O homem que enfrentou Ulisses | Luiz Rebinski Junior | Digestivo Cultural

busca | avançada
68461 visitas/dia
2,1 milhões/mês
Mais Recentes
>>> Liberdade Só - A Sombra da Montanha é a Montanha”: A Reflexão de Marisa Nunes na ART LAB Gallery
>>> Evento beneficente celebra as memórias de pais e filhos com menu de Neka M. Barreto e Martin Casilli
>>> Tião Carvalho participa de Terreiros Nômades Encontro com a Comunidade que reúne escola, família e c
>>> Inscrições abertas para 4ª Residência Artística Virtual Compartilhada
>>> Exposição 'Mundo Sensível dos Mitos' abre dia 29 de julho em Porto Alegre
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Marcelo Mirisola e o açougue virtual do Tinder
>>> A pulsão Oblómov
>>> O Big Brother e a legião de Trumans
>>> Garganta profunda_Dusty Springfield
>>> Susan Sontag em carne e osso
>>> Todas as artes: Jardel Dias Cavalcanti
>>> Soco no saco
>>> Xingando semáforos inocentes
>>> Os autômatos de Agnaldo Pinho
>>> Esporte de risco
Colunistas
Últimos Posts
>>> A melhor análise da Nucoin (2024)
>>> Dario Amodei da Anthropic no In Good Company
>>> A história do PyTorch
>>> Leif Ove Andsnes na casa de Mozart em Viena
>>> O passado e o futuro da inteligência artificial
>>> Marcio Appel no Stock Pickers (2024)
>>> Jensen Huang aos formandos do Caltech
>>> Jensen Huang, da Nvidia, na Computex
>>> André Barcinski no YouTube
>>> Inteligência Artificial Física
Últimos Posts
>>> Cortando despesas
>>> O mais longo dos dias, 80 anos do Dia D
>>> Paes Loureiro, poesia é quando a linguagem sonha
>>> O Cachorro e a maleta
>>> A ESTAGIÁRIA
>>> A insanidade tem regras
>>> Uma coisa não é a outra
>>> AUSÊNCIA
>>> Mestres do ar, a esperança nos céus da II Guerra
>>> O Mal necessário
Blogueiros
Mais Recentes
>>> A memória vegetal
>>> VergonhaBrasil
>>> Juditha Triumphans, de António Vivaldi
>>> A trilogia Qatsi
>>> A pata da gazela transviada
>>> dinosonic
>>> Entrevista com Claudio Willer
>>> E assim se passaram dez anos...
>>> A profissão de fé de um Livreiro
>>> Sermão ao cadáver de Amy
Mais Recentes
>>> Livro Mulheres Dos Anos Dourados de Carla Bassanezi Pinsky pela Contexto (2014)
>>> Liveo Eclipse - Série Crespúslo de Stephenie Meyer pela Intrinseca (2009)
>>> 100 Camisas Que Contam As Historias De Todas As Copas de Marcelo Duarte pela Panda Books (2024)
>>> Speakout Advanced 2nd Edition Students' Book With Dvd-rom And Myenglishlab Access Code Pack de Antonia Clare, Jj Wilson pela Pearson Education (2018)
>>> Traits Writing Student Handbook Grade 4 de Ruth Culham pela Ruth (2024)
>>> Livro Do Queijo de Juliet Harbutt (org. ) pela Globo (2010)
>>> Scooby Doo And The Weird Water Park (scooby-doo 8x8) de Jesse Leon Mccann pela Scholastic Paperbacks (2000)
>>> Spider-man 2: Hurry Up, Spider-man! de Kate Egan pela Festival (2004)
>>> Spider-man 3: Meet The Heroes And Villains (i Can Read: Level 2) de Harry Lime pela Harper Trophy (2024)
>>> Bakugan: Finding Drago de Tracey West pela Scholastic Inc. (2009)
>>> Medicina Integrativa: A Cura Pelo Equilibrio de Lima pela Mg (2024)
>>> Bem-vindo, Doutor: A Construção De Uma Carreira Baseada Em Credibilidade E Confiança de Renato Gregorio pela 62608 (2024)
>>> Problemas Atuais De Bioética de Leocir Pessini pela Edições Loyola (2020)
>>> À Meia Noite Levarei Sua Alma - O Estranho Mundo do Zé do Caixão de Laudo pela Nova Sampa (1995)
>>> Inglês Em Medicina de Vários Autores pela Manole (2024)
>>> Firestone de Roberto, Firestone Tire And Rubber Company Bascchera pela Dezembro Editorial (2024)
>>> Guia Josimar Melo 2004 de Josimar Melo pela Dba Dória Books And Art (2024)
>>> O Que Todo Médico Deve Saber Sobre Impostos, Taxas E Contribuições de Fábio K. Ejchel pela Edgard Blücher (2009)
>>> Compass American Guides: California Wine Country, 5th Edition (full-color Travel Guide) de John Doerper, Constance Jones, Sharron Wood Fodor's pela Compass America Guides (2007)
>>> Professoras Na Cozinha. Pra Você Que Não Tem Tempo Nem Muita Experiencia de Laura De Souza Chaui pela Senac (2024)
>>> The Penguin Good Australian Wine Guide 2007 de Huon Hooke pela Penguin Books Australia (2007)
>>> Guia Ilustrado Zahar: Azeite - Eyewitness Companio de Charles Quest-ritson pela Jorge Zahar (2011)
>>> Vinho Sem Segredos de Patricio Tapia pela Planeta (2024)
>>> Sentidos Do Vinho, Os de Kramer pela Conrad (2024)
>>> Buyer's Guide To New Zealand Wines 2007 de Michael Cooper pela Michael (2024)
COLUNAS

