Chave da Longevidade de Dr. Hugues Destrem pela Europa-América (1979)
>>> A Força da Saúde de Victor Hugo Belardinelli pela Movimento (2013)
>>> O Envelhecimento de Luiz Eugênio Garcez Leme pela Contexto (1997)
>>> Velhice - Culpada ou Inocente? de Carlos Eduardo Accioly Durgante pela Doravante (2008)
>>> Envelhecimento Bem-Sucedido de Newton Luiz Terra e Beatriz Dornelles (Orgs.) pela Edipucrs (2003)
>>> Naturalmente Mais Jovem de Roxy Dillon pela Sextante (2016)
>>> Direito Administrativo Descomplicado de Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo pela Método (2019)
>>> Tópicos de Matemática Aplicada de Luiz Roberto Dias de Macedo, Nelson Pereira Castanheira e Alex Rocha pela Intersaberes (2018)
>>> Gestão de Custos de Carlos Ubiratan da Costa Schier pela Ibpex (2011)
>>> Ética Empresarial na Prática de Mario Sergio Cunha Alencastro pela Intersaberes (2016)
>>> Gestão Socioambiental no Brasil de Rodrigo Berté pela Intersaberes Dialógica (2013)
>>> Ferramentas Para a Moderna Gestão Empresarial - Teoria, Implementação e Prática de Maria Inês Caserta Scatena pela Intersaberes Dialógica (2012)
>>> O rio do tempo de Hernani Donato pela Círculo do livro (1976)
>>> O menino de areia de Tahar Ben Jelloun pela Nova Fronteira (1986)
>>> Breton/ Trotski - Por uma arte revolucionária independente de Valentim Facioli pela Paz e Terra (1985)
>>> Dize-me com quem andas de Mary McCarthy pela Civilização Brasileira (1967)
>>> Uma vida encantada de Mary McCarthy pela Civilização Brasileira (1967)
>>> Quem vai fazer a chuva parar? de Robert Stone pela Companhia das letras (1988)
>>> Meus amigos de Emmanuel Bove pela Companhia das letras (1987)
>>> Rastro do fogo que se afasta de Luis Goytisolo pela Companhia das letras (1988)
>>> Vista do amanhecer no Trópico de G. Cabrera Infante pela Companhia das letras (1988)
>>> Tebas do meu coração de Nélida Piñon pela José Olympio (1974)
>>> A república dos sonhos de Nélida Piñon pela Francisco Alves (1984)
>>> O caso Morel de Ruben Fonseca pela Artenova (1973)
>>> E do meio do mundo prostituto só amores guardei do meu charuto/História de amor (Box) de Ruben Fonseca pela Companhia das letras (1997)
>>> A marcha Húngara de Henri Coulonges pela Difel (1994)
>>> A mais que branca de José Geraldo Vieira pela Melhoramentos (1975)
>>> Sobras completas de Nelson Motta pela Nova fronteira (1984)
>>> O Amor é a Melhor Estratégia de Tim Sanders pela Sextante (2003)
>>> Seria trágico... se não fosse cômico: Humor e Psicanálise de Abrão Slavutzky; Daniel Kupermann pela Civilização Brasileira (2005)
>>> Dez Coisas que Eu Amo em Você - Trilogia Bevelstoke Livro 3 de Julia Quinn pela Arqueiro (2020)
>>> S.O.S. Dinâmica de Grupo de Albigenor & Rose Militão pela QualityMark (2001)
>>> Constelação Familiar de Divaldo Franco pela Livraria Espírita Alvorada (2009)
>>> Outlander: A Viajante do Tempo - Livro 1 de Diana Gabaldon pela Saída de Emergência (2014)
>>> Investimentos Inteligentes (Para Conquistar e Multiplicar o Seu Primeiro Milhão) de Gustavo Cerbasi pela Thomas Nelson Brasil (2008)
>>> El Cuaderno de Maya de Isabel Allende pela Sudamericana (2011)
>>> A Cama na Varanda: Arejando Nossas Idéias a Respeito de Amor e Sexo de Regina Navarro Lins pela Rocco (2000)
>>> A Vida é Bela no Trabalho de Dominique Glocheux pela Sextante
>>> Eugène Delacroix 1798-1863: O Príncipe do Romantismo de Gilles Néret pela Taschen (2001)
>>> Agora Aqui Ninguém Precisa de Si de Arnaldo Antunes pela Companhia das Letras (2015)
>>> Nu de Botas de Antonio Prata pela Companhia das Letras (2013)
>>> Trilogia Suja de Havana de Pedro Juan Gutiérrez pela Companhia das Letras (1999)
>>> As Religiões no Rio de João do Rio pela Jose Olympio (2015)
>>> A Teoria da Causa Madura no Processo do Trabalho de Ben-hur Silveira Claus pela Ltr (2019)
>>> Pimentas de Raul Lody pela Nacional (2018)
>>> Zen a a Arte de Manutenção de Motocicletas de Robert M. Pirsig pela Paz e Terra (1984)
>>> Monobloco - uma Biografia de Leo Morel pela Azougue (2015)
>>> Lei Antiterror Anotada - Lei 13. 260 de Acácio Miranda Silva Filho, Alex Wilson Ferreira pela Foco (2018)
>>> Marketing de Nichos de Alexandre Luzzi las Casas pela Atlas (2015)
COLUNAS

