O que vai ser das minhas fotos? | Ana Elisa Ribeiro | Digestivo Cultural

busca | avançada
63244 visitas/dia
2,6 milhões/mês
Mais Recentes
>>> Banda GELPI, vencedora do concurso EDP LIVE BANDS BRASIL, lança seu primeiro álbum com a Sony
>>> Celso Sabadin e Francisco Ucha lançam livro sobre a vida de Moracy do Val amanhã na Livraria da Vila
>>> No Dia dos Pais, boa comida, lugar bacana e MPB requintada são as opções para acertar no presente
>>> Livro destaca a utilização da robótica nas salas de aula
>>> São Paulo recebe o lançamento do livro Bluebell
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Rinoceronte, poemas em prosa de Ronald Polito
>>> A forca de cascavel — Angústia (FUVEST 2020)
>>> O reinado estético: Luís XV e Madame de Pompadour
>>> 7 de Setembro
>>> Outros cantos, de Maria Valéria Rezende
>>> Notas confessionais de um angustiado (VII)
>>> Eu não entendo nada de alta gastronomia - Parte 1
>>> Treliças bem trançadas
>>> Meu Telefunken
>>> Dor e Glória, de Pedro Almodóvar
Colunistas
Últimos Posts
>>> Revisores de Texto em pauta
>>> Diogo Salles no podcast Guide
>>> Uma História do Mercado Livre
>>> Washington Olivetto no Day1
>>> Robinson Shiba do China in Box
>>> Karnal, Cortella e Pondé
>>> Canal Livre com FHC
>>> A história de cada livro
>>> Guia Crowdfunding de Livros
>>> Crise da Democracia
Últimos Posts
>>> Uma crônica de Cinema
>>> Visitação ao desenho de Jair Glass
>>> Desiguais
>>> Quanto às perdas I
>>> A caminho, caminhemos nós
>>> MEMÓRIA
>>> Inesquecíveis cinco dias de Julho
>>> Primavera
>>> Quando a Juventude Te Ferra Economicamente
>>> Bens de consumo
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Ser intelectual dói
>>> O Tigrão vai te ensinar
>>> O hiperconto e a literatura digital
>>> Aberta a temporada de caça
>>> Se for viajar de navio...
>>> Incompatibilidade...
>>> Alguns Jesus em 10 anos
>>> Blogues: uma (não tão) breve história (II)
>>> Picasso e As Senhoritas de Avignon (Parte I)
>>> Asia de volta ao mapa
Mais Recentes
>>> O Livro da moda de Alexandra Black pela Publifolha (2015)
>>> Rejuvelhecer a saude como prioridade de Sergio Abramoff pela Intrinseca (2017)
>>> O livro das evidencias de John Banville Tradução Fabio Bonillo pela Biblioteca Azul - globo (2018)
>>> O futebol explica o Brasil de Marcos Guterman pela Contexto (2014)
>>> O Macaco e a Essencia de Aldous Huxley pela Globo (2017)
>>> BATISTAS, Sua Trajetória em Santo Antônio de Jesus: o fim do monopólio da fé na Terra do Padre Mateus de Jorgevan Alves da Silva pela Fonte Editorial (2018)
>>> Playboy Bárbara Borges de Diversos pela Abril (2009)
>>> Sarah de Theresa Michaels pela Nova Cultural (1999)
>>> A Bela e o Barão de Deborah Hale pela Nova Cultural (2003)
>>> O estilo na História. Gibbon & Ranke & Macaulay & Burckhardt de Peter Gay pela Companhia das Letras (1990)
>>> Playboy Simony de Diversos pela Abril (1994)
>>> Invasão no Mundo da Superfície de Mark Cheverton pela Galera Junior (2015)
>>> José Lins Do Rego- Literatura Comentada de Benjamin Abdala Jr. pela Abril Educação (1982)
>>> A modernidade vienense e as crises de identidade de Jacques Le Rider pela Civilização Brasileira (1993)
>>> Machado De Assis - Literatura Comentada de Marisa Lajolo pela Abril Educação (1980)
>>> A Viena de Wittgenstein de Allan Janik & Stephen Toulmin pela Campus (1991)
>>> O Velho e o Mar de Ernest Hemingway pela Círculo do livro (1980)
>>> Veneno de Alan Scholefield pela Abril cultural (1984)
>>> O Livreiro de Cabul de Asne Seierstad pela Record (2007)
>>> Os Dragões do Éden de Carl Sagan pela Francisco Alves (1980)
>>> O Espião que sabia demais de John Le Carré pela Abril cultural (1984)
>>> Administração de Materiais de Jorge Sequeira de Araújo pela Atlas (1981)
>>> Introdução à Programação Linear de R. Stansbury Stockton pela Atlas (1975)
>>> Como lidar com Clientes Difíceis de Dave Anderson pela Sextante (2010)
>>> As 3 Leis do Desempenho de Steve Zaffron e Dave Logan pela Primavera (2009)
>>> Curso de Educação Mediúnica 1º Ano de Vários Autores pela Feesp (1996)
>>> Recursos para uma Vida Natural de Eliza M. S. Biazzi pela Casa Publicadora Brasileira (2001)
>>> Jesus enxuga minhas Lágrimas de Elza de Almeida pela Fotograma (1999)
>>> As Aventuras de Robinson Crusoé de Daniel Defoe pela LPM Pocket (1997)
>>> Bulunga o Rei Azul de Pedro Bloch pela Moderna (1991)
>>> Menino de Engenho de José Lins do Rego pela José Olympio (1982)
>>> Terra dos Homens de Antoine de Saint-Exupéry pela Nova Fronteira (1988)
>>> O Menino de Areia de Tahar Ben Jelloun pela Nova Fronteira (1985)
>>> Aspectos Endócrinos de Interesse à Estomatologia de Janete Dias Almeida pela Unesp (1999)
>>> Nociones de Historia Linguística y Estetica Literaria de Antonio Vilanova- Nestor Lujan pela Editorial Teide/ Barcelona (1950)
>>> El Estilo: El Problema y Su Solucion de Bennison Gray pela Editorial Castalia/ Madrid (1974)
>>> El Cuento y Sus Claves de Raúl A. Piérola/ Alba Omil (profs. Univ. Tucumán pela Editorial Nova, Buenos Aires (1955)
>>> Las Fuentes de La Creacion Literaria de Carmelo M. Bonet pela Libr. del Collegio/ B. Aires (1943)
>>> As Hortaliças na Medicina Doméstica/ Encadernado de Alfons Balbach pela A Edificação do Lar (1976)
>>> A Flora Nacional na Medicina Doméstica de Alfons Balbach pela A Edificação do Lar
>>> Arlington Park de Rachel Cusk pela Companhia das Letras (2007)
>>> Muitas Vidas, Muitos Mestres de Brian L Weiss pela Salamandra (1991)
>>> As Frutas na Medicina Doméstica de Alfons Balbach pela A Edificação do Lar
>>> Coleção Agatha Christie - Box 8 de Agatha Christie; Sonia Coutinho; Archibaldo Figueira pela HarperCollins (2019)
>>> As Irmãs Aguero de Cristina García pela Record (1998)
>>> Não Faça Tempestade Em Copo Dágua no Amor de Richard Carlson pela Rocco (2001)
>>> Um Estudo Em Vermelho - Edição De Bolso de Arthur Conan Doyle pela Zahar (2013)
>>> Eu, Dommenique de Dommenique Luxor pela Leya (2011)
>>> Os Cavaleiros da Praga Divina de Marcos Rey pela Global (2015)
>>> O Futuro da Filosofia da Práxis de Leandro Konder pela ExpressãoPopular (2018)
COLUNAS