Quarta-feira, 20/7/2011
O homem que enfrentou Ulisses
Luiz Rebinski Junior
+ de 5000 Acessos

Tão revolucionário para os críticos quanto "difícil" (quando não chato) para a maioria dos leitores, Ulisses, de James Joyce, terá mais uma chance de cativar os leitores brasileiros que ainda não foram seduzidos pelo que os críticos do começo do século XX chamaram de "um romance para acabar com todos os romances".

Depois de duas traduções para o português, vertidas pelo homem-dicionário Antonio Houaiss, nos anos 1960, e pela professora carioca Bernardina da Silveira Pinheiro, na metade dos anos 2000, a Penguin/Companhia das Letras publica uma nova versão do "romance-monumento" de Joyce em 2012, quando o livro comemora 90 anos.

O corajoso a se aventurar no emaranhado linguístico do irlandês se chama Caetano Waldrigues Galindo. Tradutor de autores como Ali Smith e Thomas Pynchon, outro ás da literatura experimental de língua inglesa, Galindo é professor do curso de Letras da Universidade Federal do Paraná.

Iniciada em 2002, a tradução de Galindo ficou "de molho" durante anos por conta da edição que a editora Objetiva colocou na praça em 2005. Mas há males que vem pra bem. Em 2012, ano de lançamento da nova tradução, Galindo terá "38 anos e alguns meses", a mesma idade de Leopold Bloom, o personagem central do épico de Joyce. Uma coincidência boba para qualquer um, menos para quem dedicou dez anos de sua vida ao senhor Joyce e suas invenções literárias.

1. Ulisses já tem duas traduções em português. A primeira de Antonio Houaiss e a segunda, considerada mais palatável, da professora Bernardina da Silveira. Por que uma nova tradução e em que o seu texto se distingue dos anteriores?

Eu estava trabalhando na minha tradução ao mesmo tempo em que a professora Bernardina. Com o lançamento da tradução dela, a minha ficou "de molho". Por que valia a pena fazer mais uma? Porque eu ainda acho que as existentes não deram conta de cobrir aspectos do romance que eu acho relevantes. A minha tradução pretende se distinguir precisamente por isso, por tentar responder mais "na mesma moeda" à variedade de estilos, à criatividade e ao tom geral do romance.