Sexta-feira, 26/8/2011
Cinema de autor
Marta Barcellos

+ de 3600 Acessos
+ 1 Comentário(s)

Estrelado por Brad Pitt, o filme A árvore da vida foi exibido em alguns cinemas americanos com um alerta nas bilheterias de que não se tratava de uma narrativa convencional, portanto o dinheiro do ingresso não seria devolvido caso o espectador desistisse no meio da projeção. Esses americanos..., pensei e ri, quando li a respeito nos jornais.

Era o dia da estreia no Brasil, e segui para um convencional cinema da Zona Sul do Rio de Janeiro esperando uma plateia menos adestrada por narrativas lineares hollywoodianas. Sexta-feira, sala quase lotada, e bastaram alguns dos minutos em que o diretor Terrence Malick faz a sua fantástica viagem plástica e sonora em busca do sentido da vida (até uma criança entenderia a metáfora) para alguns marmanjos ensaiarem risinhos nervosos nas cadeiras. Um senhor que se sentava sozinho não aguentou e levantou-se, falando alto: "Que palhaçada, parece National Geographic". Foi acompanhado por um casal, e depois por outro. Não havia placa na porta do cinema brasileiro.

Que a relação do brasileiro com a cultura é cada vez mais parecida com a do americano, não resta dúvida. Não se perde o tempo de mastigar uma pipoca para entender e apreciar uma metáfora. A pipoca, por sinal, foi o grande constrangimento na última vez em que me vi numa estreia com um público equivocado, atraído pelo mocinho da tela. Era Um homem misterioso, com George Clooney, que, apesar de conter alguns dos silêncios mais expressivos que ouvi ultimamente no cinema, tinha na bilheteria um cartaz exibindo o galã numa pose 007 - no lugar do que deveria ser uma placa alertando sobre o fato de não se tratar de um filme convencional de suspense, com trilha sonora e explosões para disfarçar o objetivo de devorar baldes de pipocas.

Me precavi, quando fui assistir a Melancolia. Deixei passar a estreia - nada melhor do que um boca a boca desfavorável (do público pipoca) para selecionar a plateia - e escolhi um cinema do grupo Estação, última sessão. Resultado: sala pela metade, sem americanos hiperativos em volta. Consegui me concentrar desde as primeiras imagens, belíssimas, ao som de Tristão e Isolda, de Wagner, esquecida que já estava da plateia.

Melancolia e A árvore da vida são filmes polêmicos, difíceis, e que precisam ser vistos. Pelo menos por quem diz que gosta de cinema. Sou totalmente contra a mania politicamente incorreta (agora está na moda) de alguns preguiçosos saírem pichando obras porque ouviram falar que são "pretensiosas". Não assistiram. São os mesmos que se orgulham de dizer que não conseguiram "passar das primeiras páginas" do livro de algum autor revelado por um prêmio literário. Ninguém mais tem paciência para filme de autor - a exceção foi o último Woddy Allen, que por acaso fez uma fita palatável e ganhou a adesão de espectadores que não suportavam os seus diálogos, assim como não suportarão a falta deles no filme de Malick.

Lembro do tempo em que era ao contrário. Abandonar um livro nas primeiras páginas era motivo de vergonha. Ser intelectual era tão bacana que havia os "pseudos", pessoas que fingiam conhecer filosofia e ver profundidade em obras de arte que não compreendiam - aliás, para compensar podiam ver obra de arte em tudo. Agora, tudo o que sai ligeiramente do padrão fixado na fronteira entre arte e entretenimento (algo com um ritmo frenético "contemporâneo") é rapidamente descartado. Com uma piada ou um comentário de efeito na rede social. Não há espaço nem disposição para aceitar o autoral, para tentar entender o trabalho de um artista, nada disso - e nem precisa ser algo experimental para gerar a rejeição, que sequer configura-se realmente como rejeição. Ao menor sinal de estranhamento, simplesmente muda-se o canal, o objeto de atenção, afinal há tanto a consumir, tantos lançamentos nas livrarias e nos cinemas...

