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Quarta-feira, 11/1/2012
Faxina de Ano Novo: também no Facebook
Adriana Baggio

+ de 4000 Acessos

Para muitas pessoas, essa época de fim de um ano e início de outro inspira desejos de limpeza e arrumação. Fazer a faxina está naquele grupo de atitudes que parecem nos deixar mais leves para o novo ano, assim como as promessas de perder peso, economizar dinheiro, não brigar com a família.

Faz algum tempo que deixei de ligar para alguns dos mais típicos rituais de Ano Novo: cor da calcinha, roupa nova, os grãos de uva, o pulinho das ondas. Não que eu seja cética ou cínica: é mais uma questão de afinidade com as superstições. Se esses rituais não me sensibilizam, porém, o da arrumação é o contrário: acredito com todas as minhas forças que se desfazer das tralhas traz um novo ano muito melhor.

Em primeiro lugar, porque é preciso fazer uma seleção do que será descartado, o que leva à reflexão. Exige examinar as coisas que foram guardadas e os motivos de terem sido conservadas. Foi por nostalgia? Obrigação? Poucos dos objetos que guardamos são realmente necessários e alguns nem nos fazem bem.

Ter muitas coisas pode oferecer uma sensação de ganho, mas na verdade acarreta a perda de um bem precioso: tempo. Tempo de gerenciar o acúmulo, tempo que se gasta procurando alguma coisa, tempo destinado, justamente, na tal faxina anual. Tempo que poderia ser usado para outras coisas mais úteis, ou mais legais, ou que trazem mais alegria à vida.

Escrutinar os armários e tentar organizá-los também nos dá a dimensão do volume e dos motivos do nosso consumo. Ao contrário do que nos acostumamos a pensar, o consumo não se dá apenas com objetos, com bens materiais. Muito do que consumimos é abstrato e não é pago em dinheiro, mas em recursos ainda mais preciosos: tempo e energia. E se o final do ano é a época de se livrar das tranqueiras, há um lugar onde essa faxina se torna urgente: a timeline do Facebook.

Apesar de suas funcionalidades gerais, os usos que as pessoas fazem do sistema podem ter alguma variação. Não é muito diferente dos "usos" que fazemos das redes sociais "reais" que integramos. Basta lembrar da turma da faculdade: para alguns, era a turma das festas, da diversão; para outros, era tão somente um grupo de estudos; havia ainda os que vendiam produtos de catálogo e bombons para a hora do lanche; e tinha também aquele pessoal que só acompanhava de longe, sem participar de nada. Cada um faz o uso que desejar do Facebook. E, por isso, quando a sua timeline começa a apresentar usos que não combinam com o seu, talvez seja a hora de fazer a tal faxina.

Considero esse espaço como uma rede de relacionamento e de informação, que reúne amigos verdadeiros, alunos e ex-alunos, colegas e ex-colegas de trabalho, profissionais do mercado e pessoas que eu considero interessantes — e algumas que talvez me considerem da mesma forma. E assim como gosto de receber informação de qualidade, procuro postar esse tipo de informação também. Para meus critérios, informação de qualidade vai desde a divulgação de um evento da minha área de atuação até uma postagem espirituosa, passando por uma boa fofoca. Mesmo as idiossincrasias do cotidiano alheio podem me interessar, seja por mostrar como a pessoa leva sua vida, seja pelo jeito legal ou engraçado de escrever ou puramente pela curiosidade em perceber as vaidades e inseguranças dos outros a partir do que divulgam em seus perfis.

Mas se tem uma coisa que decididamente não me interessa no Facebook são as mensagens prontas, as lições de moral e as posturas preconceituosas. Isso parece ter aumentado proporcionalmente — como é natural — com o crescimento da rede. E assim como um armário cheio de tranqueiras pede por uma limpeza, sinto que preciso fazer alguns descartes de contatos do Facebook. Nada pessoal contra esses perfis: é uma forma de racionalizar o consumo de informação, mantendo o que é interessante e evitando o desperdício de tempo e energia.

Em O culto do amador (Zahar, 2009, 208 p.), Andrew Keen critica a facilidade de acesso à expressão que é proporcionada, basicamente, pela internet. Para ele, os blogs, o YouTube e os sites de redes sociais permitem a produção e a distribuição de muita porcaria. Concordo com a parte da porcaria (eu mesma contribuo bastante com esse tipo de "lixo eletrônico"), mas ao contrário dele, acho isso positivo.

Por exemplo: todo mundo tem o direito de postar, seguidamente, mensagenzinhas e e liçõezinhas de moral em seu perfil no Facebook, seguidas da chancela #FATO, e eu seria a primeira a defender esse direito. Mas, na minha timeline, esse tipo de postagem é #TRANQUEIRA. Ao invés de copiar e colar essas mensagens breguinhas, por que as pessoas não tentam se manifestar por conta própria? Por que não escrevem algo da sua cabeça? Que tal produzir conteúdo original, ao invés de apenas repetir o que os outros falam? Em suma: por que não exercitar plenamente seu direito e sua possibilidade de expressão?

Algumas das postagens mais divertidas que aparecem na minha timeline são de uma aluna da faculdade onde ensino. Ela não escreve nada profundamente inteligente nem exatamente útil. Não divulga eventos e nem descobre links de blogs descolados. Seus pequenos textos falam do cotidiano, principalmente das coisas que lhe acontecem no ônibus que a leva para casa, na região metropolitana de Curitiba. Ela é engraçada, divertida, sarcástica. E não comete erros de português, com os quais implico bastante. Isso é um exemplo do que chamo de informação de qualidade, de conteúdo próprio — só para o caso de você estar me achando uma esnobe do Facebook.


Adriana Baggio
Curitiba, 11/1/2012


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