2. Uma das críticas à tradução de Houaiss, é que ela deixou o texto de Joyce muito sisudo, sem a oralidade do original. Como você resolveu esse problema?

Não sendo sisudo. Brincando mais com o texto. Divertindo-me mais.

3. Quando leu o livro a primeira vez e quantas vezes já o fez desde então? Quantos anos de trabalho essa tradução lhe tomou?

Comecei a ler o Ulisses em 1997. De lá pra cá devo ter lido, de capa a capa, umas sete ou oito vezes, e inúmeras leituras de trechos isolados e audições das gravações do livro. Essa tradução começou a ser feita em 2002. Quando for publicada, será um trabalho de 10 anos. (Nessa de datas e prazos, acho curioso que, no fim, a tradução vai sair quando eu tiver exatamente a mesma idade de Leopold Bloom durante a ação, 38 anos e alguns meses).

4. Quando sentiu que tinha condições de iniciar o trabalho? A ideia lhe surgiu a partir de seus estudos sobre tradução na Universidade, não?

Nunca senti que tinha condições. Duvido disso até hoje! Senti que tinha vontade. Mais do que isso, que tinha necessidade, pra poder entender de fato o livro (num sentido do verbo que é meio importante pra mim). E na verdade comecei a traduzir o Ulisses antes de me dedicar à prática e ao estudo da tradução. Posso dizer que foi com ele que comecei essas duas "carreiras". De lá pra cá, com o surgimento do bacharelado em estudos da tradução na UFPR - que é de 2001, mas com o qual eu só fui me envolver mais diretamente depois da minha defesa, em 2006 - e com a minha atividade mais frequente de tradutor - comecei a publicar traduções comerciais em 2003 -, eu virei alguém "da área" da tradução.

5. Ulisses é daqueles livros mais citados do que lidos. Quem deve se aventurar no livro? É uma obra para iniciados, como se apregoa? Que dica daria ao leitor?

Qualquer leitor versado em literatura séria deve tentar. Se o cara só leu romance pop, ele vai sofrer. Mas um leitor instrumentadinho, leitor de Machado, de Flaubert, tem tudo na mão. E não se trata de um livro para iniciados. Inclusive é um livro iniciante, porque, desde que você preste atenção, ele te ensina como deve lê-lo. Mas, não enganemos ninguém, é um livro difícil pacas. Dicas: Acima de tudo, preste atenção. Tudo tem uma razão. Pergunte sempre por quê. Por que ele disse isso nessa hora? Porque tal personagem pensou isso aqui? Dois: Considere comprar o Ulysses Annotated (Don Gifford), se você gosta de notas de rodapé, de saber as referências históricas, etc. Ou, no mínimo, comprar uma tradução com um aparato, como tem a da Bernardina e como a nossa vai ter. Notas, traduções de termos estrangeiros, etc... Mas lembre, vale toda e qualquer pena.

6. Entre a fidelidade e a invenção, sua tradução pende mais para qual? Que tipo de liberdade tomou no trabalho?

Não sei se dá pra ver a coisa assim. Especialmente no caso de Joyce, onde inventar é ser fiel. Tomei as liberdades com a língua portuguesa e com a tradição da literatura brasileira que Joyce tomou com a língua inglesa. Ou seja, não se trata de invencionismo, mas sim de levar os limites da língua e da tradição até onde eles possam ir. O texto do Ulisses, na verdade, é surpreendentemente "normal" se você pensar em termos guimarãesrosianos, por exemplo. De "neologismos". É no tecido geral da coisa que está a maior graça. Na sintaxe, por exemplo. E aí você precisa seguir o homem.

7. Você também é professor da Universidade Federal do Paraná. Como concilia o trabalho de professor com o de tradutor?

Não sei. O que eu sei é que tenho dado conta. Os meus "índices de produtividade" não deixam a desejar na Universidade. A minha única sorte é que eu sou rápido. Traduzo rápido. Preparo aula rápido. Aí o tempo rende um pouco mais, acho.

