O dia em que não conheci Chico Buarque | Elisa Andrade Buzzo | Digestivo Cultural

busca | avançada
64869 visitas/dia
2,2 milhões/mês
Mais Recentes
>>> Conto HAYEK, de Maurício Limeira, é selecionado em coletânea da Editora Persona
>>> Os Três Mosqueteiros - Um por Todos e Todos por Um
>>> Sesc 24 de Maio recebe o projeto Parlavratório - Conversas sobre escrita na arte
>>> Cia Caravana Tapioca faz 10 anos e comemora com programação gratuita
>>> Eugênio Lima dirige Cia O GRITO em novas intervenções urbanas
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Eleições na quinta série
>>> Mãos de veludo: Toda terça, de Carola Saavedra
>>> A ostra, o Algarve e o vento
>>> O abalo sísmico de Luiz Vilela
>>> A poesia com outras palavras, Ana Martins Marques
>>> Lourival, Dorival, assim como você e eu
>>> O idiota do rebanho, romance de José Carlos Reis
>>> LSD 3 - uma entrevista com Bento Araujo
>>> Errando por Nomadland
>>> É um brinquedo inofensivo...
Colunistas
Últimos Posts
>>> Uma história do Mosaic
>>> Uma história da Chilli Beans
>>> Depeche Mode no Kazagastão
>>> Uma história da Sambatech
>>> Uma história da Petz
>>> A história de Chieko Aoki
>>> Uma história do Fogo de Chão
>>> BDRs, um guia
>>> Iggor Cavalera por André Barcinski
>>> Dave Brubeck Quartet 1964
Últimos Posts
>>> Os inocentes do crepúsculo
>>> Inação
>>> Fuga em concerto
>>> Unindo retalhos
>>> Gente sem direção
>>> Além do ontem
>>> Indistinto
>>> Mais fácil? Talvez
>>> Riacho da cacimba
>>> Mimético
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Uma vida bem sucedida?
>>> A morte da Capricho
>>> Quem é (e o que faz) Julio Daio Borges
>>> Bienal do Livro Bahia
>>> A primeira hq de aventura
>>> Como Passar Um Ano Sem Facebook
>>> Mulheres de cérebro leve
>>> O curioso caso de Alberto Mussa
>>> O idiota do rebanho, romance de José Carlos Reis
>>> Digestivo Cultural: 10 anos de autenticidade
Mais Recentes
>>> Dicionário espanhol + Bônus: vocabulário prático de viagem de Melhoramentos pela Melbooks (2007)
>>> Memorias De Um Sargento De Milicias de Manuel Antônio de Almeida pela Ática (2010)
>>> Turma da Mônica Jovem: Escolha Profissional de Maurício de souza pela Melhoramentos (2012)
>>> Xógum Volume 1 e 2 de James Clavell pela Círculo do Livro
>>> Viva à Sua Própria Maneira de Osho pela Academia
>>> Virtudes - Excelência Em Qualidade na Vida de Paulo Gilberto P. Costa pela Aliança
>>> Violetas na Janela de Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho pela Petit
>>> Vida sem Meu Filho Querido de Vitor Henrique pela Vitor Henrique
>>> Vida Nossa Vida de Francisco Cândido Xavier pela Geem
>>> Vida Depois da Vida de Dr. Raymond e Moody Jr pela Circulo do Livro
>>> Vícios do Produto e do Serviço por Qualidade, Quantidade e Insegurança de Paulo Jorge Scartezzini Guimarães pela Revista dos Tribunais
>>> Viagem na Irrealidade Cotidiana de Umberto Eco pela Nova Fronteira
>>> Uma Só Vez na Vida de Danielle Steel pela Record (1982)
>>> Uma Família Feliz de Durval Ciamponi pela Feesp
>>> Um Roqueiro no Além de Nelson Moraes pela Speedart
>>> Um Relato para a História - Brasil: Nunca Mais de Prefácio de D. Paulo Evaristo pela Vozes
>>> Um Longo Amor de Pearl S Buck pela Circulo do Livro
>>> Um Estranho no Espelho de Sidney Sheldon pela Circulo do Livro
>>> Tudo Tem um Porquê de Marcelo Cezar pela Vida e Consciência
>>> Tragédias 1 de Shakespeare pela Abril Cultural (1981)
>>> Tragédia Em Três Atos de Agatha Christie pela Nova Fronteira
>>> Themen Aktuell 1 de Maria Helena Voorsluys Battaglia pela E. P. U./ Hueber
>>> Testemunha da Acusação de Agatha Christie pela Record
>>> Terra Nua de Morris West pela Círculo do Livro
>>> Terceiro Milênio - Decida-se ! de Valéria Cazeloto pela Valéria Cazeloto
COLUNAS

