A importância do nome das coisas | Adriana Baggio | Digestivo Cultural

busca | avançada
39185 visitas/dia
1,1 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Banda GELPI, vencedora do concurso EDP LIVE BANDS BRASIL, lança seu primeiro álbum com a Sony
>>> Celso Sabadin e Francisco Ucha lançam livro sobre a vida de Moracy do Val amanhã na Livraria da Vila
>>> No Dia dos Pais, boa comida, lugar bacana e MPB requintada são as opções para acertar no presente
>>> Livro destaca a utilização da robótica nas salas de aula
>>> São Paulo recebe o lançamento do livro Bluebell
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> 7 de Setembro
>>> Outros cantos, de Maria Valéria Rezende
>>> Notas confessionais de um angustiado (VII)
>>> Eu não entendo nada de alta gastronomia - Parte 1
>>> Treliças bem trançadas
>>> Meu Telefunken
>>> Dor e Glória, de Pedro Almodóvar
>>> Leminski, estações da poesia, por R. G. Lopes
>>> Crônica em sustenido
>>> Do inferno ao céu
Colunistas
Últimos Posts
>>> Jesus não era cristão
>>> Analisando o Amazon Prime
>>> Amazon Prime no Brasil
>>> Censura na Bienal do Rio 2019
>>> Tocalivros
>>> Livro Alma Brasileira
>>> Steve Jobs em 1997
>>> Jeff Bezos em 2003
>>> Jack Ma e Elon Musk
>>> Marco Lisboa na Globonews
Últimos Posts
>>> O céu sem o azul
>>> Ofendículos
>>> Grito primal V
>>> Grito primal IV
>>> Inequações de um travesseiro
>>> Caroço
>>> Serial Killer
>>> O jardim e as flores
>>> Agradecer antes, para pedir depois
>>> Esse é o meu vovô
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Dicas para a criação de personagens na ficção
>>> Tiros, Pedras e Ocupação na USP
>>> Oficina de conto na AIC
>>> Crônica em sustenido
>>> Notas confessionais de um angustiado (VII)
>>> O julgamento do mensalão à sombra do caso Dreyfus
>>> Retomada do crescimento
>>> Drummond: o mundo como provocação
>>> Cigarro, apenas um substituto da masturbação?
>>> De volta às férias I
Mais Recentes
>>> Tania Castelliano e J. Cabral de Entenda Seus Conflitos e Livre-se Deles pela Record (2002)
>>> 1ª Oficina de Desenho Urbano de Florianópolis de Silvia Ribeiro Lenzi (et..al): Organização pela Ipuf/ Pmf Arq./ Ufsc (1994)
>>> 1ª Oficina de Desenho Urbano de Florianópolis de Silvia Ribeiro Lenzi (et..al): Organização pela Ipuf/ Pmf Arq./ Ufsc (1994)
>>> Primeira Vez de Ivan Jaf pela Moderna (1997)
>>> Primeira Vez de Ivan Jaf pela Moderna (1998)
>>> Fe, Razon y Civilizacion: Ensayo de Análisis Historico de Harold J. Laski pela Editorial Abril/ Buenos Aires (1945)
>>> Bolofofos e Finifinos de Fernando Sabino pela Ediouro (2006)
>>> ...Quando Florescem os Ipês de Ganymédes José pela Brasiliense (1986)
>>> Robinson Crusoé A Conquista do Mundo numa Ilha de Daniel Defoe pela Scipione (1983)
>>> O Monstro do Morumbi de Stella Carr pela Moderna (1993)
>>> O Útimo Magnata de F. Scott Fizgerald / Introd.: Edmund Wilson pela Record
>>> Poesia e Prosa - (obras Completas- Avulso): Volume 3/ Encadernado de Edgar Allan Poe pela Ed. da Livr. do Globo (1944)
>>> Dama da Caridade de Antonio Cesar Perri de Carvalho pela Radhu (1987)
>>> O Castelo dos Horrores de Thomas Brezina pela Melhoramentos (1996)
>>> Rita Está Crescendo de Telma Guimarães Castro Andrade pela Atual (1989)
>>> Feliz Ano Velho de Marcelo Rubens Paiva pela Círculo do livro (1989)
>>> Uma Escola para o Povo de María Teresa Nidelcoff pela Brasiliense (1980)
>>> O Mulato de Aluísio Azevedo pela Ática (1970)
>>> Uma Escola para o Povo de María Teresa Nidelcoff pela Brasiliense (1981)
>>> O Gato Sou Eu: Todos Têm o Direito de Sonhar... de Fernando Sabino pela Record (1983)
>>> O Navegador do Espaço de José Acleildo de Andrade pela Leal (2006)
>>> Os Raios Invisíveis O astral das Coisas de Acervo Papus pela Gnosis (2002)
>>> Passes e Radiações de Edgard Armond pela Aliança (1999)
>>> O Livro da Lua de Marcia Mattos pela Campus (2001)
>>> Yokaanam fala á Posteridade de Vários pela Edição do Autor (1970)
>>> Os Tecelões do Destino de Eurípedes Kühl pela Petit (2001)
>>> O Poder dos Anjos de Martin Claret pela Martin Claret
>>> Eliminando o Estresse de Brian L. Weiss M.D. pela Sextante (2006)
>>> Fenômenos Ocultos de Zsolt Aradi pela Ibrasa (1976)
>>> Los Rosacruces de Christopher Mc Intosh pela Edaf (1988)
>>> Bases Esenias ( Em 02 volumes ) de Oreb Raja Aari pela Organizacion Esenia Universal
>>> Mudando o seu destino de Mary Orser e Ricardo Zarro pela Summus (1991)
>>> Magia Organizada Planetária de Vicente Beltran Anglada pela Aquariana (1990)
>>> Muralhas do passado de Jaci Regis pela Dpl (2001)
>>> O séculos dos Cirugiões de Jürgen Thorwald pela Hemus
>>> Dicionarios de las artes adivinatorias de Gwen Le Scouézec pela Martínez Roca (1973)
>>> Há Solução Sim! de José Lázaro Boberg pela Chico Xavier (2012)
>>> A Outra Face da doença de Mokiti Okada pela Fundação Mokiti (1986)
>>> Como evitar as influências Negativas de Amadeus Volben pela Pensamento (1984)
>>> A Última Grande lição ( O Sentido da vida) de Mitch Albom pela Sextante (1997)
>>> Terceiro Milênio de Carlos E. Pesssione pela Z. Valentin gráfica (1992)
>>> Segurança Mediúnica de João Nunes Maia pela Espirita Cristã (1992)
>>> O Que é o Espiritismo de Allan Kardec pela Ide (2008)
>>> Os Novos Pagãos de Hans Holzer pela Record (1972)
>>> As propriedades curativas dos cristais e das pedras Preciosa de Katrina Raphael pela Pensamento (1995)
>>> Justça Além da Vida de José Carlos de Lucca pela Petit (2001)
>>> Vida Ativa de Parker J. palmer pela Cultrix (1990)
>>> Amor e Vida de René Pessa pela Seja (1996)
>>> Você já viveu outras Vidas de Kurt Allgeier pela Ediouro (1998)
>>> A Misericórdia Divina nos liberta do passado de Izoldino Resende pela Chico Xavier (2012)
COLUNAS

