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Quarta-feira, 7/10/2015
Assunto de Mulher
Marilia Mota Silva

+ de 1800 Acessos

Um amigo meu, jovem ainda, disse outro dia que o feminismo atrapalha as mulheres porque "elas eram mais felizes sendo apenas mães e donas-de-casa". Com notável autoridade sobre o assunto, ele se referia a elas, como um bloco único, em que diferenças individuais não contam.

Disse-lhe que feminismo não obriga a mulher a trabalhar fora de casa; apenas defende seu direito de fazer isso. Porque nesse mundo em que o dinheiro é o valor supremo, se ela quiser ter alguma autonomia, ser dona de sua vida, deve ter renda própria e ser capaz de garantir o seu sustento.

Meu amigo fez esse comentário sem malícia, no contexto de um papo sobre casamento e crise de meia-idade.

No entanto, a condescendência de sua opinião sobre o que convém a meio mundo reflete o enraizado sistema de casta em que vivemos e reflete também um movimento que se vem observando ultimamente: o recrudescimento da luta contra as mulheres.

Um relatório das Nações Unidas, de março deste ano, apresentado pelo Secretário Geral Ban Kimoon, fala de de um "alarmante aumento dos níveis de violência física e sexual contra as mulheres". Seria necessário uma ação conjunta das nações do mundo para combater essa forma de epidemia que nos atinge a todos e compromete as gerações futuras.

Mas não vou falar aqui da violência física, de casos emblemáticos como o da jovem paquistanesa que levou um tiro na cabeça por pleitear educação para as meninas; do infanticídio de meninas; da prostituição forçada; a lista de crimes cometidos contra as mulheres é longa e mais ou menos conhecida. Quero falar do combate sutil, da sabotagem diária, das pressões culturais, econômicas e psicológicas que recaem sobre as mulheres, inclusive em países que se consideram civilizados.

Nos Estados Unidos, por exemplo, tem aumentado o número de mulheres altamente qualificadas e bem sucedidas profissionalmente que abandonam tudo para cuidar dos filhos. Essas tem sorte porque, sendo ricas e casadas com homens tão bem sucedidos quanto elas, puderam escolher. No entanto, quando os filhos forem para a faculdade, e elas quiserem retomar a carreira profissional, vão ter que competir com os que estiverem começando, isso se conseguirem emprego.

Já as mulheres menos educadas, com renda média ou baixa, não tem escolha, e enfrentam desafios diários incontornáveis. As escolas aqui costumam ter muitos dias livres (reunião de professores, de atualização) fora os dias de neve e feriados. Onde deixar as crianças nesses dias? Além disso, a presença dos pais é requerida nos múltiplos eventos da escola: teatro, concertos, feiras, assim como sua ajuda 'voluntária' nessas atividades.

De seu lado, os empregadores costumam ignorar a existência de vida fora do trabalho, como se os empregados fossem seres avulsos no mundo, e não existissem famílias, crianças ou pais idosos. Algumas empresas, por exemplo, tem um sistema de turnos: o empregado tem que ficar à disposição, pronto a comparecer quando chamado, muitas vezes em cima da hora. Quem tem criança em casa nem se candidata. Só recentemente, algumas dessas empresas (Abercrombie & Fitch, Williams-Sonoma, Gap, Starbucks) começaram a mudar essa prática.

Em pleno século 21, com todos os avanços da tecnologia, em um país que se orgulha de seus valores, de sua democracia, com uma economia forte e instituições sólidas, as empresas ainda ignoram a existência da família. E a criança ainda é considerada problema da mulher. Ninguém fala se os pais falham nos cuidados com os filhos. É sempre a mulher. Assim como não falam da responsabilidade do homem quando discutem o aborto. Nada a ver com eles! Como se fetos surgissem por geração espontânea.

Acredito que o patriarcalismo arraigado - nas mulheres também, talvez até mais profundamente - e a mentalidade de business people sejam as causas da falta de flexibilidade das empresas e de uma cultura que ignora a vida familiar; família não se mistura com business, família é território das mulheres; em casa elas são mais felizes, diria meu amigo, brasileiro aliás. Afinal, quem vai abrir mão de seus privilégios de casta?

Como disse a escritora Nell Scovell, em um artigo no NYT (aqui) sobre a diminuição acentuada da presença feminina na criação de comédias na tevê:

"A desigualdade entre homem e mulher é como uma infecção bacteriana: o paciente está no segundo dia de antibiótico, os sintomas melhoram, a febre baixa, mas ele não pode se considerar curado. É preciso continuar com o tratamento, senão a doença volta.

"A desigualdade entre gêneros ainda está em nossa corrente sanguínea, e quando nós paramos de combatê-la, a bactéria se multiplica."

Esqueçamos ética, solidariedade, justiça, compaixão, afeto. Falemos de interesse.

Me parece evidente que interessa à sociedade que todas as crianças tenham as melhores condições possíveis para se desenvolver bem, com saúde emocional e física. Elas são nossos melhores recursos, são nosso futuro, os médicos que vão nos atender, os fabricantes de alimentos e remédios, os juízes, artistas, inventores, cientistas, e políticos. Nessa luta para manter o status quo, a criança e o futuro também saem prejudicados. E ainda há quem se espante com o crescente nível de insanidade no mundo.


Marilia Mota Silva
Washington, 7/10/2015


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