Sexta-feira, 29/7/2016
O que vai ser das minhas fotos?
Ana Elisa Ribeiro

+ de 4100 Acessos

Contei hoje. São quase mil itens dentro de uma pasta do computador intitulada "fotos". Nem tudo é genuinamente digital. Algumas são fotos digitalizadas a partir de uma matriz impressa; outras são fotos de fotos, coladas em álbuns da família; outras são mesmo fotos dos celulares ou das máquinas mais diversas. O que vai ser delas? Quem as verá, daqui a vinte anos? Será importante vê-las?

Por que digitalizei fotos impressas?

Minha família tem o que nós, mineiros, podemos chamar de "coisa com fotos". É um carinho, um apego, um fetiche até. Para tudo há uma foto, de tudo se faz registro. Aquela do banho na banheirinha, ainda bebê, é um clássico quase universal. Quem nunca? E as festas, os bolos de aniversário, os amigos da adolescência, os grandes eventos, tais como casamentos, lançamentos de livros, 90 anos da bisavó, etc. Está tudo devidamente datado, organizado e colado em álbuns especialmente dedicados a este fim. Gastaram horas de trabalho e atenção para que se constituíssem. Ocupam espaço, são pesados e às vezes são retirados de seu silêncio para dispararem narrativas, às vezes repetitivas, sobre a família, as saudades, as transformações. O poder da fotografia - da mais ordinária - é imenso.