Quinta-feira, 5/5/2005
A importância do nome das coisas
Adriana Baggio

+ de 24100 Acessos
+ 3 Comentário(s)

Ao dar nome às coisas, o ser humano se apropria delas. Elas passam a fazer parte da cultura, do cotidiano, das posses das pessoas. Hoje em dia, isso é bem mais difícil. Quando nascemos, a maioria das coisas com as quais teremos contato em nossa vida já tem um nome definido.

Na infância, ainda buscamos encontrar uma lógica entre o nome e a coisa a que ele se refere. Apesar de desqualificarem estas e outras atitudes normais das crianças, elas estão em um nível muito mais avançado do que os adultos, que já tiveram a oportunidade de estudar bastante, ler diversos livros, assistir muitas aulas, ter contato com os maiores pensadores da humanidade e mesmo assim não pensam sobre as palavras. Afinal, ao questionar porque algo se chama assim ou assado, as crianças retomam um dos grandes dilemas da humanidade. De Platão a Michel Foucault, essa relação entre o nome e ao que ele se refere tem sido investigada por pessoas muito sábias e inteligentes, como lingüistas, filósofos e crianças.

Mas como as coisas que conhecemos passaram a ter esses nomes? Ultimamente, as novas palavras são formadas através de junções, reduções, adaptações, utilizações em outros contextos. Essas daí, por sua vez, surgiram de outras, muito mais antigas, que têm origem nas primeiras tentativas de comunicação entre os homens. Nessa época remota, talvez as palavras tenham sido formadas pelos sons que cada objeto, animal ou pessoa emitia. "Mãe" não lembra os primeiros sons dos bebês ao mamar?

