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Terça-feira, 19/5/2015
I-ching-poemas de Bruna Piantino
Jardel Dias Cavalcanti

+ de 2500 Acessos

A poeta Bruna Piantino fez um livro de cor rosa, com o delicado título de "Biscuit" (BH: Edição do autor, 2014). A poetisa tem um rosto lindo (como se apresenta na contra capa de seu livro), mas não se enganem, no seu rosto vibram olhos insanos (de poeta) e nas páginas cor de rosa de "Biscuit" escorrem, algumas vezes, sangue e desespero.

Imagens perturbadoras aparecem, por exemplo, no poema "O tempo do conflito". Aqui se narra de forma irônica as formas de se matar um elefante. O poema trabalha com a produção de uma narrativa quase tão mecânica quanto a produção fria e desumana dos assassinatos:

"Paquiderme

à sombra da acácia

recém-abatido

posa para câmera

..

Alguns modos de se matar um elefante

1/6

pela mira de Ernest

Hemingway´s 577

Nitro Express Double barreled

on Safari in Africa in 1953

2/6

10 homens esqueléticos

arremessam lanças

arrancadas pela tromba

até que o sangue se esvaia

3/6

50 homens a cavalo

falando árabe

abatem a granadas 89 elefantes

33 em período lácteo, 15 filhotes

4/6

1 helicóptero

aparelhos de visão noturna

silenciadores da caça furtiva

os elefantes nunca esquecem

5/6

mina antitanque, mina AT

pressão mínima 150 kg no disparo

autorizado pelo tratado de Ottawa

utilizada no Zimbabwe, sec. XXI

6/6

cianureto

em poços d´água

mortes indiretas no micro-habitat

efeito de até quarta geração".

Imagens abissais povoam o poema "Abismo sobre abismo/ a água funda jaz em uma ravina", reforçando a ideia de desastre que aparece em vários outros poemas:

"A formiga vive nua/ no banheiro/ insiste em rondar/ o ralo como se logo ali/ abaixo/ estivessem os cem/ ovos gerados por ela/ na primavera/ em meio à tempestade// a mãe atraída pela/ descida/ e obcecada por salvar/ o ovo fecundado no voo/ nupcial/ que larva prometida/ tornar-se-á/ rainha/ alcança o buraco negro// que consumirá em dias/ todo o seu/ exoesqueleto marrom/ rumo ao porão das / águas pardas/ escória debatida/ no purgatório onde/ a alma/ em chamas eterniza".

Nos poemas de Bruna Piantino, a forças se dobram em acidentes, em corpos quebrados, em movimentos que acabam se tornando impossibilidades, como em "Um príncipe oferece tudo ao imperador":

"o primeiro/ rolou pelas escadas após visitar a irmã/ já a senhora/ que estendia roupa no varal/ escorregou abruptamente/ no alpendre de pedra ardósia// (...) o primeiro tombo/ causou fratura em uma das pernas/ o segundo gerou tanto desconforto/ como se fossem trocadas as bandas do corpo/ da espinha dorsal às falanges/ uma torção no cabide dos ossos".

Algo de soturno também perpassa várias das outras páginas cor de rosa do livro, seja a paralisação da ação causada pelo excesso de desejo ou na ideia de que todo dia é noite na cidade, quando se avizinha o perigo e o absurdo, como diz em trecho do poema "Um fogo das profundezas da terra":

"Todo dia é noite/ na cidade/ soturna por seus convidativos/ cruzamentos urbanos/ na iminência/ de um Jack Estripador/ ou da nudez absurda/ in the box/ de uma Kate Moss".

O tempo, inexorável e entediante, marca as horas vazias e dolorosas da vida, como no trecho do poema "Os vermes reproduzidos na tigela":

"Os dias são o pasto/ que se passa/ a sangue-ferro-fogo/ exposto às contusões/ caseiras/ no tédio descoberto/ pelos pequenos enganos/ discreto/ o relógio badala".

Os poemas de Bruna Piantino têm, em geral, a capacidade de evocar paisagens, estados de espírito e situações irremediáveis da existência do homem ou da natureza (que pode funcionar como alegoria da vida humana). Por exemplo, como no trecho do poema "O cruzamento da grande água":

"a onda que da rocha/ se avizinha/ junto dela se debate/ até que a força seja extinta/ deixando marcas fósseis/ na pedra que absorve/ o silêncio/ enquanto o mar/ não se cala."

Mas nem tudo parece perdido, há uma espécie de i-ching no subsolo dos poemas, que lança os dados da sorte sobre a vida humana. Como anuncia o primeiro poema do livro "A capacidade de iniciativa cf. o céu", onde um cão salta na noite para mostrar o caminho naquela escuridão onde a poeta parece estar perdida:

"na escuridão/ nada se via/ as botas encharcadas/ entre as encostas do mar/ e os charcos da planície// o vulto/ do cavalo/ que teria ganas de te possuir/ como todos os homens da vila// a aparição do cachorro/ que te lambia a mão/ para dizer: não estás sozinha/ venha que eu te mostro o caminho// e chovia".

PARA IR ALÉM:

A palavra biscuit, explica a autora, vem do latim (bis) e de coctus: significa dupla cocção, conceito que ela associa à mutação no I Ching.

Bruna está atenta à relação dos homens entre si e com a sociedade, mergulhados nos mistérios da teia da vida. Biscuit foi também editado em braille e será disponibilizado para bibliotecas públicas e entidades voltadas para o atendimento de portadores de deficiência visual.


Jardel Dias Cavalcanti
Londrina, 19/5/2015


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