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Quarta-feira, 28/6/2017
Notas confessionais de um angustiado (VI)
Cassionei Niches Petry

+ de 3700 Acessos

(...)

XLIV.

O tema do suicídio começa a ganhar bastante espaço na história, pois se torna uma obsessão de Fred, à medida que começam a aparecer referências sobre o tema em tudo que lê ou a que assiste. Analisei o tema em um dos ensaios na disciplina do mestrado e foi assunto recorrente em outras oportunidades dentro do curso.

Por que inserir temas como esse na narrativa? O cineasta Ingmar Bergman contou em uma entrevista uma história que retrata meu pensamento em relação ao trabalho artístico e à abordagem dos temas:

"Na ilha de Farö, vi certa vez um velho barco. Era muito bonito e havia sido construído um século antes, segundo uma prescrição especial que lhe permitiu atravessar o tempo sem afundar. Sou diretor há 27 anos e o que posso dizer é que também construí um barco como qual navego através de meus problemas como diretor. É um método prático que me permite abordar os temas difíceis que gosto de abordar."

Essa metáfora pode se aplicar àquilo que desejo conhecer. A busca pelo conhecimento me move a escrever sobre determinados assuntos. E a arte, e no meu caso específico a literatura, é uma das formas de conhecimento.

Bergman, em outra entrevista, fala também diretamente sobre o suicídio, pois o tema aparece em muito de seus filmes:

"Como todas as outras crianças, quando era pequeno, decidi um dia passear na floresta sem dizer nada a ninguém, desaparecer, me estender no chão, morto, e pensar então na família que estaria naturalmente extremamente triste! E é bem conhecido que os artistas, em princípio – principalmente se eles são como eu –, conservem durante toda a sua vida certos traços da infância muito marcados. Ou melhor, a criação, o impulso criador, está profundamente associada a um aspecto da infância ou a um vestígio da atitude da criança com relação ao mundo exterior, e creio conservei uma parte desse comportamento."

O tema suicídio, que me persegue há muito tempo, surgiu depois de ter ouvido uma palestra na escola com um numerólogo e psicólogo. Analisando meus dados, como a data de nascimento, por exemplo, concluiu que eu havia sido um suicida em uma de minhas supostas vidas passadas. Como era um jovem inocente, me impressionei com a afirmação. Hoje, sendo cético sobre esses assuntos, o suicídio me desperta curiosidade, principalmente quando aparece em algumas formas de arte, entre elas, a literatura. Dois trechos da entrevista de Bergman são citados por Fred em Os óculos de Paula:

“Quando a presença da religião na minha existência desapareceu completamente, a vida tornou-se imediatamente bem mais fácil de ser vivida.”

“Quando a superestrutura religiosa que pesava sobre mim desabou, os bloqueios que entravavam meu texto desapareceram igualmente.”

[P. S.: Os trechos acabaram sendo suprimidos em umas das revisões do romance.] Há um momento em que o ateísmo deixa de ser tratado por ele e entra o suicídio como uma de suas preocupações.

(...)

L

Mistério ou enigma? “Decifra-me ou te devoro”. Passei por mais uma etapa da minha dissertação com a qualificação do mestrado, que consiste na análise, por parte de outros professores doutores, do projeto e das primeiras páginas da dissertação, que nesse caso são formadas por estas notas e o romance em processo. Um dos professores, que é também escritor, Sérgio Schaefer, fez uma leitura atenta e iniciou questionando o tema, mais precisamente sobre a menção ao mistério da criação. “Se é mistério, não pode ser solucionado”, disse ele. “Que tal enigma?”, propôs.

Conhecer. Esfinge. Quero conhecer o que estou fazendo. Para conhecer, preciso escrever. Para escrever, preciso conhecer. Nesse ponto entram as contribuições da professora e doutora em Letras Eunice Piazza Gai, que frisou a necessidade de adensar mais a parte teórica dessas notas, pois se trata de um trabalho acadêmico, e de dar relevância aos aspectos do conhecimento e da cognição, objetos de pesquisa do mestrado.

O professor Sérgio Schaefer observou também sobre a possibilidade de se trabalhar o suicídio não só numa perspectiva filosófica e literária, mas também na psicológica. "Tornar-me um outro dentro de mim mesmo, eliminar o que antes me dominava”, são perspectivas de tratar do suicídio no romance, o que já está sendo feito.

LI

A notícia de que terei meu primeiro livro publicado me enche de orgulho e me proporciona mais disposição para escrever o romance. A sensação inicial de fracasso, exposta na nota V, afasta-se da minha visão, em que pese um pessimismo crônico que é parte indissociável da minha personalidade. Publicada a obra, posso me considerar um escritor?

(Obs.: Notas escritas em 2012.)


Cassionei Niches Petry
Santa Cruz do Sul, 28/6/2017


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