Fui atrás de algumas referências para elaborar essa coluna e dar um pouco mais de consistência às minhas reflexões. Lembrei de duas leituras que têm tudo a ver com esse assunto, mas não consegui encontrar os textos. Uma angústia isso de tentar lembrar de alguma coisa e não poder achar o lugar onde a informação está disponível. Revirei a pasta com os "xerox" de aulas dos mais diversos cursos e busquei na memória o nome de um livro para criança em que um menino dava nomes diferentes aos objetos. Santa internet, encontrei em um blog a menção à história infantil, mas não tive a mesma sorte com o texto acadêmico.

O Marcelo de Marcelo, Marmelo, Martelo, escrito em 1976 por Ruth Rocha, vivia se indagando sobre o nome das coisas: "Por que a colher se chama colher e não mexedor?". Para Marcelo, o nome deveria ter a ver com o objeto. Ou seja, a forma deve ter relação com o conteúdo. Mesmo que, para Marcelo, a forma fosse a função da colher e não seu desenho ou o material do qual é feita.

A outra referência, que eu busquei e não consegui encontrar (se alguém reconhecer, por favor indique a origem), é sobre a relação entre as palavras e as características do que elas significam. Grande parte delas parece carregar em seus sons e letras o espírito do que designam. No entanto, isso não acontece com outras. Não lembro quem argumentou que as palavras noite e dia em francês, por exemplo, não combinam com o referente. Nuit é uma palavra aberta, infinita, clara como o dia. Jour tem um som fechado, abafado, que se encerra em um sussurro, muito mais adequado para definir a escuridão do que a luz. Acho que em português as coisas parecem estar no lugar certo: dia é claro, aberto, e noite é mais fechada, escura.

Até Santo Agostinho, em suas Confissões, ficou intrigado com a origem das palavras. De onde elas vêm se, mesmo nunca tendo visto o objeto a que se referem, ele consegue saber do que se trata? Para o filósofo, as palavras são obra de Deus e já existem dentro de nós, fazem parte de nossa alma. Ele também argumenta que as pessoas relacionam as palavras e as coisas de forma arbitrária. Vemos alguém chamar uma xícara de xícara e decoramos sua designação. Como não sabemos a origem, não pensamos muito sobre essa relação. Apenas aceitamos como mais uma das inevitáveis regras necessárias de se aprender. Naturalmente, não paramos para perceber a beleza das palavras e os possíveis significados que as formas podem agregar ao conteúdo. As palavras acabam banalizadas e não se presta mais atenção nelas.

É possível ver as palavras de uma maneira muito mais rica em certas manifestações, como a literatura e a publicidade. Que não me crucifiquem por colocar arte tão nobre ao lado desta vil atividade. Mas a publicidade empresta da literatura os recursos que a fazem tão atrativa para, é lógico, atingir seus objetivos. Na publicidade, assim como na literatura, o nome das coisas é algo fundamental. Tem até um poema - outra referência que não consigo lembrar! - que fala sobre os nomes diferentes que os anúncios dão para coisas, normalmente tabus, que estamos acostumados a chamar de outro jeito. Menstruação é fluxo, velhice é melhor idade, morte é falta, e por aí vai.

Esse procedimento, o eufemismo, é mais comum do que dar uma de Marcelo, Marmelo, Martelo. Mas uma loja de eletrodomésticos e móveis decidiu inovar e resolveu mudar o nome dos objetos para conseguir se diferenciar em meio aos comerciais tão gritantemente (perdoem-me o trocadilho) parecidos. Você já viu o anúncio do Magazine Luiza? No filme, colchão é chamado de "noite bem dormida"; computador é "família bem informada" e secador de cabelos virou "elogio portátil".

A estratégia desses comerciais é "tangibilizar" o benefício. Traduzindo: com esses novos nomes, a loja mostra o que as pessoas vão ganhar comprando determinado produto. Está tudo relacionado com o tema maior da campanha publicitária, "ser feliz". Ao chamar colher de "mexedor" o Marcelo da Ruth Rocha "tangibilizava" o benefício do objeto, explicitando a sua função. (Será que ele cresceu e virou redator publicitário?) Para conferir os novos nomes para as coisas que você já conhece, dê uma olhadinha no dicionário que a loja preparou...

