Paulo César Saraceni (1933-2012) | Humberto Pereira da Silva | Digestivo Cultural

busca | avançada
82559 visitas/dia
2,4 milhões/mês
Mais Recentes
>>> Sugestão de pauta - Lançamento 'Presenças' de Millo Ribeiro
>>> Projeto 8x Hilda reúne obra teatral de Hilda Hilst em ciclo de leituras online
>>> Afrofuturismo: Lideranças de de Angola, Cabo Verde e Moçambique debatem ecossistemas de inovação
>>> Ibraíma Dafonte Tavares desvenda preparação e revisão de texto
>>> O legado de Roberto Burle Marx é tema de encontro online
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Da fatalidade do desejo
>>> Cuba e O Direito de Amar (3)
>>> Isto é para quando você vier
>>> 2021, o ano da inveja
>>> Pobre rua do Vale Formoso
>>> O que fazer com este corpo?
>>> Jogando com Cortázar
>>> Os defeitos meus
>>> Confissões pandêmicas
>>> Na translucidez à nossa frente
Colunistas
Últimos Posts
>>> Mehmari, Salmaso e Milton Nascimento
>>> Gente feliz não escreve humor?
>>> A profissão de fé de um Livreiro
>>> O ar de uma teimosia
>>> Zuza Homem de Mello no Supertônica
>>> Para Ouvir Sylvia Telles
>>> Van Halen ao vivo em 1991
>>> Metallica tocando Van Halen
>>> Van Halen ao vivo em 2015
>>> Van Halen ao vivo em 1984
Últimos Posts
>>> Kate Dias vive Campesina em “Elise
>>> Editora Sinna lança “Ninha, a Bolachinha”
>>> “Elise”: Lara Oliver representa Bernardina
>>> Tonus cristal
>>> Meu avô
>>> Um instante no tempo
>>> Salvem à Família
>>> Jesus de Nazaré
>>> Um ato de amor para quem fica 2020 X 2021
>>> Os preparativos para a popular Festa de Réveillon
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Uma análise sociossemiótica do trabalho
>>> Novos Melhores Blogs
>>> Poesia em Xadrez, BH
>>> O filósofo da contracultura
>>> Diogo Salles no podcast Guide
>>> 1984, de George Orwell, com Fromm, Pimlott e Pynchon
>>> Hora de parar... ou de voltar!
>>> Do Comércio Com Os Livros
>>> Em Londres, à caça do mito elementar
>>> A poética anárquica de Paulo Leminski
Mais Recentes
>>> Amor - 14ª Estação de Miguel Jorge pela Kelps (1997)
>>> O Médico e o Monstro - Lpm Pcket 267 de R. L. Stevenson pela LPM Pocket (2003)
>>> Amizade Que Vale a Pena de Adriana Rosa e Outros pela Prazer de Ler (2021)
>>> O amor está no ar de Jennifer Echols pela Pandorga (2014)
>>> De repente de Nichole Chase pela Pandorga (2013)
>>> Veleiros ao mar de Sarah Mason pela Bertrand Brasil (2013)
>>> A Salamandra de Morris West pela Record (1973)
>>> Longe demais de Jennifer Echols pela Pandorga (2012)
>>> A rainha da fofoca fisgada de Meg Cabot pela Galera (2013)
>>> A rainha da fofoca em Nova York de Meg Cabot pela Galera (2010)
>>> A rainha da fofoca de Meg Cabot pela Galera (2010)
>>> Férias, amor e chocolate quente de Patrícia Barboza pela Verus (2017)
>>> Quase Santo de Anne Tyler pela Companhia das Letras (1992)
>>> Preparacion de motores para auto de competicion de Federico Kirbus pela Federal-Mogul (1974)
>>> Introdução ao novo testamento de Raymond E. Brown pela Paulinas (2004)
>>> Você Sabe Estudar? de Claudio de Moura Castro pela Penso Editora Ltda