Quinta-feira, 21/6/2018
O dia em que não conheci Chico Buarque
Elisa Andrade Buzzo

+ de 9400 Acessos

Não estamos mais assistindo a aqueles tempos ao vivo, embora partes do passado encontrem-se acessíveis em recortes; de todos os modos, tudo isso talvez tenha sido uma tentativa inconsciente e frustrada de esgarçar o tempo. Como se possível fosse subi-lo, tal qual lençol, tal qual lona de circo, e nessa transparência se embrenhar como quem evade um louco território disponível embora adormecido.

Os ídolos já estão velhos, mas enxutos, mumificados numa coisa indescritível, uma gosma de juventude, uma casca eterna de relevância paira sobre eles; haja o que houver, sempre haverá um palco negro e cortinas pesadas a separar ficção e realidade e sobre ele se incidirá uma luz tremeluzente. Envelhecida sou eu, indo a cada vez mais para o futuro e deles me distanciando, pois quero aquilo mesmo que tardiamente possa fazer alguma vez parte; seja como for, ainda há esta ou aquela antiga plateia com paredes descascadas e teto mofado, na qual o veludo roça no mais íntimo sintoma do agora.

Antes de Toquinho aparecer, já se escuta a intensidade de sua batida forte nas cordas: as primeiras notas, das quais o público demora a se aperceber, claras, pesadas, metálicas, ásperas. Os integrantes do Queen têm uma vitalidade, uma presença sempre nova no palco. Brian May é um espectacular pássaro gigante de asas e penacho prateados, Roger Taylor um senhor rock and roll tilintando com fúria em sua cozinha estrondosa. E Chico Buarque tem olhos tão claros, cegos; o que eles afinal veem através daquela multidão pungente, sangrada? Alguns acordes fazem seu rosto retorcer, numa espontaneidade particular ainda que diante de seus adoradores.

Se não tenho o passado desses homens, suas impossíveis notas vibrantes e frescas, também não sou proprietária do hoje. O contato foi passageiro, uma sorte de comunhão coletiva, possível pelo entendimento de que precisam da plateia para sua arte viver. Ou seria a plateia que para sobreviver precisa da arte dos homens? Aquela precisa reiterar para si a existência daqueles que estão continuamente a cantar, há décadas, antes mesmo de termos nascido.

E o que eles me trazem talvez seja uma característica minha e não deles. Artistas de primeira linha que são, fazem reverberar algo fantástico em cada um de nós, e que não sabem, nem querem, nem podem saber. Nós também não sabemos ao certo o que é. Se calhar vem daí essa tristeza melancólica: Solta, nada pertencer, a nada me unir estreitamente.


Elisa Andrade Buzzo
São Paulo, 21/6/2018


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Por que os livros paradidáticos hoje são assim? de Gian Danton


Mais Elisa Andrade Buzzo
Mais Acessadas de Elisa Andrade Buzzo em 2018
01. Mais outro cais - 7/6/2018
02. O dia em que não conheci Chico Buarque - 21/6/2018
03. As palmeiras da Politécnica - 6/12/2018
04. Minha plantinha de estimação - 15/3/2018
05. Primavera para iniciantes - 3/5/2018


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




Cantos Harmoniosos da América
Johan Dalgas Frisch; Christian Dalgas Frisch
Dalgas Ecoltec
(2001)



Estratégias Colaborativas na Distribuição
Vera Moreira e Outros
Abad
(2004)



Tancredo Vivo: Casos e Acaso
Ronaldo Costa Couto
Record
(1995)



Biologia Hoje 3 - Ensino Médio
Sergio Linhares / Fernando Gewandsznajder
Atica
(2013)



Quatro Anos-luz
Leda Miranda Huhne
Uape
(1994)



Você é do Tamanho dos Seus Sonhos
Cesar Souza
Agir
(2009)



Cousteau: uma Biografia
Axel Madsen
Campus
(1989)



A Vitória de Churchill
Michael Dobbs
Record



Responsabilidade Civil por Erro Médico
Fábio Motta da Cunha
Cbj
(2007)



Dupla Falta
Lionel Shriver
Intrinseca
(2011)





busca | avançada
64869 visitas/dia
2,2 milhões/mês