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Segunda-feira, 10/9/2012
Lear e Potter
Ricardo de Mattos

+ de 3600 Acessos


Edward Lear

"Quando alguém tem o seu por quê da vida, tolera quase qualquer como? - O ser humano não aspira à felicidade; isso é coisa que só os ingleses fazem" (Nietzsche).

Nonsense" significa disparate, ação ou dito incoerente. Como parece sem sentido uma coluna sobre autores vitorianos, encabeçada por Nietzsche e originada no folclore catarinense. A epígrafe, que descobrimos ter duas partes, foi extraída do Crepúsculo dos Ídolos. A primeira parte é um dos pilares da Logoterapia de Viktor Frankl. A segunda, uma provocação do rabugento de Röcken aos ingleses, como se eles fossem culpados por continuar procurando algo em que ele não acreditava mais. Ou queria acreditar, mas tolheu-se de tal forma através do próprio pensamento que não teve por onde escapar. Importa assinalar que procurar pela boa Literatura ou produzi-la em larga escala - como fizeram os ingleses - é uma evidência contundente não apenas do anseio humano em ser feliz, como também da possibilidade de atingir a felicidade ainda neste plano.

Em verdade, esta coluna começou em novembro passado, no Mercado Municipal de Taubaté. Vagávamos entre as barracas em busca de novas peças para o presépio, quando nos deparamos com a figura da bernúncia, personagem equivalente ao bicho-papão e componente do folclore catarinense. A visão desta peça remeteu-nos incontinente ao grosso livro de histórias e costumes nacionais que gostávamos de folhear na infância. Adquirida a peça, pesquisamos a respeito do animal imaginário e, justificando o nome, a teia de resultados levou-nos à editora que tinha um livro de Lear entre seus lançamentos mais recentes.

Um livro de nonsense, de Edward Lear. Certo, mas quem foi ele? Descobrimos tratar-se de um pintor, ilustrador e escritor inglês encarnado em 1812 e desencarnado em 1888. Nascido há duzentos anos, portanto, o que motivou recente coluna no jornal impresso, da autoria de Antonio Gonçalves Filho. Lear foi autor de detalhados quadros a óleo, bem como de desenhos botânicos e zoológicos minuciosos - o que lhe valeu a contratação como professor de desenho da Rainha Vitória - e do que arriscamos a incluir entre os antepassados das charges. Nos livros, seus poemas são acompanhados de desenhos, em mútua complementação. Isolados os desenhos, perdem o significado. Isoladas as trovas, perdem o inusitado.

Devido à saúde frágil, Lear afastou-se da Inglaterra aos 25 anos. Nunca mais residiu lá de forma permanente, mas também não chegou a exilar-se. Seus destinos preferenciais foram Itália e Oriente. Informações biográficas deste mui imaginativo poeta nós encontramos num texto bastante completo de Dirce Waltrick do Amarante, intitulado O nonsense de um viajante inglês. Especialista na obra de Lear, Amarante entregou a pouco aos leitores mais uma tradução de Lear e um estudo crítico. Do texto que consultamos, encontramos o registro de espécimes da "botânica nonsense" registrada pelo poeta, como o "pé de biscoito", o "pé de escova de roupa" (Este utilíssimo produto natural não produz muitas escovas de roupa, o que explica o preço alto desses objetos), o "pé de coelho", o "pé de garfo", etc.

Lear foi o criador do limerick - ou limerique, na forma aportuguesada. São quadras de cinco versos, com uma rima no primeiro, no segundo e no quinto deles, e outra rima no terceiro e no quarto. No conteúdo, são nonsense, isto é, desprovidos de sentido. Ao menos de sentido imediato. As quadras são povoadas pelo sujeito que usa uma mesa como cama, outro que tranca a esposa dentro de uma caixa, outro de estatura menor que a do próprio cão de estimação, outro que, de tão magro, foi misturado à massa do bolo... Com isto, o conjunto acaba destinado a leitores de todas as idades Vejamos um exemplo, que arriscamos traduzir em seguida:

"There was a Youn Lady whose bonnet
Came untied when the birds sat upon it;
But she said, 'I don't care!
All the virds in the air
Are welcome to sit on my bonnet!
'"

"Havia uma Senhora de Youn cujo gorro
Desfiou quando os pássaros sentaram nele;
Mas ela disse, 'não cuido disso!'
Todo pássaro do ar
É bem-vindo para sentar em meu gorro!