>>> Você sabe conversar? de Pedro Bloch pela Revinter (2003)
>>> O Mestre e o Herói de Domingos Pellegrini pela Moderna (2006)
>>> Escola estadual especial Renascença: Cinquenta anos de história (1956-2006) de WS editor pela WS editor (2006)
>>> Contra a Maré Vermelha de Rodrigo Constantino pela Editora Record
>>> Missão como com-paixão de Roberto E. Zwetsch pela Sinodal (2008)
>>> História das ideias pedagógicas de Moacir Gadotti pela Ática (2005)
>>> A Irmã de Freud de Goce Smilevski pela Editora Bertrand Brasil Ltda
>>> Os Des Mandamentos (+1) de Luiz Felipe Pondé pela Três estrelas
>>> Meu Colóquio Litúrgico Com Deus Vol 3 - A Liturgia Contemplada de Dom Dadeus Grings pela Evangraf (2008)
>>> O livro de Marina: a formiguinha que se enamorou do sol de Adelino Gabriel Pilonetto pela ESTEF (2018)
>>> Monsignor Luigi Talamoni: Tutto è nulla se non è nell'amore di Dio de Cristina Siccardi pela San Paolo (2004)
>>> Farewell de Carlos Drummond de Andrade pela Record (1996)
>>> Tristão e Isolda - O Mito da Paixão de Maria Nazareth Alvim de Barros pela Mercuryo (1996)
>>> Apostila manual de peças e serviços Faet de Parcelias pela Parcelias (2006)
>>> Apostila Parâmetros Curriculares Nacionais. História - Geografia. de Ministério da Educação pela Mec (1997)
>>> Soul Mates: Honoring the Mysteries of Love and Relationship de Thomas Moore pela Harper Collins (1998)
>>> Apostila "A mais nova maneira de trabalhar em casa" de Vários pela Herba (2006)
>>> Apostila Sebrae "As relações Humanas no trabalho" de Sarah Araújo da Silva pela Sebrae (2001)
>>> Ciências Para Nosso Tempo 9° Ano de Washington Carvalho - João Alves - Laércio Caetano. pela Positivo (2011)
>>> Puer Aeternus: a Luta do Adulto Contra o Paraíso da Infância de Marie-Louise von Franz pela Paulinas (1992)
>>> A Era da Manipulação de Wilson Bryan Key pela Scritta (1993)
>>> Revista a Bíblia no Brasil n°257 ano 69 de Vários pela Sbb (2018)
>>> Relações humanas na família e no trabalho de Pierre Weil pela Vozes (1992)
>>> Alter Ego+ A1 - Cahier d'activités de Annie Berthet, Emmanuelle Daill, Catherine Hugot e Monique Waendedries pela Hachette (2015)
>>> Educar para um outro mundo possível de Moacir Gadotti pela Publisher (2007)
>>> Contabilidade 3D - questões comentadas FCC + teoria sintetizada de Sérgio Adriano pela Método (2012)
>>> Planejar gêneros acadêmicos de Anna Rachel Machado (coordenadora) pela Parábola (2009)
>>> Resumo de Anna Rachel Machado (coordenadora) pela Parábola (2010)
>>> Mobile A1 - Méthode de Français, com DVD de Alice Reboul, Anne-Charlotte Boulinguez e Géraldine Fouquet pela Didier (2013)
>>> Mobile A2 - Méthode de Français, com DVD de Laurence Alemanni e Caherine Girodet pela Didier (2012)
>>> A árvore do conhecimento de Humberto R. Maturana, Francisco J Varela pela Palas Athena (2001)
>>> Crer depois de Freud de Carlos Domínguez Morano pela Loyola (2003)
>>> O poder latente da alma de Watchaman nee pela Publicações pão diario (2019)
>>> A dispensacao do mistério de T. austin-Spacks pela Phileo (2015)
COLUNAS