No entanto, digitalizei várias dessas fotos. Para quê? Para dar-lhes outro modo de circulação; para mostrá-las aos amigos virtuais; para postar nas redes sociais; para readmirá-las, coletivamente; para renová-las em sua beleza ou peculiaridade. Com a digitalização, essas fotos - não todas - ganharam uma vida outra, diferente de suas originais.

Por que não digitalizei algumas?

Porque algumas não interessam mais. Ou simplesmente não para tal ou qual ocasião. Não são suficientemente bonitas ou ridículas. Não têm foco ou são desprezíveis por qualquer motivo. É a edição da edição, a curadoria da fotografia ordinária. Digitalizei apenas parte do acervo da família. A completude apenas os álbuns reais terão.

E o que vejo acontecer aos milhares de fotos digitais?

Pouco mais que o esquecimento, muito próximo do silêncio reservado às fotos de papel. Estava pensando: meus milhares de fotos digitais compõem-se de muitas fotos mal tiradas, mal resolvidas, tiradas ao acaso, disparadas despreocupadamente. Jamais seriam impressas, se eu pudesse escolher. Mas estão lá, enchendo meu HD. Entre elas há as fotos boas, bonitas ou as ridículas, guardadas em pastas com nomes por data, para que eu identifique o evento, o momento, a importância. Só que estão lá as fotos originais, em alta resolução (porque eu sempre penso em imprimi-las) e as alteradas, em baixa resolução, para postar na internet, para mostrar nas redes sociais. Resulta disso que tenho milhares de fotos repetidas.

No entanto, não as vejo. Não as mostro a quase ninguém. Não chamo os parentes para vê-las no computador nem na smartTV. Não falo delas, a não ser quando as publico na web e elas se esvaem depois de muitos outros posts. Não me lembro delas e tenho muita dificuldade de encontrar alguma, em especial, quando preciso. São muitas, quase infinitas, e não sei ao certo onde estão, já que elas não aparecem se eu não clicar.

O que será dos meus álbuns?

Nada. Será silêncio. Em alguma medida, inexistência. Já perdi meus disquetes, depois meus CDs. Hoje em dia, guardo tudo em pendrives e em um HD externo. Torço, todos os dias, para que esses dispositivos sejam compatíveis entre si, ou as extensões dos arquivos, para que eu possa sempre salvá-los - e aos meus milhares de registros familiares, afetivos, históricos. As viagens, os jantares, os aniversários do meu filho, os bolos, os dias de alegria e alguns de tristeza. A fachada antiga da casa e o pós-reforma, as bodas dos pais, o centenário de alguém. Não os vejo, não os revelo. Minha promessa de revelar "ao menos as melhores" nunca se cumpriu. É caro, é chato, é demorado, é impertinente. E antes que eu consiga imprimir estas dez ou cem, já vieram outras e outras, tiradas no celular, com filtros automáticos, tiradas pelas câmeras novas, tiradas, clicadas, quase sem distinção. E outras e outras e mais outras. Desisti. Foi isso. Desisti de imprimir tanta imagem.

E por que ando fotografando com uma câmera analógica?

Faz uns meses, um amigo fotógrafo (e técnico de máquinas) me presenteou com uma câmera analógica. Ele não tinha - ou tinha? - noção do que estava fazendo. Marcou um encontro em um café, rapidamente, para me entregar uma bolsa preta, pequena, com uma Ricoh analógica, com objetiva russa, e alguns filmes asa 200.

Tem sido uma "experiência". Outro amigo logo me indicou as lojas que ainda fazem revelações analógicas e tratei de virar freguesa. Como a Ricoh (que apelidei de MaRicohta) é velha, meio alquebradinha, sinto-me mais segura com ela na rua, correndo menos risco, quero dizer. E levo-a a passear, fotografando, com dificuldade, as pessoas que me interessam.

A dificuldade é grande, é considerável. É preciso pensar a foto, é preciso observar o entorno, a luz, a hora do dia, a cor do céu e do Sol, ver o fundo, calcular. Só depois, faço a fotometria, usando uns sinais que vejo dentro do visor. Não sei ao certo como a foto vai ser. Não sei se funcionará. E fico ansiosa desde o momento do clique. E agora?

Nos primeiros dias, eu tinha um impulso absurdo: virava a câmera para olhar o resultado na tela. Mas não tem tela e nem resultado imediato. Só depois da revelação do filme. Eu já havia feito isso, anos atrás, mas agora eu tinha vícios, tinha hábitos digitais. Não é mais a mesma coisa. Eu quase não pensava mais as fotos. Fotos eram aleatórias, fortuitas, descartáveis. Se não der, não deu. Apaga. Mas a MaRicohta é diferente. Ela me faz repensar.