Os novos públicos parecem não estar sendo educados para apreciar aquilo que exige um pouco mais de atenção ou interpretação, como se todo o esforço fosse para a pipoca (para o consumo), como se o tempo picotado de hoje impedisse maiores reflexões. Culpa da escola, da tecnologia?

Talvez a origem do problema resida na crença, cada vez mais forte nas novas gerações, de que o esforço não leva a lugar algum. É para trouxas. Acredita-se em talento e em sorte. Caídos do céu. Hoje em dia, quem educa um filho tentando mostrar o valor da persistência e da determinação come um dobrado. O imediatismo reina. Como não acredito em talento que não seja lapidado, nem em sorte que não seja fruto de oportunidades batalhadas, sigo na contramão, e valorizo onde posso o "trabalho duro" de antigamente.

Consumir cultura, ao contrário de consumir grifes e serviços, exige esforço - antes, durante e depois. Mas vale a pena. Afinal, não foi à toa que, lá em cima, eu ri com certa piedade dos americanos afastados pelo alerta no cinema. Viver sem arte é muito triste, quase uma existência pela metade. Não tem quantidade de pipoca que compense.

Os dois filmes autorais (ainda) em cartaz desafiam a lógica do entretenimento fácil e - vou repetir - valem a pena. Não somente pelas imagens ou pela música, mas porque são instigantes (como se dizia no tempo dos pseudos e dos alienados). O filme acaba e você continua possuído pela história, que vai se revelando, com a potência que só as obras de arte têm. São obras-primas? Provavelmente não. Em A árvore da vida, não gostei da cena final, a la Nosso lar (os dinossauros não me incomodaram). Em Melancolia, não gostei de quando a personagem vivida por Kirsten Dunst estranhamente sai da depressão, para dizer algumas frases do autor sobre rituais. São as partes mais mastigadinhas, e de mastigadinha basta a pipoca.

E você, o que achou? Só não vale dizer que não viu e não gostou. Ou sair do cinema logo nas primeiras páginas...

Nota do Editor
Marta Barcellos mantém o blog Espuminha


Marta Barcellos
Rio de Janeiro, 26/8/2011


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Os 100 maiores cientistas de Gian Danton
02. As luzes atrás do palco de Marcelo Barbão
03. Um olhar sobre o Mistério de Paulo Polzonoff Jr


Mais Marta Barcellos
Mais Acessadas de Marta Barcellos em 2011
01. A internet não é isso tudo - 14/1/2011
02. Entre livros e Moleskines - 11/2/2011
03. Somos todos consumidores - 8/4/2011
04. Em busca da adrenalina perdida - 4/3/2011
05. A novíssima arquitetura da solidão - 4/11/2011


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
27/8/2011
20h21min
Adorei o texto! Definitivamente foi um "acorda Larissa" para valorizar o ato do pensar!
[Leia outros Comentários de Larissa ]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.




Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




RUMO AO PORTUGUÊS LEGÍTIMO, LÍNGUA E LITERATURA 1750 - 1850, COL. ENSA
AMÉRICO ANTÓNIO LINDEZA DIOGO E OSVALDO MANUEL ...
ANGELUS NOVUS
(1996)
R$ 31,15



PRÉCIS DE MÉDECINE LÉGALE
A. LACASSAGNE
MASSON ET CIE
(1909)
R$ 117,60



HISTÓRIAS INFANTIS, PARA ADULTOS
JORGE LINZMEIER
ANDARILHO
(1998)
R$ 9,33



THE WOODS
HARLAN COBEN
PENGUIN USA
(2008)
R$ 20,00



ESTAÇÃO TERRA - COMUNICAÇÃO NO TEMPO E NO ESPAÇO -
DORA INCONTRI
MODERNA
(1991)
R$ 7,00



OS DOIS BRASIS (VOLUME 335 BRASILIANA) - 4509
JACQUES LAMBERT
COMPANHIA NACIONAL
(1969)
R$ 10,00



O ESTRELA DE PRATA E OUTRAS AVENTURAS DE SHERLOCK.
CONAN DOYLE
EDIOURO
R$ 6,90



CABEÇA DE HOMEM
LEO JAIME
AGIR
(2014)
R$ 12,00



THE FINAL DETAIL
HARLAN COBEN
DELL BOOKS
(2011)
R$ 15,00



ROBINSON CRUSOÉ
DANIEL DEFOE
L&PM
(2010)
R$ 19,90





busca | avançada
74271 visitas/dia
2,0 milhões/mês