Beatrix Potter

Compreendemos as dificuldades da tradução. Traduzir não significa simplesmente encontrar no vernáculo o termo equivalente em outro idioma. Muitas vezes implica em vivência e conhecimentos biográficos e históricos. Entretanto, quem se propõe a trazer para nosso público a obra de um poeta inglês vitoriano, deve assumir os riscos da empreitada, no que se refere ao retorno do público e à compensação financeira da edição. Traduzir a obra de alguém escassamente conhecido é algo que se imagina feito mais por amor ao ofício e à Arte que por expectativa de lucro. Assim, o argumento do tradutor Vinicius Alves de que tentou "aproximar o humor daquele país ao nosso, em nossos dias, como se Lear escrevesse seus limeriques hoje e, ainda mais, no Brasil, em português brasileiro, brasileirês" não goza de nossa simpatia. Si quiséssemos versos cômicos inspirados no Brasil contemporâneo, procuraríamos por um vate em exercício, empreitada mais satisfatória do que travestir um poeta vitoriano e deixá-lo, ele inteiro, sem sentido. Lembramos que o sorriso com o qual recebemos o pacote pelo correio esvaneceu-se gradativamente, e foi substituído por certa taquicardia conforme lemos, logo na primeira página de texto, o sobrenome "Campos". "Moldavia" poderia continuar rimando com "Moldávia", e sua substituição por "Sacramento" é algo que atribuímos mais ao capricho e à precipitação. Não somos grandes amigos das notas de rodapé, mas reconhecemos que a opção por elas, neste caso, seria de maior proveito, tal como fizeram Ricardo Primo Portugal e Tan Xiao na tradução da obra de Yu Xuanji, que resultou num belo livro.

Folheando Um livro de nonsense para esta coluna, recordamo-nos de antiga polêmica envolvendo o falecido poeta Bruno Tolentino. Alguém não só "traduziu" um poema como, por conta própria, introduziu uma quinta estrofe onde só existiam quatro. O autor dAs horas de Katharina escreveu um artigo sobre o ocorrido e apresentou uma versão fiel, mostrando que não é preciso "reinventar" quando se sabe "o que" se está fazendo e "como". Por conta disso, foi alvo de críticas e abaixo-assinados, ocorrências comuns quando criaturas de Moreau sentem-se flagradas. Ao prefaciar a antologia da poetisa polonesa Szymborska, por ela mesma traduzida, Regina Przybycien revelou o cuidado e respeito que teve para manter a compreensão sem interferir nos versos de Recital da autora, ao deparar-se com nome próprio conhecido na Polônia, mas ignorado no Brasil. Pense o leitor como quiser, mas a edição brasileira de Um livro de nonsense vale-nos pelos versos originais que dela constam e pelos desenhos de Lear.

Aproveitando o período de encomeda de livros, período este que, na maioria das vezes, garante a leitura do ano, verificamos o que havia de Beatrix Potter (1866-1943) no mercado nacional. A história da escritora inglesa cativou-nos desde que assistimos o filme sobre sua vida, datado de 2006 e com Renée Zellweger como protagonista. Seu primeiro e principal livro infantil, A história do Pedro Coelho é o único disponível em nosso mercado editorial. Tendo-o diante dos olhos, o leitor desculpar-nos-á o pleonasmo por falarmos em "livrinho pequenino". Tamanho reduzido, mas fiel: cada par de páginas traz o texto e a respectiva ilustração, ambos da autoria de Potter. Acreditamos encontrar aqui a explicação do preço inversamente proporcional. O enredo é simples: Pedro desobedece à mãe e precisa enfrentar sozinho as consequências de seus atos. Alguém já disse que o amor de Potter não era pelas crianças, mas pelos animais e pelo meio-ambiente. Perguntamos à editora se haveria a previsão de outros lançamentos e a resposta foi negativa, o que é uma pena. No site youtube.com.br há diversos desenhos animados baseados em sua obra, bastando digitar ou o nome da escritora ou Peter Rabbit para que as opções apareçam.


Ricardo de Mattos
Taubaté, 10/9/2012


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