Tirei a foto. Prometi que enviarei quando ficar pronta. O filho, o marido, o vizinho, o amigo, a moça da padaria, que vende pão de porta em porta, em uma bicicleta adaptada. Mas e se eu não imprimir? Jamais saberei. Imprimir é imperativo. E se não ficar bom? Aí é outra história. É no rasgo.

Ansiosa, gastei o filme todo (24 ou 36 poses). Acabou no meio do passeio, paciência. Tanta foto que eu ainda queria tirar! Má gestão. Por que não tirei as fotos que realmente importavam? Demora. Demora o clique. É preciso ter paciência para fotografar analogicamente. Tanto o fotógrafo quanto o fotografado. Calma, estou regulando a câmera. Tá escuro para ela. Ou o contrário: vai estourar. Como você sabe? Não sei. Estou vendo uns sinais aqui. Ficou boa? Não sei. Só daqui a uns dias.

OK. Prontas. Ficaram boas ou razoáveis. Vejo-me de novo às voltas com a necessidade de um álbum. Onde vou organizá-las? Guardá-las? Estas, certamente, durarão até que meu filho cresça ou até que achemos tudo antigo e risível. Até que tenhamos saudades de alguém. Não posso deixá-las soltas ou jogá-las fora. Para mostrá-las, basta escaneá-las e postar nas redes sociais. Ah, que curiosas! São bonitas, têm outro grão. Muita gente percebe: que fotos lindas! São diferentes. Nem sempre explico. Deixo. É uma poesia toda minha.

Ligo para a loja: moço, você ainda vende daqueles álbuns cartona? Quais? Aqueles grandes, com páginas duras, cola e um plástico por cima das fotos? Espera, moça, faz tanto tempo que alguém não pergunta isso... E ele grita para alguém, meio fora do bocal do telefone: ainda tem álbum para foto impressa? Não sei o que responderam. Deixa. É minha poesia.

Obrigada, Laércio. Tem sido um repensar constante, não apenas sobre fotos que merecem existir ou ser vistas um dia. Tem sido fazer o melhor pelo momento. E registrá-lo bem.


Ana Elisa Ribeiro
Belo Horizonte, 29/7/2016


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Vamos pensar: duas coisas sobre home office de Fabio Gomes
02. Minha Terra Tem Palmeiras de Marilia Mota Silva
03. Um software em crise existencial de Wellington Machado
04. Mamãe de Julio Daio Borges
05. A cidade do improvável de Elisa Andrade Buzzo


Mais Ana Elisa Ribeiro
Mais Acessadas de Ana Elisa Ribeiro em 2016
01. 12 tipos de cliente do revisor de textos - 26/2/2016
02. O que vai ser das minhas fotos? - 29/7/2016
03. Que tal fingir-se de céu? - 4/11/2016
04. Noturno para os notívagos - 10/6/2016
05. Com quantos eventos literários se faz uma canoa? - 15/1/2016


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




DICTIONARY DICIONÁRIO UNIVERSAL INGLÊS PORTUGUÊS ENGLISH PORTUGUE
TEXTO EDITORA
TEXTO
(2001)
R$ 39,70



É PÁSCOA!
CARLOS AFONSO SCHMITT
PAULINAS
R$ 6,00



EU
RICKY MARTIN
PLANETA
(2010)
R$ 6,90



CARDIOVASCULAR PHARMACOTHERAPEUTICS
WILLIAM H FRISHMAN OUTROS
ND
R$ 189,90



A OUTRA VIDA DE CATHERINE M. / NOVO / ROMANCE FRANCÊS
CATHERINE MILLET / TRADUÇÃO: HORTENCIA SANTOS LANC
AGIR
(2009)
R$ 20,00



SIMPATIAS
ROBERTO TOLEDO
ND
(1983)
R$ 9,80



PORTUGUÊS PROJETO TELÁRIS 9
ANA TRINCONI BORGATTO E OUTROS
ATICA
(2013)
R$ 10,00



MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS
MACHADO DE ASSIS
ATICA
(1998)
R$ 10,00



ENEM NOTA MÁXIMA LINGUAGENS CÓDIGOS E SUAS TECNOLOGIAS IV
GILBERTO DIMENSTEIN E OUTROS
LEYA
(2013)
R$ 12,00



RETRATO DO AMOR QUANDO JOVEM
DANTE SHAKESPEARE SHERIDAN GOETHE
COMPANHIA DAS LETRAS
(1990)
R$ 26,28





busca | avançada
63244 visitas/dia
2,6 milhões/mês