É gostoso brincar com os nomes das coisas. Mas é preciso lembrar que nem sempre cabe usar a retórica ou outros recursos para deixar o nosso discurso mais atrativo. Algumas coisas têm suas definições muito claras e estabelecidas e não devem ser modificadas, porque é importante que a sua essência seja mantida. Quando o presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti, chama estupro de "acidente", está denominando de "acontecimento casual, fortuito" (Houaiss) um dos piores crimes - atitude deliberada - que se pode cometer contra um ser humano.


Adriana Baggio
Curitiba, 5/5/2005


Mais Adriana Baggio
Mais Acessadas de Adriana Baggio em 2005
01. Traficante, sim. Bandido, não. - 16/6/2005
02. Por que eu não escrevo testimonials no Orkut - 6/10/2005
03. A importância do nome das coisas - 5/5/2005
04. O erótico e o pornográfico - 20/10/2005
05. É preciso aprender a ser mulher - 4/8/2005


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
9/6/2005
14h16min
Lendo sua coluna sobre a "importância do nome das coisas", lembrei-me de algo qui li na infância, que tem a ver com esse assunto, vou tentar resumir: conta a história de um certo marceneiro que tinha a mania de apelidar suas ferramentas, o martelo era o "toc, toc", o formão "roc roc" e o serrote era o "vaivem". Este tem até uma historia interessante: certo dia chega à marcenaria um menino dizendo que o pai o havia mandado buscar emprestado o serrote. O marceneiro já cansado de emprestar e não receber de volta, mandou o menino voltar e dizer ao pai que: - se vaivém, fosse e viesse, vaivém ia, mas como vaivém, vai e não vem, vaivém não vai...
[Leia outros Comentários de carlos j. b. fonseca]
26/10/2005
10h47min
Adriana, o Veríssimo escreveu, há muuito tempo, uma crônica bem humoradíssima sobre isso. Me lembro que ele falava sobre palavras como sílfide, borboleta, falava sobre palavras leves e pesadas, tudo com muito bom humor e criatividade. Só que eu tb sofro dessa sua doença: leio leio e leio e depois procuro procuro e procuro onde foram parar os textos mas nunca encontro. Abs.
[Leia outros Comentários de Ana Claudia]
28/3/2010
17h03min
Procurando justificativas para contar aos pais de meus alunos a importância do trabalho corporal que realizo na escola, cheguei neste seu bom texto de 5 anos de idade. Que bom que as palavras driblam o Deus Cronos que rege nosso planeta.
[Leia outros Comentários de dafne michellepis]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.




Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




A MULHER QUE INVENTOU O AMOR
GUIDO DA VERONA
FLAMA
(1946)
R$ 9,00



A ESCRAVA ISAURA
BERNARDO GUIMARÃES
MCGRAW HILL
(1977)
R$ 6,00



CARTINHA DO BEM
FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER
FEDERAÇÃO ESPÍRITA BRASILEI
(2007)
R$ 9,50



PRIDE AND PREJUDICE AND ZOMBIES - THE GRAPHIC NOVEL
JANE AUSTEN, SETH GRAHAME-SMITH
QUIRK CLASSICS
(2010)
R$ 25,00



MOMENTOS MÁGICOS COM SEUS FILHOS
STEVE BIDDULPH
FUNDAMENTO
(2003)
R$ 39,90
+ frete grátis



A LINGUAGEM DO BEBE
LYNNE MURRAY E LIZ ANDREWS
PUBLIFOLHA
(2004)
R$ 12,00



TRANSFORME SEU MARIDO ATÉ SEXTA
KEVIN LEMAN
MUNDO CRISTAO
(2010)
R$ 15,00



A INGLESA ROMÂNTICA
THOMAS WISEMAN
RECORD
(1971)
R$ 11,90
+ frete grátis



AGENDA INVENTADA
LUIZ ANTONIO AGUIAR
ATUAL
(1993)
R$ 4,06



LOUVOR E ADORAÇÃO AO DEUS ETERNO - 1ª ED.
IGR. EVANGÉLICA CRISTÃ PRESBITERIANA / VOTUPORANGA
ASSOC. BENEF. CADES BARNEIA
(1999)
R$ 7,50





busca | avançada
39185 visitas/dia
1,1 milhão/mês