Quarta-feira, 25/4/2012
Paulo César Saraceni (1933-2012)
Humberto Pereira da Silva

+ de 5600 Acessos

Há três nomes essenciais quando se tem em vista o contexto e situação histórica que deram origem ao Cinema Novo: Nelson Pereira dos Santos, Glauber Rocha e Paulo César Saraceni. Desde "Rio, 40 graus" (1955), Nelson desponta como a figura impulsionadora do movimento: um pouco mais velho, torna-se uma espécie de guru da nova geração; já Glauber, principal agitador e idealizador, chamou a atenção internacional com seu primeiro longa metragem, "Barravento" (1962), premiado no Festival de Karlovy Vary, antiga Tchecoslováquia. Nesse mesmo momento, outros nomes merecem atenção - Ruy Guerra, Cacá Diegues, Leon Hirszman e Joaquim Pedro Andrade -, mas a Saraceni, entre os amigos conhecido como Sarra, deve-se dar um destaque especial. Como se pode ver nos arquivos de Glauber Rocha, disponíveis no Tempo Glauber, e no livro de memórias de Sarra, "Por dentro do Cinema Novo" (Nova Fronteira, 1993), é dos papos entre ele e Glauber nos bares da zona sul carioca ou em Salvador, no início dos anos 60, que se pode ter em mente o que os jovens cineastas queriam fazer para revolucionar o cinema brasileiro.

Em 1959, no apartamento da artista plástica Ligia Pape, foram exibidos para uma plateia seleta, que incluía artistas como Amilcar de Castro e Helio Oiticica, os primeiros filmes dos dois: "O Pátio", de Glauber, e "Caminhos", de Sarra. Foi nessa sessão que Reinaldo Jardim, editor do Caderno de Cultura do Jornal do Brasil, propôs abrir espaço para os jovens cineastas e publicar um manifesto com as novas ideias que traziam. A redação do manifesto acabou na intenção, mas em termos práticos é a partir desse incentivo que Glauber volta para a Bahia e filma "Barravento" na praia de Buraquinho, enquanto Sarra vai para o Arraial do Cabo e realiza o documentário "Arraial do Cabo" (1959).

Com esse filme, Sarra ganha uma bolsa para estudar no importante Centro de Cinema Experimental em Roma. Ele leva o filme consigo e o apresenta no Festival de Santa Margherita. "Arraial" causou impressão muito favorável, com suas imagens de forte apelo social, e revelou o que passou a ser em seguida chamado como Cinema Novo. Estimulado pelos debates e discussões suscitadas pelo filme, na volta ao Brasil ele fez "Porto das Caixas" (1962), "Integração Racial" (1964) e, um ano após o golpe de 64, "O Desafio".

Mesmo tendo aberto as portas para o Cinema Novo na Europa, ao contrário de Glauber, Nelson ou Ruy Guerra, esses filmes de Sarra, feitos em sequência, não foram exibidos em festivais importantes (barrado por Carlos Lacerda, então Governador da Guanabara, "O Desafio" foi apresentado clandestinamente no Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro, em 1965). Não tiveram, portanto, a ressonância de "Deus e o Diabo" (1964), "Vidas Secas" (1963), "Os Fuzis" (1964), respectivamente, que foram exibidos em Cannes e Berlim (Na Berlinale, o filme de Ruy Guerra foi premiado com o Urso de Prata). Depois desses filmes iniciais, a carreira de Sarra segue caminho um tanto errático e pouco profícuo. Ele fez ainda filmes como "Capitu" (1967), adaptação de Machado de Assis, e um projeto que acalentava há muito tempo, "A Casa Assassinada" (1970), baseado no livro de Lucio Cardoso. Mas a obra posterior de Sarra dá sinais de que sua verve criativa e seu espírito inovador se acomodaram. Quando se fala em Cinema Novo, impossível não lhe fazer referência, mas talvez por isso sua importância não seja devidamente considerada.

Com sua morte recente, em 14 de abril, nos cabe então lembrar que "Arraial do Cabo", "Porto das Caixas", "Integração Racial" e "O Desafio" são emblemáticos da estética cinemanovista. Mais que isso, são filmes deflagradores: "Arraial" antecipa "Aruanda" (1960), de Linduarte Noronha, "Porto das Caixas" toca a questão da mulher oprimida como o fará Leon Hirszman em "A Falecida" (1965) e "O Desafio", como "Terra em Transe" (1967), de Glauber, coloca em pauta o papel do intelectual diante da ditadura. Ou seja, a estética e os conteúdos social e político nesses filmes oferecem o germe para a filmografia por vir. Nesse sentido, Sarra é, de fato, aquele que abriu fendas, que se colocou adiante e, com isso, contaminou Glauber e outros ao redor para o desafio de se fazer cinema em transe.