8. Você ainda é bastante jovem, tem menos de quarenta anos, terá muitas traduções ainda. Mas, na literatura de língua inglesa, há desafio maior e mais complexo para um tradutor do que Ulisses?

Jovem! Legal... Bem, tem o Finnegans Wake, sempre. O maior de todos os desafios, se você quiser. Mas, dentre os romances "normais", provavelmente não.

9. O que achou de Bloom, a versão cinematográfica de Ulisses, filmada pelo cineasta Sean Walsh?

Bacaninha. Mas ainda falta o filme do Ulisses. Quem sabe agora com os direitos liberados alguém de mais peso se anima.

10. O sobrinho-neto de Joyce, que controla os direitos autorais do autor, é conhecido por embargar projetos relacionados à obra do avô. Houve algum empecilho desse tipo na sua tradução?

Pé de pato, mangalô três vez! Até agora nada. E, afinal, com o domínio público em 2012 e o fato de que nós estamos usando apenas o texto Penguin, de comum acordo com a Penguin, tudo está à prova de Stephen James Joyce.

11. Você também já traduziu Thomas Pynchon e é um estudioso da obra de Beckett. A linguagem experimental está no centro de seu trabalho?

Só escrevi duas ou três coisinhas sobre Beckett. Gosto sim, dos autores mais inventivos. Como gosto pessoal. E acaba que agora, na Companhia das Letras, as traduções que me oferecem tendem mais pra esse lado.

12. Aliás, sobre Pynchon, qual é, em sua opinião, a chave para entender e gostar do texto polifônico do autor?

É parecido com Joyce. Nisso das "chaves". Paciência, interesse pelo "puzzle", senso de humor -sempre tem que dizer isso. Os dois têm e precisam de um leitor com muito humor. E algo tendente ao "bizarro" às vezes. E, acima de tudo, o de sempre da grande literatura: Interesse por conhecer melhor o ser humano.


Luiz Rebinski Junior
Curitiba, 20/7/2011

Quem leu este, também leu esse(s):
01. A insustentável leveza da poesia de Sérgio Alcides de Jardel Dias Cavalcanti
02. O Natal do velho Dickens de Celso A. Uequed Pitol
03. O caso da cenoura de Elisa Andrade Buzzo
04. Capitalista de Daniel Bushatsky
05. O que em silêncio sabemos de Marilia Mota Silva


Mais Luiz Rebinski Junior
Mais Acessadas de Luiz Rebinski Junior em 2011
01. Dostoiévski era um observador da alma humana - 7/12/2011
02. O beatle George - 23/2/2011
03. Os contistas puros-sangues estão em extinção - 4/5/2011
04. O mistério em Thomas Pynchon - 22/6/2011
05. O negócio (ainda) é rocão antigo - 20/4/2011


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




Livro Literatura Brasileira Tocaia Grande Coleção Folha Grandes Escritores Brasileiros 3
Jorge Amado
Folha de São Paulo
(2008)



Enquanto Meu Amor Não Vem
Isabel Vieira
Saraiva
(2013)



Como Machado de Assis pode revitalizar sua vida
João Jonas Veigas Sobral
Buzz
(2019)



Movida Pela Ambição
Eliana Machado Coelho
Lumen Editorial
(2012)



Santo Antônio na Língua do Povo
Romeu Garcia
Conselho Nacional do Sesi
(1970)



Livro Infanto Juvenis Superman The Ultimate Guide To The Man Of Steel
Daniel Wallace
Dc Comics
(2013)



Livro Comunicação A Arte De Falar Em Público Como Fazer Apresentações Comerciais Sem Erros Série Profissional
Isidro Cano Munoz
Cengage Learning Nacional
(2008)



Mestres das Artes no Brasil: Carybé
Myriam Fraga
Moderna
(2010)



Finanças Corporativas
José Carlos Franco de Abreu Filho
Fgv
(2008)



Dinâmica de Grupo: Jogo da Vida e Didática do Futuro
Balduíno A. Andreola
Vozes
(1999)





busca | avançada
68461 visitas/dia
2,1 milhões/mês