Livro das Semelhanças, de Ana Martins Marques | Jardel Dias Cavalcanti | Digestivo Cultural

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Terça-feira, 24/11/2015
Livro das Semelhanças, de Ana Martins Marques
Jardel Dias Cavalcanti

+ de 4700 Acessos


A poeta Ana Martins Marques lançou este ano, pela Companhia das Letras, "O livro das semelhanças", seu terceiro livro de poesia. Lançada inicialmente pela Editora Scriptum, com "A vida Submarina", de 2009, publicou ainda, pela Companhia das Letras, o livro "Da Arte das Armadilhas", em 2011.

O novo livro é dividido em várias seções, cujos títulos são "Livro", "Cartografias", "Visitas ao lugar-comum" e "O livro das semelhanças". Formam um conjunto interessante de poemas que dão conta daquilo que está proposto nas seções. Não sabemos se os títulos vieram antes dos poemas, ou se a existência dos poemas criou a necessidade de tais denominações.

As seções marcam uma pequena linha divisória sobre as preocupações da poeta, como no primeiro momento, que vai do interesse pelo formato do livro às consequências que se pode tirar de cada parte do seu formato, transposto agora para uma espécie de relação entre mundo pessoal/existencial e composição do objeto livro.

Na segunda parte, uma espécie de cartografia sentimental vai se delineando a cada poema, marcando a significação do encontro ou desencontro afetivo que tem como ponto de partida a ideia do mapa.

Na terceira parte, o afeto é ainda o leitmotiv da sua criação poética, onde rusgas e incertezas, com um certo pessimismo intravenoso, dominam quase todos os poemas.

Enfim, na última parte, que forma o maior conjunto de poemas, e onde também concentra-se a maior densidade do livro, é o momento da desconstrução da realidade pela palavra poética, onde, então, se realiza de forma mais pungente a inflexão do Ser diante da vida.

Todo leitor apaixonado por poesia, imagino, é também um apaixonado por livros, por sua feitura, sua aparência, enfim, seu design. Ana Marques vai além dessa paixão fetichista (e adorável) pelo objeto na primeira seção do livro. Da capa ao nome do autor, título, dedicatória, epígrafe, tipo de papel, primeiro e segundo poemas, índice remissivo até a contracapa, os poemas buscam perscrutar a alma de cada uma dessas partes, relacionando o autor ao receptor, fazendo da poesia um corpo expositivo das entranhas abertas dessa relação, com uma simplicidade aparente, mas onde cada poema guarda momentos de atenção para aquilo que criamos e para o qual não atentamos para o seu sentido, dada sua funcionalidade quase automática na nossa existência de amantes de livros.

Em "Nome do autor", por exemplo: "Impresso/ como parece estranho/ o mesmo nome/ com que te chamam." Ou em "Dedicatória": "Ainda que não te fossem dedicadas/ todas as palavras nos livros/ pareciam escritas para você". Algo próximo à perplexidade de uma criança que descobre pela primeira vez o funcionamento de algo que o interessa e o toca desde sempre.

Também pode-se pensar na constituição do livro, no andamento da criação de cada poema, como o lugar espacial longe dos atropelos da existência: "o dia: contas a pagar/ correspondência atrasada/ congestionamento/ xícaras sujas// aqui ao menos não encontrarás,/ leitor,/ xícaras sujas". Uma espécie também de ponto de encontro, onde o interior do livro, nas suas marcações (dobras, manchas, mapas, citações), se constitui em momentos para a poeta filosofar sobre a vida, como ao aproveitar uma ideia de Robert Walser: "privar-se de alguma coisa/ também tem seu perfume e sua energia". Ou no poema "Papel de seda", onde reflete sobre o sentido que outrora tinha o papel de seda nas divisões entre imagem e texto: "receavam a comunhão universal/ dos traços/ receavam que as palavras e as imagens/ não fossem vistas como rivais/ que são/ mas como iguais/ que são".

A seção "Cartografias" atende aos sentimentos amorosos, delineados como as próprias linhas do mapa, que costuram as diferentes configurações do afeto. São imagens líricas bastante simples que a poeta constrói para externar a profundidade do lugar que o amor ocupa na existência. Por exemplo: "E então você chegou/ como quem deixa cair/ sobre um mapa/ esquecido aberto sobre a mesa/ um pouco de café uma gota de mel/ cinzas de cigarro/ preenchendo/ por descuido/ um qualquer lugar até então/ deserto".

"Visitas ao lugar comum" não fica longe do exemplo anterior, embora aqui pareça se edificar um círculo vicioso do ir e vir, cortar e remendar, ficando no fim a existência (corriqueira ou afetiva) marcada pelas cicatrizes. "Cortar relações/ e depois voltar-se/ verificar se o que restou/ suporta/ remendo/ demorar-se/ sobre a cicatriz/ do corte". Ou, sob os auspícios da dúvida: "Amar/ profundamente/ mas testar/ volta e meia/ se ainda/ dá pé". Dúvida que não desaparece: "e ao fim/ arfante/ da corrida/ voltar-se/ para avaliar/ o traçado".

A parte final é "O livro das semelhanças", que retoma o título do livro. Aqui se adensam as experiências que são tratadas com certa leveza nas outras partes do livro. Esse adensamento não hierarquiza as partes do livro. Ana Martins é uma grande criadora de imagens rápidas, que dissolve as certezas sem que seja necessário precisar o antes, o entre e o depois das ações. O corte é rápido. Quase não dá tempo de perceber o tamanho do rasgo. Por isso voltamos aos poemas, precisando acreditar que aquilo que se anunciava como um verso singelo, guarda, na sua composição, o preâmbulo para o desalento.

Por vezes, ainda, o poema se constrói sobre o anúncio daquilo que virá sem dó nem piedade. Não precisa, a poeta, dizer o que virá, mas sua matéria, uma faca se afiando, não é mais que "cinzas/ por dizer". Vale ler o poema onde esse verso aparece:

Ainda é tarde

para saber

Ainda há facas

cruas demais para o corte



Ainda há música

no intervalo entre as canções



Escuta:

é música ainda



Ainda há cinzas

por dizer

Como um "acervo de acidentes", essa parte final do livro carrega uma certa melancolia. Não há ajustes que possam remediar perdas, como no poema "O que eu levo nos bolsos", onde a poeta pode até ter "teu nome/ anotado/ num papel dobrado", mas finaliza o poema com o significado que essa presença tem para ela: "meu deserto/ de bolso". O poema "O beijo" também faz transparecer essa ausência de doçura que o reino dos afetos parece prometer, mas que não consegue cumprir: "Ao me beijar/ esqueceu uma palavra em minha boca/ (...)/ É pequena e dura/ mais salgada que doce/ e amarga um pouco/ no fim."


O espaço de uma resenha é pouco para as variáveis que um livro de poesia possui. Ao se olhar o conjunto de poemas de "O livro das semelhanças" nota-se o apreço da poeta pela clareza das composições. Aqui não se quebra o pé do verso para um efeito especial. Quebra-se, isso sim, a possibilidade de se configurar uma realidade dócil e amena. E embora o afeto seja um tema recorrente, ele alegoriza, na sua própria precariedade, o sentido da existência. O convite da poeta não é o de um retorno ao parnaso, como se pode supor ao primeiro corte no nervo do leitor, mas o contrário: "vem/ escuta/ no meu peito/ o silêncio/ elementar/ dos metais".


Jardel Dias Cavalcanti
Londrina, 24/11/2015


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