Quando exibiu "Arraial" na Itália, ouviu do cineasta Jean Rouche que a nova onda era fazer cinema com "a câmara na mão". Rápido, escreveu para Glauber e lhe transmitiu essa ideia. Este, sensível, acolheu o sentido do que Sarra transmitiu e na 6ª Bienal de São Paulo, em 1961, expôs que o propósito de sua geração era o de fazer cinema com "uma câmara na mão e uma ideia na cabeça". Sem um manifesto formal, surge assim aquele que é o principal movimento do cinema brasileiro e um dos pontos altos de nossa história cultural.

Os filmes de inicio de carreira de Saraceni, hoje, são de difícil acesso (indisponíveis em DVD, podem ser vistos em acervos públicos, como na Biblioteca da ECA, ou sequências fragmentadas pelo you tube). Como decorrência, sua importância não é devidamente enfatizada: Sarra praticamente não é visto pelas novas gerações. É uma pena, pois "O Desafio", com suas imagens sombreadas, clima blasé e diálogos angustiantes, perfila-se entre as obras primas do cinema nacional nos anos 60. Ao lado de "Terra em Transe", reflete de modo intenso o impasse da intelectualidade brasileira diante da realidade da ditadura que se impôs. Assim como o filme glauberiano, "O Desafio", feito no calor da hora, revela a grande intuição de Sarra para sentir e expressar por meio de uma obra de arte o que foi o golpe de 64.

Sintomático desse sentimento é o plano que exibe o pôster de "Guernica", de Picasso, no quarto em que o casal protagonista conversa sobre a situação do país e a impossibilidade de uma relação amorosa naquelas condições. Mero elemento cenográfico, tão repleto de sentido quando se pensa nas razões que levaram Picasso a pintar o bombardeio de uma população indefesa durante a guerra civil espanhola. Enfim, Sarra se foi; fica sua obra, "O Desafio" do filme e, para nós, o de preservar a memória de um gigante de nossa cultura.


Humberto Pereira da Silva
São Paulo, 25/4/2012


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Cabelo, cabeleira de Luís Fernando Amâncio
02. Bitcoin, smart contracts, blockchain, cryptoassets de Julio Daio Borges
03. Solitária cidadã do mundo de Elisa Andrade Buzzo
04. É Tabu, Ninguém Quer Saber de Marilia Mota Silva
05. Abelardo e Heloísa de Gian Danton


Mais Humberto Pereira da Silva
Mais Acessadas de Humberto Pereira da Silva em 2012
01. Cézanne: o mito do artista incompreendido - 26/9/2012
02. 'O sal da terra': um filme à margem - 27/6/2012
03. Herzog, Glauber e 'Cobra Verde' - 18/4/2012
04. Paulo César Saraceni (1933-2012) - 25/4/2012
05. A Nouvelle Vague e Godard - 15/2/2012


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




Verso Le Mete
L. Gessi M. Longhi
L Cappelli
R$ 38,77



Indicadores sociais no Brasil: conceitos, fontes de dados e aplicações
Paulo de Martino Jannuzzi
Alínea
(2012)
R$ 40,00



Pelas veias da selva.
Vito d* alessio
Ftd
(1992)
R$ 16,00



O Enigma dos Desaparecidos
Leandro Ribeiro
Reggraf
(2009)
R$ 30,00



Plantas de Interior Jardinagem Prática
Pierre Nessmann
Girassol
(1996)
R$ 27,19



TEATRO EM CONFIDENCIA (Entrevistas)
Artur Joseph
Tiempo Nuovo
(1970)
R$ 20,00



Construindo uma Sociedade Mais Justa
Milton Bigucci
Assahi
(2005)
R$ 5,00



Bling Ring: a Gangue de Hollywood
Nancy Jo Sales Cláudio Figueiredo Andrea Gottlieb
Intrinseca
(2013)
R$ 5,00



Ahora Sí Bienvenido Al Idioma Espanõl Básico 1
Manoel Dias Martins - María Teodora R. M. Freire
Novos Livros
(1996)
R$ 12,00



Ejecución Provisional de Sentencias Civiles - Teoría y Práctica
Xulio Ferreiro Baamonde
Juruá
(2014)
R$ 52,82





busca | avançada
82559 visitas/dia
2,4 milhões/mês